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O diretor Jonas Akerlund, que já trabalhou com meio mundo da música pop atual (fez filmes e clipes para Lady Gaga, U2, Rolling Stones, Paul McCartney, Madonna, Beyoncé, Taylor Swift, Metallica), garantiu que irá filmar Midas Man, a cinebiografia do empresário dos Beatles, Brian Epstein. “A história de Brian Epstein tem tudo que estou procurando numa história”, ele disse à revista Variety, “Tudo diz respeito à singularidade de Brian pra mim. Eu amo que Brian parecia saber cada passo num caminho que ninguém mais sabia, ele via coisas que ninguém mais via. Sua visão era impressionante, ele criou uma cultura que não existia. O filme é mais sobre viajar na mente de Brian e como era ser ele mais do que como uma coisa levou à outra cronologicamente. Eu quero trazê-lo de volta à vida”. O filme começará a ser rodado no ano que vem em Londres, Liverpool e nos Estados Unidos e deverá ser lançado em 2021 mesmo.

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O documentário The Go-Go’s. batizado apenas com o nome do grupo norte-americano, se dispôs a contar a história da primeira banda superstar formada só por mulheres que também tocavam seus próprios instrumentos. Crias do punk norte-americano, elas foram um dos principais grupos new wave dos anos 80 (tocaram até no primeiro Rock in Rio, em 1985).

E o filme, que estreia no canal norte-americano Showtime no dia primeiro de agosto, também incentivou a volta do grupo, que irá lançar o primeiro single em vinte anos no dia anterior. “Club Zero” já está em pré-venda.

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O lendário diretor John Carpenter, conhecido por ter revolucionado o cinema de horror e pelas trilhas assustadoras que compõe para os próprios filmes, vêm estabelecendo sua carreira como músico para além das telas de cinema e depois de lançar o disco Lost Themes II, em 2016, quando mostrou pela primeira vez músicas que nunca tinham chegado à salas de cinema, mostra que está disposto a seguir sua carreira como músico ao lançar duas faixas inéditas, a tensa “Skeleton” – que poderia estar na trilha de qualquer distopia urbana de qualquer época, como Fuga de Nova York, Goodfellas ou Drive – e “Unclean Spirit” – que poderia ter saído dos filmes de Dario Argento.

Carpenter é filho de um professor de música e estudou música na Universidade do Sul da Califórnia, antes de dedicar-se ao cinema. Nos trabalhos mais recentes, ele tem tocado ao lado do filho Cody e do afilhado Daniel Davies. O novo single será lançado em vinil pela gravadora Sacred Bones e já está à venda.

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Desde o começo do ano, o produtor Nigel Godrich criou um canal no YouTube para publicar a íntegra de shows que conduziu no estúdio Maida Vale, da BBC em Londres, entre 2006 e 2009. O programa era conhecido como In the Basement e trouxe artistas do quilate de Sonic Youth, Beck, Fall, Iggy Pop, José González, Eels, Sparks, Fleet Foxes, Shins, Jamie Lidell, Andrew Bird, Super Furry Animals, Damien Rice, entre outros. Até agora, ele já publicou shows do Gnarls Barkley, os dois do Radiohead que conduziu (num tocando o In Rainbows na íntegra e no outro o King of Limbs), um do Queens of the Stone Age além de faixas isoladas para o Cansei de Ser Sexy, Thundercat, Willis Earl Beal, White Stripes, Jarvis Cocker e Laura Marling, mas em seus arquivos shows com nomes como E agora eles publicaram o curto show que PJ Harvey apresentou lá em 2007, mostrando músicas de seu então recém-lançado White Chalk.

Que mulher!

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“Lançar um disco pra mim é como lançar uma garrafa ao mar com uma mensagem dentro: quem vai achar, quem vai ler, é um mistério, um pouco obra do acaso mesmo. Deixo um pouco à mercê das magias e imantações”, ri Joana Queiroz, clarinetista e saxofonista carioca que integra o grupo Quartabê e lança nesta sexta-feira, seu quarto álbum solo, Tempo Sem Tempo. “Os retornos sempre vêm, mesmo que demore, e isto já me dá a sensação de completar um ciclo. Mas acho que desta vez estou um pouco mais disposta a compartilhar, falar sobre, tentar fazer chegar um pouco mais. No geral faço discos porque sinto que tenho que fazer, pra estar neste estado de criação, mas não sei me colocar muito em estado de ‘divulgação’. Por outro lado é algo importante, comunicar, dialogar, partilhar. Também tem a ver com vento né.”

Gravado ao lado do irmão Bruno Qual, que também produz o disco, Tempo Sem Tempo está pronto desde o ano passado, conta com participações dos bateristas e percussionistas Sergio Krakowski, Domenico Lancellotti e Mariá Portugal (esta última também integrante do Quartabê) e ressalta um lado intimista e introspectivo de sua musicalidade, ai mesmo tempo angular e doce, principalmente por colocar-se quase sozinha em primeiro plano, como dá pra perceber na faixa dupla “Beira de Rio, Beira de Mar””/”Jóia” (esta última de Caetano Veloso), que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. E não estranha quando comparo o disco com o momento que estamos atravessando nesta estranha quarentena.

“Acho que por ser um álbum intimista, que tem algo bem etéreo, quase místico, ele talvez faça mais sentido neste momento em que todes estamos olhando pra dentro, com mais calma e atenção, do que na correria desenfreada em que estávamos há pouco tempo atrás”, ela explica. “A música pra mim é sempre esta tentativa de sair do caos e olhar pra dentro, respirar – embora o caos também seja bem vindo. Ir pra outros lugares. É um disco que pode trazer calma, acolhimento, como uma meditação. Quis mergulhar mesmo nesta intimidade, é um disco bem pessoal, tem a ver com solidão sim, ou talvez mais com solitude. Isto foi intencional na forma, as músicas e arranjos foram pensados para que eu pudesse apresentá-las sozinha, mas o conteúdo não, foi o que surgiu naturalmente.”

O trabalho também aproximou-a do irmão, velho parceiro que trouxe pela primeira vez para disco seu. “Já fizemos várias coisas juntes ao vivo, e ele trouxe muitas referências deste universo pra mim, lá desde a nossa adolescência”, ela continua. “Mas nunca tínhamos trabalhado juntes num disco e foi uma experiência muito legal. Nos entendemos rápido em relação ao que as músicas precisavam, e ele foi muito assertivo nas suas contribuições. Fluiu super bem. E estamos fazendo um outro disco juntos já, de duo, baseado em sessões de improvisação que fizemos no início deste ano.”

Aproveito para perguntar como tem sido sua quarentena e ela começou justamente bem introspectiva. “Nas primeiras semanas da quarentena mergulhei totalmente pra dentro, foi uma fase intensa e bem importante pra processar este momento do mundo, e conseguir me situar nele. Apesar de todos os lados trágicos, acho que estava mesmo precisando desse respiro, poder rever e resgatar muita coisa.”

“Depois comecei um ciclo bem interessante de conexões, fazendo muita aula de Kinomichi pelo zoom – o que me salva muito – e dando aulas também, o que tem sido surpreendentemente incrível pra mim. Há muito tempo não dava aulas porque não parava de viajar, mas estava sentindo muito esta necessidade de compartilhar, de pensar junto sobre os processos de aprendizagem”, continua Joana. Ela não tem nada marcado sobre shows por enquanto, mas não quer deixar o assunto de lado, mesmo que online. “O disco foi justamente pensado para me apresentar sozinha e é um formato que se encaixa bem nesta possibilidade atual de lives caseiras”, conclui.

Mas não é só isso: Joana ainda tem planejado coisas com o Quartabê, às vésperas de completar seis anos. “Já tínhamos começado a criar nosso próximo projeto, que é o EP com canções do Dorival, vamos ver se achamos uma maneira de retornar a isto”, lembra. “Mas não estamos com pressa não, cada uma está nos seus processos individuais também, mexendo em muita coisa.” E conclui apontando para outros trabalhos futuros: “Uma coisa legal é que tive uma proposta de fazer mais um disco pro selo japonês com o qual trabalho, Spiral, só de canções. Então até o fim do ano vou estar bem dedicada a isto também. Tenho um duo com o Rafael Martini que estamos tentando manter na ativa à distância, e estou compondo em parceria com outro amigo pianista, o argentino Sebastian Macchi. A gente vai reinventando as conexões, é difícil não ter a presença física, não tocar, abraçar, ouvir ali de pertinho, receber os amigos, sentir o público junto. Mas tem muita coisa acontecendo, e muitas revoluções internas também.”

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O mago cineasta chileno Alejandro Jodorowsky volta ao cinema com o documentário Psychomagic, a Healing Art, seu primeiro filme em décadas. Nele, o autor dos clássicos psicodélicos El Topo (1970) e A Montanha Mágica (1973) conta sobre suas experiências com a cura espiritual e o cinema, e será exibido em primeira mão através do canal de streaming Alamo on Demand, no dia 7 de agosto. Na semana anterior, a partir do dia 1°, o canal começa uma retrospectiva sobre o diretor. Abaixo, Jodorowsky conta sobre o tema de seu filme, em entrevista ao canal Euronews.

Psychomagic também estará incluso na caixa The Alejandro Jodorowsky: 4K Restoration Collection, que incluirá seus clássicos, vários extras e chegará ao público no dia 21 de agosto – as pré-vendas já estão sendo feitas.

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Além dos três filmes mencionados, a caixa ainda trás o primeiro filme de Alejandro, Fando y Lis (1967), o curta Le Cravate (1957), as respectivas trilhas sonoras, entrevistas inéditas e um guia de A a Z para A Montanha Mágica.

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Meu convidado desta semana consegue no programa de entrevistas Bom Saber consegue ver otimismo no futuro do Brasil, mesmo com a situação que estamos passando. Escritor e cronista carioca, o chapa Dodô Azevedo já fez música (foi baterista do grupo indie PELVs), escreveu livros (DJ Pessoal e Pessoas do Século Passado), produziu festas (Fofoca e Segredo) e dirigiu filmes (Girassol e Memória Tangerina) e atualmente assina a coluna Quadro Negro na Folha de São Paulo. Na conversa, partimos do assunto quarentena para falarmos sobre o momento que o movimento negro atravessa no país a partir da entrevista do filósofo Sílvio Almeida para o Roda Viva e como ele já está transformando o país há décadas. E a conversa com ele sempre abre janelas para outros múltiplos assuntos (até os bastidores da entrevista com o Kurt Cobain, que ele fez quando o Nirvana tocou no Brasil) e pontos de vistas, tanto que foi a mais longa entrevista até agora… E nos deu até uma ideia no final.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do **Clube Trabalho Sujo** – pergunte-me como colaborar respondendo a este email. Além de Dodô, já conversei com Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Ian Black, Negro Leo, João Paulo Cuenca, Fernando Catatau, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou lá no meu canal no YouTube, assina lá.

Carl Reiner, morto nesta terça aos 98 anos e de causas naturais, foi um dos pilares do humor norte-americano do século 20 e era desses gênios que não paravam de trabalhar. Assim, reinventou a comédia em seu país pelo menos três vezes, ao mesmo tempo em que moldou o gênero na televisão, meio cuja linguagem humorística ele praticamente ajudou a inventar. Começou em 1950, trabalhando como ator e depois roteirista do programa de Sid Caesar, Your Show of Shows, onde conheceu nomes como o futuro parceiro Mel Brooks, Woody Allen e Neil Simon. Na década seguinte firmou a parceria com Brooks no programa de variedades Steve Allen Show (e dez anos depois, iriam para o cinema) ao mesmo tempo em que inventou a primeira metasitcom, o Dick Van Dyke Show, estrelado por Dick e Mary Tyler Moore, que narrava os bastidores de uma equipe de um programa de humor para a TV. Ao fim dos anos 70 firmou parceria com o comediante em ascensão Steve Martin, com quem fez os clássicos O Panaca, Cliente Morto Não Paga, O Médico Erótico e Um Espírito Baixou em Mim. A partir dos anos 90 passou a fazer pontas em praticamente todos os programas de humor de sucesso, colhendo os frutos do universo que ajudou a germinar. Não importa se era Mad About You, Frasier, Ally McBeal, House, Two and a Half Men ou Parks and Recreation – cada um destes programas está impregnado pelo DNA de Reiner, que cumpriu sua missão neste plano. Obrigado!

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Energy está vindo aí e os irmãos Howard e Guy Lawrence estão preparando o terreno direitinho para consolidar o nome de seu grupo Disclosure como um dos principais da pista de dança deste século – mesmo que os tempos de quarentena tirem esse gostinho da gente. “My High”, o novo single deste novo álbum que chega em agosto, é a primeira incursão da dupla no hip hop, quando chamaram os MCs ingleses Slowthai e Aminé para aditivar ainda mais uma música naturalmente frenética. E o hilário clipe gravado antes de entrarmos em quarentena ajuda a aumentar a expectativa…

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Ernest Greene agenda o lançamento do próximo álbum de seu Washed Out e a partir das músicas que ele já lançou (“Too Late” e “Face Up“, esta última lançada através do Adult Swim do Cartoon Network), o produtor, cantor e compositor norte-americano retoma o caminho rumo à melancolia e à tranquilidade musical características do chillwave, depois de ter explorado seu lado mais funky no disco Mister Mellow, que ele lançou em 2017 pela gravadora de hip hop Stones Throw. Purple Moon marca seu retorno à Sub Pop e a uma sonoridade mais próxima do que espera-se de seu trabalho, reforçado pelo novo clipe da irresistível “Time to Walk Away”.

A capa do disco (já em pré-venda) é aquela aí de cima e a ordem das músicas segue abaixo.

“Too Late”
“Face Up”
“Time to Walk Away”
“Paralyzed’
“Reckless Desires”
“Game of Chance”
“Leave You Behind”
“Don’t Go”
“Hide”
“Haunt”