
Foto: Aditi Jain Chaves, do WikiAves
Artigo que escrevi para a retrospectiva que fizemos de 2009 no Link, na semana do natal.
Hype ou barômetro emocional do planeta?
Twitter mudou o conceito de “agora” a partir da fusão de rede social e autopublicação online
“Rede social de microposts”. Assim o Twitter era apresentado a uma comunidade digital disposta a testar novos serviços e ferramentas online que começaram a se tornar regra a partir de metade da década que termina agora. Eram duas tendências da década que pareciam finalmente chegar a um consenso.
De um lado, a web 2.0, que permitia a autopublicação online sem que fosse preciso ter noções técnicas de programação. Do outro, as redes sociais, que tornavam possível a comunicação instantânea e online de comunidades de pessoas que se conheciam fora da internet. Os dois pilares do novo site (ou seria um serviço?) só funcionaram como ponto de partida para a criação de algo que ainda não tem nome, mas que mudou a internet em menos de um ano – justamente este, que se encerra.
Mas por que 2009? Criado em 2006, o site já vinha sendo usado por early-adopters desde o primeiro ano e já havia causado algum ruído em nichos específicos, como entre gente que trabalha com comunicação e tecnologia – a ponto até de o próprio Google ter comprado no mesmo ano um concorrente parecido, o Jaiku. Mas o fato é que, por mais barulho que o serviço (ou seria um site?) tenha feito até o início deste ano, foi só um pequeno alarido comparado com o papel central assumido pelo site desde o início do ano.
Já vínhamos falando do Twitter aqui no Link desde que ele começou a virar notícia, em 2007, mas nossa primeira capa relacionada ao tema só apareceu no início deste ano, no dia 9 de março, o que causou desconforto em alguns de nossos leitores – que acharam que havia um certo exagero na cobertura que começamos a fazer relacionada ao site. Não era um hype, como queriam parecer que fosse, e o Twitter atravessou 2009 mudando a história de muitas pessoas – e, por que não, a História propriamente dita. É um novo jeito de se portar online.
Pois o Twitter mistura os dois elementos citados no início – autopublicação e rede social –, criando um híbrido que absorve outras tendências da primeira década deste século. É uma rede social, sim, mas também é uma enorme conversa online em que pessoas, marcas e instituições conversam simultaneamente, usando linguagens formal, informal e até mesmo cifrada, criando um enorme mosaico de informação rápida que funciona como um mashup de MSN, SMS, RSS e sala de bate-papo. E, diferente das redes sociais antes dele, o Twitter permite que você siga apenas quem você quiser – e não necessariamente quem também te segue.
A grande mudança, no entanto, não diz respeito à interface, mas a uma noção nova de um jargão que ficou banalizado desde a popularização da web, nos anos 90 – o chamado “tempo real”. O Twitter não apenas se organiza por fatos e opiniões que acontecem neste exato momento. Ele também amplia o tempo do “agora” para uma escala quase pessoal – e não tão rígida quanto uma transmissão ao vivo de TV. Uma entrevista, uma notícia, uma campanha publicitária – tudo pode ser assimilado sem pressa, de acordo com a velocidade de cada usuário.
E é na força do impacto da novidade nos diferentes conceitos de “agora” que faz surgir outro superpoder do Twitter. Quando muitas pessoas começam a twittar sobre determinado assunto, ele aparece nos chamados “trending topics” (a lista dos assuntos mais discutidos na rede), que funciona como uma enorme nuvem de tags emocional de uma rede cada vez mais global. É como se o site funcionasse como um barômetro da pressão do inconsciente coletivo.
Foi essa força que tornou o Twitter o principal protagonista digital deste ano: da posse de Barack Obama na Casa Branca à morte de Michael Jackson, passando pelos protestos contra o resultado da eleição do Irã, a gripe suína e futilidades como as cantoras Lady Gaga e Susan Boyle, o serviço Google Wave e os filmes Atividade Paranormal, Avatar e Lua Nova, tudo foi registrado via Twitter. Resta saber se o site continuará desequilibrando nos próximos anos – ou se será apenas o principal “modismo” de 2009.
• Onde é que você estava nos últimos 10 anos? • A tábua das leis não-escritas da internet • Assim foram os anos 00 • Quando a web 2.0 é usada na contramão • Quem vê username não vê avatar •
E esse infográfico que fizemos na edição de hoje do Link, hein? Clica pra ampliar.
Tou falando: se eu fosse você, comprava o Estadão às segundas.
• A década do videogame • A década dos games • Não faça ‘fail’ neste Natal • Celular acaba com aliança entre Google e Apple • O que você sempre quis saber, mas tinha medo de perguntar • Viaje nas férias com o mapa atualizado • Nova Marginal no GPS está longe • Imprensa livre é internet livre • James Cameron quer superar George Lucas • Vida Digital: Paulo Fonseca, morador de rua • Vontade, disposição e R$ 250 de custos •
• 80 produtos testados • Veja o videozinho da ceia de Natal em HD • Faça bonito e presenteie fotógrafos • Ano novo, celular novo, operadora e plano novos? • Falta de ideia não pode ser desculpa • De mini netbook a desktop grandalhão • Brinquedos para nativos digitais • Games para quem precisa de games •
• A “era iPod” (2001-2009) • Calma, o iPod só morreu como símbolo • Com a ‘cloud music’, streaming já é, hoje, o rádio do futuro • Depois da música, é a vez dos filmes e livros • Porque a indústria prefere o streaming ao download • Dá para usar Hulu, iTunes e Netflix no Brasil? • Ter ou não ter? Eis a questão que o digital propõe • Do YouTube para Hollywood • As ameças à hegemonia do Google, o cão de um truque só • Futuro do livro já é uma página virada • Brasileiro, Yahoo Meme será lançado em todo o mundo • Redes sociais podem salvar aqueles noites que parecem perdidas • Localização guia criação de aplicativo para celular • Dicionário Google já reúne 27 línguas • Nova PontoCom agita o mercado • Lei quer proibir games violentos • Google quer deixar a internet mais rápida • Guloseimas em rede social • Ativistas protestam por liberdade na web • E-mails de um idiota • Editar pode ser fácil • Caia na noite via rede social • Escreva tudo que quiser jogar no Nintendo DS • Convenção de humor no MIT? • Vida Digital: Ben Huh, do I Can Haz a Cheezburger•
E sim, o Nassif, que comenta a coluna que o Doria escreveu nesta segunda no Link, em que este último dizia que o Google seria um “cão de um truque só”. Antes de contra-argumentar Pedro (na verdade, o argumento é do Steve Ballmer, da Microsoft), Nassif gentilmente comenta o que acha do trabalho que faço diariamente com a minha equipe:
O Link é, de longe, o melhor caderno de informática do país – incluindo as revistas para micreiros.
Acho engraçado esses termos (“informática”, “micreiro”, parece o meu pai falando), mas agradeço o raro elogio. Sabe como é, jornalista é uma raça que não especialmente conhecida por reconhecer o trabalho de seus pares. E, em tempo, também discordei do Pedro quando ele veio me apresentar o tema de sua coluna, na semana passada. Mas é uma boa polêmica.
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