Rodolfo Krieger, baixista da banda gaúcha Cachorro Grande, está começando a trabalhar em sua carreira solo ao anunciar o lançamento de um EP no segundo semestre com a faixa “Louvado Seja Deus”. De inspiração psicodélica – bebendo tanto na fonte inglesa clássica dos anos 60 quanto em sua versão dance que aconteceu duas décadas depois -, o single, cujo clipe é apresentado em primeira mão no Trabalho Sujo, é a semente de uma conexão com um dos maiores nomes de nossa psicodelia – e do rock brasileiro -, o mutante Arnaldo Baptista, que é sampleado na frase que batiza a canção, extraída do disco Let it Bed, de 2004.
“Eu ainda estava morando em São Paulo, desfrutando das noites frenéticas da Rua Augusta, e entrei em uma fase Arnaldo Baptista, daquelas que vem de tempos em tempos”, me explica Rodolfo por email. “As audições eram diárias e constantes, em uma dessas viagens em meu apartamento, decidi escrever uma carta à mão para ele. Na carta escrevi sobre discos voadores, equipamentos valvulados e também contei um pouco sobre as canções que eu estava compondo, inclusive algumas muito influenciadas por ele, devido às exaustivas sessões do ex-mutante no meu toca-discos. O tempo passou e um dia, quando estava voltando de um show da Cachorro Grande, o porteiro do meu prédio me entregou um pacote com o nome da Lucinha – esposa do Arnaldo – como remetente. Quando eu abri me deparei com uma camiseta pintada a mão por ele, uma carta e um pequeno quadro que ele pintou com a seguinte frase ‘creia em seus sonhos’ aí foi o start para dar inicio às minhas gravações e começarmos a trocar alguns manuscritos e presentes!”
Sarau o Benedito?
A conexão já gerou frutos para além do single, quando o cachorro grande participa de uma homenagem feita ao mutante no dia 20 de maio, quando ele dirige um show-tributo a Arnaldo com a presença do próprio e de outros convidados como China, Karina Buhr, Hélio Flanders e Lulina na Caixa Cultural, em São Paulo. A homenagem encerra o ciclo Sarau o Benedito? que também terá apresentações solo do mutante nos três dias anteriores. “Quando surgiu o convite para fazer a homenagem, pensei logo de cara que tinha que fazer algo diferente. Como um bom fã do Arnaldo, sempre vou em homenagens que vez ou outra acontecem e a maioria dos repertórios dão ênfase ao Loki?! e aos discos dos Mutantes. Então, montei o repertório baseado apenas nos álbuns Elo Perdido, Singin’ Alone e Let it Bed. E confesso que esse é um show que eu sempre quis fazer, aquelas musicas do Elo Perdido são uma paulada!”
Ele antecipa algumas pérolas desta noite ao instigar um pouco sobre quem toca o quê: “Posso te adiantar que o Helio Flanders vai aparecer com um trompete em ‘I Fell in Love One Day’ e a Karina Buhr, aniversariante do dia, vai cantar a musica ‘Oh Trem’ numa versão explosiva tipo ‘Yer Blues’, do White Album, do Beatles.”
“Venho da geração da fita K7, quando na zona sul de Porto Alegre tinha um grupo de amigos que sempre pirateavam algumas fitas e em uma das milhares dessas fitas, encontrei algumas dos Mutantes”, Krieger lembra de como conheceu o grupo. “Mas foi no final dos anos noventa que adquiri a discografia em CD. Nessa época já fazia alguns covers com os conjuntos locais e sempre acabava rolando músicas deles nas rodas de violão. Hoje tenho tudo em vinil e que não sai da minha vitrola, assim como os Beatles, David Bowie e todos aqueles clássicos que a gente é fã desde moleque. Já o trabalho solo do Arnaldo só tive acesso quando pisei em São Paulo pela primeira vez, em 2005. Meu sonho era conhecer a galeria do rock e no dia que entrei lá enlouqueci, o primeiro álbum que eu comprei foi o Lóki. Foi amor à primeira vista e agora estamos aqui, nós dois juntos reunidos em uma música só!”
Ele não esconde a vontade de colaborar com o mestre: “Estou deixando o universo conspirar. Eu não vou negar que adoraria fazer alguma coisa com ele, tanto no palco, quanto no estúdio. Foi dada a largada e existe muita energia na nossa relação, algo que eu acredito que possa jogar a favor. Mas só de ele ter liberado o sample e topado participar do clipe já é um sonho realizado.”
“Os Mutantes são o nosso maior patrimônio musical, sem dúvida nenhuma”, empolga-se. “Aquela frase que o Rogério Duprat fala no documentário Lóki é muito certeira: ‘o Arnaldo Baptista é o responsável por quase tudo que aconteceu no Brasil de 67 para frente’.
O cantor e compositor capixaba Juliano Gauche está prestes a lançar seu terceiro disco, coproduzido pelo guitarrista Fernando Catatau, e escolheu o Trabalho Sujo para mostrar o primeiro single de seu Afastamento, “Pedaço de Mim”, pop no melhor sentido do termo:
“Essa música como single foi uma escolha da Sil Ramalhete, minha companheira e produtora, desde que a ouviu no violão. E de acordo com o andar do disco, foi ficando claro que ela era mesmo uma das mais envolventes”, me explica o músico por email. “Ela não sintetiza o disco, assim como nenhuma outra também sintetizaria, mas consegue adiantar um pouco da atmosfera geral”. Isso vem, justamente, da parceria com o líder do Cidadão Instigado. “Ter o Catatau do lado na produção do disco foi um presente pra todo mundo”, continua Juliano. “Ele foi extremamente decisivo na arquitetura dos arranjos, quase um co-autor nas harmonias do disco. Tirou o melhor de todo mundo com muito respeito e generosidade. Foi perfeito. Exatamente o que se espera de uma personalidade como a dele”. Juliano também aproveita para mostrar a capa e o nome das músicas do novo disco, previsto para ser lançado no dia 4 de maio, pela EAEO Records:
“Silmar Saraiva”
“Pra Festejar Em Silêncio”
“Longe, Enfim”
“Dos Dois”
“Pedaço De Mi”
“Tem Dia Que é Demais”
“Todos Esses Dias Estranhei a Nossa Vida”
“Dos Cachorros Sisudos”
Lenda-viva do skate paulistano (quando subia e descia as ruas usando o pseudônimo de Cabralha), o baixista Marcelo Cabral atualmente é mais conhecido pela precisão incisiva das linhas de baixo do Metá Metá ou pelos arranjos que faz nos discos em que trabalha (de Criolo a Elza Soares). Ele está prestes a lançar seu primeiro disco solo, batizado de Motor, em que reforça este seu lado arranjador e mostra sua faceta de compositor num álbum sensível, delicado e minimalista, sem baixos elétricos ou acústicos, tocado apenas no bass synth. O disco foi produzido por Daniel Bozzio, Romulo Fróes e pelo próprio Marcelo, e conta com músicas compostas pelo baixista ao lado dos colaboradores Clima, Rodrigo Campos, Alice Coutinho e Romulo, além de participações de velhos chapas como Ná Ozetti, Maria Beraldo, Cuca Ferreira, Criolo e Guilherme Held, além dos broders de Metá Metá, Sérgio Machado, Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal. Motor chega nesta terça-feira nas plataformas digitais e ele antecipa a faixa-título, cantada por Romulo, com exclusividade para o Trabalho Sujo:
A capa de Motor, mostrada também em primeira mão para cá, foi feita pela companheira de Marcelo, Manuela Eichner, com quem ele vai passar uma temporada na Alemanha logo após o lançamento do disco. Conversei com o Cabral sobre este novo trabalho, em que ele também assume os vocais de suas canções:
Como esse disco surgiu?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-como-esse-disco-surgiu
Ele é um disco mais de arranjador do que de baixista, concorda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-ele-e-um-disco-mais-de-arranjador-do-que-de-baixista-concorda
Como foi o processo de composição e produção de Motor?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-como-foi-o-processo-de-composicao-e-producao-de-motor
Como você começou a trabalhar com arranjos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-como-voce-comecou-a-trabalhar-com-arranjos
É um disco de despedida do Brasil? Ou de encerramento de ciclo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-e-um-disco-de-despedida-do-brasil-ou-de-encerramento-de-ciclo
Você já pensou num show deste disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-voce-ja-pensou-num-show-deste-disco
O bardo australiano Nick Cave finalmente volta ao Brasil depois de décadas para uma única apresentação ao lado de seus Bad Seeds em São Paulo, no dia 14 de outubro, cortesia do Lúcio Ribeiro – mais informações aqui (e ingressos à venda aqui). Bravo!
Depois de quinze anos fora de atividade, a histórica Orquestra Santa Massa do DJ Dolores, grupo que segurou o brasão da música pernambucana após a implosão do mangue beat, no fim dos anos 90, volta a dar notícias. O grupo anuncia o lançamento de um novo disco, o primeiro desde Contraditório?, de 2003, para este ano e antecipa as novidades com o single “A Casta”, que lançam em primeira mão no Trabalho Sujo.
Carregando nas tintas políticas, o single parece comentar o Brasil de 2018, mas apenas reforça uma tendência que está em nosso DNA e repete-se por toda a história do país. É o primeiro aperitivo de uma nova temporada, que deve prosseguir com um EP lançado por aqui ainda neste semestre, e um álbum lançado primeiro no exterior mais para o final do ano (seguindo o padrão dos outros trabalhos da banda). O grupo volta com sua formação clássica: a vocalista e percussionista Isaar França, o guitarrista Fábio Trummer (líder de outro novo mito nordestino, a banda Eddie), o percussionista Mr. Jam, o rabequeiro Maciel Salu e, claro, o capitão DJ Dolores, com quem conversei sobre essa nova encarnação da banda.
Como que a Orquestra Santa Massa terminou e retornou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/orquestra-santa-massa-2018-como-que-a-banda-terminou-e-retornou
“A Casta” é uma resposta à situação do Brasil atual. Era inevitável recomeçar por aí?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/orquestra-santa-massa-2018-a-casta-e-uma-resposta-a-situacao-do-brasil-atual
Há quanto tempo vocês estão parados? O que vocês fizeram neste meio-tempo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/orquestra-santa-massa-2018-ha-quanto-tempo-voces-estao-parados-o-que-voce-fez-neste-meio-tempo
Mais uma vez a Santa Massa sai antes no exterior do que no Brasil.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/orquestra-santa-massa-2018-mais-uma-vez-a-santa-massa-sai-antes-no-exterior-do-que-no-brasil
O que você tem achado da música brasileira atual?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/orquestra-santa-massa-2018-o-que-voce-tem-achado-da-musica-brasileira-atual
A música brasileira pode ajudar a tirar o Brasil desta situação atual?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/orquestra-santa-massa-2018-a-musica-brasileira-pode-ajudar-a-tirar-o-brasil-desta-situacao-atual
A dupla Chromeo vem soltando seu próximo álbum no conta-gotas: anunciou o lançamento no fim de 2017 com o single “Juice“, depois entrou em 2018 com a sinuosa “Bedroom Calling” e agora marca a data do novo álbum, Head Over Heels, para o dia 15 de junho – e aproveitam para soltar mais uma música, “Must’ve Been”, esta gravada com o vocalista Dram.
No clipe, vemos Dave 1 e P-Thugg em diferentes fases de sua vida, encerrando com uma versão hilária dos dois ainda crianças.
E o som, sempre smooth.

Foto: Instagram dos Jicks
“Middle America” não era mesmo uma canção solta no tempo e sim o primeiro aperitivo para mais um disco que Stephen Malkmus lança ao lado dos Jicks, o sexto desde que assumiu que a formação de seu primeiro álbum solo teria esse nome, fazendo assim, portanto, os Jicks terem mais discos que a banda original de um dos grandes nomes da música americana. Sparkle Hard será lançado no dia 18 de maio (e ) e seu anúncio vem acompanhado de mais um single, a guitarreira “Shiggy”, que fará saudosistas dos anos 90 chorar de emoção.
Felizmente, Malkmus não é só nostalgia e a canção sobrevive à enxurrada de guitarras distorcidas de sua gravação oficial, como ele mostra nessa apresentação solo feita para o Pitchfork em uma igreja no Brooklyn (tocando outras músicas do novo álbum, como “Solid Silk”, “Shiggy”, “Middle America” e “Refute”, que, no disco, tem a participação de Kim Gordon, além de “Trigger Cut” do Pavement):
Ele já tinha mostrado sua força como cancioneiro ao entoar “Middle America” só ao violão no início do mês em seu canal no YouTube:
Mestraço. Essa é a capa do novo disco, que já está em pré-venda. Os títulos das canções vêm logo abaixo:
“Cast Off”
“Future Suite”
“Solid Silk”
“Bike Lane”
“Middle America”
“Rattler”
“Shiggy”
“Kite”
“Brethren”
“Refute” (com Kim Gordon)
“Difficulties / Let Them Eat Vowels”
O eterno beastie boy Ad-Rock foi convocado para remixar “Can I Sit Next to You?” do disco mais recente do Spoon e o resultado acrescenta um tico de groove na mistura da já dançante faixa dos indies do Texas.
Faz tempo que o canal Adult Swim funciona como plataforma para artistas de pequeno e médio porte lançarem singles longe de seus discos oficiais. Desta vez o convidado foi o Washed Out de Ernest Greene, que lançou a bela balada oitentista “Face Up”.
Demais.
Há dois anos cozinhando um novo álbum, os Arctic Monkeys finalmente anunciaram o lançamento do sucessor do ótimo AM: Tranquility Base Casino & Hotel será lançado no dia 11 de maio e felizmente deve manter o aspecto rock de tiozão que o grupo de Alex Turner assumiu nos últimos anos.
Eis a capa e o nome das músicas novas:
“Star Treatment”
“One Point Perspective”
“American Sports”
“Tranquility Base Hotel & Casino”
“Golden Trunks”
“Four Out of Five”
“The World’s First Ever Monster Truck Front Flip”
“Science Fiction”
“She Looks Like Fun”
“Batphone”
“The Ultracheese”
O disco já está em pré-venda.















