O fundador do Pink Floyd une esforços com o produtor do Radiohead para lançar seu primeiro disco em doze anos – mais informações lá no meu blog no UOL.
Nigel Godrich, produtor inglês que ajudou o Radiohead a consolidar sua reputação a partir do disco The Bends, é a arma secreta de Roger Waters em seu primeiro disco solo desde 2005. O baixista do Pink Floyd anda atarefado cuidando de seu passado tanto na turnê Us + Them, que percorrerá os Estados Unidos este semestre mirando munição em Donald Trump, quanto na exposição sobre o grupo que ajudou a fundar que estreia em maio na Inglaterra, mas isso não lhe tirou tempo de compor um novo disco solo e de forte teor político, seguindo a linha de seus outros álbuns, como a ópera Ça Ira, sobre a Revolução Francesa, que lançou em 2005, seu disco mais recente. E para ajudá-lo a buscar este novo som, chamou Godrich, que além de trabalhar com o grupo de Thom Yorke assinou a produção de discos do Beck, Paul McCartney, R.E.M., Pavement, U2, Air, Warpaint e Red Hot Chili Peppers, entre outros. Is This The Life We Really Want? será lançado em maio e o músico soltou trechos do novo disco em seu canal no YouTube.
A história do baterista que foi um beatle por 13 dias vai virar filme – escrevi sobre isso lá no meu blog no UOL.
O posto imaginário de “quinto beatle” é uma das mais clássicas disputas dessa síndrome compulsiva e até então sem cura chamada beatlemania. Ao tentar decifrar o enigma que torna os quatro cabeleiras do pós-calypso uma das mais sólidas entidades da história da cultura popular contemporânea, fãs de todo o mundo começaram um jogo que cogita incluir um quinto elemento no quarteto perfeito formado por John, Paul, George e Ringo. Não faltam candidatos: do empresário Brian Epstein ao produtor George Martin, passando pelos ex-integrantes Pete Best e Stuart Sutcliffe e integrantes do círculo interno do grupo, como Neil Aspinall, Derek Taylor e Mal Evans, até o radialista Murray the K, autor do termo que batiza o jogo.
Mas se há tantos candidatos a quinto integrante, a concorrência torna-se menor no posto de “quarto beatle”, um papel formado apenas por bateristas, uma vez que a tríade formada por John Lennon, George Harrison e Paul McCartney em 1957 só se separou depois que a banda acabou, em 1970. Ringo Starr foi o último integrante a entrar no grupo e segurou-se nos três no exato momento em que eles começaram a fazer sucesso. Antes de Ringo veio o já citado Pete Best e até o baterista de estúdio Andy White, que George Martin chamou para gravar a primeira versão “Love Me Do” por não sentir firmeza em Starr, também entrou nessa roda. Mas um único candidato, o desconhecido baterista inglês Jimmie Nicol, ocupou o posto oficialmente no auge da beatlemania e sua história agora vai virar filme.
O livro The Beatle Who Vanished (O Beatle que desapareceu), autopublicado pelo jornalista e pesquisador norte-americano Jim Berkenstadt em 2013, teve seus direitos para o cinema comprados por Alex Orbison, filho do clássico baladeiro de voz doce Roy Orbison. “Descobri que Jimmie Nicol foi convidado nos bastidores e foi um beatle de verdade que dava entrevistas, ganhava todos os louros e estava ali apenas para ser deixado de lado em um aeroporto”, explica Orbison à revista Billboard sobre a intenção de contar aquela história, que teoricamente terminaria com Nicol ganhando 500 libras ao final do trabalho para depois ser esquecido pela história. “A segunda parte da história é um mistério. Parece ter um enorme apelo”, conclui o produtor.
Nicol substituiu Ringo no início de junho de 1964, quando o baterista original foi hospitalizado com amigdalite às vésperas da primeira turnê do grupo para o Oriente. Ele pode terminar a excursão que os Beatles faziam na Europa, fazendo um show em Copenhagen, na Dinamarca, e dois na Holanda, antes de voarem para o outro lado do planeta e se apresentarem uma vez em Hong Kong e duas em Adelaide, na Austrália. Era o exato momento em que o fenômeno beatle deixava de ser um modismo inglês que havia dado certo nos Estados Unidos e e começava a ganhar contornos épicos de fato. Abaixo, uma reportagem de uma emissora holandesa sobre a passagem dos Beatles pelo país – em holandês – com cenas de Nicol atuando como um beatle – tanto no palco quanto fora dele.
Mark Renton volta pra casa na continuação de Trainspotting, que estreia este mês no Brasil, e a trilha sonora conta com Clash, Iggy Pop remixado pelo Prodigy, Blondie e Run DMC, entre outros… Escrevi sobre o filme lá no meu blog no UOL.
Eis o último trailer de Trainspotting 2, que mostra o protagonista Mark Renton (vivido por Ewan McGregor) voltando para sua cidade-natal depois de morar um tempo em Amsterdã, na Holanda. Os flashbacks são inevitáveis, bem como as referências ao primeiro filme e os reencontros, que parecem dar a tônica da continuação do clássico que Danny Boyle dirigiu no meio dos anos 90.
Acompanhando a trajetória de uma turma de viciados em heroína na capital escocesa, Edimburgo, o filme de 1996 entrou para a história do cinema ao capturar a sensação dos anos 90 como poucos filmes conseguiram – e nisso a trilha sonora funcionava como uma arma secreta, misturando hits da época com clássicos de outras eras para traduzir em música a colagem de sensações proposta pela história, inspirada no hoje clássico livro homônimo de Irvine Welsh. A continuação, que conta com todos os atores do elenco original, segue as pegadas do primeiro filme e escala uma trilha igualmente misturada, que conta com o clássico de Iggy Pop, “Lust for Life” (trilha da antológica cena de abertura, citada no novo trailer), desta vez remixado pelo Prodigy, uma das principais bandas de música eletrônica da década do primeiro filme. O resultado é uma pedrada:
Mas o carro-chefe da trilha do novo filme é a contagiante “Shotgun Mouthwash”, do High Contrast, alter ego do produtor Lincoln Barrett, que recria a base de “Ooh La La“, do grupo Goldfrapp, como se fosse um riff de rock, capturando o clima sujo, dance e violento que paira sobre o que associamos a Trainspotting.
A trilha oficial ainda conta com três faixas dos novatos Young Fathers, Run DMC remixado por Jason Nevins e hits imbatíveis do Queen, Blondie e Clash, além de uma resposta do próprio Underworld para a música que o catapultou para o sucesso junto com o filme, “Born Slippy”. “Slow Slippy” parece que foi remixada pelo Primal Scream do início dos anos 90:
A trilha completa é esta:
Iggy Pop – “Lust For Life (The Prodigy Remix)”
High Contrast – “Shotgun Mouthwash”
Wolf Alice – “Silk”
Young Fathers – “Get Up”
Frankie Goes To Hollywood – “Relax”
Underworld & Ewen Bremner – “Eventually But”
Young Fathers – “Only God Knows”
The Rubberbandits – “Dad’s Best Friend”
Blondie – “Dreaming”
Queen – “Radio Ga Ga”
RUN-DMC vs. Jason Nevins – “It’s Like That” –
The Clash – “(White Man) In Hammersmith Palais”
Young Fathers – “Rain or Shine”
Fat White Family – “Whitest Boy On the Beach”
Underworld – “Slow Slippy”
Trainspotting 2 está previsto para estrear no Brasil no dia 23 de março. Também não vejo a hora.
Keanu Reeves tirou o gênio da lâmpada ao cogitar voltar a viver Neo – com algumas condições… Escrevi sobre isso no meu blog no UOL.
John Wick é fácil fácil um dos melhores filmes de ação da década e sua continuação – que ainda está em cartaz nos cinemas – consegue manter bem o ritmo do original. Parte do mérito vem do fato de seu diretor, Chad Stahelski, haver sido dublê e saber tanto coreografar cenas de luta como filmá-las. A outra parte é culpa de Keanu Reeves, que não tem o physique du role apropriado para um matador de aluguel temido pela simples menção de seu nome, mas que funciona bem e não compromete o filme em nenhum momento, saindo-se melhor do que o previsto nos dois filmes feitos até agora.
Stahelski e Reeves já haviam trabalhado juntos anos atrás, quando o primeiro foi o dublê do segundo no papel do mítico Neo da trilogia Matrix – aquela que começa com o filme brilhante de 1999 e termina com o vergonhoso filme de 2003. Mas a parceria da dupla, além de um ótimo e inesperado easter egg no decorrer do segundo filme e a sanha atual de indústria de entretenimento norte-americana por continuações, remakes e revivals, tornava inevitável a possibilidade da série original ser ressuscitada e o primeiro passo foi dado por Keanu Reeves, em entrevista à sucursal inglesa do site Yahoo Movies.
“As Wachowskis teriam de estar envolvidas”, cravou o ator sem pestanejar logo que o repórter lhe cogita a possibilidade de um Matrix 4, mencionando as autoras da saga, os antigos irmãos Larry e Paul Wachowski, que mudaram de gênero e agora atendem por Lana e Lilly Wachowski. “Elas teriam que escrever e dirigir. E aí veríamos qual seria a história, mas, sei lá, seria estranho, mas, por que não? As pessoas morrem, as histórias não. As pessoas nas histórias não”, empolgou-se o ator.
Não custa lembrar que o terceiro filme termina em aberto, com a possibilidade de um novo capítulo, que poderia materializar-se mais rápido que imaginamos. Afinal os três atores que protagonizaram a trilogia, Reeves, Carrie Anne Moss e Laurence Fishburne, se reencontraram em público em uma das sessões de lançamento do novo filme de Stahelski, no início do ano.
Neo. Trinity. Morpheus. #TheMatrix reunites at the #JohnWick2 premiere! (Photo by Todd Williamson for @GettyImages and Getty Entertainment) pic.twitter.com/zdQJiAxug5
— John Wick: Chapter 4 (@JohnWickMovie) January 31, 2017
Mas será que Matrix 4 é uma boa ideia? Isso também é uma questão deixada em aberto – vamos ver como isso se desenrola…
E se Kylo Ren virar Jedi e Rey virar Sith no Episódio VIII de Guerra nas Estrelas? Escrevi sobre essa hipótese no meu blog no UOL.
Principal protagonista do filme que ressuscitou Guerra nas Estrelas, a Rey de Daisy Ridley ainda é um mistério que intriga todo mundo que acompanha a série. Por mais que ela tenha conquistado os fãs com seu ar inocente e sua prontidão para o ataque, sua origem e seu passado ainda são completamente desconhecidos para quem não trabalha na produção dos filmes. Ela é filha de Luke Skywalker? Filha de Leia e de Han Solo – e, portanto, irmã de Kylo Ren? Neta de Obi Wan Kenobi? Ela pode ser uma Jedi? A última cena do Episódio VII é o início de seu treinamento com Luke?
Ou seria justamente o contrário? Será que nosso encantamento por Rey não seria uma forma de despistar a possibilidade da jovem heroína não ser a protagonista da nova trilogia – e sim a vilã? O diretor do sétimo episódio, J.J. Abrams, fala sobre algo interessante na faixa de comentários de O Despertar da Força, bem no momento do duelo final entre Rey e Kylo Ren:
“Uma das novas relações que estávamos colocando em foco era entre Kylo Ren e Rey. Eles nunca se encontraram, mas ele ouviu falar daquela garota. E então acontece o momento em que seu encontro é inevitável. E agora de volta à nossa heroína. E neste momento ela está prestes a, pela primeira vez, ser confrontada por Kylo Ren, um personagem com quem ela terá uma relação bem interessante no futuro.”
Há duas questões neste comentário. A primeira é o fato de que Kylo Ren e Rey não se conhecem. Nunca se conheceram. O que destrói uma teoria que dizia que Rey era filha de Luke e havia testemunhado – ou salva de assistir – o massacre que os Cavaleiros de Ren, a nova ordem liderada por Kylo, provocaram na escola Jedi que Skywalker havia criado após tornar-se ele mesmo um Jedi. Havia a possibilidade de Kylo lembrar-se de Rey daquele período, o que parece não ser o caso, segundo J.J. Abrams.
O segundo ponto diz respeito à relação entre Kylo e Rey. Ao comentar que os dois terão uma “relação bem interessante no futuro”, J.J. Abrams abre um mar de especulações que reforça a rivalidade entre os dois ou até mesmo abre a possibilidade de um romance. Mas há uma terceira hipótese, que casa com a teoria de que Kylo Ren seja um agente infiltrado no lado obscuro da Força e que tenha matado o próprio pai como uma prova de sua lealdade ao Supremo Líder Snoke. Esta teoria cogita que Kylo se revelará no próximo episódio, renascendo para o lado claro da Força e alcançando sua redenção ao mesmo tempo em que torna-se um Jedi. O que pode fazer que Rey mude de time simultaneamente, numa revelação tão inesperada quanto o fato de Luke ser filho de Darth Vader, feita em O Império Contra-Ataca.
Uma teoria elaborada por um fã em busca de uma explicação sobre o personagem de Benicio Del Toro – escalado para o Episódio VIII, mas sem nenhuma informação sobre seu papel – casa-se com esta possibilidade. O fã que se autodenomina Darth_Hodor escreveu na rede social Reddit que o ator porto-riquenho deverá encarnar uma versão mais velha de Ezra Bridger, personagem do programa de TV Star Wars Rebels, que, em sua teoria, cairá para o lado negro. E, mais do que isso, ele seria o pai de Rey:
“Colocando de forma simples, acho que Benicio Del Toro será o pai de Rey.
Nenhuma das outras teorias sobre Rey fazem muito sentido. Ela não vai ser uma Skywalker (além disso, já temos um deles na forma de Kylo Ren), ela não é uma Kenobi ou qualquer um que já conhecemos. Acho que a ideia de ela ter alguma relação com Palpatine seja interessante, mas eles iam ter que forçar bem a barra pra conseguir isso e eu não acho que a maioria do público vá engolir essa.
Mas isso não quer dizer que Del Toro fará o papel de um novo personagem. Acho que ele fará uma versão adulta de Ezra Bridger (do programa Star Wars Rebels). Ele tem a idade certa e há teorias que dizem que Rebels termina com Ezra (e Kanan, se ele ainda estiver vivo) entrando na nova Academia Jedi de Luke.
Mas por que ela foi deixada em Jakku?
A teoria que eu cogito é que Ezra cai para o lado negro. Ele se une a Snoke e juntos eles começam a manipular os Jedi, começando por Ben Solo. Antecipando isto, Luke esconde Rey de seu pai que, em retaliação, com ou através de Kylo Ren, destrói a Academia Jedi. Luke foge e Del Toro fica sem saber onde sua filha está escondida.
Gosto desta teoria pois ela permite uma “queda dupla” no Episódio VIII. Arma a queda para o lado negro de Rey (que pode ser incrível se for realizada da forma correta) e Kylo Ren já está marcado para um arco redentor próprio (uma “queda” para a luz). Isso deixaria tudo pronto para um final fantástico para estes dois personagens no Episódio IX.”
Mesmo que seja só especulação, ia ser demais ver a doce Rey tornando-se uma nova vilã – e um desafio e tanto para sua intérprete Daisy Ridley. Só saberemos no final do ano, quando o Episódio VIII estreia dia 15 de dezembro, em todo o mundo. Mas é bem provável que vejamos um novo trailer por esses dias…
Em mais uma abertura feita por um convidado – no caso Seth Green, do Frango Robô – os Simpsons invadem outros desenhos – postei essa (e outras) lá no meu blog no UOL.
Há quem diga que os Simpsons perderam a qualidade com o passar dos anos (embora seja difícil comparar com qualquer outro programa de TV, pois o desenho está em sua 28ª temporada), mas sua cena de abertura ainda segue como um dos principais pilares da cultura pop moderna, sempre buscando referências atuais para mostrar como a série continua importante. E algumas das aberturas mais geniais do desenho foram feitas em parcerias com outros autores, como eles fizeram na semana passada, ao entregar a abertura para Seth Green, o criador do desenho Frango Robô, da faixa de desenhos adultos do Cartoon Network, Adult Swim. Ele deu um sumiço no quadro com um barco que tradicionalmente orna a sala de TV dos Simpsons para fazer Homer procurá-lo em outros desenhos animados, passando por cima, inclusive, dos moleques de South Park, assista:
Não é a primeira vez que Seth Green assume o desafio de fazer uma abertura do desenho criado por Matt Groening – ele já havia feito uma versão dos Simpsons em 3D em 2013:
Tem um tempinho para assistir a todas as aberturas dos Simpsons desde a primeira até a temporada do ano passado? Então lá vai:
E pra quem acha que os Simpsons não aguentam mais, más notícias: a Fox renovou com o seriado no final do ano passado para mais duas temporadas, garantindo que a família amarela alcance o posto de 30 anos em exibição ininterrupta. Nada mal…
O impacto do musical La La Land já pode ser sentido através de paródias, que incluem versões Muppets, Nintendo e Lynch – juntei-as no meu blog no UOL.
Mesmo que você não goste de musicais, não dá para não reconhecer o impacto que La La Land provocou nos cinemas no final do ano passado, quando não só colocou o gênero de volta em pauta como trouxe questões relacionadas a otimismo e nostalgia de volta à tona – além de chancelar o trabalho de seus protagonistas Emma Stone e Ryan Gosling rumo ao primeiro escalão da atual Hollywood. Mas a influência deste tipo de filme não é medida apenas em números de prêmios ou de bilheteria, mas também a partir do número de paródias e subprodutos criados a partir da ideia original.
Uma delas, feita pelo site Funny or Die, troca o protagonista pelo sapo Caco, dos Muppets:
Outra, feita pelo canal Cinefix, transforma o filme em um jogo do tipo “adventure”, típico dos consoles da Nintendo na virada dos anos 80 para os anos 90:
O mesmo Cinefix aproveitou-se do fato de que o filme se passa na mesma Los Angeles dos sonhos de David Lynch e recriou o musical como um dos bizarros pesadelos cinematográficos do autor de Twin Peaks e Cidade dos Sonhos:
E, em tempo, gostei bastante de La La Land. É clássico e vintage à primeira vista, mas reconecta-se à história do cinema norte-americano de forma ousada e surpreendente, mesmo que seguindo as regras deste à risca. Não duvido que ele dê início não apenas a uma nova onda de musicais mas também espalhe para os cinemas uma sensação classuda e nostálgica que já toma conta da produção para a TV recente – que conecta Mad Men a Stranger Things, The Americans e Downton Abbey.
Após anúncio de um sistema solar habitável há 40 anos-luz da Terra, a Nasa acrescenta mais um pôster à sua incrível coleção – reuni todos eles lá no meu blog no UOL.
Nesta quarta-feira, a Agência Espacial Norte-Americana – a Nasa – parou o mundo para anunciar que havia descoberto um sistema solar habitável em nossas proximidades galáticas. Girando ao redor da estrela chamada Trappist-1 (“It’s a trap”?), foram descobertos sete planetas com dimensões próximas às da Terra sendo um deles, o quinto, chamado pelo nome código de Trappist 1E, contém água, indicando a possibilidade de vida, como conhecemos, fora deste planeta. O diretor da área de missões científicas da agência, Thomas Zurbuchen, foi além: “A descoberta nos dá uma pista de que encontrar outra Terra não é uma questão de ‘se’ (ela existe), mas de ‘quando’.”
Enquanto isso, o Jet Propulsion Laboratory recebeu a notícia com mais um de seus esplendorosos pôsteres que exaltam o turismo espacial, mostrando como a notícia está tão perto da realidade quanto da ficção científica. Além da visão gloriosa do céu vermelho refletido em seu oceano sob as órbitas dos outros planetas do sistema, o cartaz ainda lembra que o exoplaneta (como nos referimos aos planetas fora do sistema solar) foi “votado como a melhor ‘zona habitável’ para as férias – a apenas 12 parsecs da Terra”. Parsec – embora Han Solo tenha nos feito imaginar que é uma unidade de tempo – é uma unidade de distância que corresponde a 3,26 anos-luz. A distância de 12 parsecs, portanto, equivale a meros 40 anos-luzes, o que faria uma viagem até o novo sistema solar durar “apenas” 700 mil anos. O cartaz que festeja a descoberta do sistema Trappist-1 não é o primeiro – veja abaixo outros pôsteres feitos pela Nasa para manter o turismo espacial como uma possibilidade de futuro.
Dá pra fazer o download de todos estes cartazes incríveis no site da Nasa.
Autoras do disco considerado “o pior de todos os tempos”, as três irmãs voltam à ativa para um show de rock naïf – escrevi sobre elas no meu blog no UOL.
“Precisamos gravá-las enquanto elas ainda estão quentes!”, empolgava-se, segundo a lenda, Austin Wiggin, o pai de um grupo de três irmãs que ele achava que se tornaria um grande sucesso no auge do rock clássico, final dos dos anos 60. Sem o menor tino comercial – muito menos musical -, ele colocou suas filhas para tocar na marra sem se preocupar em ensinar música para elas e depois de anos de treino levou as Shaggs para gravar o disco Philosophy of the World, considerado o pior disco de todos os tempos. Tosco e completamente torto, o disco é uma obra de arte naïf da era elétrica e, fadado ao desaparecimento, construiu, posteriormente, uma reputação e um legado incrivelmente bizarros, que permitiram que a banda voltasse à ativa para participar da quinta edição do festival organizado pelo grupo Wilco, o Solid Sound, que acontece entre os dias 23 e 25 de junho deste ano.
“Philosophy of the World é o disco mais impressionantemente terrível e maravilhosamente doentio que ouvi em eras”, assim a escritora Debra Rae Cohen apresentava a obra máxima das Shaggs ao público da revista Rolling Stone norte-americana em 1980, mais de uma década após o lançamento original do disco. “Como uma família Trapp lobotomizada (em referência à família cantora do filme A Noviça Rebelde), as Shaggs berram letras de cartões de festa num uníssono feliz quase sem graça junto a frases ostensivas de melodia enquanto batem suas pequenas guitarras como se fossem alguém preocupados com o zíper. A baterista bate decididamente ao ritmo de outra inspiração, como se ela tivesse que acertar toda vez que música as outras estão tocando – errando todas as vezes”.
Não é exagero. O disco que as irmãs Helen, Betty e Dorothy – também conhecida como Dot – Wiggin gravaram no dia 9 de março de 1969 é uma tortuosa e quase infantil tentativa de fazer música pop sem a menor noção musical. Perto das três Shaggs, os primeiros punks eram músicos virtuosos. As Shaggs não tinham a menor noção de nada: ritmo, sincronia, conjunto, composição, interpretação – nada. O disco parece ter sido feito por crianças que pegaram instrumentos pela primeira vez na vida e, entendendo minimamente como cada um deles funciona, gravaram as primeiras ideias que vieram em suas cabeças, sem combinar nada umas com as outras.
De certa forma, era exatamente isso que acontecia. O pai das meninas transformou-as em um grupo por uma profecia de sua mãe, que leu a mão do jovem Austin Wiggin e disse que ele casaria com uma loira, que teria dois filhos depois que ela morresse e que suas filhas, juntas, seriam um grupo musical de sucesso. Como as duas primeiras previsões aconteceram, Austin preferiu não esperar o acaso e forçou suas filhas a terem uma banda. “Ele era teimoso e podia ser temperamental. Ele nos dirigia. Nós obedecíamos. Fizemos o melhor que podíamos”, contou Dot ao escritor Irwin Chusid, autor do livro Songs in the Key of Z: The Curious Universe of Outsider Music. E arrumou um lugar para as meninas tocarem ao vivo toda semana.
A tiragem inicial do disco, de mil cópias, foi quase inteiramente roubada em um assalto a um depósito de discos e as cem cópias restantes frustraram o sonho de sucesso que o pai tinha para suas filhas. No entanto algo improvável aconteceu: o disco se tornaria um item colecionável por fãs de música estranha, uma nova categoria de ouvintes que surgia entre os anos 60 e 70, buscando discos horríveis e mal gravados que seus autores achavam que poderiam fazer sucesso. Um destes principais colecionadores era o radialista Barry Hansen, que apresentava o programa que levava seu apelido, Dr. Demento, que passou a tocar músicas das Shaggs em seu programa. Em um deles, Demento recebeu Frank Zappa como convidado, que pediu para tocar várias faixas do disco Philosophy of the World, que ele considerava “melhor que os Beatles”.
O estranho culto às Shaggs via a tosqueira das meninas como um ponto positivo. Não importava que a música soasse pueril ou que não tivesse nenhuma relação com a forma tradicional de se fazer música. As Shaggs eram punks além dos punks pois não sabiam nada sobre música e mesmo assim foram lá e gravaram um disco. E a bizarrice, por esse ponto de vista, levava o instinto primitivo das garotas para outras praias musicais, como a música atonal, o folk experimental, o free jazz. Foi a esta luz que o grupo country NRBQ convenceu sua gravadora, Rounder, a relançar o disco no início dos anos 80, além de um segundo disco, Shaggs’ Own Thing, a partir de gravações que a banda fez em 1975. A reverência ao “pior disco de todos os tempos” ultrapassou a ironia e Philosophy of the World ganhou o status atual, de disco cult e influente, mesmo que sua influência seja mais conceitual que prática. O crítico Lester Bangs imortalizou a frase de Zappa ao colocá-la como título do texto que escreveu sobre as garotas no jornal Village Voice, em 1981: “As irmãs Wiggins – um antipower trio – não apenas redefinem a arte, como têm um coerente Weltanschauung em seu primeiro disco, Philosophy of the World.”
Por isso não é uma surpresa que a volta das Shaggs em 2017, quase cinquenta anos após o lançamento do disco que lhes deu fama, não seja a primeira vez. A banda foi recriada em 1999, quando o grupo NRBQ fez seu aniversário de 30 anos, em Nova York. Dois anos depois, o disco Better than the Beatles foi lançado em tributo ao grupo. A baterista Helen morreu em 2006 e Dot lançou seu primeiro disco solo em 2013, pela gravadora Alternative Tentacles, do fundador dos Dead Kennedys, Jello Biafra. As Shaggs foram citadas em filmes como As Vantagens de Ser Invisível, Empire Records, Ken Park e na série Gilmore Girls, além de Philosophy of the World estar em quinto lugar na lista dos 50 melhores discos de Kurt Cobain, como ele escreveu em seus Diários – a história da banda virou até peça de teatro na Broadway. Philosophy of the World, inclusive, foi relançado em vinil no ano passado numa edição limitada da caprichosa gravadora Light in the Attic.
Além das Shaggs, o festival Solid Sound terá duas apresentações do próprio Wilco, além de shows do Television, Kurt Vile & the Violators, Kevin Morby, entre outros, além de projetos paralelos da banda que faz a curadoria do festival, como Tweedy, The Autumn Defense, On Fillmore e o Nels Cline Four. Os ingressos já estão à venda no site do evento.
Em uma entrevista coletiva para falar sobre a nova exposição inspirada no Pink Floyd, o baterista Nick Mason e o baixista Roger Waters deram a entender que podem fazer um último show da banda no festival de Glastonbury – falei sobre essa possibilidade no meu blog no UOL.
Embora David Gilmour tenha matado o Pink Floyd logo após o lançamento do disco Endless River em 2014, os três integrantes remanescentes do grupo estão trabalhando juntos num projeto com o nome da banda. A exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains deve estrear ainda este semestre em Londres, reunindo toda espécie de material sobre a banda com a curadoria do guitarrista, do baixista Roger Waters e do baterista Nick Mason. É a primeira vez que os três se reúnem desde o show que fizeram juntos ao tecladista Rick Wright no evento Live 8, em 2005, três anos antes da morte de Wright. Mas agora dois integrantes da formação original da banda cogitam a possibilidade de voltar aos palcos com o nome que lhes deu fama.
“Seria legal acrescentar algumas coisas à lista. Eu nunca toquei em Glastonbury. Seria divertido, mas não acho que seja muito provável”, disse o baterista Nick Mason em um evento realizado para divulgar a exposição na semana passada, em Londres. Waters, que também esteve no evento e já tocou no festival como artista solo, completou a declaração do amigo baterista. “Eu toquei em Glastonbury uma vez. Acho que estava muito frio. Mas tinha muita gente, eles pareciam muito felizes eu gostei. Sim, eu tocaria lá de novo.”
A declaração dos dois colide de frente com as intenções do guitarrista, dono dos direitos do uso do nome da banda após uma exaustiva disputa judicial com Roger Waters, com quem tem uma relação complicada. Em entrevista ao jornal inglês Telegraph em 2015, Gilmour comentou sobre ter encerrado as atividades do Pink Floyd e sua relação com Waters. “Eu não me iludiria a não apreciar os ótimos momentos que tivemos juntos. Ao cantar ‘Us and Them’, eu penso como a música é brilhante e relevante, e eu não escrevi nem a letra nem a música. Ainda amo poder tocá-la. Eu não quero fazer mais isso com o resto destes caras. Rick morreu. Roger e eu não nos damos particularmente bem. Ainda conversamos. É melhor do que já foi. Mas não funcionaria. As pessoas mudam. Roger e eu nos superamos um ao outro e acho que seria impossível que nós trabalhássemos juntos de uma forma realista.”
Mas o fato é que Gilmour e Waters vêm trabalhando juntos na exposição The Pink Floyd Exhibition: Their Mortal Remains, que estreia no museu londrino Victoria and Albert no dia 13 de maio até outubro deste ano e já está com ingressos à venda. Inspirada no sucesso da exposição de David Bowie, a exposição reúne 350 itens usados pela própria banda, que vão desde instrumentos e equipamentos de som, a itens pessoais, manuscritos de letras e até a vara de bambu que surrava os integrantes da banda quando eles ainda eram crianças, na escola (pois até os anos 50, professores ingleses podiam repreender fisicamente seus alunos). O dia do lançamento da exposição coincide com o lançamento do primeiro single da banda, “Arnold Layne”, dos tempos em que o grupo era liderado pelo visionário psicodélico Syd Barrett, que só gravou o primeiro disco com a banda e morreu em 2006.

A última vez que os integrantes da fase clássica do Pink Floyd tocaram juntos, em 2005 (David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright)
A relação tensa entre os integrantes da banda já foi bem pior, mesmo antes do grupo terminar no início dos anos 80, quando Waters, que então via-se como o líder e principal compositor do Pink Floyd, demitiu o tecladista Rick Wright do último disco que gravou com o nome da banda, The Final Cut, de 1983. Nos anos 80, quando Gilmour, Wright e Mason ganharam na justiça o direito de usar o nome Pink Floyd sem a permissão Waters, a relação ficou ainda pior, principalmente porque Waters continuava fazendo shows com o mesmo material que o grupo também fazia ao vivo. Os quatro voltaram a se conversar no novo século, quando Waters participou de um show do Pink Floyd em 2005, tocando juntos pela última vez numa aparição surpresa no festival Live 8.
E nunca foi segredo nenhum que o dono do festival Glastonbury, Michael Eavis, sempre quis ter o Pink Floyd na história do evento. Será?












