Pilar do samba baiano, o mestre Clementino Rodrigues, conhecido historicamente como Riachão, morreu dormindo na madrugada desta segunda-feira, logo após anunciar que iria lançar um disco com inéditas ainda este ano – vá em paz.
Engrossando o coro para manter todo mundo em casa, o grupo nova-iorquino Sonic Youth começou a abrir seu baú de shows ao vivo e vem desovando discos piratas de apresentações de toda a história da banda em seu Bandcamp, em todos os lugares do mundo: do CBGB’s em Nova York a Moscou, passando por Paris, Berlim, Glasgow e Moscou. O grupo já liberou 15 shows de todas as fases da banda – o mais antigo até agora é de 1983 e o mais novo de 2009. Clássico!
Que merda de notícia: Daniel Azulay foi um dos principais nomes da cultura infantil pré-Xuxa no Brasil – e ensinou uma geração inteira (a minha) a desenhar na TV, apresentando seus personagens inesquecíveis no programa A Turma do Lambe-Lambe. Morreu vítima do Coronavírus…
O Bruno Natal, meu ex-sócio nOEsquema que agora tá um podcast chamado Resumido, me chamou pra participar de uma live sobre o impacto do coronavírus na cultura – e o papo é esse aí abaixo.
O disco Rádio S.Amb.A., que a Nação Zumbi lançou há vinte anos, foi um marco na história da banda ao mostrar que ela funcionava sem seu líder original, o malungo Chico Science, que morreu num acidente de trânsito em 1997. Entre o susto da morte do jovem mestre, o luto que quase calou a cena do Recife e a mudança definitiva para São Paulo, o grupo pernambucano se reergueu em grande estilo lançando um disco que mantinha as qualidades originais da banda ao mesmo tempo em que buscava novos rumos. O documentário Rádio S.Amb.A.Doc — Uma Viagem ao Centro do Mangue, do qual eu já falei aqui em outra ocasião, foi produzido pela Marafo Records de Eduardo Medina e dirigido por Andre Almeida no ano passado e vai ser disponibilizado online neste sábado, a partir das 19h, por tempo indefinido, como parte de uma das ações para manter as pessoas em casa, por conta da pandemia que assola o país.
Rihanna está a tanto tempo sem dar notícias (seu último disco, o ótimo Anti, é de 2016!), que basta mencionar algumas palavras num single de um amigo para causar alvoroço – foi o que aconteceu quando apareceu no novo single do rapper PartyNextDoor, coautor de “Work”, que a cantora lançou com Drake há quatro anos. Ela é quase discreta ao cantarolar o refrão de uma “Believe It” que não faz a menor diferença, mas mostra que ela já está pensando em voltar aos holofotes.
Tomara.
Depois de lançar 2017-2019, um abalo sísmico em forma de disco, no início deste ano com o pseudônimo Against All Logic no início do ano, o produtor americano-chileno Nicolas Jaar lança mais um disco em 2020 – o primeiro disco com seu nome de batismo desde Sirens, um dos melhores discos da década, lançado em 2016. Mas Cenizas – “cinzas”, em espanhol – é um mergulho para dentro em que o produtor deixa toda a expansão rítmica de lado e nos convida para uma viagem erma e distópica, como se antevesse os dramas da atual quarentena ao nos confinar solitários em nossas casas – e nossos corpos. O próprio confinamento foi ponto de partida do disco, este voluntário, quando Jaar se isolou sem álcool, cigarros e café para parir o disco sem outros estímulos a não ser os seus próprios. O resultado é um disco denso e delicado, uma esfinge sem olhos que nos persegue pelo tato, empilhando ralas camadas de um jazz alienígena, estranhamente familiar, compostos por temas ocos e secos, mas fortes e intensos e que conversa com seu primeiro disco desde o título daquele álbum, Space Is Only Noise. Impaciente e incrédulo, é o segundo grande disco que Jaar produz no mesmo ano, exibindo sua maestria em ambos extremos de uma pista de dança futurista e sem esperanças.
Semana agitada para a inglesa Dua Lipa, como se não bastasse a pandemia: seu álbum Future Nostalgia vazou antes da hora, o que lhe obrigou a antecipar o lançamento para esta sexta, mas como já deu pra sacar que ela não está pra brincadeira, o clipe de “Break My Heart” saiu nesta quinta e é mais um hit certeiro, aproveitamento impecável para um disco que, lançado em condições normais, seria um clássico das pistas.
Vamos esperar como todos reagirão ao álbum nesta sexta-feira.
A dupla californiana Classixx se une ao produtor alemão Roosevelt para uma deliciosa parceria, a faixa “One More Song”, que mistura uma vibe relaxada com um clima alto astral. Suave…
O baixista Marcelo Cabral – integrante do Metá Metá e produtor, ao lado de Daniel Ganjaman, do Nó na Orelha do Criolo – lançou seu ótimo primeiro disco solo, Motor, em 2018 e logo depois mudou-se para Berlim, onde passou quase um ano imerso nas novas possibilidades de improviso – tema, inclusive, da temporada que fez ano passado no Centro da Terra, quando veio para São Paulo durante um mês. Cabral voltou ao Brasil no fim do ano passado e começou a trabalhar em um disco novo, eletrônico, processo que se intensificou à medida em que a quarentena anticoronavírus começou no país, uma vez que ele está gravando este disco sozinho em seu estúdio caseiro. “É algo que vem desde a época do skate dos anos 80, new wave e pós-punk que foi se ligar nos clubes em Berlim, em pesquisas na internet e dicas de amigos fanáticos pelo eletrônico alemão e inglês”, me explicou. Enquanto o novo projeto não sai do papel, ele ainda trabalha com o seu primeiro disco, lançando o clipe de “Cadê”, com direção de Guilherme Destro, o Guime, em primeira mão no Trabalho Sujo.
“Nos cadinho de cadê nosso de cada dia, a música de Marcelo Cabral apareceu para transformar essa palavra – uma pergunta – em imagens”, explica o diretor. “Fui pro íntimo, onde essa palavra se processa para construir essa música/pergunta em filme. Até certo ponto foi fácil, pois já tinha coisas filmadas, como o encontro que tive com o bailarino Milton Coatti numa festa. Antes de entrar na festa, vi que havia um restaurante vizinho que havia feito uma detetização, transformando a rua num cemitério de baratas e e pusemos o acaso a filmar naquela madrugada. Depois juntei com a temporada de buscas que Marcelo Cabral fez no Centro da Terra em 2019 e me deparei no começo do show, com a figura de Paulo Climachauska, o Clima, ao fundo do palco, inerte, sentado, com todas as projeções psíquicas que podia colocar naquela pessoa: lamber a imagem, vir descendo com a câmera, eu sendo lente. Um encontro entre filme, pessoa, musica e fotografia. Estava formada a inquietação e suas desangústias, que com ela, retribuí em imagens que se movimentam”. Cabral completa: “Fiquei bastante emocionado com a sensibilidade e a beleza de como o Guime construiu algo em torno da música sem ser literal ou de querer explicar algo que não se explica, que é a inspiração que nos move através da arte.”









