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existeamor

Mais uma joia deste encontro entre dois seres humanos sublimes – depois de cantarem juntos “Não Existe Amor em SP” como primeiro gostinho do EP Existe Amor, que será lançado nesta sexta, a dupla Milton Nascimento e Criolo faz o jogo de volta e dessa vez cantam uma canção do primeiro, a eterna “Cais”. Como na primeira música, esta também tem arranjo do gigante Amaro Freitas e produção de Daniel Ganjaman – que, por sua vez, antecipou a capa do disco e as outras duas músicas que completam o repertório, as inéditas “Dez Anjos” – parceria de Criolo com Milton – e “O Tambor” – que junta Criolo e o maestro Arthur Verocai.

Precisamos de beleza nestes tempos tão duros

ciropessoa

Mais uma vítima do coronavírus, Ciro Pessoa era mais que “o nono Titã”, por ter sido um dos primeiros a embarcar na ideia da criação do grupo paulistano, era um poeta urbano e cronista paulistano, que sintetizou sua essência num dos discos-chave do pós-punk brasileiro, Fósforos de Oxford, de seu Cabine C.

Ciro vinha se tratando de um câncer, o que lhe fez ser contagiado pelo covid-19. Triste perda, vai na paz.

joao-bosco

Com a morte de Aldir Blanc, o Sesc resgatou a íntegra do show que seu maior parceiro, o mineiro João Bosco, fez no fim do mês passado, dia 25 de abril, a partir de sua casa, uma vez que já estávamos em quarentena. Ele aproveita para pedir forças para o velho compadre, já internado por conta do coronavírus, que acabou por levá-lo. João Bosco e seu violão não precisa de muito mais, certo? E ele ainda canta Tincoãs…

Yo_La_Tengo-1995

Electr-O-Pura não é o clássico do Yo La Tengo que os fãs respondem imediatamente quando perguntados qual o melhor disco da banda nova-iorquina – normalmente a resposta varia entre o disco que a banda lançou antes (o Painful, de 1993) ou o que lançou depois (I Can Hear the Heart Beating as One, de 1997) -, mas é o meu disco favorito do trio. Pode ser por motivos sentimentais (foi o primeiro disco do grupo que escutei) e emotivos (“Blue Line Swinger”, a faixa de nove minutos que encerra o disco, é uma das minhas músicas favoritas – e não só entre as deles), mas é bom vê-lo ganhando o verniz histórico necessário quando a gravadora Matador o incluiu como o novo item de sua série Revisionist History.

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electropura

A nova edição, que já está em pré-venda e sai apenas em setembro, no entanto, não traz nenhum extra, apenas prensa o disco em vinil duplo, como deveria ter sido anteriormente, com capa gatefold (a versão original do vinil deste disco era simples e a capa não abria), garantindo melhor qualidade sonora para as músicas. Como parte das comemorações do lançamento – o disco fez aniversário no último dia 2 -, a gravadora convidou uma de suas novas artistas, Lucy Dacus, para gravar uma versão para “Tom Courtenay”, ela que também o considera seu disco favorito.

Como se não bastasse, ela nasceu no mesmo dia em que o disco foi lançado e aproveitou para escrever sobre ele, num texto que foi traduzido pelo Marcelo, no Scream & Yell. Um trecho da tradução:

O que me fez voltar ao Yo La Tengo foi a compreensão deles sobre o humor. Ouvi bandas que exprimiam raiva, bandas que exprimiam tristeza, mas não conhecia outras bandas que pudessem expressar uma gama completa de sentimentos da maneira como o Yo La Tengo pode. De música para música, ela podia ser ansiosa, celebratória, triste, contente, confusa, etc. E mesmo quando ficavam barulhentas ou dissonantes, nunca pareciam hostis. Os sons podiam ser severos, até feios, mas eram alegres. Algumas músicas poderiam me fazer chorar, mas eram divertidas e não agressivas. Eu estava assimilando o gosto de outra pessoa e, no processo, descobrindo o meu.

“Tom Courtenay” foi a primeira música do Yo La Tengo que aprendi na guitarra. Eu não sabia o que significava, mas sabia quem Julie Christie era e amava os versos: “As the music swells somehow stronger from adversity / our hero finds his inner peace.” Não sabia o significado, mas não conseguia parar de pensar nisso. Era como qualquer bom poema, deixando um espaço para mim, entre imagens. Agora, acho que a música pode ser sobre obsessão com a mídia, equiparando aos filmes e estrelas de cinema à dependência de drogas. Bom, quem sabe, essa é apenas a minha opinião.

Eventualmente, quando a Matador me convidou para entrar no selo, o fato do Yo La Tengo estar na lista deles foi um componente importante da minha decisão. Eles lançam ótimos álbuns a cada dois anos há mais de três décadas, experimentando e explorando o que parece ser uma criatividade despretensiosa. Vale a pena comemorar, especialmente agora, quando qualquer oportunidade de celebração é uma bênção. Feliz aniversário de 25 anos para o “Electr-o-pura” e obrigado pela música, Yo La Tengo.

Eu também agradeço.

aldirblanc

Com a morte de Aldir Blanc, perdemos um mago que também era uma estrela, um autor que também era um personagem, um ser de carne e osso sobrenatural. A música brasileira fica um tanto muda e nossa cultura um tanto sem palavras, mas, como ele mesmo dizia: “Mas sei que uma dor assim pungente não há de ser inutilmente…” Obrigado, seu Aldir.

Foto: Tuane Eggers

Foto: Tuane Eggers

Gravado no meio do ano passado, o terceiro disco do gaúcho Pedro Pastoriz, Pingue-Pongue com o Abismo, finalmente começa a ver a luz do dia. O disco, produzido por ele, Arthur Decloedt (baixista do Música de Selvagem) e Charles Tixier (que toca com a Luiza Lian), deveria ter sido lançado no mês passado, com shows em São Paulo e Porto Alegre, mas, como a maioria dos discos previstos para este período, foi adiado para um futuro próximo e só agora dá a cara a tapa.

pedropastoriz-pinguepongue

Os trabalhos começaram com o lançamento do primeiro single, “Dolores” (abaixo), que saiu em primeira mão na Noize, e com a capa (acima), que foi revelada para o blog do jornalista Mauro Ferreira, no G1, e o disco todo deve surgir nos próximos meses.

Enquanto isso, Pedro inventou um programa semanal de comédia chamado Comitê, em que começa a explorar os temas do disco, além de abrir uma campanha de financiamento coletivo para bancar a finalização do disco. Venho trabalhando com ele há mais de um ano fazendo a direção artística deste lançamento e penamos para inventar uma nova forma de apresentar o disco, uma vez que não há previsão para o retorno dos shows. Mas Pedro tirou de letra e vem mostrando como o trabalho realmente expande seus horizontes para além da música – de cara, ele é muito engraçado. Se liga:

rodrigoygabriela

Vem de longe o prazer da dupla mexicana Rodrigo y Gabriela de incorporar clássicos do rock em seu repertório, ressaltando as qualidades instrumentais de sua parceria acústica. E desde o ano passado, Rodrigo Sanchez e Gabriela Quintero passaram a tocar uma versão de tirar o fôlego de “Echoes”, o soberbo épico que domina todo o lado B do fabuloso Meddle, de 1971, lançando-a inclusive como número de encerramento de seu disco mais recente, Mettavolution. A versão abaixo faz parte da playlist Lumbini Sessions, sessões diárias que vêm fazendo em seu estúdio Lumbini, na Cidade do México.

Gorillaz-Tony-Allen

O Gorillaz manda um salve para o saudoso Tony Allen. A banda de desenho animado do vocalista do Blur Damon Albarn – parceiro do baterista nigeriano em dois grupos diferentes (The Good, The Bad and The Queen e Rocket Juice & The Moon) – celebra o mestre nigeriano falecido na semana passada ao lançar a música que a banda fez com o baterista ao lado do rapper inglês Skepta, gravada pouco antes da quarentena londrina começar.

“How Far?” é a quarta música do projeto Song Machine, que o grupo lançou no início do ano: antes dela vieram “Momentary Bliss” com o rapper Slowthai e o duo de rock Slaves, os dois ingleses, “Désolé” com a cantora da Costa do Marfim Fatoumata Diawara e “Aries” com o baixista Peter Hook e a cantora Georgia.

E o projeto tá ficando bem redondinho…

lovecraft_country

Sem avisar nada, a HBO lançou apenas um teaser do seriado Lovecraft Country, anunciando-o para agosto. A série junta nomes de peso na produção – nada menos que J.J. Abrams e Jordan Peele – para afundar-se na mitologia do mestre do horror H.P. Lovecraft, cujas histórias giravam em torno do mito Cthulhu, uma divindade maligna que se alimenta de dor e sofrimento humano. A série ganha um apelo extra – principalmente por incluir Peele, mais conhecido pelos atordoantes filmes Corra! e Nós – ao se inspirar no livro de mesmo nome do escritor norte-americano Matt Ruff, que traçava paralelos desconcertantes entre as metáforas de horror do autor e seu declarado racismo.

Pode ser uma jornada perturbadora – e ainda tem Michael K. Williams (o Omar de The Wire) no elenco.

xepa-sounds

“Saudades de todo mundo junto dançando na rua, né minha filha?”, parece perguntar, entre a nostalgia e a pilha, a série de mixtapes Xepa Sounds que o Thiago França está lançando no seu site. Ele sussurra seu mantra “nunca não é carnaval” um pouco antes de gritar “bora!” e soltar a bateria eletrônica, emendando hits pop sem medo de apelar – meu astral de festa, quem conhece, sabe. Então tome Kid Abelha com Police, “Morena Tropicana” com Claudinho e Buchecha, Spice Girls com Men at Work, Terence Trent D’Arby com “The Final Countdown”, George Michael com “Lilás”, Lulu Santos com “Lindo Lago do Amor”, “Still Lovin’ You” com Rosana – tudo no beat do passinho.

Já são três (dá pra baixar a primeira aqui, a segunda aqui e a terceira aqui) – e vai saber quantas mais vêm aí…