Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

Mogwai no cinema

mogwai-

Depois de fazer trilhas sonoras para documentários (como a trilha para Atomic: Living In Dread and Promise, lançada como álbum há dois anos), a banda escocesa de pós-rock Mogwai finalmente chega ao cinema ao ser chamada para participar da trilha sonora para o filme norte-americano Kin, um policial com Zoë Kravitz, Dennis Quaid e James Franco no elenco, que chega aos cinemas em agosto. A faixa “Donuts” segue o que se espera do trabalho da banda: um épico instrumental barulhento e melódico, zen e violento, simultaneamente desesperador e esperançoso.

kassin-relax

Mister Kassin, um dos grandes produtores do Brasil, invade a galáxia de Lincoln Olivetti no clipe da faixa-título de seu excelente Relax.

Ave Abba!

abba

O Abba, mítico grupo de pop sueco que dominou o inconsciente coletivo entre os anos 70 e 80 e colocou seu país no mapa da música mundial, anunciou, nesta sexta-feira, uma improvável volta da formação original. O anúncio foi feito através da conta do Instagram da banda:

❤️ #abbaofficial #abba

A post shared by @ abbaofficial on

A volta partiu de uma turnê virtual do grupo em que os avatares da banda – ou “abbatars”, como o grupo se refere – se apresentavam cantando seus clássicos para plateias ao vivo. A ideia fez que os casais que formam a banda (Agnetha Fältskog e Björn Ulvaeus e Anni-Frid Lyngstad e Benny Andersson) cogitassem a ideia de compor e se reunir como uma banda mais uma vez. São duas novas canções – uma delas chamada “I Still Have Faith In You” – que estrearão no final do ano em um especial para o canal norte-americano de TV NBC.

Que ano doido, hein!

Foto: Fátima Pombo

Foto: Fátima Pombo

Um dos nomes mais ativos da cena carioca, o baterista Marcelo Callado – integrante do grupo Do Amor e ex-baterista de Caetano Veloso – lançou seu segundo disco solo no fim do ano passado, coletando canções de diferentes épocas de sua carreira num ousado álbum duplo. Musical Porém, lançado fisicamente apenas em vinil (além de estar nas plataformas digitais), é uma viagem por diferentes gêneros musicais e formatos de composição em que o músico mostra toda sua amplitude musical. O disco começa a ser mostrado visualmente com o clipe de “Fica”, que ele mostra em primeira mão no Trabalho Sujo:

Aproveitei para bater um papo com o Marcelo sobre este novo disco e saber o que mais ele anda aprontando.

Como Musical Porém começou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-musical-porem-comecou

O disco sempre foi pensado como tendo diferentes facetas musicais?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-o-disco-sempre-foi-pensado-como-tendo-diferentes-facetas-musicais

O fato do disco em vinil ser duplo divide o álbum em quatro capítulos específicos.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-o-fato-do-disco-em-vinil-ser-duplo-divide-o-album-em-quatro-capitulos-especificos

Como aconteceram as participações especiais?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-aconteceram-as-participacoes-especiais

Como você relaciona esse disco com seus trabalhos anteriores?
Marcelo Callado: Como você relaciona esse disco com seus trabalhos anteriores?

É um disco influenciado por outros discos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-e-um-disco-influenciado-por-outros-discos

Por que lançar em vinil em vez de CD?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-por-que-lancar-em-vinil-em-vez-de-cd

Como é esse disco ao vivo? Quem mais toca contigo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-e-esse-disco-ao-vivo-quem-mais-toca-contigo

E o que mais você anda fazendo, além deste seu disco solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-e-o-que-mais-voce-anda-fazendo-alem-deste-seu-disco-solo

Musical Porém: Faixa a faixa

Aproveitei a conversa com Callado para que ele dissecasse o disco faixa a faixa:

stephen-malkmus

Mais um single do próximo disco de Stephen Malkmus ao lado de seus Jicks, “Refute” convida a ex-baixista do Sonic Youth Kim Gordon para assumir os vocais de uma faixa country sobre relacionamentos.

Essa é a capa do single – o disco só será lançado em maio.

malkmus-refute

Brian-Eno

O papa da música ambient, Brian Eno, revisita sua obra musical de suas instalações áudio-visuais desde 1986 na caixa Music for Instalations, que abrange sua obra neste departamento desde 1986 até hoje. O trabalho é o minimalismo zen que compõe obras como esta “Kazakhstan”:

A caixa, com seis discos, é descrita desta forma por seus produtores.

“Music for Instalations é uma coleção de músicas novas, raras e previamente não lançadas, todas gravadas para Brian Eno utilizar em suas instalações a partir do período de 1986 até hoje (e além). Durante esta época, ele surgiu como o expoente mais importante da música ‘generativa’ em todo o mundo e é reconhecido como um dos principais artistas de instalações áudio-visuais de sua época. Os experimentos visuais de Brian Eno com luz e vídeo provaram ser um território fértil em que muito de seus outros trabalhos cresceram, cobrindo uma abrangência ainda maior de tempo que suas gravações e concorrendo com sua recente produção musical nas décadas mais recentes. Estas obras amplamente aclamadas foram mostradas em todo o planeta – da Biennale de Veneza ao Palácio de Mármore em São Petersburgo ao Parque Ritan em Pequim e nas velas da Casa de Ópera de Sidney. Produzida por Brian e seu velho colaborador Nick Robertson, esta caixa belamente apresentada com seis CDs, limitada e numerada edição de luxo, vem um livro de 64 páginas com capa de Plexiglass apresentando fotografias raras ou nunca vistas, além de um novo ensaio escrito por Eno.”

Mais informações sobre a caixa no site do próprio Brian Eno. Eis a capa e a ordem das faixas nos seis discos:

brianeno-musicforinstalations

Music From Installations (nunca lançado):
“Kazakhstan”
“The Ritan Bells”
“Five Light Paintings”
“Flower Bells”

77 Million Paintings (nunca lançado):
“77 Million Paintings”

Lightness – Music For The Marble Palace (lançado apenas como um CD limitado vendido pela loja online de Brian Eno):
“Atmospheric Lightness”
“Chamber Lightness”

I Dormienti / Kite Stories (lançado apenas como um CD limitado vendido pela loja online de Brian Eno):
“I Dormienti”
“Kites I”
“Kites II”
“Kites III”

Making Space (lançado apenas como um CD limitado vendido pelo site da Lumen):
“Needle Click”
“Light Legs”
“Flora and Fauna / Gleise 581d”
“New Moons”
“Vanadium”
“All The Stars Were Out”
“Hopeful Timean Intersect”
“World Without Wind”
“Delightful Universe”

Music For Future Installations’ (nunca lançado):
“Unnoticed Planet”
“Liquidambar”
“Sour Evening (Complex Heaven 3)”
“Surbahar Sleeping Music”

kevinshields

Está acontecendo: as forças sísmicas das microfonias do My Bloody Valentine devem voltar a se manifestar ainda esse ano – em dois EPs! As pistas já estavam no ar – desde o relançamento dos dois primeiros discos da banda em vinil (eliminando elementos digitais que haviam nas primeiras prensagens dos vinis da época), passando pelo show que o líder da banda, Kevin Shields, fez no fim do ano passado, até o anúncio do primeiro show da banda em cinco anos feito no início de 2018. Agora é o o próprio Kevin Shields que antecipa os planos da banda para esse ano, como contou para Bob Boilen, da NPR norte-americana, em uma longa entrevista.

“Começamos a gravar um novo disco há um ano e ele tinha como base algumas ideias que tinha. Nós começamos a trabalhar usando apenas o Pro Tools pra ver se essas ideias funcionavam. E elas meio que funcionaram. Então começamos a gravar de forma analógica no verão passado e paramos de novo. Só fizemos as partes de trás, baterias e coisas assim. E então eu realmente me envolvi com ele, essencialmente porque não estou fazendo um disco na forma que normalmente faço um disco, que é algo autocontido. É meio como se estivesse fazendo um EP, mas não quero me restringir a quatro canções ou alguma duração ou algo do tipo. É realmente um EP, mas é um EP que se espalha… Eu vou fazer uns dois deles antes de fazer um álbum. Acho que vamos fazer uns shows neste verão e vamos começar a apresentar umas ideias novas. Então eu apenas queria misturá-las e sair da minha fórmula ‘fazer um disco a cada vinte anos e depois fazer uma turnê e desaparecer por cinco anos’.

Shields faz referência ao tempo que a banda ficou entre gravar seu segundo e terceiro disco (22 anos!) e sem fazer turnês (cinco, desde o lançamento do disco mais recente, em 2013). Há uma expectativa sobre o anúncio de mais datas ao vivo ainda este ano, que acompanhariam o lançamento destes dois EPs – um no meio do ano e outro mais pro meio do segundo semestre. Mas em termos de My Bloody Valentine, toda espera deve ser paciente. Afinal, esta é a banda que quando todo mundo esperava o tão aguardado terceiro disco ainda nos anos 90, regravou apenas uma versão para “We Have All the Time in the World” (“temos todo o tempo do mundo”), desdenhando da paciência dos fãs.

lykkeli

A cantora e compositora sueca Lykke Li anuncia novo álbum pra junho – So Sad, So Sexy -, o primeiro desde seu disco de 2014, o ótimo I Never Learn. E para começar os trabalhos, ela liberou duas músicas novas, a balada “Hard Rain”…

E a deliciosa “Deep End”.

Que beleza, hein. O disco será lançado dia 8 de junho. Essa é a capa do disco e a lista do nome das músicas vem logo abaixo.

lykke-li-so-sad-so-sexy

“Hard Rain”
“Deep End”
“Two nights” (com Aminé)
“Last Piece
Jaguars in the Air
“Sex Money Feelings Die
“So Sad So Sexy
“Better Alone
“Bad Woman
“Utopia”

RosieMankato

Acompanho o trabalho de paranaense Rosanne Machado desde quando ela surgiu com seu Rosie & Me no meio pro fim da década passada, resvalando nos saudosos blogs de MP3 e emplacando alguns minihits das paradas de sucesso do Hype Machine e do Last.fm (quem viveu lembra). De lá pra cá, trouxe-a para São Paulo quando fui curador do Prata da Casa do Sesc Pompeia em 2012 e ela seguiu com a banda de forma bissexta, até que passou a compor e gravar sons por conta própria, deixando o antigo grupo em estado de hibernação para focar em uma nova persona, Rosie Mankato, há uns três anos. E quando soube que ela finalmente lançaria um disco com seu novo trabalho, marquei um papo em que ela terminava falando que “sempre vai ser uma honra participar do Trabalho Sujo. Você, sem saber, foi a primeira pessoa a lançar Rosie Mankato quando tocou um cover bizarrissimo que eu fiz de ‘You’re Laughing at Me‘ na rádio Eldorado, mil anos atrás”. É, realmente eu não sabia disso. Vai ver por isso que ela liberou o clipe de “Don’t be Mad”, faixa de trabalho do EP Palomino, em primeira mão para o Trabalho Sujo.

Aproveitei para conversar com ela sobre toda a transformação de vida que resultou nessa nova personalidade musical (e ela ainda descolou um cover que fez de Ru Paul lá no final do post).

Como aconteceu a transição Rosie & Me para Rosie Mankato?
Comecei a experimentar com gravações lo-fi quando tinha 11 anos de idade. Meu pai sempre foi um cara da tecnologia e, como o pai dele proibiu ele de qualquer envolvimento com música, ele sempre me apoiou a seguir essa carreira como podia. Sempre foi uma característica minha ser mais reclusa e brincar com música. O Rosie and Me me pegou de surpresa porque naquela época, 2006 e 2007, a internet era muito mais aberta, livre de algoritmos do mal – haha! – e as bandas tinham muito mais chance de viralizar. Foi o que aconteceu com a gente num ponto importante do meu desenvolvimento como produtora musical e acabei me prendendo demais à banda nesse processo e tudo que ele envolvia: shows, agentes, ouvintes, ensaios, drama… Claro que a banda foi extremamente importante pra mim, e sempre me emociono em pensar nas coisas incríveis que a gente viveu, mas eventualmente todo aquele profissionalismo frio começou a limitar minha criatividade e isso só não me servia mais.
O EP Palomino representa exatamente essa transição. Nesses últimos anos, aceitei minhas fragilidades e pontos fortes pra fazer música com minha “verdade” e, principalmente, me divertir com isso, com leveza. Não queria voltar a tocar e produzir sem antes concluir essas tracks que ficaram esquecidas – e só consegui quando parei de levar isso tão a sério.

O que muda em termos de sonoridade?
Tudo, principalmente minha voz. Quando comecei a cantar em público, algumas pessoas próximas comentavam que eu tinha uma voz muito estranha e que “parecia um homem cantando”. Isso me fez desenvolver uma pira errada de cantar agudo demais pro meu tom natural pra evitar ouvir coisas do tipo – erro terrível da minha parte que só me atrasou na vida. Demorei pra entender que aquilo não era uma crítica produtiva, e sim uma galera nada a ver que só queria me ver mal. Quando a gente cresce um pouco – e assiste todas as temporadas de RuPaul’s Drag Race -, é normal desenvolver uma surdez seletiva pra comentários negativos e o resultado disso é muito mais produtivo. A sonoridade sempre vai ter um toque de estranheza, com um fundinho de country, dreampop e futurepop.

Há uma personalidade Rosie Mankato?
Tô num ponto da vida que só quero voltar a ter a criatividade que tinha quando era criança. Faz sentido? Só posso esperar que minha personalidade transpareça nas minhas atitudes e nas coisas que faço. Todo mundo tem alguma característica especial e eu acho demais quando conseguem aplicar isso no mundo real.

Como o disco Palomino surgiu? Por que demorou para ser lançado?
Ele surgiu em 2012, pra me lançar como “solo”. Não sabia que ia virar uma jornada de desenvolvimento pessoal no caminho. O que mais pesava era a constante insatisfação com a qualidade. E é claro, o EP envolve áudios super antigos gravados de forma aleatória e fora dos padrões. Tive que fazer as pazes com isso e fazer o melhor com o que tinha disponível. Hoje moro num casarão/estúdio que é beeem mais adequado pra captar e experimentar num nível mais elevado e não vejo a hora de compartilhar o que tá saindo disso tudo – mas aí já é assunto pro próximo álbum.

Fale sobre o clipe de “Don’t Be Mad”.
O clipe é bem pessoal e foi gravado nos arredores do estúdio – que fica numa área rural no meio do nada. São lugares que visito sempre e significam muito pra mim. Como artista independente, não disponho de muitos recursos pra esse tipo de material, então quis fazer o melhor possível com o que tinha. A Raysa Fontana – fotógrafa de moda – é quem cuida de todas as minhas imagens e vídeos. “Don’t be Mad” é sobre um dia de inverno, em que ela me pediu pra ser modelo e entrar num lago pra uma foto mas eu não tive coragem – meu, tava 2 graus! A música era pra ser uma piada com essa história e acabou se tornando uma das minhas preferidas. Ela criou esse conceito de monstro que, quando a cabeça gira, os olhinhos dele ficam bravo/triste/bravo/triste e a gente quis se divertir com isso, filmar e envolver a família na construção da máscara e das fantasias. No fim, eu pulei na água e congelei meus cambitos.

Você irá apresentar-se ao vivo? Qual a formação?
Sim! Já tenho alguns músicos envolvidos pra shows futuros e sempre quero tocar com pessoas diferentes. Ainda toco com os meninos do Rosie and Me, pra quem tem saudade da banda. Sempre vou ter interesse em tocar com pessoas diferentes que gostem do som. Vão ter dois shows de lançamento do Palomino no Teatro Paiol, em Curitiba, dias 25 e 26 de maio. Quem vai tocar comigo nessa formação são os músicos: Gabriel Eubank na bateria, Felix Cecílio na guitarra e Fabrício Rossini no baixo.

Conexão Lóki

Foto: Christiane Disconsi

Foto: Christiane Disconsi

Rodolfo Krieger, baixista da banda gaúcha Cachorro Grande, está começando a trabalhar em sua carreira solo ao anunciar o lançamento de um EP no segundo semestre com a faixa “Louvado Seja Deus”. De inspiração psicodélica – bebendo tanto na fonte inglesa clássica dos anos 60 quanto em sua versão dance que aconteceu duas décadas depois -, o single, cujo clipe é apresentado em primeira mão no Trabalho Sujo, é a semente de uma conexão com um dos maiores nomes de nossa psicodelia – e do rock brasileiro -, o mutante Arnaldo Baptista, que é sampleado na frase que batiza a canção, extraída do disco Let it Bed, de 2004.

“Eu ainda estava morando em São Paulo, desfrutando das noites frenéticas da Rua Augusta, e entrei em uma fase Arnaldo Baptista, daquelas que vem de tempos em tempos”, me explica Rodolfo por email. “As audições eram diárias e constantes, em uma dessas viagens em meu apartamento, decidi escrever uma carta à mão para ele. Na carta escrevi sobre discos voadores, equipamentos valvulados e também contei um pouco sobre as canções que eu estava compondo, inclusive algumas muito influenciadas por ele, devido às exaustivas sessões do ex-mutante no meu toca-discos. O tempo passou e um dia, quando estava voltando de um show da Cachorro Grande, o porteiro do meu prédio me entregou um pacote com o nome da Lucinha – esposa do Arnaldo – como remetente. Quando eu abri me deparei com uma camiseta pintada a mão por ele, uma carta e um pequeno quadro que ele pintou com a seguinte frase ‘creia em seus sonhos’ aí foi o start para dar inicio às minhas gravações e começarmos a trocar alguns manuscritos e presentes!”

Sarau o Benedito?
A conexão já gerou frutos para além do single, quando o cachorro grande participa de uma homenagem feita ao mutante no dia 20 de maio, quando ele dirige um show-tributo a Arnaldo com a presença do próprio e de outros convidados como China, Karina Buhr, Hélio Flanders e Lulina na Caixa Cultural, em São Paulo. A homenagem encerra o ciclo Sarau o Benedito? que também terá apresentações solo do mutante nos três dias anteriores. “Quando surgiu o convite para fazer a homenagem, pensei logo de cara que tinha que fazer algo diferente. Como um bom fã do Arnaldo, sempre vou em homenagens que vez ou outra acontecem e a maioria dos repertórios dão ênfase ao Loki?! e aos discos dos Mutantes. Então, montei o repertório baseado apenas nos álbuns Elo Perdido, Singin’ Alone e Let it Bed. E confesso que esse é um show que eu sempre quis fazer, aquelas musicas do Elo Perdido são uma paulada!”

Ele antecipa algumas pérolas desta noite ao instigar um pouco sobre quem toca o quê: “Posso te adiantar que o Helio Flanders vai aparecer com um trompete em ‘I Fell in Love One Day’ e a Karina Buhr, aniversariante do dia, vai cantar a musica ‘Oh Trem’ numa versão explosiva tipo ‘Yer Blues’, do White Album, do Beatles.”

“Venho da geração da fita K7, quando na zona sul de Porto Alegre tinha um grupo de amigos que sempre pirateavam algumas fitas e em uma das milhares dessas fitas, encontrei algumas dos Mutantes”, Krieger lembra de como conheceu o grupo. “Mas foi no final dos anos noventa que adquiri a discografia em CD. Nessa época já fazia alguns covers com os conjuntos locais e sempre acabava rolando músicas deles nas rodas de violão. Hoje tenho tudo em vinil e que não sai da minha vitrola, assim como os Beatles, David Bowie e todos aqueles clássicos que a gente é fã desde moleque. Já o trabalho solo do Arnaldo só tive acesso quando pisei em São Paulo pela primeira vez, em 2005. Meu sonho era conhecer a galeria do rock e no dia que entrei lá enlouqueci, o primeiro álbum que eu comprei foi o Lóki. Foi amor à primeira vista e agora estamos aqui, nós dois juntos reunidos em uma música só!”

Ele não esconde a vontade de colaborar com o mestre: “Estou deixando o universo conspirar. Eu não vou negar que adoraria fazer alguma coisa com ele, tanto no palco, quanto no estúdio. Foi dada a largada e existe muita energia na nossa relação, algo que eu acredito que possa jogar a favor. Mas só de ele ter liberado o sample e topado participar do clipe já é um sonho realizado.”

A capa do single "Louvado Seja Deus"

A capa do single “Louvado Seja Deus”

“Os Mutantes são o nosso maior patrimônio musical, sem dúvida nenhuma”, empolga-se. “Aquela frase que o Rogério Duprat fala no documentário Lóki é muito certeira: ‘o Arnaldo Baptista é o responsável por quase tudo que aconteceu no Brasil de 67 para frente’.