O vocalista do National Matt Beringer lança “Distant Axis”, composta ao lado do vocalista do grupo Walkmen, Walter Martin. A faixa, cujo clipe brinca com um truque simples para emular a falta de gravidade numa tela, é mais um single de seu primeiro disco solo, Serpentine Prison, produzido por ninguém menos que Booker T. Jones.
Serpentine Prison será lançado em outubro.
“Não adianta negar as esferas do sistema solar”, canta Betina no refrão de ótima “Onda Errada”, canção psicodélica de protesto que lança nesta sexta-feira nas plataformas digitais e que antecipa aqui no Trabalho Sujo. Gravada antes da quarentena, a canção reúne o boogarin Dinho Almeida, que gravou guitarras e beats, além de assinar a canção com a cantora curitibana, o ex-supercordas Diogo Valentino no baixo e o trumpete do applegate Rafael Penna (o único a gravar depois da quarentena, à distância). O clipe foi feito por Betina, que aprendeu técnicas de animação 3D durante a quarentena.
“A idéia de escrever algo sobre o negacionismo usando o terraplanismo pra ilustrar o conceito começou quando essas posturas chegaram como pauta no governo”, ela me explica por email. “Mas principalmente frente à pandemia ela ganha muita força, se percebe claramente como esse pensamento acaba sendo nocivo para o coletivo e tendo resultados desastrosos. Quis fazer essa música justamente para compor essa memória social e registrar ‘o que pensamos’ para a história que vai ser contada no futuro.”
O novo single faz parte do sucessor de Hotel Vülcânia, que ela lançou em 2018, embora ela ainda não entenda como acontecerá este novo lançamento. “Eu tinha planos para um novo disco esse ano ainda, mas frente a tudo que vivemos, tenho levado mais tranquilamente esse processo. Vou lançar várias músicas esse ano, mas como elas vão se apresentar, se vão vir em formato de disco ou EP ou só como single eu ainda não sei, tô deixando fluir, sem muita pressão”, ela explica. “Encontrei um canal de expressão entre a criação do material visual que tem me encantado muito. O lyric video de ‘Onda Errada’ foi um dos resultados desse canal criativo”, explica, antecipando que não será o último destes experimentos.
Depois de mais de três anos maturando um disco que começou a surgir em 2013, Negro Leo finalmente dá a luz a seu Desejo de Lacrar, uma tese musical em movimento sobre a necessidade de se afirmar online e como isso se reflete na noção de identidade nos dias de hoje. O disco foi produzido pelo baterista Serginho Machado, que também toca na banda e que ainda conta com Chicão Montorfano nos teclados, Fábio Sá no baixo e o próprio Leo no violão, voz e assovios. O disco chega às plataformas digitais na virada da quinta para a sexta e Leo vai puxar uma sessão coletiva de Zoom para apresentar o disco em primeira mão a partir das 22h da quinta (o link para a audição é esse). Ele também antecipou o faixa a faixa do disco em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“The Big One”
“Lacrar é agir de forma insolente e revoltada. Lacrar é não obstar limite entre si e o direito. É direito q se adquire no ato. Lacrar é encerrar assunto. Vencer, se não de fato, virtualmente de direito. Lacrar, na verdade, é o q nos resta. O lacre, no limite, como resultado do choque entre a comunicação em rede e o reconhecimento da impossibilidade de justiça. Época de parricídio. Inevitável q essa transformação sangre e exiba vitalidade. ‘Nem um terráqueo q trepa fode surdo à vontade de deus’? Será o nascimento de uma nova política?”
“Tudo Foi Feito Pra Gnt Lacrar”
“Foi a primeira música do disco a surgir. Eu tava pensando numa maneira de unir a instrumentalização de 2013 pela direita com o logos lacrador. Já havia ali um investimento na captura do discurso e da representação do lacre q acabou resultando numa mudança de mentalidade mais abrangente, q veio a dar no golpe e na ascensão do ultraliberalismo-escravocrata, q basicamente se comunica através do logos lacrador.
“Absolutíssimo Lacrador”
“É uma chave cósmica: cristo como unicórnio colorido, quimera: ‘não penses q vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. Eu vim trazer a divisão entre o filho e o pai, entre a filha e mãe, entre a nora e a sogra, e os inimigos do homem serão as pessoas de sua propria casa’ (Mt, 10, 34). O titulo da canção poderia ser #aceitaqdóimenos #aturaousurta, duas hashtags q dizem: a guerra é inevitável. Essa polarização, da capa ao título, organiza a economia verbal do lance.”
“Desejo de Lacrar”
“Voz sufocada pra enfatizar a atmosfera política, falsetes sedutores pra suportar o grave medonho desses tempos. A engasgada no verso ‘fluindo em volumes estacionários’ não foi proposital. A melodia em ‘#somostodos’ tem o sentimento certo de desolação e cerimônia pra carregar a confusão mental da hashtag.”
“Eu Lacrei”
“Quando a canção se transforma no açúcar das pequenas tragédias sentimentais do cotidiano, uma historia inspirada no noticiário policial de todos os tempos, com a nobreza envolvida, canavial das desumanidades humanas, várias camadas de sensibilidade sedimentadas.”
“Makes e Fakes”
“Tazio Zambi é o maior poeta da minha geração. Amigo de quase uma década. O cara q abriu caminho pra Gilgamesh e Jacinto Silva. Um mês depois de enviar o poema, num particular comigo, mudou ‘mimimi’, uma decisão q aproximou o poema da abordagem geral de lacre no disco.”
“Dança Erradassa”
“Eu tava fazendo uma canção. Quarto de hotel, Xangai, Peter Ivers, ‘terminal love’, Starbucks, Dirty Fingers, All Club, Brasil. Eu improvisei a imagem candente das ‘planícies do fim’, numa alusão à terra plana, saltando da melodia num vórtice. Tava pronta.
“Desvio pro Vermelho”, “Esplanada”, “Outra Cidade”
“Nova infância do mundo.”
Um livro que puxa um filme que puxa um disco que puxa um ensaio que… Juntos, eu e a querida Polly Sjobon atravessamos diferentes obras de arte traçando conexões e atiçando curiosidades em mais um novo programa semanal – o Polimatias que, em sua primeira edição, lista dois documentários (um sobre o vocalista do INXS, Michael Hutchence, e outro sobre os Beastie Boys) e o livro O Perfume, de Patrick Süskind.
Mais uma pérola do programa From the Basement do Nigel Godrich, que aos poucos está disponibilizando seu catálogo no YouTube: a íntegra de uma apresentação perfeita do grupo folk Fleet Foxes no auge de sua forma, quando encerraram o ano de lançamento de seu EP Sun Giant e de seu homônimo disco de estreia com uma apresentação que foi transmitida na véspera de natal de 2008.
“Sun Giant”/”Sun It Rises”/”Drops In The River Medley”
“English House”
“Blue Ridge Mountains”
“Your Protector”
“No final de abril, com o mundo lá fora pesando sobre todos, decidimos que nós três poderíamos nos reunir em Hoboken sem desobedecer às regras estabelecidas pelo governador Murphy e voltamos a (“ensaiar”… Isso dificilmente descreve o que fazemos, porque não só ensaiamos e, mesmo assim, para o que ensaiaríamos?) tocar. James instalou um microfone no meio da sala, caso sem querer fizéssemos em algo útil para o futuro. Em vez disso, decidimos lançar algo que fizemos naquela hora”, assim o guitarrista e vocalista do Yo La Tengo, Ira Kaplan, anunciou a estreia de nosso trio indie favorito no Bandcamp, lançando canções improvisadas em seu estúdio desde a segunda com títulos longos e escrevendo o dia da semana logo após o nome da faixa. Será que eles vão lançar músicas todos os dias? Ou como as faixas parecem se interligar, será que eles vão lançar um longo improviso dividido em partes diárias? Seguem as duas primeiras, “James and Ira Demonstrate Mysticism and Some Confusion Holds” e “Georgia Thinks It’s Probably Okay”.
Pouco antes do lançamento desta terceira safra de episódios de Dark, havia feito um comentário sobre o que esperar do final da série alemã e prometi que falaria sobre seu encerramento em breve, portanto segue meu comentário sobre o final da série Dark, cuja última temporada foi lançada no fim do mês passado.
E você, o que achou do final de Dark?
Janara Lopes é dessas pessoas fantásticas que a internet me apresentou. Não bastasse a verve fodona tanto na condução de projetos quanto na execução estética, ela ainda é uma fonte de inspiração, que dispara provocações e cutuca brechas que ou abrem portais interdimensionais ou acendem luzes no fim do túnel, sempre erguendo a bandeira da arte. À frente do coletivo de designers Ideafixa, ela usou a quarentena com desculpa para voltar à sua pequena cidade-natal no cerrado para repensar vários pontos de sua vida e de seu trabalho. E o papo foi por aí, usando o momento que estamos atravessando para tentar vislumbrar um futuro mais otimista para nós – como profissionais de humanas, cidadãos brasileiros e habitantes do planeta Terra.
O mestre mostra o trailer do show que exibirá em transmissão paga no próximo dia 23, só ele e o piano, no majestoso Alexandra Palace, em Londres – os ingressos estão à venda aqui.
Vai ser épico e intimista ao mesmo tempo.
“Em 2005 a gente teve a idéia de fazer umas musicas com cada um mandando um canal, ou outro devolvia dois, daí o primeiro devolvia três. Quando já tinha som o suficiente, a gente mixava e passava pra outra. Isso usando a tecnologia disponível da época, que já era assombrosa na gravação e edição de áudio, mas com uma internet bem lenta”. John Ulhoa, o guitarrista do Pato Fu, puxa a memória para lembrar o início de seu projeto ao lado de André Abujamra, de impronunciável nome de ABCYÇWÖK, em um papo por email. O disco finalmente vê a luz do dia e a dupla mostra clipes para duas músicas de projeto aqui no Trabalho Sujo.
O resultado é um estranho disco de dance music com intervenções de ruído, que empilha timbres explicitamente retrô dos anos 80 e 90 com melodias hipnóticas, efeitos caseiros, sonoplastia eletrônica ou feita com a boca, cantos verborrágicos de André e gemidos distorcidos de John. Mas a esquisitice sempre soa familiar como se reconhecer num espelho distorcido. É um disco que brinca com a ideia de pop a partir da possibilidade de não soar pop – algo que os dois fingem que não conseguem.
“Fomos brincando disso, e nuns dois anos fizemos umas cinco músicas”, continua o guitarrista. “Aos poucos fomos parando, e só retomamos agora na quarentena. Daí em uma semana fizemos mais seis músicas! Por isso dizemos que o disco foi feito em 15 anos e uma semana.” A amizade dos dois começou em uma das premiações da MTV brasileira nos anos 90 – eles já se conheciam à distância, tanto pelas bandas de John (Sexo Explícito e Pato Fu) e pelas de André (Os Mulheres Negras e Karnak), mas o encontro nos bastidores fez seus caminhos se encontrarem. “Eu produzi o Tem Mas Acabou do Pato Fu e isso fez a amizade crescer e pensar sempre em fazer alguma coisa juntos”, lembra André. John compôs para o Karnak e as duas bandas até se apresentaram juntos. “Mas o mais importante mesmo foi termos formado um dos piores times de futebol da história do Rock Gol MTV. Tomamos goleadas de dois dígitos históricas”, lembra John sem remorso.
Não havia rumo definido para o novo trabalho. “Absolutamente nenhum”, reforça Abujamra, citando aleatoriamente o músico havaiano Israel Kamakawiwo’ole como referência, e assim seguiram após o início da quarentena. “A ideia começou fazendo com o John em BH e eu em São Paulo, já estávamos em quarentena há 15 anos”, brinca André, reforçando o tom caseiro do disco. “Nunca nos encontramos pra gravar nada”, lembra John. “Até a capa foi feita no mesmo esquema. Abrimos um projeto gráfico, cada um ia colocando um traço, um desenho, uma camada.”
O estranho nome tem duas versões, explica John: “Uma é que é um nome alienígena que uma mulher de quatro braços escreveu no banheiro químico de Chernobyl segundos antes do sétimo gol da Alemanha ou algo assim. E a outra versão é que criamos o nome igual ao disco: numa conversa no whatsapp, cada um foi mandando uma letra em sequência.” Eles não pretendem fazer shows do projeto, mesmo quando for possível. “Sinceramente, não sei se consigo tocar essa músicas ao vivo, elas são muito doidas”, continua o guitarrista mineiro. “Só se fizermos um show de dança, com playback. Acho que elas ficam legais com os videos que o Abu está fazendo, acho que é a melhor expressão delas.”
Além do recém-lançado projeto, os dois seguem tocando seus projetos pessoais. André nem começa a listar: “Preciso de 12 mil linhas, então não quero responder”, desconversa, lembrando que já está trabalhando na segunda parte de sua tetralogia elemental, que começou com o filme-show Omindá, sobre água, e que agora fala sobre fogo. Já John acabou de produzir o novo disco solo de sua parceira Fernanda Takai. “Fiz um gravação solo para uma homenagem ao Arnaldo Baptista pelos 72 anos, além de várias outras pequenas produções nessa demanda de lives e videos para conteúdo de canais. O Pato Fu tem feito umas versões de nossas músicas antigas, com cada um gravando de sua casa. Tô começando uma trilha de teatro também. Muita coisa, não posso reclamar de falta do que fazer…”, concorda John. Mas o ABCYÇWÖK não termina no disco. “Estamos pensando em clipes multimilionários, um Instagran e talvez um CD novo feito em uma semana.”













