Em uma entrevista a convite do programa Radar Sonoro, do Sesc Pinheiros, pude conversar em vídeo com o vocalista do Mombojó, Felipe S., sobre como seu projeto mais recente, Deságua, foi impactado pela quarentena – e aproveitamos para falar como ele vem atravessando este período.
Os cinemas devem voltar à atividade em agosto – mas você tem coragem de entrar em uma sala de cinema em plena pandemia? Eu e André Graciotti falamos sobre como o momento em que vivemos está impactando a indústria do cinema e como isso pode mudar completamente nossos hábitos nos próximos anos em mais uma edição do Cine Ensaio.
A cantora australiana Kylie Minogue anuncia Disco, álbum dedicado à estética pop do final dos anos 70 e começa os trabalhos com a irresistível “Say Something”.
O disco está previsto para novembro e a capa – feia, vai dizer – é esta aí embaixo.
Lou Reed passou os anos 80 queimando seu filme com discos irregulares e produções que não tinham nada a ver com a sonoridade que consolidou com sua clássica banda, o Velvet Underground, e em sua primeira década como artista solo. Mas ao chegar no final daquele período, ele finalmente se redimiu lançando um disco batizado com o nome de sua cidade. New York o reabilitou em 1989 e a partir deste álbum, que agora ganha tratamento de luxo graças à gravadora Rhino, ele pode retomar seus trabalhos com dignidade.
Na nova edição, que comemora 30 anos do disco com um ano de atraso, New York vem como uma caixa com três CDs, um DVD e um vinil duplo – a primeira vez que o disco é lançado em vinil 180 gramas. O DVD traz várias faixas do disco em apresentações ao vivo, enquanto os CDs dividem-se em uma remasterização do disco feita este ano, outra versão ao vivo de New York com versões diferentes das apresentadas no DVD e um CD só com raridades, demos e outtakes do período. A única coisa que não dá pra perdoar Lou Reed nessa época é o mullet – mas tudo bem.
New York: Deluxe Edition será lançado em setembro e as pré-vendas já estão ativas – quem comprar o pacote agora ainda ganha uma versão em cassete do disco.
CD1: Original Album (2020 Remaster)
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning Of A Great Adventure”
“Busload Of Faith”
“Sick Of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
CD2: “New York” – Live
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning Of A Great Adventure”
“Busload Of Faith”
“Sick Of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
CD3: Works In Progress/Singles/Encore
“Romeo Had Juliette (7” Version)”
“Dirty Blvd. (Work Tape)”
“Dirty Blvd. (Rough Mix)”
“Endless Cycle (Work Tape)”
“Last Great American Whale (Work Tape)”
“Beginning Of A Great Adventure (Rough Mix)”
“Busload Of Faith (Solo Version)”
“Sick Of You (Work Tape)”
“Sick Of You (Rough Mix)”
“Hold On (Rough Mix)”
“Strawman (Rough Mix)”
“The Room (Non-LP Track)”
“Sweet Jane (Live Encore)”
“Walk On The Wild Side (Live Encore)”
DVD
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning Of A Great Adventure”
“Busload Of Faith”
“Sick Of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
“A Conversation with Lou Reed” (apenas áudio)
Vinil
Lado A
“Romeo Had Juliette”
“Halloween Parade”
“Dirty Blvd.”
“Endless Cycle”
Lado B
“There Is No Time”
“Last Great American Whale”
“Beginning of a Great Adventure”
Lado C
“Busload of Faith”
“Sick of You”
“Hold On”
“Good Evening Mr. Waldheim”
Lado D
“Xmas In February”
“Strawman”
“Dime Store Mystery”
Aos poucos os Flaming Lips vêm antecipando seu próximo disco, American Head, no contagotas. Depois de mostrar “Flowers of Neptune 6“, “My Religion is You” e “Dinosaurs On The Mountain“, o grupo psicodélico norte-americano lança a bucólica “You n Me Sellin’ Weed”, que tem um estranho flerte com a country music.
“É uma aglutinação de linguagens, o que sempre resulta em novidade, não é? A situação não permite previsões, tédio e invenção andam de mãos dadas e nos puxam”, me explica por email Tulipa Ruiz quando lhe pergunto se Tulipa Noire, que ela apresenta neste sábado às 21h (mais informações aqui), é uma evolução do conceito de shows transmitidos pela internet. O concerto acontece na Casa de Francisca e é o primeiro show dirigido pela cineasta Laís Bodanzky, diretora do filme Bicho de Sete Cabeças, que foi convidada pelo capo da mágica casa, Rubens Amatto, para assumir a curadoria de cinema do local em tempos de pandemia, elevando as lives a outro patamar.
A cantora conta que estava esperando o momento certo para trabalhar neste formato. “Nossa proximidade com o Rubão e a Casa de Francisca é antiga e sabíamos que a qualquer momento ia acontecer alguma coisa entre a gente nesse momento live. Quando o nome da Laís entrou na jogada, tudo ficou mais saboroso. Vivo com a Tulipa Noire, o filme do Delon, marcado na alma. A associação era inevitável, noir-noire-cinema-Laís. Mesmo assim uma associação solar – o filme original era colorido!”, conta, fazendo referência ao filme que inspirou seu pai, o mestre guitarrista Luiz Chagas, a batizá-la com este nome.
Pouquíssimas pessoas estarão presentes no evento, apenas a cantora, seu irmão Gustavo Ruiz no violão, a diretora Laís e a fotógrafa Thaís Taverna. A única certeza é que será em preto e branco. Tulipa nem sabe o que fará com o show depois de ele ter acontecido. “É algo a ser pensar. Será meu primeiro registro cinematográfico. Vou decupar essa ideia”, conta.
Pergunto como ela está atravessando a quarentena e ela tasca que “como a maioria das pessoas que tem a oportunidade de ficar em suas casas, esse negócio de ‘tempo livre’ é bobagem. Nunca estive tão ocupada em minha vida, nem que seja para não fazer nada ou dormir. Isso te ocupa muito”. Ela também menciona lives que a emocionaram: “Várias, a começar pelo João Donato que introduziu muita vida na dele; Teresa Cristina, maravilhosa; o Gil, divino; o Curumim e a Anelis fazem umas aqui na esquina de casa, mas que parecem vindas da Lua. “
Lovecraft Country, a nova série de Jordan Peele e J.J. Abrams inspirada na mitologia do escritor de horror H.P. Lovecraft, libera seu último trailer e começa a mostrar seus monstros – especificamente de Cthulhu, o deus supremo deste universo maligno, que finalmente vemos seus tentáculos na tela.
Lovecraft Country estreia dia 16 de agosto, na HBO.
Billie Eilish lançou sua “My Future” na calada da noite e ela a princípio parece ser só mais uma balada triste com as que lançou depois que seu When We All Fall Asleep, Where Do We Go? se tornou um fenômeno – a lilyallenesca “Everything I Wanted” e a música-tema do próximo filme de James Bond, “No Time to Die“. Mas aí, antes de chegar nos dois minutos de música, ela engata um groovezinho macio e aponta para um futuro improvável para ela mesma, entre o soul, o funk e a disco music, como se vislumbrasse sua versão para o Melodrama da Lorde – um segundo disco suntuoso e classudo, bem diferente do minimalismo do primeiro.
Fora que esse singelo clipe em animação também abre outras possibilidades de formato…
Autor de Fama, O Expresso da Meia-Noite, Quando as Metralhadoras Cospem, Asas da Liberdade, Mississipi em Chamas, Pink Floyd – The Wall, Evita e Coração Satânico, o diretor Alan Parker morreu nesta sexta-feira, vítima de uma doença que lhe acompanhava há tempos, como revelou sua família. Ele pertencia à última geração de diretores ingleses a ser bem sucedida comercialmente, ao lado de nomes como Ridley Scott, Adrian Lyne e John Boorman, e equilibrava sensibilidade e tino comercial em filmes que sempre iam bem nas bilheterias, mesmo tratando de temas delicados ou fugazes. Havia parado de dirigir em 2003 e deixa um legado vivo, embora sem o peso histórico que suas obras tiveram em seu tempo.
O trio instrumental paulistano de jazz rock Atønito lança nesta sexta-feira seu segundo disco, Aqui, e antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo o clipe de uma faixa que mostra a disposição do grupo para trilhar novos rumos: “Sentido”, com clipe assinado pelo casal Francisco Porto e Luiza Queiroz, traz Luiza Lian como convidada e é a primeira faixa cantada da história do trio formado por Cuca Ferreira no sax barítono, Rô Fonseca no baixo e synth e Loco Sosa na bateria e synth. “Eu havia conhecido a Luiza por conta do Música de Selvagem, e havia ficado absolutamente impressionado com sua energia, potência, capacidade de improvisação, características que normalmente se encontram em grandes instrumentistas”, lembra Cuca, em entrevista por email. Incluir vocal num trabalho que levanta a bandeira do instrumental não foi por oportunidade: “O Atønito é um grupo instrumental e como tal valorizamos a livre interpretação da nossa música”, continua o saxofonista. “Mas nesse disco tínhamos uma mensagem que havia sido escrita em palavras antes do próprio som.”
Ele se aprofunda nessa questão: “O Atønito nasceu em 2016, naquele que acreditávamos ser um dos piores momentos da nossa história, ano da concretização do golpe”, explica Cuca, lembrando que voltaram a pensar em novo disco depois das eleições para presidente. “quando nos juntamos pra começar a trabalhar pro segundo disco, decidimos que dedicaríamos nossa música para refletir e atacar os caminhos que nosso país havia tomado, marcado pelo crescimento do fundamentalismo religioso e pela tentativa de destruição da identidade nacional, que vinha sendo tão arduamente construída. Após algumas conversas iniciais, coloquei esses pensamentos em um texto, que funcionou como uma espécie de roteiro, de narrativa, a partir da qual compusemos e criamos as músicas que viraram o disco” – o texto citado está no final deste post.
“Nesse texto, concluíamos que o problema fundamental vem da nossa incapacidade de resolver o conflito entre indivíduo e espécie, nossa incapacidade de encontrar equilíbrio entre necessidades e desejos coletivos e individuais. Somos cada vez mais empurrados para um confinamento solitário digital, desconectando-nos da percepção que só a coletividade garante a existência dos indivíduos. Fizemos o disco para debater isso. Ou seja, um disco instrumental, mas cuja inspiração veio da palavra”, conclui o líder da banda, lembrando que o disco já havia sido gravado antes de entrarmos em quarentena. “A quarentena afetou o lançamento, que estava previsto para maio. E nos fez questionar o quanto ainda fazia sentido, mas revisitamos nossos pensamentos originais e percebemos que as questões que nos motivaram só ganharam mais força. Do ponto de vista do nosso discurso, a quarentena só deu mais significado ao que queríamos dizer.”
“Luiza é a única convidada do disco, mas gosto de dizer que para esse disco tivemos entre nós três um processo criativo muito mais coletivo”, relembra. “No primeiro disco, as composições partiram praticamente de ideias minhas. Em Aqui não, tudo foi criado e executado coletivamente, ou seja com muito mais participação do Ro Fonseca e do Loco Sosa”, segue Cuca, lembrando de como Luiza registrou sua parte: “Ela foi pro estúdio, discutimos o texto e ela acabou por dar palavras finais à letra. E a melodia ela criou em poucos takes já valendo.”
Sobre lançar um disco durante a pandemia, tudo é experimentação, mas já está mexendo até na formação do grupo. “Eu particularmente sempre fui do ao vivo e é muito complicado não poder contar com esse caminho para manter o projeto ativo, mas o caminho que encontramos até agora foi esse, de trazer a arte visual para junto da música. Já havíamos feito isso com o Paulinho Fluxus, que é praticamente um quarto integrante do Atønito nos nossos shows. Os clipes que estamos fazendo são uma forma de fazer isso virtualmente. É como se agora a banda fosse baixo, sax, bateria e câmera. Esse disco tem 10 músicas, cinco já viraram imagem. Nos próximos meses teremos mais dois que já estão sendo criados.”
Atønito – Disco 2
AT / NITO
ATONITO
ATˆNITO
ATXNITO
Atønito nasceu e desenvolveu seu som a partir de um momento histórico marcado pela frustração,
pelo pessimismo e pela incredulidade.
Era 2016.
Com a tomada do poder por um grupo que não havia sido eleito, o Brasil soltava o freio e descia
de costas uma ladeira que vinha subindo a duras penas havia pelo menos 2 décadas.
Durante 20 anos, acreditamos que tínhamos encontrado nosso trilho, que aos poucos o futuro do
“país do futuro” chegava. Vivíamos sob a perspectiva da melhora, do otimismo, da confiança.
Para uma geração como a nossa, que nasceu no auge da ditadura militar e ficou adulta nas
décadas perdidas de 80/90, era a certeza de que construíamos um país com personalidade
própria, que finalmente começávamos a tirar o nariz da lama, como gerações anteriores não
haviam sequer imaginado.
Mas o Brasil provou que estávamos errados.
A completa falta de capacidade de manter o país no trilho seguida pelo completo atropelo aos
princípios que formam um Estado fez com que tudo que havia sido construído começasse a erodir
rapidamente.
É sob esse sentimento de perda, de desespero, de angústia, de incredulidade que nasce o
primeiro disco do Atønito.
Um disco do Grito. Expressão musical da raiva, dessa rasteira que tomamos do país. Do ódio que
é ter que dar a razão aos que sempre disseram que “o Brasil é isso aí mesmo”.
Isso foi no agora distante ano de 2017.
De lá pra cá as coisas pioraram muito.
O desastre saiu do plano institucional para o plano humano. Voltamos atrás não mais 20 anos de
desenvolvimento do país, mas séculos de conquistas e conclusões da espécie.
Celebra-se a ignorância. Escolhe-se o “olho por olho” como valor válido. Princípios que nortearam
a evolução da humanidade desde o século 16 agora passam a ser desprezados. Não se acredita
mais na busca do conhecimento, na busca da liberdade, na busca da convivência harmônica.
E o Brasil passa a trilhar um novo caminho, busca um novo modelo, que aparenta ser uma
espécie de mistura entre Porto Rico e Irã; por um lado mergulhando em uma subserviência
incondicional e sem nenhum orgulho próprio ao pior dos EUA, ao mesmo tempo que se apoia na
perpetuação da ignorância da populacão controlada pelo fundamentalismo religioso de pastores
da pior espécie.
Como reagir artisticamente a tudo isso? Como conseguir uma expressão artística – que pressupõe
sentimentos e sensibilidade – que reflita esse novo momento histórico?Descemos.
Do Grito fomos à Implosão.
A jornada agora é em busca do problema fundamental e essencial, chegar no “pré-sal” do que
vemos na superfície; fonte de todos os conflitos atuais:
A relação entre o indivíduo e a coletividade.
Entre o individual e o coletivo.
Entre o ser único e sua espécie.
Por um lado, a associação coletiva nos fez a espécie dominante no planeta. Por outro, implica em
consciência e aceitação de limitações individuais.
Ao longo da história humana, a nossa organização coletiva propiciou o desenvolvimento da
espécie. Mais recentemente, conforme esse desenvolvimento se exacerbou, se transformou na
própria ameaça à existência humana.
Esse é o conflito fundamental.
E é a inspiração e provocação para esse trabalho.
O disco discorre sobre a relação entre o homem e seu ambiente. Como a associação coletiva
propiciou o domínio desse ambiente, e como essa associação coletiva se transformou em fonte de
tensão insustentável para os indivíduos que a formam.
Como existir como indivíduo num modelo que é totalmente dependente da associação coletiva
para a própria subsistência dos seus indivíduos.
Que paradoxalmente dedica cada vez menos espaço físico para seus indivíduos, pressionando
para uma proximidade física cada vez maior, ao mesmo tempo que empurra para o isolamento
atraindo para o confinamento digital, que mais paradoxalmente ainda legitima a existência
individual a partir da validação coletiva.
Reflexões e lembretes sobre cada música:
1. UNO (Vinheta Manifesto)
Da tensão inerente ao uníssono. Um som formado por três.
Somos um? One love? Somos mesmo a mesma energia que vibra em uníssono? Quando
passamos a ser muitos? E mesmo sendo muitos continuamos sendo apenas um?
2.
Quando éramos menores que nosso ambiente.
Quando surge a vida humana? Quando nos percebemos como indivíduo? Quando nos
percebemos como espécie?
Quando tínhamos mais recursos que necessidades?
Quando percebemos que o ambiente podia ser hostil? Quando percebemos que individualmente
éramos inferiores ao ambiente?
A melodia era maior, fica menor e acaba diminuta.
Manifestações de vida que começam a eclodir e aos poucos vão se reconhecendo.
3.Quando percebemos que a espécie tinha mais chances se seus indivíduos se organizassem
coletivamente. Começam as conquistas. A vida melhora. O coletivo prova ser melhor que o
indivíduo. A vida coletiva se prova melhor que a vida individual.
A construção da vida social.
A crença num futuro mais positivo a partir das conquistas coletivas.
4.
Trabalho.
Competição.
O interesse coletivo impõe novas regras à sobrevivência do indivíduo.
A velocidade aumenta, na mesma proporção que a consciência diminui.
5.
Começamos a buscar subterfúgios.
Válvulas de escape. Auto-alienação.
Felicidade artificial, plástico, vaidade, consumismo, “mascando clichê”, terra da fantasia do
pinochio, tá tudo aqui.
6.
“Tá tudo ótimo”
Essa música é uma homenagem direta ao principal artista do movimento “Realismo Cínico”, que
apareceu na China nos anos 90. Uma tentativa de transformar em música os quadros de Yue
Minjun, o “pintor das gargalhadas”, que melhor traduziu o conceito de realismo cínico. A angústia
por trás da gargalhada.
Qual o limite entre a gargalhada e o choro.
O clichê do palhaço desiludido e triste.
7.
A gargalhada quebrou o verniz. Cai o cenário e vemos a realidade atrás.
Vemos a prisão que vivemos. Celas cada vez menores. O indivíduo reduzido ao seu mínimo
espaço.
Fazendas humanas do Matrix. Marcel Marceau. Paredes se fechando, tipo cena de seriado de
ação antigo.8.
Só nos resta o mergulho interior. Reflexão.
Há uma luz no fim do túnel?
Há um túnel no fim da luz?9.
Seguimos! Vai dar trabalho. Ladeira acima. Sensação que sobe, sobe e nunca chega.
Areia, cimento, tijolo.
Cenas de trabalhos forçados.Texto para o último trecho da última música:
Mas não faz sentido.
Por que evitar de cruzar o olhar
Evitar de dirigir a palavra
fingir que não escuta
Se tudo que eu preciso para viver
foi feito pelo outro
tudo que eu como
tudo que eu visto
passou por tantas outras mãos antes de chegar às minhas
por que agir como se só eu existisse
como se aquela pessoa que está ao alcance do meu braço
simplesmente não estivesse ali
então agora é assim?
só existe o outro se for desse jeito?
Reificado
Coisificado
desmontado
desintegrado
fragmentado
em
giga
mega
kilo
bytes
de
bits
binários
Binários.
não mais bípedes
mas binários
só sim ou não
noite ou dia
par ou ímpar
certo ou errado
zero ou um
Binários como os bits
que reconstituídos
nos dão propósito
nos justificam
e nos validam
em forma de um polegar levantado
ou de um coração estilizado











