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O meio é a mensagem: a nova obra de Lana Del Rey, Violet Bent Backwards Over the Grass, não é um disco, mesmo que ela esteja nos vocais e seja acompanhada musicalmente pelo produtor e braço direito Jack Antonoff. Mas o que determina este formato? Tal apresentação de poemas poderia ser tranquilamente um disco de spoken word, uma vez que ela lê seus textos sobre bases instrumentais, como ela mostrou no único poema que disponibilizou no YouTube, o fluxo de consciência beat “LA Who Am I to Love You?”, uma ode à sua cidade favorita:

“I left my city for San Francisco
Took a free ride off a billionaire’s jet
L.A., I’m from nowhere, who am I to love you?
L.A., I’ve got nothing, who am I to love you when I’m feeling this way and I’ve got nothing to offer?
L.A., not quite the city that never sleeps
Not quite the city that wakes, but the city that dreams, for sure
If by dreams you mean in nightmares

L.A., I’m a dreamer, but I’m from nowhere, who am I to dream?
L.A., I’m upset, I have complaints, listen to me
They say I came from money and I didn’t, and I didn’t even have love, and it’s unfair
L.A, I sold my life rights for a big check and I’m upset
And now I can’t sleep at night and I don’t know why
Plus, I love Zac, so why did I do that when I know it won’t last?

L.A., I picked San Francisco because the man who doesn’t love me lives there
L.A., I’m pathetic, but so are you, can I come home now?
Daughter to no one, table for one
Party of thousands of people I don’t know at Delilah where my ex-husband works
I’m sick of this, but can I come home now?
Mother to no one, private jet for one
Back home to the Tudor house that borned a thousand murder plots
Hancock Park, it’s treated me very badly and resentful
The witch on the corner, the neighbor nobody wanted
The reason for Garcetti’s extra security
L.A., I know I’m bad, but I have nowhere else to go, can I come home now?
I never had a mother, will you let me make the sun my own for now, and the ocean my son?
I’m quite good at tending to things despite my upbringing, can I raise your mountains?
I promise to keep them greener, make them my daughters, teach them about fire, warn them about water
I’m lonely, L.A., can I come home now?

I left my city for San Francisco
And I’m writing from the Golden Gate Bridge
But it’s not going as I planned
I took a free ride off a billionaire and brought my typewriter and promised myself that I would stay but
It’s just not going the way that I thought
It’s not that I feel different, and I don’t mind that it’s not hot
It’s just that I belong to no one, which means there’s only one place for me
The city not quite awake, the city not quite asleep
The city that’s still deciding how good it can be

And also
I can’t sleep without you
No one’s ever really held me like you
Not quite tightly, but certainly I feel your body next to me
Smoking next to me
Vaping lightly next to me
And I love that you love the neon lights like me
Orange in the distance
We both love that
And I love that we have that in common
Also, neither one of us can go back to New York
For you, are unmoving
As for me, it won’t be my city again until I’m dead
Fuck the New York Post
L.A., who am I to need you when I’ve needed so much, asked for so much?
But what I’ve been given, I’m not sure yet
I may never know that either until I’m dead
For now, though, what I do know
Is, although, I don’t deserve you
Not you at your best and your splendor
With towering eucalyptus trees that sway in my dominion
Not you at your worst
Totally on fire, unlivable, unbreathable, I need you

You see, I have no mother
And you do
A continental shelf
A larger piece of land from where you came
And I?
I’m an orphan
A little seashell that rests upon your native shores
One of many, for sure
But because of that, I surely must love you closely to the most of anyone

For that reason, let me love you
Don’t mind my desperation
Let me hold you, not just for vacation
But for real and for forever
Make it real life
Let me be a real wife to you
Girlfriend, lover, mother, friend
I adore you
Don’t be put off by my quick-wordedness
I’m generally quite quiet
Quite a meditator, actually
I’ll do very well down by Paramhansa Yogananda’s realization center, I’m sure
I promise you’ll barely even notice me
Unless you want to notice me
Unless you prefer a rambunctious child
In which case, I can turn it on, too
I’m quite good on the stage as you may know
You might have heard of me
So either way, I’ll fit in just fine
So just love me by doing nothing
And perhaps, by not shaking the county line
I’m yours if you’ll have me
(Quietly or loudly, sincerely your daugther)
But regardless, you’re mine”

Acontece que Violet Bent Backwards Over the Grass só vai estar disponível em plataformas e aplicativos que lidam com áudio-livros, mas não nas plataformas digitais de música. As coisas ficam mais complicadas quando ela também anuncia que a obra terá não apenas uma, mas três versões físicas: o livro, o vinil e o CD. Será que o repasse dos direitos autorais nas plataformas digitais para livros lidos é melhor que a das de música? A decisão certamente não é só estética – eis o LP e o CD do livro que não deixa mentir…

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E a imagem que ilustra este post é um retrato de Lana feito por ninguém menos que Joan Baez.

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Depois da live de oito horas e de ter aproveitado a brecha no Faustão para mandar a real, Emicida deu mais um passo na escalada que escolheu subir durante este período de quarentena. Se não pode fazer shows, aproveitou o período para consolidar-se de pensador e provocador de discussões. Em mais uma oportunidade, nesta semana, no Roda Viva da TV Cultura, ele foi bem direto em relação aos pontos que prega.

E, na boa? Ele tá certo. Vai longe, esse Leandro.

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Depois de anos tocando em bandas e apresentando programas sozinho, Luiz Thunderbird finalmente sai solo em um disco. Este Pequena Minoria de Vândalos ainda não tem data para ser lançado, mas foi idealizado quando Thunder juntou músicas para um novo disco e viu que suas duas outras bandas estavam em momentos opostos: enquanto o Devotos de Nossa Senhora Aparecida completa 35 anos no ano que vem, o Tarântulas, que agora chama-se Elektromotoren, viu-se confrontado com a agenda de lançamento do primeiro disco solo de seu outro integrante, o guitarrista Guilherme Held. Assim, Thunder resolveu partir para este álbum, que vem lançando no contagotas. Começou fazendo uma versão para “A Obra“, do grupo pós-punk mineiro Sexo Explícito, e agora vem com “Insuportável”, com sua guitarra ruidosa emulando a de Andy Gill, falecido guitarrista do Gang of Four, cujo clipe estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.

“As minhas várias bandas sempre tomaram muito do meu tempo e energia”, ele me explica quando pergunto sobre este primeiro disco. “Eu tinha essa vontade há muito tempo e dei inicio à pré-produção no final de 2019, gravações começando em novembro”, mas como todos em 2020, teve seus planos atropelados pela quarentena. “Estava no meio do processo de gravações e composições”, ele diz, contando que já tem sete músicas prontas e quatro em processo. “Creio que a melhor coisa a fazer é lançar singles, mostrando aos poucos parte do disco. Por enquanto estamos indo bem nessa estratégia. A cada single, produzo um videoclipe. Estou curtindo esse trampo de, após gravar a música, partir pra videografia dela. É muito prazeroso e abriu uma nova frente de trabalho pra mim. Desde sempre dirigi meus programas na internet, desde 2008, pelo menos. Ano passado dirigi, ao lado do Zé Mazzei, um doc sobre a Lucinha Turnbull. Curti estar do outro lado da câmera!”

Os ecos pós-punk dos primeiros singles não vêm por acaso. “Tenho uma relação muito íntima, desde os anos 80, com o gênero e minhas bandas preferidas vêm desse período: Gang of Four, Pixies, James Chance and the Contortions, mais experimental. Eu curto disco-punk do ESG, do Liquid Liquid e até reconheci similaridades do single “Insuportável”com o som do Speedtwins da Holanda.” Mas o disco vai para além do pós-punk e flerta com a poesia concreta, em parceria com Held, com o rock psicodélico, em parceria com a banda Bike, e com o rock clássico, ao lado de Odair José.

Enquanto a quarentena não acaba, Thunder segue lançando o disco aos poucos. “Aguardo com tremenda ansiedade uma vacina para poder voltar aos palcos, adoro ensaiar, arranjar as músicas, pensar no setlist, fazer shows com platéia, excursionar, isso me faz muita falta.” Ele compensa essa falta, como todos, usando a internet. “Tenho me divertido com lives no instagram, faço todas as terças, às 21h, a live do meu podcast Thunder Radio Show, onde entrevisto convidados. Já faz sete anos que faço esse podcast e achei que as lives seriam a continuação desse trabalho, que depois publico no IGTV. Todo domingo, às 19h, eu faço a live Dedo Mingo, tocando violão e cantando. Nunca toquei tanto violão na minha vida. Isso tem me ajudado a encarar essa quarentena.”

Ele acaba de lançar sua autobiografia (Contos de Thunder) e já tem mais dois livros engatilhados. “No mais, eu queria poder passear com minha bicicleta com mais segurança. Eu, às vezes, dou uma volta, mas pareço um astronauta paramentado. É o mínimo que eu posso fazer nesse caso. Responsabilidade comigo e com o próximo.”

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O Sesc Pinheiros está começando um projeto chamado Radar Sonoro, que irá registrar a movimentação da música brasileira durante a quarentena de 2020. O projeto trará textos e vídeos que dissecam como anda nossa produção nesta época tão estranha e para inaugurar a série, me chamaram para escrever um panorama de como foram estes primeiros quatro meses de clausura e como artistas de diferentes cidades e gêneros musicais estão conseguindo trabalhar neste período. Escrevi sobre esta intensa quarentena e pincei vinte artistas que lançaram seus trabalhos desde que entramos neste estado de suspensão. Confere lá no site do Sesc. E na sexta, às 11 da manhã, entrevisto o Felipe S., do Mombojó, sobre seu disco Deságua, cujos planos de lançamento tiveram que ser redesenhados por conta da pandemia.

Um papo com o Nasi

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Entrevisto o Nasi, lendário vocalista do Ira, nesta quarta-feira, a convite do Sesc Catanduva, a partir das 20h30, em uma live. Para assistir, é preciso se inscrever neste link.

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A musa Angel Olsen anunciou nesta terça-feira que lança no final de agosto um disco-irmão do suntuoso All Mirrors, o melhor disco do ano passado. Quando ela começou a trabalhar neste disco, havia comentado que as músicas novas pediam dois caminhos diferentes: um mais cru e solitário, com poucos instrumentos, outro mais orquestrado e deslumbrante. Por um momento imaginava-se que o disco do ano passado poderia ser duplo, mas quando All Mirrors foi lançado ficou evidente que ela havia descartado a parte mais intimista do disco. Ao anunciar Whole New Mess mostrando sua faixa-título, ela também mostra capa e a ordem das músicas (abaixo), mostrando que grande parte do repertório do novo disco também está em All Mirrors – “Whole New Mess” é uma das raras exceções.

As faixas do novo disco são variações das do disco anterior, com títulos quase idênticos, às vezes mudando só o acréscimo de parênteses. Assim, “Lark” vira “Lark Song”, “New Love Cassette” é “(New Love) Cassette”, “All Mirrors” torna-se “(We Are All Mirrors)”, “Summer” se transforma em “(Summer Song)”, “Too Easy” vira “Too Easy (Bigger than Us)”, “Tonight” se metamorfoseia em “Tonight (Without You)” e por aí vai. As versões do novo disco foram gravadas apenas por Olsen com suas guitarras pelo produtor Michael Harris em uma igreja convertida em estúdio no estado de Washington chamada The Unknown. O disco sairá no dia 28 de agosto e já está em pré-venda.

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“Whole New Mess”
“Too Easy (Bigger Than Us)”
“(New Love) Cassette”
“(We Are All Mirrors)”
“(Summer Song)”
“Waving, Smiling”
“Tonight (Without You)”
“Lark Song”
“Impasse (Workin’ For The Name)”
“Chance (Forever Love)”
“What It Is (What It Is)”

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Que prazer ser amigo de um mestre – e poder aprender em papos deliciosos que podem durar horas. Qualquer conversa com o mister Pena Schmidt é uma viagem no tempo e no espaço e começamos falando do mercado da música em plena quarentena, falando de experiências interessantes em transmissões ao vivo e experiências bizarras como o show drive-in em que o buzinaço vira aplauso, mas daí depois deixei ele falar do livro novo do William Gibson, de outras dimensões, de ler ficção científica a luz de velas no sítio da Cantareira quando ele morava com os Mutantes e outras histórias deliciosas. Chega mais.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo (pergunte-me sobre como colaborar pelo email trabalhosujoporemail@gmail.com). Além do Pena, já conversei com Fernando Catatau, Mancha, André Czarnobai, Larissa Conforto, Ian Black, Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Negro Leo, Janara Lopes, João Paulo Cuenca e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube, assina lá.

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Quem aguenta ver um filme de quatro horas? Quem aguenta ver uma série com dez episódios de uma hora? Qual é o tempo ideal de um filme? Os filmes da Marvel são uma enorme série exibida no cinema? Mad Men é um filme de dezenas de horas? Eu e André Graciotti não nos apegamos a nenhum filme ou série específicos pra falar sobre tempo gasto – ou aproveitado – assistindo narrativas audiovisuais por horas e horas em mais uma edição do Cine Ensaio.

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Renato Barros, que nos deixou nesta terça-feira após complicações em uma cirurgia que fez há pouco mais de uma semana, não foi só um dos maiores guitarristas da história do Brasil como foi o responsável pela musicalidade da Jovem Guarda. Liderando o longevo grupo Renato e Seus Blue Caps, ele tocou e compôs para quase todos os intérpretes que passaram pelo programa apresentado por Roberto Carlos nos anos 60, além de ter o timbre fuzz distorcido que caracterizou grandes clássicos de nosso cancioneiro.

Polimatias_03

E o Polimatias desta semana é uma aula sobre o fenômeno Elena Ferrante. Fiz como todo mundo que não sabe tem de fazer: escutei e perguntei à querida Polly Sjobon porque esta autora italiana não é só um fenômeno de vendas como um clássico literário moderno. E ela vai muito além da tetralogia Amiga Genial, devidamente dissecada, e fala também sobre os livros anteriores, dá a dica por onde começar a lê-la, sobre sua personalidade misteriosa (sem entregar nada, claro), a série feita pela HBO e muito mais.