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Jornalismo

Escrevi sobre a saída de Jobs do cargo de CEO da Apple no caderno de Economia dessa sexta, no jornal.

É preciso avisar que Steve Jobs não morreu
“News of my death has been greatly exaggerated”

A notícia da aposentadoria de Steve Jobs pegou todos no susto. Sua empresa, criada numa garagem californiana no meio dos anos 70, foi apontada há pouco como a mais valiosa do mundo. A Apple se beneficiou da recente crise econômica que desvalorizou os papéis nos EUA e fez que a antiga líder, a Exxon Mobil, caísse momentaneamente para o segundo posto.

Não é só isso: com a consolidação de seu iPad no mercado, a Apple não apenas ditou um parâmetro para o mercado – ainda sem concorrentes à altura, apesar das inúmeras tentativas –, como corre o risco de reinventar o computador pessoal mais uma vez, se seu tablet aposentar de vez o desktop.

E, de uma hora para a outra, vem a notícia de sua aposentadoria inesperada. Principalmente porque, depois de pedir afastamento por problemas de saúde, ele voltou à ativa, mesmo que por exigência do conselho da empresa, para anunciar o novo modelo do iPad. Parecia que em pouco tempo ele voltaria à ativa de fato e, em breve, revelaria mais um novo produto, além das já anunciadas – embora ainda especuladas – versões do iPhone (a quinta) e iPad (a terceira).

O impacto da notícia, por mais importante que seja, teve um tom fúnebre. Há até fãs da marca fazendo vigília em Apple Stores, como se o criador da empresa tivesse realmente falecido. “Cadê seu Deus agora?”, perguntam engraçadinhos na internet, provocando os fãs dos aparelhos Mac.

Mas a aposentadoria de Jobs é o ponto final em sua carreira? A não ser que seu estado de saúde seja realmente crítico (o que não descarta a possibilidade de sua morte acontecer entre a redação deste texto e sua publicação), a notícia da última quarta é apenas mais uma das inúmeras adversidades que Jobs enfrentou em sua biografia.

Para começar, não é a primeira vez que ele sai da Apple – isso aconteceu em 1985, quando pediu demissão da própria empresa que criou após uma disputa de poder interna. E não é o primeiro problema de saúde que enfrenta – venceu um câncer de pâncreas no início da década passada e passou por um transplante de fígado em 2009.

Não é à toa que a maioria das biografias escritas a respeito dele têm um tom de autoajuda e de superação; motivo semelhante de suas aparições terem tom religioso. Fui a um desses cultos, quando ele apresentou o finíssimo Macbook Air, em janeiro de 2008, em San Francisco – que nem é dos principais aparelhos de sua empresa. Mas a simples presença de Jobs no palco era o suficiente para encantar seus fãs (não à toa, carisma ele tem de sobra) e, logo depois, fazer as ações da empresa subirem. Deixar a Apple, portanto, não é o fim.

Conversei com o Cruz nessa quinta-feira sobre a saída de Steve Jobs do principal cargo da Apple. Não riam da cara que eu estou fazendo no printscreen do vídeo, não foi de propósito (hehe).

Falei sobre a participação do Moot no YouPix da semana passada em minha coluna de ontem no 2.

Moot entre brasileiros
O criador do 4chan amou o País

“Moot has left the building”, brinquei com o Luiz, da produção do YouPix, quando ele me falou que o criador do 4chan havia acabado de sair do hotel em direção ao Porão das Artes, no prédio da Bienal, onde aconteceu, de quarta a sexta passada, a última edição do maior festival de cultura de internet do Brasil. Mediaria, na quinta-feira, o bate-papo de Christopher Poole, o Moot, com o público do evento. Estava, portanto, esperando a chegada do rapaz de 22 anos no lugar para conversar pessoalmente com ele, antes de irmos ao palco. Já havia falado com ele pelo telefone, quando o entrevistei para a capa do Link da semana passada, e queria me apresentar para ele, que era o principal nome da edição do evento neste semestre.

A razão de sua importância é o fato de Moot ter criado, aos 15 anos, um fórum de troca de imagens chamado 4chan. Se apropriou de um formato de publicação japonês que permite que as pessoas se comuniquem através da troca de imagens, formato parecido com o de um fórum, só que bem mais simplificado. A facilidade de uso era uma de suas principais características. A outra era o fato de que ele não exigia que seus usuários se identificassem para publicar o que quisessem no fórum.

Isso transformou o 4chan em uma enorme fábrica de piadas visuais que só faziam sentido para seu pequeno grupo inicial de usuários. Mas suas qualidades (a facilidade de uso e o anonimato) o transformaram em um sucesso em escala global. O fato de suas mensagens serem imagens tornava o 4chan universal, pois bastava um pingo de conhecimento de inglês e de internet para começar a se entender no site. E assim, as piadas internas, antes restritas a um grupo de veteranos, começavam a ganhar toda a internet.

E assim surgiram o Rick Roll, os LOLcats, as ragefaces e uma série de outros memes que são comuns a quem passa parte de sua vida conectado à rede. E foi no 4chan que, graças ao anonimato, o grupo de hackers Anonymous pode se conhecer e começar a se organizar, para depois partir para ação, como fizeram neste ano.

Moot chegou e nem ele acreditou no assédio. Todos queriam tirar fotos com ele. “Eu nunca passei por isso, nem nos EUA”, disse, fascinado. E, ao subir no palco, em vez de ficar acanhado com o tamanho do público, sentiu-se em casa. Contou a história do 4chan e de seu novo site, o Canvas (“meu primeiro emprego”), falou de como percebeu que o site havia fugido de seu controle (“quando o FBI ligou em casa, me procurando”) e respondeu, às gargalhadas, a provocações e piadas do público. Ao final, foi apresentado ao vídeo viral brasileiro mais popular do ano (o funk carioca “Sou Foda”) e o blogueiro Maurício Cid, do blog Não Salvo, o botou para dançar. Moot adorou os brasileiros e confirmou sua teoria – de que nós entendemos a internet melhor do que o resto do mundo.

Quanto custa a internet no celularO que elas oferecemO Google vai virar uma empresa de telefonia?Quatro titãs de olho no topoTruste sem importância Servidor: YouPix 2011, Vale do Silício e Moda, 25 milhões de brasileiros no Facebook, Protestos online e tablets x PCs

Moot na TV

Eis a primeira entrevista que Moot deu em vídeo – ou pelo menos foi isso que ele me disse:

Apesar de creditado como “Alexandre Matias”, quem faz a entrevista junto comigo é o Rafael Cabral, repórter do Link.

A morte da autoria

Vi esse gráfico aqui.

“Distributorship killed the authorship star”

Vi no MagnificentRuin. Tem a ver com o fato de que a EMI está para ser comprada por uma das outras três grandes gravadoras e ninguém estar dando muita bola pra isso.

Eu e Moot

Daqui a pouco encaro a difícil e divertida missão de mediar uma conversa entre o público do YouPix e o criador do 4chan, Christopher “Moot” Poole, principal atração do YouPix nesse ano. O papo começa às 21h e o YouPix acontece no Porão das Artes, no Prédio da Bienal, no Ibirapuera. Bora?

Inicio minha participação no YouPix hoje, entrevistando Gilberto Gil ao lado de outros nomes (a saber: Bia Granja, Inagaki, VJ Marimoon, Bob Fernandes, Mona Dorf, Rafinha Bastos, Rosana Hermann, entre outros. O papo começa às 20h30 e acontece no Porão das Artes da Bienal, no Parque Ibirapuera. Vamo?

• Moot exclusivoLeia a íntegra da entrevista com Moot – “Foi difícil sair do anonimato” • A história da arte (pirateada) • Minerais raros, o ouro do século 21 • “As tecnologias de comunicação são neutras” • Praça pública ou shopping? • Amadora e exageradaHackers e o Facebook, games no Google+, o valor da Apple…

Falei do Super 8 na minha coluna no Caderno 2 de domingo.

A nova inocência
‘Super 8’ e o coração de uma geração

A promessa se confirmou. Super 8, que estreou neste fim de semana no Brasil, o terceiro filme de J.J. Abrams é tudo aquilo que parecia ser quando seu trailer de pouco mais de um minuto apareceu online há um ano. Ele é conhecido como Midas da TV pós-internet ao usar pistas e dicas colocadas online para aumentar a exposição e, portanto, a audiência de suas séries. Alias, Lost e Fringe são os melhores exemplos desse tipo de estratégia que também foi testada e aprovada no cinema. Mas até Super 8, J.J. só havia lidado com obras alheias – sua estreia na direção foi no terceiro Missão: Impossível e seu segundo filme acertou na mosca ao conseguir trazer a mitologia de Jornada nas Estrelas para uma nova geração.

Com Super 8, ele partiu para uma história nova e autoral. E, para isso, resolveu aliar-se a um de seus ídolos do cinema, Steven Spielberg, que chamou para produzir o filme. E como J.J. não é bobo nem nada, aproveitou a deixa para fazer o que melhor sabe: puxar links e referências para enriquecer seu trabalho – e fazer fãs enlouquecidos procurarem por essas pontas soltas dentro e fora da internet.

E o alvo, nesse caso, foi o próprio Spielberg. Mirando no ídolo como se olhasse num espelho, ele procurou um ponto em comum em sua filmografia para captar algo específico para a própria carreira. E escolheu os anos 80 consagrados pelo diretor. Depois de salvar Hollywood da bancarrota ao criar o formato blockbuster em Tubarão (1975), Spielberg se dispôs a dar a tônica de seu tempo. E, ao dirigir filmes como Contatos Imediatos do Terceiro Grau e E.T. e produzir outros como Goonies e De Volta para o Futuro, ele fez questão de celebrar seu novo público – os adolescentes dos anos 80. Walkman, videogame, computadores, rock, skate, grafitti – tudo que parecia modismo ou descartável para uma geração mais velha que a sua foi canonizado por Spielberg nesses filmes. Mais que isso, deu a uma geração que poderia crescer desesperançosa uma sensação de pureza e ingenuidade. Próxima àquela impregnada nos anos 50 dos EUA.

E agora J.J. Abrams quer repetir o feito. Já havia apostado na recuperação dessa inocência em sua primeira produção, o seriado Felicity, e todas as suas séries, por mais estranhas que fossem, nunca deixavam a emoção de lado. Lost era sobre amor e amizade, Fringe e Alias também tratam sobre a relação entre pais e filhos. Ao retratar o início dos anos 80 com o mesmo cuidado que Spielberg deu aos anos 50 (a conexão da viagem no tempo de De Volta Para o Futuro, que interliga 1955 e 1985 é crucial para entender isso), ele está às vésperas de conquistar corações e mentes da geração digital. De uma vez por todas.