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Jornalismo

Por incrível que pareça, esta quarta marcou a primeira vez que o Metá Metá tocou no Bona. Integrantes da melhor banda do Brasil já haviam passado pelo palco da casa do Sumaré em outras formações, mas as duas apresentações que marcaram para esta semana foram as primeiras que Kiko Dinucci, Juçara Marçal e Thiago França fizeram juntos naquele palco, espalhando o já conhecido e arrojado feitiço musical forjado em São Paulo – embora nenhum de seus integrantes seja paulistano – para os ouvidos atentos que foram ouvi-los no meio desta última semana de janeiro. O repertório é o mesmo que apresentam há anos, juntando músicas de seus três álbuns com versões para canções de Jards Macalé, Maurício Pereira, Siba Veloso, Douglas Germano e Itamar Assumpção – que deixaram para tocar no bis, com a assertiva “Tristeza Não” -, sempre deixando violão, sax e vozes ganhar corpo próprio e dominar todos os presentes. Sempre aquele descarrego energético feito pra gente voltar leve pra casa.

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E essa versão que a nova-iorquina King Princess fez para um dos hits de seus conterrâneos do Geese, a memorável “Au Pays du Cocaine”, em sua apresentação no programa Live Lounge da rádio inglesa BBC? Ficou demais.

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26 de fevereiro: eis a data de lançamento de The Moment no Brasil. O pseudodocumentário sobre o fenômeno Brat conduzido por Charli XCX entre 2024 e 2025 e dirigido por Aidan Zamiri, acaba de estrear no festival de Sundance e, às vésperas do lançamento da trilha sonora produzida por seu compadre A.G. Cook, anuncia a data de lançamento do filme em diversas praças no clipe da música “Residue”, estrelado pela própria Charli e por outra atriz do filme, Kylie Jenner. Boa notícia!

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Nossa querida Chanzinha acaba de revisitar um dos discos mais importantes de sua carreira como Cat Power ao lançar o EP Redux, espécie de posfácio ao seu fabuloso The Greatest, de 2006, quando estabeleceu-se como a Lana Del Rey de seu tempo ao gravar um disco intenso e confessional, além de ser seu primeiro álbum sem versões para músicas alheias. Mas isso não quer dizer que ela não estivesse influenciada por alguns de seus mestres — e esse novo adendo ao disco de 20 anos atrás traz duas joias dessas: sua versão para “Try Me”, de James Brown, e uma releitura arrebatadora de “Nothing Compares 2 U”, escrita pelo Prince e eternizada por Sinéad O’Connor. Se a do James Brown levanta defunto, essa do Prince é puro encantamento. Prepare seu lenço…

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Ney Matogrosso, Luedji Luna, Gaby Amarantos, Jadsa, Douglas Germano, Sesc 24 de Maio e Ajuliacosta são os vencedores da premiação relativa ao ano passado segundo o júri da comissão de música popular da Associação Paulista dos Críticos de Arte. Eis o resultado, definido nesta segunda-feira Veja abaixo: Continue

Morreu nesta segunda-feira um dos maiores nomes da percussão jamaicana, o lendário baterista Sly Dunbar. Nascido Lowell Fillmore Dunbar, Sly ganhou este apelido na adolescência, quando começou a tocar com aquele seria seu maior parceiro em toda vida, o baixista Robbie Shakespeare, no momento em que a música da ilha caribenha em que nasceram passava por sua maior transformação. O ska tornava-se rock steady e aos poucos o novo gênero deixava de ser tão dançante para assumir uma doçura que vinha da soul music norte-americana, mutando-se no que depois se tornaria mundialmente conhecido como reggae. Sly e Robbie começaram a tocar juntos em grupos da primeira fase do gênero, como Revolutionaries (que também tocava como Aggrovators) e suas influências vinham da própria ilha – especificamente do baterista dos Skatalites, o lendário Lloyd Knibb, e do baterista dos Booker T & The MGs nos Estados Unidos, Al Jackson Jr. Os Revolutionaries tornaram-se a banda do histórico Channel One Studios no mesmo ano em que Bob Marley tornou-se um artista global, o que provocou uma procura mundial pelo novo ritmo jamaicano. Logo os dois começariam a trabalhar como uma dupla e assinar Sly & Robbie, tocando tanto com lendas conterrâneas (como Gregory Isaacs, “Scratch” Lee Perry, Junior Murvin, Black Uhuru, Peter Tosh, Chaka Demus & Pliers, Bunny Wailer, Jimmy Cliff e o próprio Bob Marley) a titãs da música pop tão diferentes quanto Bob Dylan (que os reuniu com Mark Knopfler e Mick Taylor no disco Infidels, onde gravaram “Jokerman”), Herbie Hancock (com quem gravaram “Future Shock”), Grace Jones (com quem gravaram três álbuns), Serge Gainsbourg, Madonna, Fugges, No Doubt, Sinéad O’Connor, Britney Spears e os Rolling Stones. Robbie já tinha ido para o outro plano em 2021 e agora os dois se reúnem novamente no céu do reggae. Vai em paz.

A semana começa com Mr. Bungle no Cine Joia, mas o mais legal é saber que Mike Patton e companhia chamaram os brasileiros do Test pra abrir o show desta segunda. Foda demais!

Lá vem eles de novo! Estou falando tanto da programação de shows da Balaclava de 2026, que acaba de começar, quanto da vinda do Superchunk, banda norte-americana lendária que frequenta a cena indie brasileira desde o fim dos anos 90. Liderada por Mac McCaughan, a banda de Chappel Hill que também toca a gravadora Merge vem mais uma vez ao país, quando se apresenta no Cine Joia no dia 31 de maio. Os ingressos já estão à venda!

“Don’t sleep, don’t eat, just do it on repeat”, respondeu Charli XCX, citando ela mesma (na “365” que encerra seu disco Brat) quando alguém da plateia perguntou como é que ela conseguia tempo para fazer tudo que conseguia. Ela estrelou a entrevista coletiva neste sábado no festival de Sundance quando apresentou seu documentário de mentira The Moment ao lado do elenco do filme e do diretor Aidan Zamiri e falou sobre o que ela mais queria agora, diferente da personagem do filme, é que o Brat – disco-motor do fenômeno retratado no pseudodocumentário – parasse.

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Foi um dia antes do aniversário da cidade, mas deu pra lavar a alma da pequena multidão que se aglomerou debaixo do vão do Masp no sábado para assistir a Suzana Salles, Juçara Marçal e Kiko Dinucci iapresentar o espetáculo que fazem há anos ao redor do repertório de Itamar Assumpção. Especial ouvir “Sampa Midnight” ao lado do Trianon e sob o vão do museu citados na música, mas mais forte ainda perceber o quanto a obra de Itamar vai cada vez mais perdendo a aura equivocada de maldito para assumir seu lugar como arcano maior da sensação de paulistanidade evocada naquele encontro, reunindo três ícones da música da cidade. Para ganhar a estatura exata, o show no entanto precisaria estar num palco alguns metros mais alto (apenas cem centímetros já melhoraria bastante a experiência) e com o som poucos decibéis acima. Mas mesmo esses pequenos revezes ampliavam a presença da cidade ao redor – a conversa das pessoas, o som do trânsito, o barulho das árvores, a fina garoa que insistia cair em pleno verão -, o que não chegou a comprometer um sensacional sábado à tarde. E ouvir Juçara e Suzana conduzindo os vocais do público para entoar “Nega Música” com o violão de Kiko como único acompanhamento instrumental foi maravilhoso…

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