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Lindaça essa “Ainda” que Tiê acaba de lançar, composta por Barbara Ohana em parceria com Adriano Cintra, que dá início aos trabalhos de seu quinto álbum, ainda sem título, seu primeiro disco de inéditas desde seu Gaya, de 2017. De lá pra cá ela lançou o único disco (Eu Te Amo, de 2022) do projeto em parceria com o próprio Adriano, Fogo Fera, e o ao vivo Cartas de amor – Ao Vivo no Bona, no ano passado. Mas essa nova balada, ainda mais apresentada com a entrega que Tiê sabe fazer – como dá pra ver em sua apresentação neste fim de semana neste programa de TV -, retoma a veia romântica de seu maior hit, a versão brasileira (e melhorada) para a canção italiana “A Noite”. Segura!

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Enquanto isso, no SXSW, em Austin, nos EUA, St. Vincent compareceu ao evento para discotecar no sábado e acabou dividindo o palco com Alanis Morissette em seu inevitável hit “You Oughta Know”. E, pra variar, fez bonito.

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Mais uma noite com Sophia Chablau no Centro da Terra, esta anunciada como um dos grandes momentos de sua temporada Guerra, uma vez que reunia dois universos distintos da canção contemporânea brasileira, quando ela chamou Dora Morelenbaum e Juçara Marçal para a mesma noite. Ela começou acompanhada da dupla com a qual montou o power trio que atravessa as noites deste mês de março, com ela mesma na guitarra e vocais, Marcelo Cabral no baixo e eletrônicos e Theo Ceccato na bateria, chutando a vibe punk rock logo de cara com uma canção inédita e dedicando sua “Quantos Serão No Final?” à escola iraniana que foi bombardeada pelos EUA no início do mês. Depois, sozinha com seu instrumento, passeou por outras inéditas (como uma que compôs para os bares da marquise da Alfonso Bovero, vizinhos do teatro, e outra em inglês). Depois, ainda só à sua guitarra, chamou a primeira convidada da noite, quando dividiu com Dora os vocais de sua “Cinema Total”, de outra inédita, composta na semana passada para a própria cantora carioca, batizada ainda no rascunho como “Corpos Jogados”, de “Petricor”, da própria Dora, e de “Vem Comigo” de Sophia gravada por Dora, as três últimas acompanhadas por Cabral (que fez um solo fabuloso na última). Os dois deixaram Sophia sozinha de novo no palco, que passou por sua “Segredo” e por outra inédita, antes de chamar a segunda convidada da noite. E ao chamar Juçara para o palco (bem como Theo e Cabral), começaram passeando pela “Lembranças Que Guardei”, que Ju compôs com Kiko Dinucci e Fernando Catatau, para depois entrar em uma parceria inédita das duas (batizada temporariamente de “Sumiu Sumi”), de “Meninos de Itaquá” (que Sophia já havia mostrado nas noites anteriores e confessou ser inspirada no Delta Estácio Blues de Juçara) e outra inédita das duas, “O Céu Já Não”, que encerrou a noite em grande estilo. Showzaço que só pecou por não juntar Dora e Juçara numa mesma canção, mas que seguiu mantendo o alto nível da temporada.

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“Eu vou pra Lua e você vai comprar a passagem, porra!”, esbraveja Cameron Winter quase no final do mantra motorik “Apollo”, canção novíssima que estrearam neste domingo, quando tocaram no Astra Kulterhaus, em Berlim, na Alemanha, como parte de sua turnê europeia. O krautrock “Apollo”, única canção do bis desta noite, é a primeira música inédita a invadir o repertório da banda desde que o quarteto de Nova York afunilou seu setlist ao redor do disco Getting Killed, dos grandes acontecimentos fonográficos do ano passado. Eles já têm falado em entrevistas que têm material pra lançar um outro disco se quiserem e pode ser que eles tenham finalmente decidido começar a experimentar esse novo material ao vivo. Vai ser foda acompanhar isso…

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Morreu um dos grandes antiheróis da música mineira. Jair “Gatto” Fonseca veio das letras e participava do coletivo Cemflores, em que estudantes da UFMG lançavam publicações independentes e faziam intervenções artísticas no final dos anos 70. Deste mesmo núcleo artístico surgiu o projeto punk – que depois virou a banda de mesmo nome – Divergência Socialista, liderado pelo saudoso Marcelo Dolabela, que também reunia John Ulhoa (futuro Pato Fu) na formação, e que trouxe Jair para a música. Ele seguiu no grupo seguinte de John, o Sexo Explícito, surgido em Belo Horizonte em 1982, mas dois anos depois criou seu próprio conjunto, o pós-punk O Último Número, reforçando suas raízes poéticas desde o nome, título de um poema de Augusto dos Anjos. Com este lançou dois discos independentes que marcaram a cena mineira do período e são joias pouco ouvidas do pós-punk brasileiro, O Strip-Tease da Alma (de 1987) e Filme (do ano seguinte), que marcaram a curta carreira do grupo e mostraram o trabalho de Jair para o resto do Brasil. A banda ainda lançou um terceiro álbum (Museu do Mundo), quando tentou voltar em 2001, mas Jair seguiu carreira nas letras, como professor formado e pós-graduado na mesma UFMG que começou e há vinte anos atuava como professor de literatura comparada da UFSC, em Florianópolis. As letras sempre foram seu principal habitat, tanto que se considerava mais “escritor de canções” do que compositor.

Céu à vontade

Céu vem comemorando os 20 anos de seu primeiro disco desde o ano passado, mas só agora consegui assistir a este show, quando ela apresentou-se por duas noites na comedoria do Sesc Pompeia. E é muito bom vê-la voltando a aprumar-se depois de um período instável em sua discografia quase sempre em ascensão. O tropeço com o fraco Um Gosto de Sol não foi recuperado mesmo no bem sucedido Novela, mas no novo show ela parece reencontrar sua essência musical, despindo-se de adereços e participações para focar no âmago de seu trabalho: seu envolvimento intenso com a música. Ao visitar as canções do primeiro álbum – visionário por enfileirar referências que, em 2005, ainda eram distantes, como MPB, reggae, samba, soul e música latina –, ela soltou-se no palco deixando seu corpo, carisma e voz conduzir a apresentação, sempre dançando à vontade para liberar seu tímbre único para vocalizações improvisadas como ela sabe fazer melhor. Céu armou-se do jeito que se sentia mais tranquila, primeiro reunindo uma banda de músicos que o acompanharam em diferentes fases de sua carreira, desde o eterno baixista Lucas Martins a Sthe Araujo (percussão e vocais) e Leo Mendes (guitarra, cavaquinho e violão) que a acompanham desde a pandemia e os recém-chegados Zé Ruivo (teclados) e Pedro Lacerda (bateria), além do velho camarada DJ Marco. Depois convidando a nova amiga Luiza Lian (que a chamou para cantar junto em seu 7 Estrelas, de 2023) para fazer a direção do show, que deu pitacos no figurino, trouxe sua comadre Bianca Turner para fazer as ótimas projeções e criou uma apresentação em que ela fluísse levemente. Mexendo pouco na ordem do disco (trouxe “Bobagem” para o começo e deixou “Samba na Sola” de fora), ela ainda emendou um bis que é praticamente um greatest hits de sua carreira até aqui, com “Grains de Beauté”, “Coreto”, “Contravento”, “Cremosa” e três do Tropix, “A Nave Vai”, “Varanda Suspensa” e “Perfume do Invisível”. Com o público cantando todas as músicas juntos, Céu está pronta para retomar o voo pleno que singrava até a pandemia. Hora de ouvir as músicas novas!

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A banda chilena Candelabro aproveitou sua participação no Lollapalooza que aconteceu em Santiago neste sábado para meter o dedo na ferida da política local, quando tocaram uma versão da música “Ultraderecha”, do grupo Los Prisioneros, e dedicaram ao recém-eleito presidente chileno (“Kast votou no Pinochet!”), antes de exibir os rostos de Milei, Netanyahu e Trump com suásticas na testa. Será que algum artista brasileiro vai fazer algo do tipo em sua apresentação no festival, que acontecerá na semana que vem?

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Muito boa a discussão que Christian Dunker abre em seu canal do “YouTchube” (como ele mesmo o descreve) sobre O Agente Secreto e a política da memória – tão boa como a caracterização que ele usou para puxar essa discussão, dentro de um fuquinha amarelo como os orelhões do marketing do filme do Kleber Mendonça Filho.

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Extremos aparentes

Caio Colasante começou mais uma edição quentíssima do Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita com suas canções solo cada vez mais definidas, não importe com quem toque. O ex-guitarrista da banda Os Fonsecas que também acompanha o duo de hip hop Kim & Dramma veio cercado de velhos comparsas, como o baterista Thalin (outro ex-Fonsecas que vem firmando seu trabalho solo, baseado no rap, com quem Caio também tem tocado) e o percussionista Bruno “Neca” Fechini (dos Tangolo Mangos, onde Caio também teve uma breve participação como guitarrista temporário) e trouxe dois novos nomes para sua banda, o baixista do Saravá Roberth Nelson, e o guitarrista da Mundo Vídeo Vítor Terra. E mais do que compositor e guitarrista, Caio tem uma verve maestro que faz com que todos que toquem com ele o sigam em arranjos que parecem simples, mas que tem uma complexidade específica que vem de suas referências musicais, que vão do rock progressivo, ao jazz fusion e, principalmente, pela MPB dos anos 70 e 80, coroada pela influência do principal mestre do músico, o saudoso mestre Jards Macalé. Ele ainda tem uma certa timidez nos vocais, mas nada que a prática não o deixe mais à vontade, por isso é bom ficar de olho no que ele vem fazendo.

Depois do Caio Colasante, foi a vez do Tutu Naná mais uma vez apavorar no palco do Inferninho. Depois de exibir pela primeira vez o ótimo clipe de “Sobre as Aves”, o grupo fez a microfonia e o barulho tomar conta da Porta Maldita, sempre sobre vocais sussurrados, efeitos eletrônicos e percussão absurda, fazendo a aparente contradição entre suas principais influências – o noise e a MPB – cair por terra assim que o som começa. Além de tocar músicas do recém-lançado EP batizado com o mesmo nome do clipe que apresentaram, também mostraram pela primeira vez em público sua versão para “Caxangá”, de Milton Nascimento. A química entre os integrantes talvez seja sua principal arma secreta, com a guitarra fulminante de Akira Fukai misturando-se com o baixo melódico de Jivago Del Claro, as viradas de tempo absurdas de Fernando Paludo (um misto de Milton Banana com Keith Moon) e os vocais e flauta transversal de Carolina Acaiah, que vem se soltando cada vez mais nos efeitos, fazendo a bruxaria eletrônica pairar sobre o furacão eletroacústico do grupo. Pra variar, outro showzaço.

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Vamos a mais um @inferninhotrabalhosujo na Porta Maldita, reunindo duas atrações já conhecidas da casa. Quem abre a noite é o Caio Colasante, que já esteve na festa tocando com sua antiga banda Os Fonsecas e agora mostra sua carreira solo ao lado de uma superbanda do novo indie paulistano formada por Vítor Terra (Mundo Vídeo) na guitarra, Bob Nelson (da Saravá) no baixo, Bruno “Neca” Fechine (dos Tangolo Mangos) na percussão e Thalin na bateria. Depois é a vez dos Tutu Naná, que mostram o novo EP que acabaram de lançar, chamado Sobre as Aves, e também exibem o clipe de mesmo nome antes de sua apresentação. Depois das bandas, o palco torna-se a já tradicional jam infinita da casa enquanto eu discoteco até altas madrugadas. Os ingressos já estão à venda.