O grupo mineiro Moons, formado por integrantes de importantes bandas da cena indie de Belo Horizonte, parece ter atingido a maturidade em seu novo disco, Dreaming Fully Awake, que será lançado nesta quinta-feira, mas pode ser ouvido em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. “É um disco que marca uma fase muito especial e a terceira e definitiva – assim espero – formação do Moons”, me explica André Travassos, idealizador do grupo. “O material humano e suas experiências são pra mim o fator mais determinante na concepção de um disco, portanto a chegada de dois novos integrantes traz inevitavelmente, elementos novos pro nosso som. Além do fato de ter sido um disco gravado depois de uma bateria maior de shows. Ou seja, a gente estava mais maduro e mais entrosados.”
Gravado em um sítio perto de Belo Horizonte, o disco começou com a ideia de pré-produção e de desenvolver canções que ainda eram rascunhos, quando o grupo levou um gravador Tascam – que nem sabia se estava funcionando – para registrar esse início de trabalho. “Fato é que na primeira madrugada, quando vimos que a máquina estava perfeita rolou o start que dali poderia sair um disco”, lembra André; “Mas por ser uma gravação ao vivo só mesmo a nossa performance poderia dizer. Como estávamos em um ambiente absolutamente favorável, na companhia dos amigos mais próximos, namoradas, esposas e cachorros, tudo conspirou a favor. Acabamos rearranjando algumas músicas como ‘Dreaming Fully Awake’ e ‘War’ e compusemos uma outra do zero, ‘No More Tears About It’. Foi certamente a gravação mais especial que fizemos na banda até hoje. Na nossa curta discografia é o nosso disco menos introspectivo, mas ainda sim bem íntimo.”
De sonoridade mais clara e acolhedora que os dois trabalhos anteriores, Dreaming Fully Awake, livra finalmente o grupo do rótulo folk, que ainda vinha sendo atrelado ao grupo, mas não tenho como não perguntar sobre as composições todas serem em inglês. “Desde que me lancei como artista independente, há doze anos, que canto e componho em inglês”, explica André, que antes do Moons pertencia ao grupo Câmera. “Acho que hoje em dia o público torce menos os olhos – ou ouvidos – pra isso. Mas é fato que não temos as mesmas oportunidades que artistas que cantam em português. Ainda que não seja explícito, notamos que alguns editais, jornalistas e produtores tem predileção por quem canta em português. Particularmente não é algo que nos tira o sono. Mas obviamente que lamentamos que em alguns casos as pessoas julguem nosso trabalho não pela qualidade mas pelo idioma. Mas seguimos fazendo nosso trabalho porque acreditamos muito nele e também por ser algo essencial na nossa existência.”
O idioma acaba favorecendo um contato com o mercado exterior, coisa que o grupo trabalha desde o início da carreira. O primeiro disco, Songs of Wood & Fire, foi lançado no Japão em CD em 2017 e agora o nosso segundo trabalho também vai sair em CD e vinil por lá, Europa e Estados Unidos através de uma colaboração entre os selos o japonês Disk Union e o francês 180g”, continua André. “Já fiz alguns shows em Portugal e na França de maneira solo e a ideia é que com essas parcerias a gente consiga enfim viabilizar uma ida da banda completa para algum desses paises. O Dreaming Fully Awake vai sair nos Estados Unidos pela mesmo selo que lançou o novo disco do Pin Ups, o Fleeting Media.”
Depois de três anos fora do ar, um dos mais importantes projetos do Sesc Pompeia está de volta: o Prata da Casa, criado há 20 anos para abrir espaços para artistas iniciantes, encerrou suas atividades de forma quase tímida em 2016, mas agora volta a dar sinal de vida justamente para celebrar seu aniversário – e está reabrindo inscrições para a edição 2020. Basta acessar o site sescsp.org.br/pratadacasa do dia 26 de setembro até o dia 3 de outubro para ser avaliado por uma comissão interna do Sesc e ser selecionado para fazer shows gratuitos às terças em uma das mais clássicas unidades do Sesc. Fui curador do projeto em 2012 – quando revelei chamei novatos da época como O Terno, Silva, Mahmundi, Ogi, Kika, Rafael Castro, Cícero, Sambanzo do Thiago França, Iconilli, Me & The Plant, Elo da Corrente, Gang do Eletro, Maíra Freitas, Rodrigo Caçapa, Psilosamples, Quarto Negro, Rosie & Me, a Banda de Joseph Tourton, Dorgas, Max B.O., Bonifrate, entre outros. Que boa notícia!
A cantora e compositora norte-americana Taylor Swift finalmente confirma sua vinda no ano que vem – e pra fazer show em estádio! A confirmação é oficial e ela toca no estádio do Palmeiras no dia 18 de julho de 2020, mas não há informações sobre preço de ingresso, convidados ou outras atrações.
Morreu Ric Ocazek, fundador do grupo new wave Cars e produtor de discos clássicos do Weezer, Bad Brains, Bad Religion e Suicide.
Toda a angústia de Ian Curtis, vocalista do Joy Division e um dos ícones do pós-punk, pode ser sentida neste vocal isolado de seu maior hit, “Love Will Tear Us Apart”.
Em seu aniversário de 50 anos, o primeiro disco do King Crimson, In the Court of the Crimson King recebe tratamento de luxo ao ser transformado em uma caixa com quatro LPs ou 3 CDs, que trazem além da íntegra do álbum com mixagem 5.1 stereo (no formato blu-ray), versões ao vivo, instrumentais e só com os vocais isolados, remixados por Steven Wilson e David Singleton e aprovados pelo próprio Robert Fripp. Esta edição (já em pré-venda) fará parte de uma caixa ainda maior, chamada Complete 1969 Session, que será lançada em um futuro próximo que reúne tudo que o grupo fez em seu primeiro ano de atividade. E tudo isso faz parte de um enorme projeto lançado no início deste ano para revisitar toda a discografia da banda. Enquanto isso, o grupo toca aqui em dois shows no mês que vem…
Angel Olsen lança mais uma faixa de seu próximo álbum, All Mirrors, previsto para o mês que vem – e “Lark” é tão deslumbrante e épica quanto a faixa-título que foi lançada como o primeiro single.
Discão à vista, hein?
Estava no metrô quando Stela Campos me mandou uma mensagem. “Matias, beleza? No calor da emoção ontem, escrevi um texto sobre a nossa experiência como banda do Daniel Johnston”, ela me lembrou do show que perdi de nosso recém-falecido ídolo indie e por seu texto, pude reviver o momento que não vivi. Uma das grandes fãs de Johnston no país (autora de um EP em homenagem a ele), Stela havia tocado teclado na banda que acompanhou o show que ele fez em São Paulo em 2013 (organizado e bem lembrado pelo Lucio, no obituário escrito para a Folha). “Lembrei de você. Queria te mandar pra ver se você não anima de colocar em algum lugar. Sei lá… Só uma ideia”. Nenhuma ideia é “só uma ideia”, Stela – ou melhor “só uma ideia” às vezes é tudo isso. Por isso, segue a inspirada e tocante lembrança de Stela daquele encontro há seis anos, bem como o melhor registro daquela noite (o curta Devil Town: Daniel Johnston in São Paulo). Johnston é desses artistas que sua mera lembrança é suficiente para que sua importância siga resistindo. Obrigado.
Uma noite para lembrar- some things last a long time
Por Stela Campos
Estávamos em uma passagem de som, daquelas infinitas, tensa. Fazia uma hora que tocávamos sem a certeza de que nosso herói iria ou não testar o som com a gente. Faltavam algumas horas para fazer a apresentação para a qual ensaiamos por meses, sempre imaginando como seria quando ele assumisse de verdade a voz naquelas canções.
De repente, lá vem ele. Meio desengonçado, descabelado, do jeito que achamos que seria, mas passa reto e sem olhar pro lado. Nós no palco nos olhamos com um misto de excitação e medo. Afinal, ali estava ele se materializando na nossa frente. Ao mesmo tempo, o frio na barriga crescia, pois ele nos ignorou solenemente.
Resolvemos que o melhor a fazer era continuar a tocar. A música foi se espalhando pela casa de shows vazia. Ele sentado lá longe, autografando cartazes, começa a escutar. As notas vêm e vão. Então, ele se levanta e caminha em nossa direção, como se estivesse sendo atraído pela sonoridade da própria obra.
Ele sobe no palco, assume o microfone, ainda sem olhar. Diz que não queria tocar o teclado que a produção tinha conseguido para ele. A tensão se espalha. Ele olha para a guitarra do meu companheiro de banda, Adriano, e a pede emprestada. Com orgulho do mito tocar com seu instrumento, meu amigo abre um sorriso. Ele também.
Depois de cantar e tocar duas músicas sozinho, chega a nossa vez. A tensão continua. O irmão dele avisa que pode ser que ele não queira passar música nenhuma e que isso é normal. Começamos a tocar. Minutos depois, ele fecha os olhos. Pouco a pouco, vamos relaxando. A música acontece. De olhos fechados, meio hipnotizado, parece que gosta. Resolve então fazer um show só para a gente. Tocamos todas as músicas que tínhamos ensaiado para o show e mais algumas.
Uma viagem sonora como sempre sonhamos. Para nosso deleite, a passagem parecia não ter fim. Ficamos suspensos naquela comunicação musical sem intervalos. Acabamos muito emocionados com toda aquela sinergia. O irmão, feliz, diz que nem sempre é assim. Naquela época, em todos os lugares por onde ele passava, era acompanhado sempre por uma banda formada por músicos fãs locais. Um privilégio estar entre eles.
No fim da passagem de som, pego um CD com o EP onde gravei cinco músicas dele, em casa, em uma longa noite em 2005. Nunca pensei que um dia poderia entregar isso pessoalmente para ele. Mas, aconteceu. Ele pegou, olhou, olhou e demorou para entender que naquela arte linda, lá estava ele com fitas cassete saindo da cabeça e que eu tinha gravado suas músicas.
Quando percebeu tudo, me deu um abraço apertado e sussurrou coisas no meu ouvido que eu não consegui entender direito. Não importa, a missão de quase uma vida estava cumprida. Saí muito feliz dali. Na hora do show, foi lindo. Deu tudo certo, ele cantou tudo, trocou a ordem de uma música ou outra na hora, mas tiramos de letra. Já tínhamos estabelecido uma conexão musical com ele. A plateia sorveu cada palavra, cada acorde, com muito amor.
No camarim, ele ofereceu pizza e refrigerante para todo mundo. Pacientemente, autografou o cartaz do show que hoje fica pendurado em cima do meu piano. Some things last a long time….
Daniel Johnston: voz, guitarra
Adriano Mitocondrias: guitarra
Andre Pagnossim: guitarra
Alan Feres: Baixo
Vini Pardinho: bateria
Stela Campos: teclado
Quando foi anunciado que Lana Del Rey, Ariana Grande e Miley Cyrus fariam uma colaboração para a trilha sonora do remake de As Panteras, havia uma enorme sensação de balaio de gatos, algo como se a faixa fosse apenas uma desculpa para colocar três cantoras que são propriamente semelhantes num mesmo patamar.
Na prática, é exatamente isso o que acontece, mas tudo tem uma função específica aí. O principal recorte da música – que é boa, mas esquecível – é que Ariana Grande seria a principal cantora pop da atualidade, uma vez que ela é a figura central do clipe, que canta o refrão e que carrega o comunicador com o qual As Panteras ficam sabendo de suas missões. Miley Cyrus entra mais uma vez para mexer em sua marca pública – depois de passar um ano se fazendo de boa moça, ela volta agora fantasiada de boxer, esmurrando agressividade. Mas o que me chamou a atenção foi a inclusão de Lana Del Rey neste time (bem como todo o alarde ao redor de seu novo álbum, como se ele não fosse exatamente o que Lana tem feito nos últimos anos). Em vez de ela surgir diva do pop botando todo mundo pra dançar – o que seria bem estranho da parte dela -, sua parte desacelera o tempo da música para encaixar-se em seu universo hipnótico em câmera lenta. É a única parte da música realmente interessante – pena que é quase no fim e que logo acaba.
“Quando a gente quer sair de um disco para o outro, mas sair mesmo – ir de uma visão e abordagem à outra bem diferente –, às vezes leva tempo”, me conta a cantora e compositora pernambucana Lulina sobre seu novo disco, Desfaz de Conta, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira. “Muita coisa que compus nos dois anos seguintes ao lançamento de Pantim, de 2013, tinha mais a ver com o Pantim do que com uma nova direção. Gosto de sair de um campo gravitacional musical e ficar perdida, flutuando, até ser puxada a outra situação que eu nem sabia que existia. E nesse trajeto, produzo e lanço meus discos caseiros, que são experimentos que desenham esse caminho de aprendizado e dão pistas de pra onde estou indo, mesmo que a rota mude repentinamente. Às vezes, esse caminho parece uma areia movediça, onde é preciso ter paciência com as frustrações. E de repente, a coisa vira uma pista de decolagem.”
Desfaz de Conta – que ela antecipa capa, feita pelo coletivo Bloco Gráfico, e nome das músicas em primeira mão para o Trabalho Sujo, abaixo – é, portanto, o primeiro disco de Lulina em seis anos, justo ela que é conhecida pela proficiência musical e que, anos antes de gravar seu primeiro álbum (Cristalina, que completa dez anos em 2019), lançava CD-Rs com versões caseiras de músicas que compunha de forma exponencial. O disco é um salto em relação aos trabalhos anteriores, principalmente pela agilidade que ela conseguiu no estúdio – onde mostrou as músicas pela primeira vez aos músicos que a acompanharam, também pela primeira vez.
O processo que culminou no novo disco – que já tem dois singles lançados, “Quem é Quem” e “O Que é o Que” – começou em 2014 mas passou a ganhar forma há dois anos, quando ela passou a dividir as composições com o amigo Ronaldo Evangelista e levou cerca de 40 canções para o produtor Maurício Tagliari começar o trabalho do zero. “Foi quando o Maurício sugeriu os músicos que deveriam dar forma a essas novas canções e colocou um desafio: não usar bateria em hipótese alguma, só percussão”, ela continua. Tivemos “um primeiro encontro com Thomas Harres e Gabriel Bubu pra ouvir juntos as gravações caseiras e dividir as primeiras impressões de arranjos possíveis. E o segundo encontro já foi em estúdio pra gravar, um mês depois, criando no improviso, sem nunca termos tocado juntos. Não fizemos mais do que dois ou três takes de cada canção, mas a maioria foi de primeira mesmo, um processo leve e divertido. Em quatro noites e um horário de almoço tínhamos o disco pronto”, ela lembra, falando das gravações que começaram no fim do ano passado. Além de Thomas e Bubu, o disco ainda conta com percussões de Igor Caracas, guitarras do próprio Maurício, synths e pianos de Dudu Tsuda, além de parceiros como Maurício Pereira, Guizado, Paulo Freire e Missionário José.
“Já admirava todos eles eu e há tempos queria inventar algo junto, mas foi o Maurício que coordenou essas combinações”, ela continua. “Para descobrir como seria essa formação ao vivo, fiz uma série de experimentos em shows chamados Onde é Onde, um na Casa Plana, outro no Centro da Terra e um último no CCSP. Em cada um, testei formatos inusitados, misturei músicos diferentes, improvisei arranjos novos. Comecei com três músicos me acompanhando, depois quatro, depois cinco. Espero fazer um show de lançamento com todos eles juntos, mas enquanto isso, experimento essas mutações, que são divertidas.”
Quando pergunto sobre o tema central do novo disco ela sai pela tangente. “Tem um tema central que costura diversos outros temas, mas explicar isso tira um pouco da graça, não? Acho que o nome do disco já dá uma pista. Além do mais, como diz a letra de uma das canções: ‘tudo o que se conta tem que dar um desconto, pois quem conta faz parte do conto'”, desconversa. “Tem só uma curiosidade que eu queria mencionar: boa parte das canções foram compostas durante ou após um banho quente – e isso é outra pista”, diverte-se.
E mesmo sem ter lançado o disco direito, ela já está com fome criativa: “Já tô com vontade de gravar um novo disco caseiro!”
“O Que é O Que”
“N”
“Cantor Pop dos Sonhos”
“Sina ou Sinal”
“Cansada de Alegria”
“Banheiros Produtivos”
“Tudo Se Desfaz de Conta”
“Vuco-Vuco”
“Carne Burro”
“Tem Coisa Aqui”
“Toda Solidão”
“Quem é Quem”
“Spoiler da Vida (Mayday)”
“Sorriso”











