O grupo dance psicodélico norte-americano Of Montreal, liderado pelo excêntrico e inconstante Kevin Barnes, anunciou o lançamento do sucessor de White Is Relic/Irrealis Mood, que lançou no ano passado – e Ur Fun, que já está em pré-venda, teve dois singles apresentados ainda este ano, a irresistível “Peace To All Freaks”…
…e a new wave “Polyaneurism”, com seu adorável clipe canino.
O disco segue a nova fase inaugurada no álbum anterior em que Barnes passa a se relacionar – e a compor junto – com Christina Schneider, que assina como Locate S,1, reforçando as referências oitentistas que foram trazidas em White is Relic. A capa de Ur Fun e o nome das músicas seguem abaixo.
“Peace to All Freaks”
“Polyaneurism”
“Get God’s Attention By Being An Atheist”
“Gypsy That Remains” (com Locate S,1)
“You’ve Had Me Everywhere”
“Carmillas Of Love”
“Don’t Let Me Die In America”
“St. Sebastian”
“Deliberate Self-Harm Ha Ha”
“20th Century Schizofriendic Revengoid-man”
Eis os 25 melhores discos brasileiros da segunda metade do ano segundo o júri de música popular da APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte), da qual faço parte.
Ana Frango Elétrico – Little Electric Chicken Heart
Bruno Capinan – Real
Céu – APKÁ
Chico César – O Amor É Um Ato Revolucionário
DEF – Sobre os Prédio que Derrubei Tentando Salvar o Dia
Elza Soares – Planeta Fome
Emicida – AmarElo
Jonnata Doll e os Garotos Solventes – Alienígena
Karina Buhr – Desmanche
Lello Bezerra – Desde Até Então
Lia de Itamaracá – Ciranda Sem Fim
Lucas Santtana – O Céu é Velho Há Muito Tempo
Luiza Brina – Tenho Saudade, Mas Já Passou
Luiza e os Alquimistas – Jaguatirica Print
Lulina – Desfaz de Conta
Marcelle – discoNeXa
MC Tha – Rito de Passá
Nill – Lógos
Rael – Capim-Cidreira
Saskia – Pq
Scalene – Respiro
Selvagens à Procura de Lei – Paraíso Portátil
Siba – Coruja Muda
Teago Oliveira – Boa Sorte
Yamandu Costa – Vento Sul
Além de mim, também fazem parte do júri José Norberto Flesch (Destak), Marcelo Costa (Scream & Tell) e Lucas Brêda (Folha de São Paulo). No primeiro semestre votamos nestes discos aqui.
Depois de cinco anos sem lançar nada como Caribou, o produtor canadense Dan Snaith voltou a dar as caras com seu projeto que é autor de pelo menos dois clássicos desta década que está chegando ao fim (os discos Swim e Our Love). E se já tinha lançado “Home” em outubro (em cima de um loop perfeito feito sobre um pedaço da faixa de mesmo nome, da cantora Gloria Barnes, lançado em seu disco Uptown, de 1971), agora, vem com o single “You and I”, que funciona como anúncio para seu próximo disco, Suddenly, programado para sair em fevereiro do ano que vem – e já em pré-venda. O groove sinuoso e manhoso da nova faixa conversa com o clima sussa da faixa anterior e juntas parecem antever um disco beeem suave…
A capa e o nome das músicas seguem abaixo:
“Sister
“You and I”
“Sunny’s Time”
“New Jade”
“Home”
“Lime”
“Never Come Back”
“Filtered Grand Piano”
“Like I Loved You”
“Magpie”
“Ravi”
“Cloud Song”
Lançado nesta sexta-feira, o acústico que nossa querida Courtneyzinha gravou na MTV australiana no final de outubro prova que ela é uma noventista temporã, uma autora indie clássica e que gravou um dos melhores discos ao vivo desta década…
…além de ter feito uma das melhores versões de todos os tempos para uma música do Leonard Cohen, com essa arrebatadora versão para “So Long, Marianne”.
Que mulher!
Em “Posthumous Forgiveness”, terceiro single do próximo álbum do Tame Impala, The Slow Rush, o líder da banda australiana Kevin Parker lamenta a perda do pai, grande incentivador de seu trabalho, que morreu antes de ver o primeiro disco da banda do filho ser lançado…
…e aos poucos leva a psicodelia do grupo para um lugar introspectivo e recolhido.
Em mais uma participação no programa Metrópolis da TV Cultura, comentei sobre a edição deste ano da Sim São Paulo, que começou nesta quarta-feira e vai até o domingo. Dei dicas de shows que vão acontecer durante a semana, de Luedji Luna a Ava Rocha, passando por Sessa, Jessica Caitano, Nômade Orquestra, Saskia, Glue Trip, Brvnks, Mombojó, Vitor Araújo, Samuca e a Selva, Chico Bernardes, Bia Ferreira, Ana Frango Elétrico, entre outros.
O grupo norte-americano Spoon anunciou em sua conta no Instagram que a faixa “Is This The Last Time?”, lançada originalmente como lado B do compacto “Something Something”, que o grupo lançou em 2002.
Num ano em que o grupo lançou apenas uma coletânea – Everything Hits at Once: The Best of Spoon – não dá pra acusá-lo de viver só do passado, uma vez que eles também lançaram a inédita “” junto com a coleta.
Não conhecia essa versão da balada psicodélica “Planet Caravan” do Black Sabbath que o Mercury Rev gravou numa Peel Session em 2001.
Dica do Mumu.
Camilo Rocha e Guilherme Falcão, em seu podcast Escuta, do jornal Nexo, perguntaram para vários críticos e jornalistas qual canção resumia os anos 10 e eu fui um dos convidados, ao lado dos ilustres Daniel Ganjaman, Spartakus Santiago, GG Albuquerque e Amanda Cavalcanti. O programa pode ser ouvido abaixo:
https://soundcloud.com/escuta-nexo/19-a-musica-dos-anos-2010-parte-2-os-ritmos-da-mudanca
Participei da segunda parte do programa, a primeira contou com as participações de Iza, Sarah Oliveira, Guigo do Quebrada Queer, Ana Morena e Dani Ribas:
https://soundcloud.com/escuta-nexo/18-a-musica-dos-anos-2010-parte-1-hits-da-depressao
Conversei com a cantora e compositora pernambucana Karina Buhr sobre o lançamento de seu novo álbum, Desmanche, em uma entrevista feita para a edição de novembro da revista da UBC – que pode ser conferida também no site deles.
Percussão protagonista
Em seu quarto álbum, Desmanche, a cantora e compositora Karina Buhr canta o peso dos tambores e da situação política no Brasil de 2019
Karina Buhr é sucinta quando pergunto quais as principais inspirações para seu quarto álbum, o recém-lançado Desmanche: “Os tambores e o Brasil”. A explicação vem da situação que nosso país vem passando, às trevas dos novos governos, e da velha paixão de Karina pela percussão, colocada em primeiro plano neste seu quarto álbum. “A ideia foi quebrar totalmente com o que vinha fazendo. Mudei completamente a formação da banda e o modo de gravar, foi uma ruptura”, explica.
Desmanche marca a volta da percussão como elemento central em sua composição.
Meu instrumento é o ritmo, todas as músicas que faço partem daí. Nos outros meus três discos solo os tambores foram tirados no momento dos arranjos, embora a ideia rítmica tenha sido mantida. Alguma coisa no espírito que ia pra um lado mais rock fazia isso acontecer naturalmente. Dessa vez resolvi mudar isso e não só manter as percussões nos arranjos finais, como trazer ela de volta comigo pro palco e tirar a bateria. A percussão sempre foi um elemento central nas minhas composições, mesmo não quando não estão aparentes.
Desmanche é um disco político em vários níveis, não apenas no sentido de um disco de protesto.
Sim, na poesia dele tem a violência do estado racista, o descaso com a moradia da população e o respeito ao chão embaixo dos pés. Em “A Casa Caiu” falo de movimentos por moradia e também do crime de Brumadinho, “Sangue Frio” fala da violência do Estado, “Temperos Destruidores” é sobre as das guerras do mundo “por tempero e deuses”, “Lama” fala da realidade de uma cidade, Recife, de festa e violência. Mas também tem um lado manso, que acho que é o ponto de sobrevivência, um banho num rio de uma outra dimensão, coração transposto e não um leito de rio, “Vida Boa é a do Atrasado” é leve, uma brincadeira, “Chão de Estrelas” fala de festa, tem um mistura de tensão e calma.
Qual o papel da cultura e da música especificamente para enfrentar o desmanche cultural que os atuais governos estão implementando no Brasil?
Acho que a música, qualquer tipo de arte tem o poder de levar a gente pra dentro, de tirar da realidade e ao mesmo tempo de dar forças pra enfrentá-la e também instigar as pessoas pra troca de ideia e pra ação. No momento em que pessoas estão juntas num show, falam sobre letras e músicas e filmes uma potência enorme é gerada e mudanças significativas acontecem. Por mais que isso por si só não resolva nada, mexe como mentes, com ideias, move as coisas. É difícil falar sobre isso no Brasil porque vivemos um apartheid e a música não tem como ficar fora desse contexto. Tem música que é considerada melhor, tem passinho e funk criminalizados, Rennan da Penha preso por fazer girar cultura, diversão e dinheiro na favela. É assunto que não cabe numa resposta de entrevista.











