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Jornalismo

O novo Spielberg?
J.J. Abrams homenageia seu mestre

J.J. Abrams não quer ser reconhecido apenas como um novo Midas do pop do século 21. Há algumas dezenas de candidatos – a escritora J.K. Rowling, Sergey Brin e Larry Page do Google, o DJ Dangermouse, Steve Jobs, o diretor Michael Bay, a dupla Daft Punk, Shigeru Miyamoto da Nintendo são apenas alguns deles. J.J. Abrams quer ser “apenas” o novo Spielberg.

Rebobinando (que expressão arcaica) para quem chegou agora: criador da badalada série Lost, J.J. Abrams não poderia existir há alguns anos. Produtor e diretor de séries e filmes, ele partiu da plataforma televisão e começou a expandi-la para outras mídias. Marcas como os seriados Alias, Lost e Fringe e os filmes Cloverfield e o novo Jornada nas Estrelas saem das telas para games, livros, sites e celulares. Não parece muito diferente do que outros produtores fazem, criando versões paralelas para um título principal. A diferença é que, para J.J. Abrams, isso tudo não é acessório – e sim peças de um quebra-cabeças que pode ser montado pelos fãs. Assim, ele faz com que os espectadores deixem de ser passivos, deitados em suas poltronas, para se tornarem ativos, inclinados em frente de seus monitores.

Agora que sua principal grife está prestes a acabar (o último episódio de Lost vai ao ar no próximo domingo, nos EUA), ele começa a ativar seu novo projeto secreto, de que falei na coluna da semana passada, chamado Super 8. E, para isso, ele não deixou por menos – e se aliou ao próprio Spielberg para a realização do filme que estreia em 2011.

Mas associar-se ao diretor que deu ao mundo os filmes de Indiana Jones não foi o suficiente. No trailer que foi lançado na semana passada (e que logo caiu no YouTube), o diretor apresentava uma única cena durante um minuto e meio. Nela, vemos uma caminhonete entrar nos trilhos de uma ferrovia e chocar-se com um trem. Após o acidente, a câmera foca em um vagão que tem sua porta esmurrada de dentro para fora, como se algo muito grande quisesse sair.

Nestes 90 segundos, Abrams faz referência a vários filmes de Spielberg. Seu primeiro filme, Encurralado, tem uma cena em que um carro quase é destruído por um trem. Em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, o governo americano noticia um acidente ferroviário como forma de encobrir o pouso de uma nave alienígena. Em E.T., um trem de brinquedo liga sozinho quando agentes invadem a casa em que o extraterrestre está.

Fora o fato de que, quando era adolescente, Spielberg dava seus primeiros passos no cinema filmando acidentes com seu trenzinho de brinquedo. E filmando com uma câmera, er… super 8. E J.J. fez isso só em um trailer. Imagine num filme inteiro.

Eu assinei o Personal Nerd desta edição do Link.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Os outros debates (sobre política e economia em tempos digitais) podem ser assistidos seguindo este link.

E hoje encerro a rodada de discussões do Link ali na Livraria Cultura do Conjunto Nacional. Depois do debate sobre política mediado pelo Doria e do de economia conduzido pelo Cruz, é a minha vez de intermediar um papo sobre mercado editorial, literatura, dispositivos de leitura eletrônica e o papel do livro em tempos digitais, que inevitavelmente descambará para novos hábitos de comportamento, consumo e produção criativa no século 21. A conversa será realizada entre o Flávio Moura, diretor da Flip, e o Samuel Titan, do Instituto Moreira Salles e começa pontualmente às 12h30. A entrada é gratuita.

Continua o Encontros Estadão & Cultura, primeiro evento do jornal na livraria e cuja pauta são os temas do Link. Ontem o papo sobre política e internet rendeu bem e hoje a conversa é sobre tecnologia e negócios e o Renato Cruz, repórter do caderno de economia do jornal, media uma conversa sobre as vantagens e as dificuldade de começar a trabalhar com uma empresa de tecnologia no Brasil. Na mesa sentam-se o Romero Rodrigues do Buscapé, o criador de um dos primeiros provedores de internet do Brasil Aleksandar Mandic; Marcelo Romeiro da Rio Bravo e Gustavo Morale da Hotwords. O papo começa às 12h30 ali no auditório da unidade da Cultura no Conjunto Nacional e a entrada é gratuita.

Daqui a pouco, ao meio-dia e meia, começa o primeiro Encontros Estadão & Cultura, série de debates que o jornal onde trabalho realiza com a Livraria Cultura. E o caderno que edito (o Link, pra quem não sabe) foi o escolhido para dar início aos trabalhos com três debates que abordam aspectos diferentes de seu universo – nestes três dias falaremos de política 2.0, tecnologia e empreendedorismo e sobre leitura em tempos digitais. A primeira conversa acontece hoje e aborda a política na internet de uma forma mais ampla do que a discussão partidária – mediada pelo Doria, a mesa conta com a participação do Rodrigo Bandeira, criador do site Cidade Democrática, e do analista de mídias sociais Pedro Markun, do Transparência Hack Day. Amanhã e sexta tem outros dois, no último sou mediador – mas estarei nos três dias por lá. O evento é gratuito e acontece na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na avenida Paulista. É só aparecer.

21 dias depois: nem notebook, nem celular, iPad ocupa novo lugarA vantagem do aparelho de uma tarefa sóLivraria Cultura vira palco para o LinkSó a Justiça pode tirar conteúdo do ar, redefine anteprojeto do Marco CivilComo registrar seu domínioA tecnologia dos celulares regerá o futuro dos tablets‘Prince of Persia’ vira filme dando sequência à evolução dos gamesE depois do anúncio do Plano Nacional de Banda Larga?A invasão dos ‘Androidphones’Vida digital: No espaço sideral

Local e global
Um evento em cinco cidades

“O aspecto mais excitante da cultura digital é a combinação de uma internet global com tecnologias que detectam localização, permitindo que você conheça lugares ao seu redor. Estamos conectados globalmente de formas diferentes e ao mesmo tempo descobrimos novos lugares e pessoas que estão próximos a nós mesmos e que passariam despercebidos se não fosse a rede. As pessoas estão cada vez mais conectadas e mais regionalizadas, ao mesmo tempo. ‘Glocal’ e ‘lobal’”.

Assim Drew Hemment, diretor do festival inglês FutureEverything, se anima com as possibilidades de uma nova geografia pós-internet. Ele é um dos idealizadores do evento GloNet, que será realizado na próxima quinta-feira, 13, em São Paulo e em outras quatro cidades do mundo. Além de São Paulo, Manchester na Inglaterra, Istambul na Turquia, Vancouver no Canadá e Sendai no Japão também sediam simultaneamente o evento, cujo mote é Geografia Imaginária.

“A cultura digital permite que possamos viajar sem nos movermos”, continua Hemment. “Cada vez mais pessoas têm acesso à internet e a serviços gratuitos como o Skype, que nos permite pular entre fusos horários e culturas apenas apertando um botão. Isso faz com que o mundo fique mais unido e pode criar choques culturais interessantes.”

Esta geografia digital não é apenas o tema de palestras e workshops que ocorrerão no Masp, mas também faz parte da própria dinâmica do festival, que pressupõe a interação entre os participantes das cinco cidades do evento.

Hemment é especialmente entusiasmado com o Brasil e diz que o País é conhecido mundialmente como o epicentro da cultura livre e da filosofia open source. O artista já passou pelo País, onde fez amigos, e adaptou a ideia dos Pontos de Cultura do Ministério da Cultura brasileiro em sua cidade-natal, Manchester. Ele se diz “fã” do Brasil e de São Paulo e diz que a cidade preserva muitos aspectos locais mesmo sendo uma metrópole global.

E é essa uma das principais questões levantadas pelo GloNet: como os âmbitos globais e regionais sobreviverão em uma sociedade totalmente conectada. “Prevejo a emergência de um novo tipo de regionalismo”, explica. “A cultura digital permite tanto conexões locais quanto globais. Em muitos lugares do mundo há um renascimento de estabelecimentos comerciais e comunidades regionais, que atualmente compete com a tendência de uma globalização ruim, sem os prazeres e diferenças que cada região pode ter.”

GloNet 2010
Realizado pelo Vivo Arte.mov em parceira com o British Council e o festival inglês FutureEverything, o evento será realizado na próxima quinta-feira, a partir das 11 h, no Masp em São Paulo. O programa conta com palestras de Lucas Bambozzi (Geografias Transitórias), Guilherme Wisnik (Cidade genérica x site-specific), Jorge Menna Barreto (Especificidade e (in)traduzibilidade), Giselle Beiguelman (Estéticas do Open Source), além de videoconferência e workshop com os artistas ingleses Paul Sermon e Dave Mee. O Masp fica na Avenida Paulista, 1.578 (telefone: 11 3251-5644) e a entrada para o GloNet é gratuita.

DEPOIS DE LOST
www.scariestthingieversaw.com. O endereço do site A Coisa Mais Assustadora Que Eu Vi apareceu em um microssegundo no trailer de Super 8, produção de Steven Spielberg com o criador da série Lost J.J. Abrams. Ainda vazio, o site deve iniciar mais uma mania online.

Eu, robôLink sai do papel na Livraria CulturaBrasil questiona mapa do Google de remoção de conteúdo“Born Free” e a censura do YouTubeO que é e como funciona o TumblrO iPhone do Gizmodo e o sensacionalismo tecnológicoO novo destino dos Papéis do PentágonoO roteiro do último episódio de ‘Lost’ vazou ou foi vazado?TV 3D já tem. Só falta o que verApple x AdobeNo Brasil, Ballmer mostra novo MSN e reclama do governoUma convenção de memes e viraisO dia das mães móveisVida Digital: Marcos Souza, coordenador-geral de direitos autorais do Ministério da Cultura

Holocausto vermelho
M.I.A., Romain Gavras e o videoclipe

Um batalhão de choque entra em um prédio com truculência. Armas em riste, os soldados todos de preto atravessam corredores e abrem portas de supetão, em busca de suspeitos. Arrastam-nos para um ônibus cheios de pessoas da mesma etnia e seguem para um terreno baldio. Crianças atacam o veículo com garrafas. Ao chegar em seu destino, o pelotão tira todos os passageiros do ônibus à força e os põe para correr. Muitos percebem que serão alvejados e hesitam em fugir, até que um dos soldados atira à queima-roupa na cabeça de uma criança. A cena grotesca faz que todos saiam correndo – e, um a um. vão sendo mortos, culminando com uma imagem de uma pessoa sendo despedaçada em frente às câmeras.

Sim, câmeras. O novo clipe da cantora cingalesa Mathangi “Maya” Arulpragasam – ou simplesmente M.I.A – é uma bordoada nos sentidos. Chocante ao extremo, o vídeo de Born Free, divulgado online na segunda-feira da semana passada, não impressiona só por suas imagens fortes. Há uma série de símbolos e valores que permitem alguns níveis de leitura. Os soldados remetem tanto à SS nazista quanto a batalhões de choque do terceiro mundo ao mesmo tempo em que ostentam a bandeira dos Estados Unidos no braço. Os perseguidos pelos quase dez minutos do clipe são todos ruivos.

Mas o assunto aqui não é a mensagem por trás do clipe dirigido pelo filho do cineasta grego Constantin Costa-Gavras, Romain Gavras – mas o fato dos dois artistas (a cantora e o diretor) terem escolhido disponibilizar o clipe (um formato velho) na internet (um suporte novo) para divulgar suas obras.

Porque Born Free não é apenas o primeiro single do próximo disco de M.I.A., ainda sem título, como também é um teaser do próximo filme de Gavras, batizado de Redheads, que deverá ser lançado ainda neste ano. Numa só tacada, os dois chamaram atenção para uma questão política em aberto – a eterna disputa entre os mocinhos oprimidos indefesos e vilões truculentos militarizados – e viraram o centro dos holofotes online e, consequentemente, da mídia.

No que diz respeito ao digital, o principal ponto neste episódio, pelo menos no que diz respeito à cultura e ao entretenimento, é o fato de seus protagonistas terem usado um formato típico dos anos 80 (o videoclipe) como único veículo para essa autopromoção.

O motivo? YouTube, claro – que, ironicamente, tirou o clipe do ar por considerá-lo “violento e pornográfico”. Mas a onipresença do site de vídeos online do Google no dia a dia fez que fosse respondida uma pergunta que ecoava há dez anos: com a ascensão do MP3 o single tornou-se maior que o álbum? Não. Como Lady Gaga havia dito em fevereiro com seu curta Telephone, o clipe é mais importante do que a música em si.

DJ
500 Essential Mix

Criado em 1993, o programa Essential Mix da rádio londrina BBC 1 é um dos mais tradicionais palcos para DJs e produtores de música eletrônica do mundo todo e revelou nomes como Daft Punk, Tiga, DJ Hell e brasileiros como DJ Marky, Twelves e Gui Boratto. Nesta semana o programa chegou às quinhentas edições e a rádio fez um especial para comemorar a data em seu site, disponibilizando versões enxutas dos principais sets para download além de uma linha do tempo com as atrações. Confira em www.bbc.co.uk/radio1/essentialmix/essentialmix500.