O Pavement preparava-se para fazer mais shows este ano – a princípio nas duas edições, a lusitana e a catalã, do festival Primavera -, mas, como todos os artistas, teve que segurar as pontas, cancelar os shows e repensar seu futuro próximo. E como 1995 marca o 25° aniversário de seu clássico Wowee Zowee, sua gravadora Matador inventou um item colecionável para atiçar os ímpetos consumistas de seus fãs e criou um compacto em vinil em formato de balão – como o nome do grupo originalmente aparece no disco – reproduzindo a pintura da capa em um picture disc que traz duas músicas que ficaram de fora do álbum, “Sensitive Euro Man” e “Brink of the Clouds/Candylad”. As duas faixas já haviam sido reveladas quando o grupo revisitou o álbum na edição Sordid Sentinels em 2006, mas este formato é uma novidade para o grupo:
O disco já está à venda no site da gravadora Matador – e tem edição limitada.
A Carol e o Juliano me avisaram que a rádio KEXP publicou há pouco o show que Angel Olsen gravou em seu estúdio em dezembro do ano passado, mostrando, com cordas e tudo, músicas do deslumbrante All Mirrors, o melhor disco de 2019. É pra aquecer o coração de qualquer um, prepare o lenço.
Que mulher!
“All Mirrors”
“Spring”
“Lark”
“Chance”
O primeiro disco solo do guitarrista do Radiohead Ed O’Brien, Earth, sai na próxima sexta e ele mostra mais uma nova faixa, o belo dueto “Cloak of the Night”, faixa que encerra o disco e que foi gravada ao lado de Laura Marling. Ed já havia mostrado outras três faixas anteriormente, além de ter declarado que pegou o coronavírus.
Simples e bonita.
O multiinstrumentista Meno Del Picchia usou o confinamento que nos isolou em quarentena durante essa epidemia como processo criativo e decidiu gravar um disco sozinho em casa. “Bora enfrentar essa loucura que não tem outro jeito”, ele me escreve. “Resolvi que é tudo orgânico, sem metrônomo, instrumentos elétricos ou eletrônicos. Só eu, bem vazio – voz, violão, piano, baixo acústico – e a casa. Resolvi também que vou lançar do jeito mais orgânico possível – clipes caseiros no Instagram e YouTube primeiro e depois só o áudio no Bandcamp pra quem quiser baixar e ouvir em casa. Minha casa agora é esse disco, esse disco é minha casa.” A primeira música chama-se “Pele de Água”, que também batiza o disco, e ele lança aqui no Trabalho Sujo.
O grupo norte-americano The National estava preparando o lançamento da edição de aniversário de dez anos de seu disco de 2010 High Violet e pretendia começar a aquecer a expectativa do público lançando online o registro que os documentaristas D.A. Pennebaker e Chris Hegedus fizeram do show que o grupo fez para lançar o disco na suntuosa Brooklyn Academy of Music, em Nova York, quando a pandemia obrigou todo mundo a mudar seus planos uma vez que apresentações ao vivo tinham sido riscadas da programação do planeta. Aproveitando o material que tinha na agulha, o grupo lançou o show de 2010 na última segunda de março e estabeleceu o dia da semana como o dia do lançamento das íntegras de seus shows em seu canal no YouTube.
A sacada do grupo foi participar da primeira transmissão, fazendo os fãs do grupo assistirem ao show na hora em que ele é lançado, pois seus integrantes estariam online em suas casas comentando o show em tempo real. Batizaram o evento de An Exciting Communal Event e toda segunda, às 18h, eles comentam apresentações ao vivo de outras fases da banda. Baita ideia – simples e eficaz.
Como se não bastasse isso, o grupo ainda anunciou que reverteria todo o lucro de sua loja online para os doze integrantes de sua equipe ao vivo. “Nossa equipe é a alma das nossas turnês e se tornou uma família ao longo dos muitos anos em que trabalhamos juntos”, explicou o grupo em um anúncio. Belo gesto, ainda mais que a própria edição de dez anos do High Violet (que já está em pré-venda) também entra nesta conta. Muito bem.
Baco Exu do Blues instigou os fãs mais cedo nesta quinta no Instagram para ver se eles queriam ouvir música nova – e é claro que ele sabia a resposta, liberando a pesada “Mate Todos Eles”, faixa-bônus do EP Não Tem Bacanal Na Quarentena, que ele lançou há pouco tempo. E como o título entrega, ele atira pra todo lado:
O dono dos Chromatics, o produtor Johnny Jewel, foi convidado para remixar a faixa-título do melhor álbum do ano passado, All Mirrors, de Angel Olsen, mas embora este encontro onírico pudesse nos levar para um lado doce e anestesiado (afinal, o ponto de contato entre os dois artistas é o clima da série Twin Peeaks), mas ele estranhamente a transporta para um outro lugar, uma pista de dança em que o soul dos anos 80 encontra o maximalismo do fim da primeira década do século – e o que parece desconfortável à primeira audição ganha camadas de sutilezas à medida em que nos acostumamos com o remix, uma jóia.
Calma que ainda não é a colaboração de fato ainda – e sim o registro do melhor show do ano passado, quando Gilberto Gil e BaianaSystem dividiram o mesmo palco em Salvador, no último mês de novembro – que vai ser lançado pelo clube de discos da Noize, com o título de Gil Baiana Ao Vivo em Salvador. Infelizmente o registro não traz o show na íntegra – afinal, foram duas horas de show. A capa do disco é esta acima e abaixo seguem as faixas que entrarão no disco:
“Is This Love?”
“Nos Barracos da Cidade” / “Systema Fobica”
“Extra”
“Pessoa Nefasta”
“Sarará Miolo”
“Emoriô” / “Dia da Caça”
“Água” / “Água de Beber”
Depois de casar (com a DJ Amandine de la Richardière) e ter filhos durante a década passada, o produtor francês Sébastien Tellier tem repensado bastante sua carreira e ao anunciar o novo álbum Domesticated com seu primeiro single, “Domestic Tasks”, deixa claro o quanto a vida do lar afetou sua estética, optando por uma toada mais tranquila e, por que não, caseira. Um bom tom para esta era quarentenada que vivemos.
O disco já está em pré-venda e sai no final de maio.
Já estão abertas as inscrições para meu primeiro curso online, em que disseco a melhor fase de Quentin Tarantino, seus últimos quatro filmes. Conhecido pelos diálogos ágeis, pelas referências cinematográficas, por seu humor peculiar e altas doses de violência gráfica, o cineasta norte-americano mudou radicalmente o enfoque de sua filmografia ao abandonar o tempo do presente e se dedicar a filmes de época. De Bastardos inglórios a Era uma vez em Hollywood, o autor de Pulp Fiction, Kill Bill e Cães de Aluguel expandiu seu horizonte estético e conceitual ao envolver-se com a história dos Estados Unidos, recriando passagens épicas do passado de seu país a partir de um ponto de vista criativo. O curso, que acontece entre os dias 20 e 29 de abril, é mais uma parceria com o chapa André Graciotti e será ministrado em parceria com a Casa Guilherme de Almeida. Para inscrever-se no curso – que é gratuito e tem vagas limitadas – basta entrar no site da Casa Guilherme.










