A banda já existia há quase dois anos, mas não tinha nome: o líder do Fugazi, Ian MacKaye havia voltado a tocar com o compadre Joe Lally (no baixo) e com a esposa Amy Farina (na bateria) em alguns shows esporádicos até anunciar o nome do novo grupo, Coriky, sem a menor explicação, e anunciar o lançamento do primeiro álbum, no final de março (já em pré-venda), e mostrando o primeiro single, a grudenta “Clean Kill”. A capa do primeiro álbum e o nome das músicas vêm logo a seguir.
“Clean Kill”
“Hard to Explain”
“Say Yes”
“Have a Cup of Tea”
“Too Many Husbands”
“BQM”
“Last Thing”
“Jack Says”
“Shedileebop”
“Inauguration Day”
“Woulda Coulda”
Thurston Moore, o eterno guitarrista do Sonic Youth, abriu sua própria loja em Londres na semana passada. A 96 Church Records & Tapes venderá discos, livros, pôsteres, camisetas e outros itens de diversas procedências, além de funcionar como galeria de arte e palco para shows e encontros – Henry Rollins e Yoko Ono estão entre os próximos convidados. A loja, que recebe o público com uma cruz invertida feita por capas de discos de black metal feita pelo próprio Thurston, fica em Stoke Newington, no norte da capital inglesa, e é uma parceria de Moore com o quadrinista Savage Pencil (nome de guerra do inglês Edwin Pouncey) com Pete Flanagan, da loja Zippo Records, que também vende itens online pela Soho Music. A princípio a loja é temporária e deve funcionar apenas por um mês, “mas se der certo, seguiremos seguindo”, comentou Thurston em sua conta no Instagram.
Os dois singles (um com Lydia Lunch e outro com FKA Twigs) foram só um teaser e o produtor chileno-americano Nicolas Jaar lança o álbum 2017-2019, tirando todo o tom pop que predominava na coletânea anterior de seu projeto Against All Logic (o excelente 2012-2017) transformando-o em uma arma de combate. A melhor explicação para a mudança vem logo na primeira faixa, quando picota vocais de Beyoncé sobre uma base bate-estaca que implode o ouvinte em uma pista de dança mental, febril e agressiva, consolidando-o como um dos melhores produtores em ação atualmente.
Detalhe: os dois singles anteriores não entraram no disco.
Conversei com Cleber Facchi do Vamos Falar Sobre Música?, Fábio Silveira do Fast Forward, Lucio Ribeiro do Popcast e Thiago França do Sabe Som?, autores de podcasts que abordam diferentes aspectos da produção musical em uma reportagem para a revista da UBC – confere lá no site deles.
Não é que Supervision, o disco que La Roux levou seis anos para nos mostrar, seja um disco ruim – mas falta uma pressão, uma ousadia, um senso de risco, que parece ter sido perdido. Tecnicamente, é um disco de música pop perfeito, mas é frio e distante, soando mais como trilha sonora para paisagens urbanas em movimento do que propriamente para a pista de dança. É um disco que só funciona, mesmo quando funciona bem (especificamente em “Automatic Driver”), e acaba soando como um template de anos 80 de um programa de edição de áudio. Infelizmente.
A dupla sueca The Radio Dept. começa a mostrar trabalho em 2020 ao lançar a bucólica “The Absense of the Byrds”, primeira música inédita desde o lançamento do ótimo Running Out of Love, de 2016. Segundo a dupla, é o primeiro de alguns singles que irão lançar durante o ano, sem anunciar se eles irão virar um álbum ou não.
Esbarrei sem querer num vídeo com cenas que sobraram de uma entrevista de 2010 que o beastie boy Adrock deu pra marca de softwares de produção musical Reason. Como o vídeo original, feito pela própria marca, tinha foco no programa que eles vendem, muita coisa boa ficou de fora – e nessas cenas, ele conta como fez o beat pro primeiro hit de LL Cool J (e como o descobriu), o fato de ter sido a primeira banda a ter o termo “sample” associado à música (numa batalha legal), sobre fazer fitas de beats usando os velhos toca-fitas duplos (“coisa de homem das cavernas, batendo pedra pra fazer fogo”, ele ri), como conheceram Mario Caldato e outras histórias.
Muito bom. Que banda eram os Beastie Boys.
Letícia aos poucos começa a revelar seu próximo álbum e adiantou para o jornal O Globo o título e a arte da capa: Letrux Aos Prantos é o nome do sucessor do ótimo Em Noite de Climão, que ela apresentou anunciando que “o choro é livre e que bom, pelo menos isso ainda nos é permitido. Sorte de quem chora, como eu”. A pintura que faz parte da capa – e não é a capa em si – foi feita por Maria Flexa a partir de uma foto feita por Victor Jobim: “Coloquei uma composição de Bach que me faz chorar desde criança e ele me fotografou”, explica a cantora carioca, que ainda antecipou participações de Lovefoxxx e Liniker no novo disco, que será lançado no dia 13 de março.
Como pede o clima intenso das faixas (“Tem de tudo, até samba. Um samba meio Twin Peaks, meio David Lynch, mas é um samba”, disse ao jornal), o disco não terá single de apresentação e chega todo de uma vez só.
Atualização (12 de fevereiro): Letícia finalmente revelou a capa de seu novo disco (ointura da Maria Flexa, foto Ana Alexandrino e arte gráfica de Pedro Colombo) e escreveu sobre o conceito por trás dela:
Desde criança, choro com o concerto para 2 violinos em Ré menor do Bach. Meu pai tinha alguma coletânea de música clássica (mais tarde Thiago Vivas me ensinou que deveria ser coletânea barroca, risos). Eu amava dar play, ouvir tudo deitada na cama, e tinha a hora exata do pranto. Eu sentia o trajeto da lágrima inteiro dentro de mim e tinha o auge momento de botar pra fora. Passei anos sem ouvir, depois lembrei de tal obra magnânima e que alegria ela sempre existir. Quando fui no ateliê da Maria Flexa, pintora que fez o quadro, levei minha caixinha de som e convoquei Bach pra chorar na frente dela e do namorado, Victor Jobim, que me fotografou (analogicamente), chorando. Nunca tinha visto Maria nem Victor na vida. Mas chorei na frente deles. Choro um bocado. Sempre fui llorona. E sempre me foi permitido ser. “Menina não chora”. Isso não rolava. Isso nos era permitido. E eu aproveitei. Choro de tristeza, de raiva, de horror, de gozo, de saudade, de alegria. Choro com vídeos de superação, luto, bichinhos nascendo, bebês aprendendo algo. Choro de gargalhar (the lícia esse choro). Convoquei Ana Alexandrino minha fotógrafa de sempre, caprina, pra me registrar segurando esse quadro da Maria. O Climão teve aquele meu carão na capa. Aos prantos tenho outro rosto, em forma de pintura. Sou antiga, não posso evitar cronos pra mim. Já havia trabalhado com Pedro Colombo fazendo o clipe de Puro Disfarce. Pedro conseguiu reunir elementos dessa fotografia, desse quadro, desse álbum, dessas músicas, da minha água, e elaborar essa belíssima capa do próximo disco. Vestido Ateliê Guto Carvalhoneto, styling Luiz Wachelke.
E lá vou eu ouvir o concerto para 2 violinos em Ré menor. Recomendo.
E ainda linkou o tal concerto: “quem quiser chorar, 4:22 era a hora em que eu não sabia se estava viva”.
Esbarrei nessa mixtape Samba Obscuro que o Kiko Dinucci fez em 2011 em seu blog de cinema e que foi ressuscitada no canal do YouTube do Garimpo Sound System. “Mas isso não é um blog de cinema? Sim, mas esse mixtape tem um Q de filme, seja nos climas, na montagem ou no poder narrativo dos sambas escolhidos”, explica o então futuro Metá Metá, listando Paulinho da Viola, Adauto Santos, Nelson Cavaquinho, Itamar Assumpção, João Bosco, Alaíde Costa e Milton Nascimento, Jards Macalé, entre outros e alguns diálogos de filmes nacionais. “Boa viagem aos porões da alma humana através da música popular brasileira”, anuncia o compositor.
Paulinho da Viola – “Roendo as Unhas”
Jards Macalé- “E Daí?”
Adauto Santos – “Cravo Branco”
Nelson Cavaquinho – “Pode Sorrir”
Itamar Assumpção e banda Isca de Policia – “Você Está Sumindo”
João Bosco – “Bodas de Prata”
Alaíde Costa e Milton Nascimento – “Me Deixa Em Paz”
Jards Macalé – “Rua Real Grandeza”
Paulo Vanzolini – “Alberto”
Paulinho da Viola – “Comprimido”
Low Season, disco novo do grupo californiano Poolside, vai para o extremo oposto de seu disco mais recente (o ótimo Heat, de 2017) e traz músicas para deitar numa praia vazia sem pressa pra sair – e sem sair de seu preciso rótulo “disco music diurna”.
No sossego…












