Em mais uma colaboração para a UBC, conversei com Dinho dos Boogarins, Bonifrate, Fábio Golfetti e Bento Araújo sobre a tradição psicodélica brasileira e como ela se manifesta na atual fase do gênero.
Uma nova onda
Bandas como Boogarins e O Terno bebem na fonte da Tropicália, de Novos Baianos e Mutantes; artistas e especialista comentam
Uma discreta renascença vem acontecendo no underground brasileiro. Puxada por bandas de rock tão diferentes – e, de alguma forma, parecidas – como os cariocas Supercordas (que, no fim de 2016, encerraram seu trabalho como grupo mas seguem em carreiras solos), os paulistanos d’O Terno e os goianos Boogarins, uma nova onda psicodélica vem se formando durante esta década que chega ao fim. Dialoga, assim, com uma tradição que remonta a mais de meio século de produção musical.
A definição deste gênero é um tanto ampla, uma vez que psicodelia não resume um certo tipo de instrumentação, um estilo musical ou uma natureza sonora específica. É claro que nasce do rock e de seu trio de instrumentos básicos – baixo, guitarra e bateria -, mas espalha-se por teclados, inclui música eletrônica, efeitos de pós-produção, noise e microfonia, diferentes formas de se cantar e até metais, madeiras e cordas.
Seu rótulo vem de um termo que nem à música está propriamente associado: o nome “psicodelia” foi cunhado pelo psicólogo inglês Humphry Osmond, que estudava drogas alucinógenas nos anos 50 e precisava de um nomenclatura para designar os efeitos de elementos químicos que alteravam a noção da percepção da realidade dos indivíduos que os utilizavam. Osmond recorreu à Grécia antiga e recuperou um termo que resumia a expressão oculta do cérebro humano, tornada pública através de tais substâncias – “psicodelia”, dizia o estudioso, “é o que a mente revela”.
O termo tornou-se popular à medida em que o uso daquelas drogas, ainda legalizadas, se expandia. Uma delas, a dietilamida do ácido lisérgico (mais conhecida pelo nome em alemão Lysergsäurediethylamid, depois reduzido à sigla LSD), tornou-se carro-chefe daquele novo movimento farmacêutico e psicólogo, liderado pelo acadêmico Timothy Leary, que aos poucos espalhava-se pela sociedade na década seguinte aos seus primeiros estudos.
À medida que experiências alucinógenas eram descritas por poetas, escritores e estudiosos, outros artistas começaram a fazer uso daquelas drogas e a expressar-se à luz daquela descoberta. Aquela nova onda de experimentações teria eco principalmente na música, quando bandas de rock em diferentes continentes começaram a explorar as fronteiras musicais do gênero. Grupos como os Beatles, Pink Floyd, Rolling Stones, Grateful Dead, Jimi Hendrix Experience, Jefferson Airplane, The Doors, Byrds e Love mudaram a paisagem musical dos anos 60.
No Brasil, o principal nome daquele período foi o grupo paulistano Mutantes, que aos poucos abriu as portas para uma nova safra de artistas que começaram a experimentar aquela nova forma de se fazer música – e não necessariamente através da utilização daquelas drogas, que começavam a ser proibidas pelos governos. A própria Tropicália tem influência psicodélica (especificamente do clássico dos Beatles neste gênero, “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, de 1967), que espalhou-se pelos discos posteriores de artistas como Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé.
Mas, além destes nomes de maior destaque, outros artistas ultra-alternativos – como Módulo 1000, A Bolha, Casa das Máquinas, Paulo Bagunça e a Tropa Maldita, Damião Experiença, Sidney Miller, Flaviola e o Bando do Sol, Os Baobás, Moto Perpétuo, A Barca do Sol, Veludo, O Bando, O Som Nosso de Cada Dia, Som Imaginário, Spectrum, Suely e Os Kantikus, Marconi Notaro, Guilherme Lamounier, Ave Sangria – ajudaram a reforçar a transformação nos anos 70.
No mesmo período, nomes como Egberto Gismonti, Luiz Carlos Vinhas, Arthur Verocai, Zé Ramalho, Pedro Santos, Marcos Valle, João Donato e até Jorge Ben Jor experimentaram aquela sonoridade, que também atingiu o grande público graças a artistas como Novos Baianos e Secos e Molhados.
Mas, a partir dos anos 70, a psicodelia brasileira tornou-se uma espécie de clube secreto, recebendo novos sócios à medida que eles lançavam discos que iam ao encontro das tendências musicais da época, como o grupo paulistano Violeta de Outono, nos anos 80, o porto-alegrense Júpiter Maçã, nos 90, e o maceioense Mopho, já nos 2000.
Líder do Violeta, o guitarrista e compositor Fabio Golfetti associa a psicodelia a uma fase de descobertas musicais na transição da adolescência à fase adulta. “A arte psicodélica está muito ligada a um lado místico e subjetivo, que sempre está em evidência”, afirma, lembrando que há também um desdobramento com a música tribal e eletrônica, que se mistura em grandes eventos por todo o mundo.
O século 21, principalmente por conta da volta dos discos de vinil e da cornucópia de MP3 que vinha pela internet, fez esta história ser redescoberta através de discos raros e esquecidos. “Creio que a conexão é total dessa garotada com o que tivemos de produção tropicalista, dos pernambucanos malucões e tal”, conta o jornalista Bento Araújo, autor de dois volumes sobre a discografia psicodélica brasileira, “Lindo Sonho Delirante: 100 discos psicodélicos do Brasil (1968-1975)” e “Lindo Sonho Delirante vol.2: 100 discos audaciosos do Brasil (1976-1985)”. “Hoje, qualquer moleque dessas bandas sabe quem foi Lula Côrtes. As referências são fortes.”
Assim, surge esta segunda onda psicodélica, quase meio século após a primeira, que reúne artistas tão diferentes – e de diversos lugares do Brasil – como os brasilienses Joe Silhueta, Almirante Shiva e Rios Voadores, os paulistas da Bike, Trupe Chá de Boldo, Rafael Castro, Garotas Suecas, Cérebro Eletrônico e Applegate, a capixaba My Magical Glowing Lens, os cariocas Tono, Castello Branco e Do Amor, os gaúchos Catavento, o pernambucano Tagore, os goianos Orquestra Abstrata e Luziluzia, além dos já citados Supercordas, Boogarins e O Terno. É uma cena musical dispersa e sem cidade de origem, mas que torna-se cada vez mais forte – além de reforçar a influência de cinquenta anos de experimentações sonoras no Brasil.
“Acho que há ondas de psicodelia na música brasileira, e algumas contribuições aparecem como que entre essas ondas, carregando uma chama daquilo numa fase não tão favorável”, descreve Pedro Bonifrate, líder do Supercordas. “A nova onda na certa é a mais rica, a meu ver. Meio que um portal que os Boogarins abriram e que encheu o ar de novos sons, novas bandas, e renovou a esperança de jovens artistas em fazer sua música ser ouvida por mais que um punhado de gente.”
Bonifrate mesmo acaba de anunciar seu próximo projeto ao lado do vocalista dos Boogarins, Dinho Almeida, uma dupla chamada Guaxe. Inevitavelmente psicodélica.
“A gente vem da onda do pessoal que teve mais facilidade pra se gravar e, a partir disso, começou a experimentar”, explica Dinho, que é guitarrista do Boogarins. “Eu já tinha banda, mas nunca tinha gravado minha banda antiga, aí eu conheci o Benke (Ferraz, outro guitarrista dos Boogarins), que já estava se gravando, de um jeito muito maluco, cheio de efeitos, que me lembrava de umas coisas que eu gostava, que faziam experimentações, como Júpiter Maçã e Mutantes. Acho que essa possibilidade de produções mais malucas dentro da música brasileira está acontecendo. Vários discos que não são psicodélicos têm sons bacanas e gente tentando experimentar. Essa é a maior força disso que chamam de nova psicodelia, o ponto mais positivo é essa onda de inovação e experimentação, independente de ser psicodélico ou não.”
Entre os dias 17 e 18 de fevereiro de 1969, Bob Dylan e Johnny Cash estiveram no mesmo estúdio, gravando músicas próprias além de versões de músicas alheias. Era meio que um ensaio para a participação de Dylan no programa que Cash tinha na ABC, que aconteceria meses depois – e o encontro, registrado, nunca havia sido lançado. Essa reparação está sendo feita no décimo quinto volume das Bootleg Series de Dylan, que será lançado no dia 1° de novembro e já está em pré-venda.
Bob Dylan (featuring Johnny Cash) – Travelin’ Thru, 1967 – 1969: The Bootleg Series Vol. 15 ainda mostra que o encontro de Dylan e Cash ainda teve a participação de outro nome ilustre da era de ouro do rock norte-americano – ninguém menos que Carl Perkins (o autor de clássicos como “Blue Suede Shoes”, “Matchbox”, “Everybody’s Trying to Be My Baby” e “Honey Don’t”, entre outras), que participa de cinco faixas, além de incluir gravações dos discos John Wesley Harding, Self Portrait e Nashville Skyline, todos do final dos anos 60, quando Dylan distanciou-se do rock psicodélico e pesado da época para abraçar a country music. O disco ainda traz a gravação do programa de Dylan e Cash, além de um sarau com o tocador de banjo Earl Scruggs, na casa do escritor e jornalista Thomas B. Allen (autor do livro que inspirou o filme O Exorcista). Uma primeira raridade foi revelada com o anúncio do novo volume da série de piratas oficializados, com a faixa “I Pity The Poor Immigrant (Take 4)”.
Abaixo, a capa e a ordem das músicas do próximo disco de Dylan.
Disco 1
17 de outubro de 1967
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco John Wesley Harding
“Drifter’s Escape – Take 1 (Alternate Version)”
“I Dreamed I Saw St. Augustine – Take 2 (Alternate Version)”
6 de novembro de 1967
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco John Wesley Harding
“All Along the Watchtower – Take 3 (Alternate Version)”
John Wesley Harding – Take 1 (Alternate Version)”
“As I Went Out One Morning – Take 1 (Alternate Version)”
“I Pity the Poor Immigrant – Take 4 (Alternate Version)”
“I Am a Lonesome Hobo – Take 4 (Alternate Version)”
Bob Dylan: vocais, guitarra e gaita
Charlie McCoy: baixo
Kenneth Buttrey: bateria
13 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco Nashville Skyline
“I Threw It All Away – Take 1 (Alternate Version)” (lançada originalmente no The Bootleg Series, Vol. 10: Another Self Portrait)
“To Be Alone with You – Take 1 (Alternate Version)”
“Lay Lady Lay – Take 2 (Alternate Version)” (lançada originalmente como um bônus para quem comprasse o disco Together Through Life na pré-venda)
“One More Night – Take 2 (Alternate Version)”
“Western Road – Take 1 (Outtake)”
14 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco Nashville Skyline
“Peggy Day – Take 1 (Alternate Version)”
“Tell Me That It Isn’t True – Take 2 (Alternate Version)”
“Country Pie – Take 2 (Alternate Version)”
Bob Dylan – vocais, guitarra, piano e gaita
Kelton D. Herston, Norman Blake, Charlie Daniels, Wayne Moss (10 & 12): guitarras
Bob Wilson: piano, órgão
Peter Drake: guitarra pedal steel
Charlie McCoy: baixo
Kenneth Buttrey: bateria
Disco 2
17 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
The Dylan-Cash Sessions
“I Still Miss Someone” – Take 5 (por Johnny Cash e Roy Cash, Jr.)
“Don’t Think Twice, It’s All Right”/”Understand Your Man – Rehearsal” (por Bob Dylan e Johnny Cash)
18 de fevereiro de 1969
Columbia Studio A, Nashville
The Dylan-Cash Sessions
“One Too Many Mornings – Take 3”
“Mountain Dew – Take 1” (por Bascom Lamar Lunsford e Scott Wiseman)
“Mountain Dew – Take 2” (por Bascom Lamar Lunsford e Scott Wiseman)
“I Still Miss Someone – Take 2” (por Johnny Cash e Roy Cash, Jr.)
“Careless Love – Take 1” (tradicional, arranjada por Bob Dylan e Johnny Cash)
“Matchbox” (por Carl Perkins)
“That’s All Right, Mama – Take 1” (por Arthur Crudup)
“Mystery Train” (por Junior Parker)/”This Train Is Bound for Glory – Take 1″ (por Woody Guthrie)
“Big River – Take 1” (por Johnny Cash)
“Girl from the North Country – Rehearsal”
“Girl from the North Country – Take 1”
“I Walk the Line – Take 2” (por Johnny Cash)
“Guess Things Happen That Way – Rehearsal” (por Jack Clement)
“Guess Things Happen That Way – Take 3” (por Jack Clement)
“Five Feet High and Rising – Take 1” (por Johnny Cash)
“You Are My Sunshine – Take 1” (por Jimmie Davis e Charles Mitchell)
“Ring of Fire – Take 1” (por June Carter e Merle Kilgore)
Disco 3
February 18, 1969
Columbia Studio A, Nashville, TN
The Dylan-Cash Sessions
“Studio Chatter”
“Wanted Man – Take 1”
“Amen – Rehearsal” (por Jester Hairston)
“Just a Closer Walk with Thee – Take 1” (tradicional, arranjada por Bob Dylan e Johnny Cash)
“Jimmie Rodgers Medley No. 1 – Take 1” (Inspirada em “Blue Yodel No. 1 (T for Texas)”, “The Brakeman’s Blues (Yodeling the Blues Away)” e “Blue Yodel No. 5 (It’s Raining Here)”, todas por Jimmie Rodgers)
“Jimmie Rodgers Medley No. 2 – Take 2” (Inspirada em “Waiting for a Train”, “The Brakeman’s Blues (Yodeling the Blues Away)” e “Blue Yodel No. 1 (T For Texas)”, todas por Jimmie Rodgers)
Bob Dylan: vocais e guitarra
Johnny Cash: vocais e guitarra
Carl Perkins: guitarra
Bob Wootton: guitarra
Marshall Grant: baixo
W.S. Holland: bateria
1° de maio de 1969
Ryman Auditorium, Nashville
Ao vivo no The Johnny Cash Show
Originalmente transmitido pela emissora ABC no dia 7 de junho de 1969
“I Threw It All Away” (inclusa no DVD The Best of the Johnny Cash TV Show: 1969-1971, lançado em 2010)
“Living the Blues”
“Girl from the North Country” (inclusa no DVD The Best of the Johnny Cash TV Show: 1969-1971, lançado em 2010)
Bob Dylan: guitarra e vocais
Johnny Cash: guitarra e vocais
Norman Blake e Charlie Daniels: guitarras
Peter Drake: guitarrra pedal steel
Bob Wilson: piano
Charlie McCoy: baixo
Kenneth Buttrey: bateria
3 de maio de 1969
Columbia Studio A, Nashville
Gravações do disco Self Portrait
“Ring of Fire (Outtake)” (por June Carter and Merle Kilgore)
“Folsom Prison Blues (Outtake)” (por Johnny Cash)
Bob Dylan: guitarra e vocais
Fred F. Carter e Norman Blake: guitarras
Charlie Daniels: guitarra e baixo
Bob Wilson: piano
Peter Drake: guitarra pedal steel
Charlie McCoy: gaita e baixo
Kenneth Buttrey: bateria
Delores Edgin e Dottie Dillard: vocais de apoio
17 de maio de 1970
Na casa de Thomas B. Allen, Carmel, em Nova York, com Earl Scruggs
“Earl Scruggs Interview”
“East Virginia Blues” (por A.P. Carter) (inclusa no documentário Earl Scruggs: His Family and Friends, de 1971)
To Be Alone with You
“Honey, Just Allow Me One More Chance” (tradicional, arranjada por Bob Dylan)
“Nashville Skyline Rag” (lançada anteriormente no disco Earl Scruggs Performing with His Family and Friends)
Bob Dylan: guitarra e vocais
Earl Scruggs: banjo
Randy Scruggs: violão
Gary Scruggs: baixo elétrico
E essa versão arrocha de “Lugar do Caralho”?
Sensacional.
O quinteto iconoclasta candango Satanique Samba Trio começou mais uma turnê europeia na sexta passada, quando lançou seu nono disco, Mais Bad, com show em Bruxelas, na Bélgica, passando por cidades da Dinamarca, Suécia, Alemanha e Holanda (tem todas as datas lá no site deles). Mais Bad é a continuação de Mó Bad, que o grupo lançou em 2015 (e que, como o novo disco, também se transformou em um vinil de dez polegadas, lançado pelo selo belga Rebel Up). “Tentei usar o mesmo celular que tinha usado no primeiro – e mais tarde no Instant Karma – aquele álbum líquido do começo do ano (que o grupo lançou em stories do Instagram durante um mês) -, mas estava simplesmente impraticável. Nem ligar ligava mais”, lembra Munha da 7, cabeça do grupo. “Aí acabei gravando em um zenfone velho que tinha encostado na loja de um amigo lá da Ceí. Estava todo lascado também, mas a textura natural do microfone estava linda, desbotadíssima, crocante. Mas foi só terminar de gravar que o perdi. Não faço ideia de onde foi parar.” Como o grupo diz, são cinco variações descompensadas do baião em um lado do vinil e cinco variações descompensadas do samba no outro. “O difícil é saber qual é qual”, ri.
“Dos instagrams às bancadas politicas, quem é que não está pregando sua ideia?”, me devolve a pergunta o cantor e compositor carioca Castello Branco, quando tento traçar um paralelo entre a situação atual do Brasil e seu terceiro álbum, Sermão, que será lançado nesta sexta e pode ser ouvido em primeira mão no Trabalho Sujo. O disco encerra uma trilogia que ele havia imaginado desde o lançamento de seu primeiro disco, Serviço, de 2013, e continuou com Sintoma, em 2017: “Eu tinha uma ideia de que seria assim. Mas não havia certeza, claro. Ter certeza é delicado.”
“Ao longo dos anos, fui construindo uma narrativa sobre educação através do autoconhecimento”, ele continua explicando. “Um tecer que se deu sempre com palavras-síntese começadas pela letra “S” – Serviço, Sintoma e, agora, Sermão – e sempre em anos ímpares. Uma viagem pelo passado, futuro e presente.” Ele o considera seu disco mais provocativo e, de certa forma, é também seu disco mais pop, que mantém a clareza e simplicidade dos trabalhos anteriores, mas soa menos delicado e mais assertivo, ser perder a sensação de acolhimento. “Compus algumas com meu parceiro Lôu Cascudo, primeiro. Depois, fui pra estúdio com meu produtor musical, o Rubens di Souza, e lá, imersos em amor e devoção para com as canções e idéias, realizamos o que hoje é o disco”, lembra.
Apesar do disco sair já, ele ainda está no processo de transformá-lo em show, o que vai levar um tempo – o show de estreia acontecerá em São Paulo, só em novembro. “Estamos justamente nesse momento de conceber isso (o show)”, ele prossegue. “Não é a mesma banda do Sintoma, então muita coisa vai mudar, mas ainda não sei dizer exatamente o quê, estou nesse processo.” Abaixo a capa e o nome das músicas do disco.
“No Mires Atrás”
“Geral Importa”
“Powerful”
“Fortaleza”
“De Pouquinho em Pouquinho”
“Juntos com Certeza”
“Eu Ouço”
“Cola Comigo”
“Back to Myself”
“Pãma”
“Uma Flecha Para o Futuro”
Filha de pais filipinos, a inglesa Bea Kristi, que atende pelo pseudônimo de Beabadoobee, já entrou em nossos corações ao dizer que queria ser o líder do Pavement em um single que carrega o nome do mestre Malkmus. Mas não basta citar o nome: o senso melódico, as guitarras relaxadas e uma letra evasiva sobre aquela fase da vida em que tudo parece não importar fazem “I Wish I Was Stephen Malkmus” puxar uma cadeira para que a jovem sente-se na mesa da Courtney Barnett.
O grupo mineiro Moons, formado por integrantes de importantes bandas da cena indie de Belo Horizonte, parece ter atingido a maturidade em seu novo disco, Dreaming Fully Awake, que será lançado nesta quinta-feira, mas pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “É um disco que marca uma fase muito especial e a terceira e definitiva – assim espero – formação do Moons”, me explica André Travassos, idealizador do grupo. “O material humano e suas experiências são pra mim o fator mais determinante na concepção de um disco, portanto a chegada de dois novos integrantes traz inevitavelmente, elementos novos pro nosso som. Além do fato de ter sido um disco gravado depois de uma bateria maior de shows. Ou seja, a gente estava mais maduro e mais entrosados.”
Gravado em um sítio perto de Belo Horizonte, o disco começou com a ideia de pré-produção e de desenvolver canções que ainda eram rascunhos, quando o grupo levou um gravador Tascam – que nem sabia se estava funcionando – para registrar esse início de trabalho. “Fato é que na primeira madrugada, quando vimos que a máquina estava perfeita rolou o start que dali poderia sair um disco”, lembra André; “Mas por ser uma gravação ao vivo só mesmo a nossa performance poderia dizer. Como estávamos em um ambiente absolutamente favorável, na companhia dos amigos mais próximos, namoradas, esposas e cachorros, tudo conspirou a favor. Acabamos rearranjando algumas músicas como ‘Dreaming Fully Awake’ e ‘War’ e compusemos uma outra do zero, ‘No More Tears About It’. Foi certamente a gravação mais especial que fizemos na banda até hoje. Na nossa curta discografia é o nosso disco menos introspectivo, mas ainda sim bem íntimo.”
De sonoridade mais clara e acolhedora que os dois trabalhos anteriores, Dreaming Fully Awake, livra finalmente o grupo do rótulo folk, que ainda vinha sendo atrelado ao grupo, mas não tenho como não perguntar sobre as composições todas serem em inglês. “Desde que me lancei como artista independente, há doze anos, que canto e componho em inglês”, explica André, que antes do Moons pertencia ao grupo Câmera. “Acho que hoje em dia o público torce menos os olhos – ou ouvidos – pra isso. Mas é fato que não temos as mesmas oportunidades que artistas que cantam em português. Ainda que não seja explícito, notamos que alguns editais, jornalistas e produtores tem predileção por quem canta em português. Particularmente não é algo que nos tira o sono. Mas obviamente que lamentamos que em alguns casos as pessoas julguem nosso trabalho não pela qualidade mas pelo idioma. Mas seguimos fazendo nosso trabalho porque acreditamos muito nele e também por ser algo essencial na nossa existência.”
O idioma acaba favorecendo um contato com o mercado exterior, coisa que o grupo trabalha desde o início da carreira. O primeiro disco, Songs of Wood & Fire, foi lançado no Japão em CD em 2017 e agora o nosso segundo trabalho também vai sair em CD e vinil por lá, Europa e Estados Unidos através de uma colaboração entre os selos o japonês Disk Union e o francês 180g”, continua André. “Já fiz alguns shows em Portugal e na França de maneira solo e a ideia é que com essas parcerias a gente consiga enfim viabilizar uma ida da banda completa para algum desses paises. O Dreaming Fully Awake vai sair nos Estados Unidos pela mesmo selo que lançou o novo disco do Pin Ups, o Fleeting Media.”
Depois de três anos fora do ar, um dos mais importantes projetos do Sesc Pompeia está de volta: o Prata da Casa, criado há 20 anos para abrir espaços para artistas iniciantes, encerrou suas atividades de forma quase tímida em 2016, mas agora volta a dar sinal de vida justamente para celebrar seu aniversário – e está reabrindo inscrições para a edição 2020. Basta acessar o site sescsp.org.br/pratadacasa do dia 26 de setembro até o dia 3 de outubro para ser avaliado por uma comissão interna do Sesc e ser selecionado para fazer shows gratuitos às terças em uma das mais clássicas unidades do Sesc. Fui curador do projeto em 2012 – quando revelei chamei novatos da época como O Terno, Silva, Mahmundi, Ogi, Kika, Rafael Castro, Cícero, Sambanzo do Thiago França, Iconilli, Me & The Plant, Elo da Corrente, Gang do Eletro, Maíra Freitas, Rodrigo Caçapa, Psilosamples, Quarto Negro, Rosie & Me, a Banda de Joseph Tourton, Dorgas, Max B.O., Bonifrate, entre outros. Que boa notícia!
A cantora e compositora norte-americana Taylor Swift finalmente confirma sua vinda no ano que vem – e pra fazer show em estádio! A confirmação é oficial e ela toca no estádio do Palmeiras no dia 18 de julho de 2020, mas não há informações sobre preço de ingresso, convidados ou outras atrações.
Morreu Ric Ocazek, fundador do grupo new wave Cars e produtor de discos clássicos do Weezer, Bad Brains, Bad Religion e Suicide.












