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Os polêmicos mamilos de Juçara Marçal

encarnado

O melhor disco de música brasileira do ano passado foi barrado no iTunes porque tava com os peitos de fora. Encarnado, de Juçara Marçal, não pode exibir seus peitos por puro preconceito da loja digital de Steve Jobs. Kiko Dinucci, autor da capa e cúmplice de Juçara em um monte de coisa boa, inclusive em Encarnado, meteu a boca na segunda-feira:

O assunto é:
Mamilos femininos!
Amanhã a Juçara Marçal lança pelo Laboratório Fantasma o disco Encarnado em várias plataformas de streaming.
Sairia para venda no ITunes também se eles não censurassem a capa por conter “mamilos” a mostra.
Sempre que faço arte pra capa de disco, penso em”arte”, a capa é a extensão da arte que é o disco como um todo.
Que autoridade eles têm de proibir uma arte por mostrar um mamilo? O mamilo, todos sabem, é só um pedaço do corpo, a primeira coisa que uma criança sente e põe a boca quando nasce.
O ITunes sugeriu fazermos outra capa, a Juçara se negou. Como a capa de um disco para o ITunes é somente a embalagem de um produto, pra eles pouco importa esse papo de arte, por moralismo, machismo ou simplesmente burrice, perderam a chance de vender um dos discos mais premiados e aclamados do ano passado pela crítica em nome desse tempo horrível de caretice e desamor.

E emendou na quarta:

Sobre esse lance da censura da capa do Encarnado, uma coisa ficou bem clara, as regras não são as mesmas pra todo mundo. Discos ligados a gravadoras grandes podem botar seus seios nas capas sem nenhum problema. Antes de parecer moralista, machista ou que quer que seja, a postura do ITunes me parece, antes de qualquer coisa, perseguição contra os discos ligados ao mercado alternativo.
Diretamente do país onde só os pobres são presos.

E citou exemplos que só não fazem rir mais porque o assunto é sério:

Lamentável, mas esse é um dos dramas do mundo digital, o tiquezinho no “eu aceito” quando você passa o mouse rapidinho por aquele calhamaço digital de termos e condições de uso. E a regra do jogo é a regra do dono, é o capitalismo em estado mais latente, não adianta bater de frente. Tem que fazer como o Kiko e a Juçara fizeram: caíram fora e não deixaram barato. Aos poucos a gente vai aprendendo…

Dá neles, Juçara Marçal!

jucaramarcal

Dois registro do mesmo instante: Juçara Marçal se joga em sua aguerrida “Damião” auxiliada pelos jovens mestres Kiko Dinucci e Rodrigo Campos nas guitarras e o mago Thomas Rohrer na rabeca no Circo Voador, no dia 29 de janeiro deste ano, sob as diferentes lentes: La Cumbuca (em cima) e Lala (embaixo).

Sugiro sincronizar as duas versões e assisti-las ao mesmo tempo. Dá um trabalhinho, mas o resultado…

Metá Metá @ La Blogothèque

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Os franceses do Blogothèque vieram registrar o trio Metá Metá (a melhor banda de São Paulo hoje? Briga boa com o Bixiga 70) em seu território-natal e o resultado foram duas apresentações memoráveis gravadas no meio da rua:

Metá Metá + Tony Allen

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O mestre afro beat une-se com o núcleo-duro da afropsicodelia paulistana numa session daquelas… Saca só:

O primeiro Passo Elétrico

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Eis o primeiro registro do novo disco do Passo Torto, chamado Passo Elétrico – e a tensa Passarinho Esquisito mistura Robert Fripp com Caetano no final dos anos 70. O que será que vem por aí?

Vida Fodona #367: O primeiro de 2013 de fato

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Músicas novas e velhas pra melhorar esse verão frio.

Melody’s Echo Chamber – “You Won’t Be Missing That Part Of Me”
Tame Impala – “Mind Mischief”
Yo La Tengo – “Ohm”
Cat Power + Angel Haze – “Manhattan (Ryan Hemsworth Remix)”
Justin Timberlake – “Suit & Tie”
Kiko Dinucci + Thiago França – “Sambaúba”
Morphine – “Brazil”
Jim Croce – “I Got a Name”
Kendrick Lamar – “The Art of Peer Pressure”
Christopher Owens – “New York City”
Curumin – “Pra Nunca Mais”
Frank Ocean – “Lost”
Poolside – “Harvest Moon”
Foxygen – “We Are the 21st Century Ambassadors of Peace and Magic”

Venha cá.

As 75 melhores músicas de 2012: 48) Sambanzo – “Capadócia”

Não há como não admirar a redescoberta da música africana que vem acontecendo no centro da música paulistana atual, reunindo talentos e novas celebridades ao redor da pluralidade polirrítmica e da harmonia tranversal da musicalidade do continente negro. É graças a esse não tão súbito interesse por diferentes aspectos de uma arte continental que personalidades como Kiko Dinucci (um dos maiores guitarristas do Brasil atualmente), Thiago França, Marcelo Cabral, Samba Sam e Wellington Moreira podem se encontrar em um projeto como o Sambanzo, nome que batiza o grupo (e que grupo!) liderado pelo sax endiabrado de Thiago. Mas “Capadócia” tem algo que transcende a Etiópia que dá nome ao álbum, o continente e vai encontrar parentesco na new wave dos Talking Heads, justamente em seu período caribenho, entre Fear of Music e o clássico show em Roma, em 1980. Culpa de Kiko, indie em pele de tribalista, que sabe muito bem o ponto em que o pós-punk converge com todo tipo de ritmo. E a cozinha, cubista e espacial, acompanha tudo de perto, escolhendo pontualmente os silêncios da faixa. Um clássico instantâneo.