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haim2020

As irmãs Haim iriam lançar seu terceiro disco neste mês, mas acabaram de deixar Women in Music Pt. III para o dia 26 de junho. Antes disso lançam outro single – “I Know Alone” é o quinto desde que começaram a mostrar músicas novas no ano passado (depois de “Summer Girl”, “Hallelujah”, “Now I’m In It” e “The Steps”) e, mesmo que tenha sido composta antes do período da quarentena, acabou ressoando com o período, como explicou a vocalista Danielle Haim num tweet nesta terça:

“A primeira letra que escrevemos foi ‘eu sei estar só como ninguém mais conhece’ e isso veio do sentimento de que eu estava no mais profundo espírito de estar sozinha e de sentir a solidão mais profunda do que qualquer um possa ter sentido… Agora, com tudo o que está acontecendo, ‘sozinho’ parece um ritual. Só eu conheço minha própria rotina secreta nesses dias em que estou só e quase me sinto confortável nela. Espero que tudo isso faça sentido – tentar descrever uma música é sempre um pouco assustador para mim – mas sempre quero que vocês saibam de onde venho. Esperamos que essa música possa trazer um pouco de conforto neste momento louco … “

Já o clipe acima foi gravado durante a quarentena, mesmo tendo sido dirigido e coreografado à distância. E a música é ótima.

gilbaiana

Melhor show que assisti no ano passado, o encontro entre duas forças da música baiana – Gilberto Gil e BaianaSystem – já está disponível para apara audição. Aumenta o som e o astral!

morris2020

O cantor e compositor paulistano Dr. Morris abandona o prenome ao anunciar seu segundo disco solo. “O apelido vem de uma forma carinhosa como era chamado por músicos pernambucanos em meados dos anos 90”, ele me explica por email. “Até o final do ano passado assinava assim, agora, nessa nova fase, somente Morris” e assim ele começa a mostrar seu Homem Mulher Cavalo Cobra, produzido por Romulo Froes, a partir do clipe de “OnÇa-Çá”, que apresenta em primeira mão no Trabalho Sujo.

“O disco originalmente era para ser inspirado na exposição do artista chinês Ai Wei Wei, mas o Romulo achava que devíamos deixar que o processo de criação determinasse o que seria, dizendo para trabalhar com canções vira-latas, sem raça definida”, ele continua, explicando que o repertório é dividido em quatro blocos: Morte, Identidade, Pessoas e Mitologia. O single que abre os trabalhos faz parte do último bloco: “A escolha foi pela sua variedade estilística e de significados que sintetizam o álbum, como as questões dos direitos dos povos originários, da destruição do meio ambiente e seus resultados, vide a pandemia, e da relação animista, em que o homem enxerga a natureza e os animais horizontalmente, do homem que é onça e vice e versa. Uma forma mais fraterna de se relacionar com o planeta e, consequentemente, com as pessoas.”

Ele ressalta a participação de Anderson Karibáya, representante indígena que leu um poema em seu idioma. “Ele nos impressionou muito com a forma como contava as histórias de cada instrumento e do fazer musical, sobre a música que vira divindade no fazer”. A música ainda conta com a participação do guitarrista Allen Alencar, do baixista Marcelo Cabral, de Rodrigo Campos no cavaquinho, de Igor Caracas na bateria e do percussionista Felipe Roseno. O disco ainda conta com outras tantas participações, como Juçara Marçal, Mauricio Pereira, Romulo Fróes, Juliana Perdigão Benjamim Taubkin, entre outros.

Ele lembra quando entrou em contato com esta turma pela primeira vez: “Em 2009 notei que se reunia uma geração paulista de músicos incríveis, entre eles, Romulo, Rodrigo Campos – que já tinha sido meu parceiro – , Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Juçara Marçal, que estavam explorando algo diferente, para além do virtuosismo ou da tradição, mas apoiado em ambos. Percebi neles mais a arte do que a música.” A parceria com Romulo surgiu daí, a partir de uma composição conjunta, mas foi retomada para o novo álbum no ano passado. “Sempre convivendo com esse desejo primal de compor e cantar com o violão, fiz uma melodia, e toda vez que eu voltava nela ouvia voz do Romulo. Mandei para ele e no dia seguinte ele devolvia uma letra maravilhosa, ‘Doía’. Algum tempo depois, chamei ele para ouvir as canções que estava compondo inspirado pela retrospectiva de Ai Wei Wei. Nessa tarde já estávamos trabalhando no disco.” O álbum completo deve ser lançado em junho.

festival2020

O momento da pandemia e da quarentena é especialmente complexo para profissões que envolvam a presença do público – e com isso todo mundo que trabalha com música é diretamente afetado, uma vez que o show é a principal fonte de renda da maioria dos artistas. E mais do que os artistas, todo o ecossistema ao redor da apresentação ao vivo – da parte técnica à logística, da produção à montagem do palco – não sobrevive de outra forma – e nesta situação se encontram os festivais. Foi pensando nisso que oito festivais independentes brasileiros se uniram e conseguiram apoio de uma marca para começar uma série de transmissões ao vivo feitas por artistas escolhidos pela produção de cada um deles, abrindo também a possibilidade que o público possa contribuir com a subsistência dos profissionais ligados a estes eventos, que certamente não irão acontecer este ano. São os festivais pernambucanos Guaiamundo Treloso e Wehoo, o alagoano Carambola, o goiano Bananada, o potiguar DoSol, o baiano Radioca, o mineiro Sarará e o paraense Se Rasgum. De hoje até domingo, cada um deles apresenta quatro artistas por noite – sendo dois festivais a cada dia – na transmissão que será feita no canal do YouTube da iniciativa Devassa Tropical, que está bancando este grande evento online. O público pode contribuir a partir deste link. Eis as atrações de cada evento:

30 de abril

17h – Festival Radioca
Josyara
Mallu Magalhães
Teago Oliveira
Anelis Assumpção + Curumin

20h – Festival GTR
Mestre Anderson Miguel
Tagore
Lia de Itamaracá e DJ Dolores
Schevchenko e Elloco

1º de maio

17h – Festival Wehoo
Flaira Ferro + Biarritz
Francisco El Hombre + Luê
Cynthia Luz + Froid
Marcelo Falcão

20h – Festival DoSol
Plutão Já Foi Planeta
Luísa e os Alquimistas
Potyguara Bardo
Heavy Baile

2 de maio

17h – Festival Carambola

Zeca Baleiro
Ana Cañas
Wado e Mopho
Chico César

20h – Festival Se Rasgum

Andre Abujamra e Marisa Brito
Jards Macalé
Keila
Larissa Luz

3 de maio

17h – Festival Sarará
Mariana Cavanellas
Luccas Carlos
Luedji Luna
Rael

20h – Festival Bananada
Felipe Cordeiro
Boogarins
Tulipa Ruiz
Liniker e Os Caramelows

cave

Nick Cave abriu os trabalhos. Sua deslumbrante versão para “Cosmic Dancer” é o primeiro single single do tributo a Marc Bolan e seu T-Rex AngelHeaded Hipster, que vinha sendo idealizado há anos pelo produtor Hal Willner, que trabalhava no programa Saturday Night Live e que morreu no início deste mês, vítima do coronavírus. Willner, que produziu discos de nomes como Marianne Faithfull, Lou Reed, Lucinda Williams e Laurie Anderson, entre outros. Para o disco, que sai em setembro e já está em pré-venda, reúne nomes tão distintos quanto Joan Jett, Beth Orton, Devendra Banhart, Father John Misty, U2, Todd Rundgren, Sean Lennon, Perry Farrell, Marc Almond, entre outros.

A capa e a lista de quem toca quaç música vêm a seguir.

Angelheaded

Kesha – “Children Of The Revolution”
Nick Cave – “Cosmic Dancer”
Joan Jett – “Jeepster”
Devendra Banhart – “Scenescof”
Lucinda Williams – “Life’s A Gas”
Peaches – “Solid Gold, Easy Action”
BØRNS – “Dawn Storm”
Beth Orton – “Hippy Gumbo”
King Khan – “I Love To Boogie”
Gaby Moreno – “Beltane Walk”
U2 – “Bang A Gong (Get It On)” (Feat. Elton John)
John Cameron Mitchell – “Diamond Meadows”
Emily Haines – “Ballrooms Of Mars”
Father John Misty – “Main Man”
Perry Farrell – “Rock On”
Elysian Fields – “The Street And Babe Shadow”
Gavin Friday – “The Leopards”
Nena – “Metal Guru”
Marc Almond – “Teenage Dream”
Helga Davis – “Organ Blues”
Todd Rundgren – “Planet Queen”
Jessie Harris – “Great Horse”
Sean Lennon & Charlotte Kemp Muhl – “Mambo Son”
Victoria Willians & Julian Lennon – “Pilgrim’s Tail”
David Johansen – “Bang A Gong (Get It On) – Reprise”
Maria McKee – “She Was Born To Be My Unicorn / Ride A White Swan”

iron-chic

Confia em mim e diga se esse mashup de “Good Times”, do Chic, com “Rime of the Ancient Mariner”, do Iron Maiden, feito pelo Bill McClintockn não ficou demais.

E ele curte umas misturas bem infames, se liga:

E o pior é que funciona… E tem muito mais no canal dele. Dica do Danilo.

Foto: Helena Wolfenson

Foto: Helena Wolfenson

“Vixe, um monte de coisa, eu tinha a turnê de lançamento do Grandeza em Portugal e mais umas 40 datas entre abril e agosto na Europa”, lembra Sessa quando o pergunto sobre seus planos para esse ano que foram atropelados pela pandemia. Quarentenado em São Paulo, começou a trabalhar nos passos seguintes após seu disco de estreia, antecipando planos e lança em primeira mão no Trabalho Sujo o primeiro single após aquele disco, “Sereia Sentimental”.

“‘Sereia Sentimental’ é uma música que eu já vinha arranjando pensando num som novo pra um próximo trabalho, é um registro de um tatear no escuro por esse som”, me explica o músico paulistano por email. “As músicas do Grandeza ficam na minha cabeça muito ligadas ao jeito que eu fiz o disco, compondo e gravando tudo meio junto, misturado, entre turnês, em sessões curtas de um, dois dias. “Sereia Sentimental” eu fui pensando, fazendo com mais calma, aconteceu essa coisa de eu usar uma bateria numa música minha que é algo que eu nunca tinha feito antes, mas veio nesse processo de caçar um som, eu ficava ouvindo esse chimbauzinho sacana…”

A bossinha molenga foi gravada em plena quarentena num processo à distância com os outros músicos, o baterista d’O Terno Biel Basile e o baixista norte-americano Mikey Coulton. “Gravei as coisas em casa aqui na Consolação com a motos passando, ai mandei pro Biel botar a bateria em cima e depois pro Mikey botar o baixo e mixar em Nova York”, ele continua. “Confesso que foi um pouco esquisito, eu nunca tive muito tesão em tocar todos os instrumentos numa música, sabe? Pra mim gravar sempre foi uma coisa de botar um monte de gente junta no estúdio pra ver onde a coisa ia dar, na bagunça. Agora teve que ser diferente, mas foi legal também. ”

Sessa, como muitos, aproveita a quarentena para uma fase inevitavelmente mais introspectiva da vida. “Tenho tentado cuidar da casa, da comida, da cabeça, do corpo e das pessoas próximas. Dias melhores e dias piores, não é? Tenho também tomado cuidado pra não ficar me cobrando pra sair desse período com um disco escrito. Acho isso meio perigoso, encarar tudo o que está acontecendo, sem nem compreendermos direito o que isso é, já é uma tarefa entanto…”, divaga.

E quando pergunto sobre o que ele está achando deste período, ele vai além: “Bom, no Bolsonaristão, acho que sempre vale reiterar que esse período apresenta um problema sério e real: tem um vírus contagioso, sobre o qual não sabemos muito, matando muita gente por ai. Ai também acho que pode ser uma janela para uma lição de humildade. Fiquei triste em ter tantos shows cancelados, e fico preocupado com a grana e a perspectiva de trabalho, é claro, mas acho que ficar focando só na falta e na perda não ajuda também. Acho que esse freio brusco na máquina do mundo é bom em certo sentido pra gente pensar pra que mundo a gente que voltar, e que seja um mundo mais justo e ecológico.” Tá certo.

kevin-parker

O líder do Tame Impala Kevin Parker participou de uma transmissão ao vivo realizada ao lado de artistas da Oceania para arrecadar fundos para os médicos que estão combatendo a pandemia do coronavírus na Austrália e na Nova Zelândia. E em sua aparição no Music From The Home Front, que ainda teve participações Courtney Barnett, Neil Finn, entre outros artistas daquela região, ele cantou uma versão acústica para “On Track”, do disco mais recente da banda, The Slow Rush.

Não é a primeira iniciativa que Parker faz em relação à quarentena, quando lançou, no começo do mês, uma versão “ao vivo” para o mesmo disco. The Slow Rush In An Imaginary Place foi feito para ser ouvido com fones de ouvido e simula uma apresentação ao vivo, com som ambiente de plateia, para suprir a ausência da turnê do novo disco.

jamesblake2020

O cantor, compositor e produtor inglês James Blake aproveita a quarentena para lançar seu primeiro single desde o ótimo Assume Form, que lançou no início do ano passado. “You’re Too Precious” carrega toda a delicadeza que esperamos dele num momento tão profundo como este:

Não é a primeira vez que ele dá o ar de sua graça neste período – no final de março, ele fez uma transmissão ao vivo em sua conta no Instagram em que, além de suas próprias músicas, tocou versões de músicas de Bill Withers (“Hope She’ll Be Happier”), Don McLean (“Vincent”), Radiohead (“No Surprises”), Feist (“Limit to Your Love”), Billie Eilish (“When the Party’s Over”), Frank Ocean (“Godspeed”) e Joni Mitchell (“A Case of You”). Felizmente, o próprio colocou a íntegra em sua conta no YouTube.

Lindaço.

jaar-2020

O produtor chileno-norte-americano Nicolas Jaar debruçou-se por duas horas pelas raízes de seu disco mais recente, o enigmático e delicioso Cenizas, em uma transmissão ao vivo em seu canal na TwitchTV, misturando piano bucólico, Ellen McIlwain, drum’n’bass, percussão andina, música da Argélia, reggaeton, “Vitamin C” do Can, Sequentia, Juaneco Y Su Combo e até “Pai Xangô”, do Pinduca, levando-nos do espaço sideral ao centro do planeta, numa viagem que é um sonho dançante – e alguém registrou!