Como a maioria dos músicos durante esta quarentena, Angel Olsen resolveu experimentar – e usou seu canal no IGTV do Instagram para iniciar uma série de versões de algumas de suas músicas favoritas. Tudo gravado com o celular, um filtro com cara de filme velho e ela cantando clássicos da Tori Amos e do Roxy Music – só a versão para “More Than This”, que abriu a nova fase, já valeu o projeto todo. Olha que deslumbrante:
Ela também gravou uma versão para o standard italiano “Il Cielo in una Stanza”:
E seguiu para o piano, onde gravou “Winter”, da Tori Amos.
Ao lançar esta última, escreveu que, ao gravar esta versão voltou a ter 15 anos. E aproveitou para dizer que continuaria publicando estas versões, mas que faria uma live fechada para levantar fundos para sua banda e equipe neste sábado (mais informações aqui). Ela ainda acrescentou que aceita sugestões do público. Que artista!
O músico e produtor paulista Pipo Pegoraro começou o ano lançando seu ótimo Antropocósmico, disco de jazz funk instrumental que passeia pela música eletrônica, o pop do inicio dos anos 80 e pelo trip hop em uma viagem pesada ao lado do baterista Daniel Pinheiro, do trombonista Victor Fão e do percussionista Ricardo Braga. Pilotando sintetizadores e baixo, o músico e produtor lança o primeiro clipe deste trabalho em primeira mão no Trabalho Sujo, uma versão visual para a faixa-título em que o animador Vital Pasquale transformou o groove repetitivo da faixa em uma jornada retrô e psicodélica, misturando o espaço sideral, a geometria e o corpo humano como elementos de uma viagem intergalática – para dentro.
Morreu nesta terça-feira um dos instrumentistas que ajudaram o groove do funk a entrar no panteão da música popular brasileira – Serginho Trombone começou tocando no grupo Abolição de Dom Salvador e passou pelas bandas de Jorge Ben, Gilberto Gil, Sandra Sá e Barão Vermelho, levando seu instrumento para um novo plano enquanto fazia todo mundo dançar. Morreu devido a complicações após uma cirurgia no intestino.
Pelo visto o novo disco dos Strokes, The New Abnormal, que será lançado na próxima sexta, repassa as diferentes fases que a banda nova-iorquina – e depois do feliz single “Bad Decisions” revisitar seus primeiros anos, o grupo solta “Brooklyn Bridge to Chorus”, que parece ter saído diretamente da fase Angles da banda, de quase dez anos atrás (só que com mais guitarras que naquela época). Boa música.
Converso nesta quarta com o Rico Manzano dentro do projeto Música em Rede, que desde que entramos em quarentena vem discutindo como o mercado da música está reagindo nesta nova realidade. O papo acontece às 19h, na conta do Instagram do projeto – siga aqui.
O mexicano Alan Palomo, o nome por trás do Neon Indian, encontrou uma forma bondosa de prestar seu débito à italo house ao ser convidado para fazer um set para o festival italiano Ortigia Sound System. Dedicou sua hora de mixagem a esse delicioso subgênero da disco music que caminha entre o épico e o cafona, o romântico e o robótico e decidiu que os fundos arrecadados com esta colaboração iriam para ajudar às vítimas do coronavírus na região do festival, em Siracusa. E ele viaja bonito, mostrando uma faceta desconhecida para seus fãs.
Risque – “Starlight”
Spanish Crash – “Life is Now Pt. 2”
Gang – “KKK (Club Mix)”
Mito – “Unit (Incl. Toccata E Fuga in Re Minore)”
Radiators – “I am Sure”
Gaznevada – “Special Agent Man (Female Version)”
B.W.H. – “Stop”
Talko – “The Hustle (Instrumental)”
Silvie Stone – “Charming Prince ”
The Creatures – “Machine’s Drama”
S.C.O.R.T.A. – “Pertini Dance (1984 Italo Mustache Edit)”
M-Basic – “OK Run”
La Bionda – “I Wanna Be Your Lover”
Evo – “Din Don”
Domina – “You’ve Got my Soul”
Frank Tavaglione – “Tumidanda (Italian Diversion)”
Lowell – “No Matter”
Maurice Mcgee – “Do I Do (Edit)”
Peter Richard – “Marlene”
Clio – “Faces”
Fabio Xeno – “It’s Droad Day Light”
Plustwo – “Melody”
Patrizia Pellegrino – “Il Mondo Di Una Nuovola”
Videoclub – “Lost Time”
The Immortals – “Ultimate Warlord”
Casco – “Cybernetic Love”
Como quem não quer nada, Frank Ocean escorreu um single nesta sexta-feira revelando versões acústicas de duas músicas que já tinha mostrado trechos em remixes feitos por amigos: “Cayendo”, remixada pelo Sango, e “Dear April”, que ficou com a dupla francesa Justice. Nas novas versões, que possivelmente não serão as mesmas do disco que está vindo aí, ele afasta-se da vibe rap futurista que caracterizavam as duas faixas que havia mostrado (“DHL” e “In My Room“) para voltar-se ao soul sintético que é mais próximo de seu disco mais recente, Blonde – mas como são versões acústicas, não dá para saber se elas são próximas da versão que provavelmente está no disco. “Cayendo” especificamente se destaca, muito por Frank cantar em espanhol (“cayendo” quer dizer “caindo”).
E cada faixa tem uma silhueta de uma foto sua como marca, de acordo com o código que revelou logo que passou a mostrar as novas músicas – ou seja, elas realmente fazem parte do próximo disco.
O guitarrista do Sonic Youth, Thurston Moore, aproveitou o período estranho da pandemia e quarentena para desenterrar uma música antiga e inédita do grupo Chelsea Light Moving, que inventou com os músicos que o acompanham em sua carreira solo, Keith Wood na guitarra, Samara Lubelski no baixo e John Moloney na bateria. A música “Sunday Stage” é de 2014 e a foto de divulgação, com a banda usando máscaras, foi tirada quando o grupo tocou no Japão. O resultado é o bom e velho noise melódico que esperamos de Thurston.
O grupo também lançou a brusca faixa “No Go”, esta gravada em 2013.
Mesmo com seu Guitar Days inscrito em festivais de cinema (o que impede de disponibilizar o conteúdo online para garantir o ineditismo em uma competição), o diretor Caio Augusto Braga conseguiu uma brecha para exibir neste sábado seu documentário sobre as guitar bands brasileiras influenciadas pelo indie rock norte-americano e inglês a partir dos anos 90. Guitar Days pode ser assistido entre as 15h e as 18h deste sábado no link abaixo, e logo após esta exibição eu assumo o Instagram do documentário (@guitardaysdoc) para entrar ao vivo numa entrevista com o diretor – e outros nomes que fazem parte do documentário para falar sobre o filme. Além da exibição, haverá sorteio de brindes durante a live (mais informações aqui).
Como se não bastasse a pandemia, que já tinha estragado os planos de lançamento do primeiro disco solo de Ed O’Brien, guitarrista do Radiohead pegou o coronavírus ainda por cima. Enquanto esperamos que se recupere prontamente, ele segue o trabalho de divulgação do disco, que será lançado no próximo dia 17, e mostra mais uma nova faixa, a longa “Olympic”, que tem produção do guru eletrônico Flood e finalmente começa a revelar mais consistência do que as faixas que havia mostrado antes – que eram boas, mas só isso.
Com essa nova faixa, fica a esperança que o disco chegue perto dos outros trabalhos solo dos seus companheiros de banda – que nunca chegam perto de seu trabalho conjunto, mas mostram os diferentes aspectos individuais que explicam a força do Radiohead como um conjunto.









