Depois do fraco Reputation, Taylor Swift parece disposta a reatar as pazes com o pop com o ótimo Lover, uma continuação mais plausível para seu melhor disco, 1989.
E ainda tem uma música que ela compôs com a St. Vincent!
E o novo disco de Dev Hynes e seu Blood Orange, o delicioso Angel’s Pulse, consegue levar a temática e a estética de seu disco do ano passado, o notívago e melancólico Negro Swan, para um lugar mais familiar e ensolarado, neste que talvez seja seu melhor trabalho – mesmo que lançado como uma mixtape.
Depois de anos produzindo com computador, o mago norueguês Lindstrøm começa a fazer música usando instrumentos tradicionais e anuncia um novo álbum, com título inspirado em um musical de Barbra Streisand nos anos 70: On a Clear Day I Can See You Forever é o sexto disco do produtor e nasceu a partir de uma residência que ele realizou no centro de arte Henie Onstad Kunstsenter, ao sul da capital Oslo, quando passou três noites fazendo música ao vivo com mais de trinta sintetizadores e baterias eletrônicas disponíveis. O resultado são quatro longas faixas e ele mostrou a primeira delas, a hipnótica e fria “Really Deep Snow”, nesta semana.
O disco será lançado em outubro, já está em pré-venda e sua capa e ordem das faixas vêm abaixo:
“On a Clear Day I Can See You Forever”
“Really Deep Snow”
“Swing Low Sweet LFO”
“As If No One Is Here”
“Comecei a conceituar esse novo disco quando escrevi ‘Canção Pra Nós’ e aquele tipo de texto mais reflexivo e um tanto positivo seria o tom do trabalho, parecia uma novidade boa, quase uma maturidade”, me explica Eduardo Brechó, idealizador do grupo Aláfia, que está prestes a lançar seu próximo álbum, Liturgia Sambasoul, que sai no início de outubro, com show no Auditório Ibirapuera dia 13. “No entanto, isso não dá conta de todos os sentimentos que a atual conjuntura nos estimula e este primeiro single foi a última canção que escrevi pro disco.” Brechó se refere à “Faca Fake”, que antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo, que conta com a participação do poeta Sérgio Vaz, cuja letra fala do atentado ao atual presidente da república nas eleições do ano passado, expondo a queda de máscaras que presenciamos neste Brasil de 2019.
“Ela sintetiza bem o que eu imagino pro nosso Sambasoul, no que se refere à música e ao som do disco – timbres, arranjos – posso dizer que este single é um prenúncio do álbum de fato. Fizemos um disco investigando os mistérios do Sambasoul e extrapolando os limites que esse híbrido foi convencionado a ter. Há de se lembrar que em termos de Aláfia estamos sempre partindo e/ou voltando do/ao terreiro”, continua o compositor, que volta a falar da nova faixa. “‘Faca Fake’ começou num rabisco com esse e outros trocadilhos infames que a campanha presidencial do ano passado me sugeriam. Quando a melodia pentatônica apareceu eu adaptei o rabisco a ela e um dia na Amaral Gurgel fiz a parte B pensando na voz da Estela. Só realmente fechei a forma quando fui na casa do Sérgio Vaz pra gravar o poema dele que fulgura o especial”
“Nosso disco de 2017, São Paulo Não É Sopa, foi um todo composto e dedicado à cidade de São Paulo. Depois do primeiro álbum, Corpura, que era bem telúrico e espiritual, procuramos o concreto e o ruído da metrópole. Este terceiro disco é mais terreiro de novo. Super urbano, mas muito terreiro”, continua, aproveitando para falar das mudanças na formação da banda. “Além de banda, Aláfia é um bando em processo, um coletivo fundamentado em colaboração de rua, desde o nosso começo em 2011. A Xênia não conseguiu mais conciliar sua carreira solo com a agenda do Aláfia e não está neste disco. No entanto, outras três vozes maravilhosas serão ouvidas neste disco. A de Damião, guitarrista e compositor – temos dois temas em parceria no Liturgia Sambasoul -, a de Estela e Eloisa Paixão, duas irmãs talentosas que abraçaram a banda e trouxeram uma luz muito especial pro grupo.”
O Centro Cultural São Paulo está com um podcast desde o fim do primeiro semestre e participei da edição mais recente conversando com a apresentadora Juliana Andrade sobre a programação da curadoria de música, saca só.
Listen to “Podcast@CCSP #006” on Spreaker.
Agora morando em Los Angeles, nossa heroína Kim Gordon anuncia o primeiro disco que leva seu nome após o fim do Sonic Youth. No Home Record (capa e ordem das músicas abaixo) já está em pré-venda e reflete a nova fase da compositora com o estranho clipe de “Sketch Artist”.
O disco, que será lançado no dia 11 de outubro, também inclui o single “Murdered Out”, que ela lançou há três anos.
“Sketch Artist”
“Air BnB”
“Paprika Pony”
“Murdered Out”
“Don’t Play It”
“Cookie Butter”
“Hungry Baby”
“Earthquake”
“Get Yr Life Back”
“Eu não vou sucumbir”, brada a diva Elza Soares em “Libertação”, primeiro single de seu próximo álbum, batizado de Planeta Fome, que reúne três pesos pesados da música baiana: Letieres Leite, Virgínia Rodrigues e BaianaSystem.
A parte legal do pop brasileiro estará no Festival Bananada deste fim de semana e é pra lá que eu vou – sente só a programação do festival nos próximos três dias…
Quando o baixista do grupo Do Amor, Ricardo Dias Gomes, convidou a fotógrafa Caroline Bittencourt para fazer um clipe de uma das faixas do disco que ele lançou no ano passado, Aa, ela parou em “Fogo Chama”, que tem a participação do guitarrista Arto Lindsay. “Quando ouvi, me veio uma uma imagem fotográfica”, lembra a fotógrafa. “A Islândia como cenário seria perfeito. A terra do gelo, sempre em ebulição, pronta a explodir”. O clipe foi feito a partir de imagens que Caroline fez na terra da Björk, tanto com seu celular quanto em 35 mm, dirigido por Alê Dorgan e que aparece agora pela primeira vez no Trabalho Sujo.
“Não conheço a Islândia. Carol foi quem teve a visão do clipe e executou com a Alessandra”, explica Ricardo, sobre o processo de criação do curta. “A música compus e gravei ainda no Rio, pensando no fogo e mergulhando nessa dualidade entre seu significado histórico e antropológico ou do desejo e da paixão”, explica avisando que esteve em Nova York há duas semanas gravando bases para um próximo trabalho.
Aproveito para perguntar sobre a vida em Portugal, já que o músico mudou-se para além mar há dois anos. “Portugal está num período de aumento da sua visibilidade no mundo. Muita gente se mudando para lá, o que trás uma efervescência cultural cada vez maior. Sempre me surpreende a quantidade de pequenos eventos (de todas as artes) pipocando nas associações culturais e até em apartamentos. Brasileiros estão vindo aos montes, muitos bolsominions infelizmente, mas não só. É muito bom que cheguem tantos músicos brasileiros. Agora, pra mim, é, mais do que nunca, tão claro que não há no mundo um país tão incrível musicalmente como o Brasil. No geral os portugueses reconhecem isso.”
E fala sobre a sobrevivência de sua banda à distância. “É impossível pra mim tirar os dois pés do Rio. É uma vida inteira construída e Do Amor é das coisas mais especiais que há. Temos para nós que a banda segue firme nesses novos tempos. Claro que não devo estar presente em todos os shows que vão surgir mas pretendo estar presente o máximo possível”, conclui.
Aproveitando o aniversário de 40 anos de um dos discos mais emblemáticos da história do rock, o grupo inglês The Clash, um dos pilares do punk, tem sua saga revisitada a partir de novembro no Museum of London, na Inglaterra. A exposição The Clash: London Calling leva o nome do clássico álbum pois o utiliza como ponto focal e reúne mais de uma centena de itens relacionados ao grupo, entre equipamentos, peças de roupa, fotos e trechos de filmes, detalhando especificamente o processo de realização do disco – que chegou a se chamar The Ice Age e New Testament.
Entre os itens que estarão à mostra em público pela primeira vez estão as baquetas do baterista Topper Headon, a capa de fita cassete em que o guitarrista Mick Jones definiu a ordem das músicas do disco, a máquina de escrever e o caderno de rascunho de Joe Strummer e os pedaços do baixo que Paul Simonon espatifou no chão em um show em Nova York dois meses antes do lançamento do disco, gesto que rendeu a fotografia imortalizada em sua capa (veja abaixo).

O baixo Fender Precision quebrado no palco por Paul Simonon em Nova York no dia 21 de setembro de 1979 na foto que foi eternizada na capa de London Calling
A exposição será gratuita ao público, abre no dia 15 de novembro e funciona até o meio do semestre que vem (mais informações aqui), coincidindo com o lançamento do livro London Calling Scrapbook, que será lançado pela Sony e reúne fotos e anotações manuscritas da banda sobre o disco histórico lançado no final de 1979.















