O clássico disco triplo de George Harrison, All Things Must Pass, o primeiro disco que lançou após sair dos Beatles e uma rara unanimidade entre os fãs do grupo (pois é o melhor disco solo de um ex-beatle), completa 50 anos nesta sexta e começa a ganhar tratamento de luxo a partir de uma nova versão estéreo para a faixa-título.
Segundo o filho de George, Dhani Harrison, contou ao NME, é o início do resgate do disco como seu pai gostaria que ele soasse. “Este novo mix em estéreo da faixa-título é só um aperitivo do que está por vir em 2021 quando celebraremos os 50 anos do lendário álbum All Things Must Pass, do meu pai. Estamos escavando entre montanha de fitas e elas continuam surgindo – caixas e caixas delas. Fazer o som deste disco mais claro sempre foi um dos maiores desejos do meu pai e é algo que nós estávamos trabalhando juntos nisso quando ele faleceu. Mas com a ajuda da nova tecnologia e com o trabalho de Paul Hicks neste projeto, nós vamos conseguir fazer isso acontecer”. O disco original foi produzido por Phil Spector, que entupiu algumas faixas com sua clássica parede-de-som deixando-as com o som embolado, tornando difícil reconhecer os instrumentos isoladamente, o que George sempre havia lamentado. E Hicks acaba de trabalhar tanto na caixa que os Stones lançaram para seu disco de 1973 Goat’s Head Soup e a nova versão para “Gimme Some Truth”, do John Lennon, lançada quando em seu aniversário deste ano.
A atriz italiana Daria Nicolodi, musa e esposa do diretor Dario Argento, que revolucionou o cinema de horror ao criar o subgênero giallo na virada dos anos 70 para os anos 80. A morte da musa do horror italiano foi confirmada por sua filha, a também atriz e diretora Asia Argento, em sua conta no Instagram, nesta quarta-feira. Daria estrelou vários clássicos de Argento, como Profondo Rosso, Inferno, Tenebrae e Phenomena, e também deu a ideia que inspirou o revolucionário Suspiria, primeiro clássico do formato deste diretor. Ela tinha 70 anos.
Enorme prazer de fazer parte da primeira edição da Wired no Brasil. Fui incumbido de uma maratona profissional: entrevistar e perfilar os 50 brasileiros mais criativos de 2020, uma lista que chegou pronta mas que pude interferir à medida em que me inteirava de todo o processo. E este foi junto de uma equipe dos sonhos: a querida Cris Namouvs no comando da espaçonave, o compadre Bruno Natal na edição, a comadre Juliana Azevedo no design e a capa assinada por Laurindo Feliciano (sem contar outros que conheci no processo, como o fotógrafo Wendy Andrade e a produtora Karina Mendes Cardoso). Mas a saga de entrevistar 50 universos pessoais em plena expansão, ainda mais num ano como 2020, abriu minha cabeça em múltiplas camadas e este trabalho tornou-se especialmente mais enriquecedor por acontecer neste ano pandêmico. Encontros, virtuais claros, com gente tão diferente e ativa como Ailton Krenak, Teresa Cristina, Emicida, Miguel Nicolelis, Silvio Almeida, Yasmin Thainá, Iana Chan, Sidarta Ribeiro, Nath Finanças, Marcelo D’Salete, Kaique Britto, Felipe Neto, Alê Santos, entre vários outros, me fizeram recuperar a sensação de horizonte que parecia ter sido perdida desde o início do ano. Abaixo, o texto que escrevi na apresentação da revista, que está sendo distribuída gratuitamente em alguns pontos de venda no Rio e em São Paulo (e não vai ser vendida em bancas) e a relação dos 50 nomes escolhidos, com os respectivos links para cada uma das matérias.
50 Horizontes
Entrevistar os 50 brasileiros mais criativos de 2020 não foi só uma tarefa hercúlea como inspiradora. Incumbido desta missão, encontrei 50 universos únicos, 50 pontos de vista singulares e 50 perspectivas distintas, mas todos, sem exceção, esperançosos em relação ao seu papel no futuro do Brasil.
Foram quase 50 videoconferências (só três responderam por email e só um pelo telefone) em que pude conferir olhares curiosos e empolgados, ver sorrisos e caras sérias para descrever altos e baixos de um ano que ficou na história de todos nós. A ausência do encontro presencial, crucial quando se faz esse tipo de entrevista, mostrou, por outro lado, que todos estavam à vontade com a rotina da quarentena.
Muitos entediados, outros exaustos, alguns felizes pela convivência com os filhos, outros tensos pela tragédia sanitária, mas todos dispostos a seguir fazendo seus trabalhos, que encontraram, neste ano, um ponto de inflexão definitivo.
50 indivíduos que tiveram que se reinventar para adequar-se ao novo ano, 50 pontos de conexão com redes exponenciais – vários inclusive conectando-se entre si -, 50 biografias que deram um salto no ano que está chegando ao fim.
Mais do que isso: 50 olhares dispostos a tirar o país do atraso conceitual que se encontra, 50 horizontes possíveis que creem em um Brasil que, mesmo na adversidade, só melhora.
Os 50:
- Ailton Krenak
- Alê Santos
- Alice Braga e Bianca Comparato
- Anselmo Ramos e Bruno Brux
- Andreza Delgado
- Bárbara Soalheiro
- Bielo
- Camilla de Lucas
- Catarina Lorenzo
- Deri Andrade
- Diane Lima
- Diego Machado
- Eco Moliterno
- Edu Lyra
- Emicida
- Fallen
- Faustin Rezende e Lola Porto
- Felipe Neto
- Felipe Simi
- Fernanda Belfort
- Gian Martinez
- Iana Chan
- Joice Berth
- Julia Duailibi
- Kaique Brito
- Lorrane
- Maitê Lourenço
- Marcelo Adnet
- Marcelo D2
- Marcelo D’Salete
- Maria Angela de Jesus
- Marina Amaral
- Maxwell Alexandre
- Miguel Nicolelis
- Monique Evelle
- Nath Finanças
- Nathaly Dias
- Nina da Hora
- Rafael Urenha
- Raull Santiago
- Roger Cipó
- Samantha Almeida
- Saquinho de Lixo
- Sidarta Ribeiro
- Silvio Almeida
- Tallis Gomes
- Teresa Cristina
- Yasmin Thayná
- Yuri Mussoly
Depois de ajudar Criolo a parir seu Nó na Oreia, dar um chão ao Metá Metá com seu baixo implacável e condensar seu lirismo em canções intimistas (em seu primeiro álbum solo Motor), Marcelo Cabral aproveitou a quarentena para enveredar pela música eletrônica. “Já faz um tempo que tenho usado o Protools como laboratório de ideias e me dei conta que estava sempre fuçando o sintetizador, sampleando e picotando tudo, mas sem fazer qualquer triagem disso, às vezes só pelo exercício de dichavar os tutorias ou só apertando e girando todos os botões possíveis pra ver onde iria dar, mas sem pensar exatamente num disco”, lembra. O canal para seu segundo disco, Naunyn, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (e que ele antecipa mostrando a faixa “Mariannen” em primeira mão para o Trabalho Sujo.
“O sintetizador te dá todas as ferramentas. Dependendo de como você mexe num timbre, uma nota pode virar uma caixa, um chimbal ou bumbo e etc, além do banco de timbres melódicos que já vem nele. Teve um momento que comecei a curtir muito não samplear nada e criar tudo só no synth e fiz algumas assim, que ainda estão na incubadora. A música eletrônica é uma música inventiva, uma linguagem, não é apenas a intenção de querer soar e imitar um instrumento, é um som novo, um novo instrumento e com isso te leva a outros lugares e possibilidades. Curto demais isso desde sempre, é um outro tipo de transe e profundidade que os sons sintéticos chegam, que sempre me pegou muito. Tava tudo guardado só esperando a hora e por qual canal sair”, pondera.
O ponto de partida foi um sintetizador específico, que Cabral relembra seus primeiros contatos. “Por algum motivo eu já estava fuçando o OP-1 pela internet a um tempo e quando gravei em 2019 no estúdio do Bruno Buarque e dei de cara com ele ao vivo. Ele me ofereceu para fazer um test drive caseiro por uns dias. Não peguei no dia, mas isso ficou coçando isso até o começo de 2020, quando enlouqueci completamente, igual criança com brinquedo novo. Não fiz mais nada durante dias e só expremendo ele de todos os lados e vendo tutorias no Youtube, e logo veio aquela voz ‘vai salvando que tem assunto ae’, e quando vi já tinha uns 4 ou 5 esqueletos que eu tava curtindo e fiquei alimentando cada um e notei que poderia sair um disco dali”, remonta o baixista.
O disco é influenciado diretamente pela estada do baixista em Berlim, na Alemanha, onde passou um ano e meio entre 2018 e 2019. “Primeiro teve a paixão pelos sons sintéticos que curto desde sempre, mesmo bem antes de pensar em ser músico, eles já estavam presentes em muita coisa que ouvia desde muleque”, conta. “Mas sem dúvida foi a experiência dos clubs e festivais de Berlim somado as pesquisas que fiquei fazendo por lá que bateu essa instiga mesmo. Quando caiu o OP-1 na mão, foi só deixar fluir tudo isso e arrematando os cantos.”
O nome do disco vem da rua em que morava com sua companheira, a designer Manuela Eichner, durante essa estada. “É uma rua de três quadras bem no meio de Kreuzberg, tipo paralela à Augusta deles, de maioria turca e bem tranquila em meio a dois rios, Landwehr Canal e Spree, e a uma quadra do Görlizter Park e com clubs de todos tamanhos e estilos pra todos os lados. Fui muito também na Hard Wax, que ficava a duas quadras do nosso apê pra pesquisar e ficar ouvindo e fazendo cara de que ia comprar e não comprava nada, só com o Shazam ligado e anotando os sons”, lembra, rindo.
Pergunto sobre o inevitável impacto da quarentena nesta produção e Cabral reflete: “Tem uma viagem diferente e profunda em fazer um disco absolutamente sozinho, sem nem perceber emendava a tarde com noite e a noite com a madrugada, só com o fone e totalmente imerso no som, sem ninguém pra conversar, no lockdown entre março e maio, ou dispersar.”
E quando comento sobre a sonoridade oitentista do disco, que traz elementos de pós-punk, new wave e hip hop daquele período, Cabral concorda. “Não é consciente no sentido de querer fazer pra que soe de tal forma ou pertença a algo, mas no sentido ter conhecimento e vivência nestes três estilos que você citou e mais alguns se somaram. São sons que eu trago naturalmente dentro de mim da minha infância e adolescência toda andando e competindo de skate. Era o boom do pós-punk e new wave e também o começo do rap, era só o que eu ouvia, junto com punk e o hardcore. Fiquei também ouvindo e conhecendo mais do mundo techno, tanto de Detroit como do resto do mundo, mas principalmente de Berlim, além do universo do Richie Hawtin e seus projetos – Plastikman e F.U.S.E. – que já é um cara que deu uma mexida em tudo isso.”
Cabral não pensa em fazer shows com esse trabalho e vê esse disco funcionando melhor na mão de DJs. “Talvez este isolamento me traga alguma idéia de como levá-lo para o palco”, cogita, “o Motor também teve isso, eu não me via fazendo um show e cantando e depois achei este caminho que estava adorando e que espero ansiosamente voltar, então todas as possibilidades estão em aberto.”
Taylor Swift mostra a força de seu Folklore, o disco mais vendido nos EUA este ano, ao emplacar seu próprio especial no Disney+, colocando-se ombro a ombro ao lado de Beyoncé, até então a única artista pop que havia sido lançado material exclusivo para o serviço de streaming do Mickey. Folklore: Sessões no Long Pond Studio é dirigido pela própria Taylor (bem como o Black is King é dirigido pela rainha Bey) e traz Taylor ao lado dos produtores Aaron Dessner e Jack Antonoff tocando as canções do ótimo disco que compuseram em estúdio no primeiro semestre. E ela escolheu o dueto que gravou com Bon Iver, “Exile”, como a música de apresentação do filme, que já está disponível no serviço.
Dependendo do seu ponto de vista, Gustavo Mini Bittencourt é um dos grandes nomes do rock independente brasileiro ou um dos grandes pensadores da cultura digital deste início de século (embora ainda não tenha lançado seu livro). Líder dos Walverdes, o publicitário gaúcho também contrasta diferentes contextos para fazer analogias e tentar entender a transformação comportamental que vem acontecendo com a mudança de século. Ele foi meu sócio no saudoso portal OEsquema e é velho compadre de outros carnavais, uma conversa que sempre me enriquece e que desta vez compartilho com vocês.
E pela primeira vez neste programa dedicado a falar sobre o jornalismo que cobre música, convido alguém que começou já na internet. Embora Gaía Passarelli tenha passagens pelo impresso e pela TV, foi na internet que ela começou e onde se estabeleceu. Primeiro com o primordial Rraurl, site referência na divulgação e cobertura do início da música eletrônica e sua cultura intensa no Brasil, para depois passar pela MTV, se aventurar pelo YouTube, lançar um livro sobre viajar sozinha – o que a fez refletir sobre o papel da mulher nesta cena jornalística – até chegar ao Buzzfeed Brasil, onde trabalha atualmente. Refaço esta trajetória com sua ajuda buscando também refletir sobre seu interesse por música, se tornar uma personalidade televisiva e entender o que estamos atravessamos durante esta quarentena.
E se Ayn Rand e Slavoj Žižek se juntassem para fazer um dueto. Dois extremos da filosofia política foram reunidos em dois duetos feitos por computador e dividem vocais em “I Got You Babe” da dupla Sonny & Cher e “Barbie Girl” do grupo Aqua.
A façanha é culpa do canal Vocal Synthesis, que coloca dispositivos de transcrição de texto para voz treinados a partir dos padrões de discursos de vários personagens históricos para colidir conceitos e criar paradoxos improváveis como esses. E o canal tem muito mais disso por lá…
Eu e Polly Sjobon nos perdemos nos desertos da alma desta figura enigmática, misteriosa e sedutora que é o grande poeta português Fernando Pessoa. Juntamos nossas experiências pessoais com a obra do gajo para nos aprofundar em seus heterônimos, suas incertezas e suas constatações – e aproveitando para falar sobre nossas conexões lusitanas e comentar sobre a disparidade entre estes dois países em mais uma edição do Polimatias.
Depois de lançar os dois primeiros volumes de suas Canções do Distanciamento Social nos dois primeiros meses da quarentena, o bardo indie paranaense Giancarlo Ruffato retoma sua produção depois de um semestre sem novidades – e inverte a proporção no novo capítulo: em vez de duas versões alheias e uma faixa própria, preferiu mostrar duas autorais – a desesperançosa “Vivendo dentro dos seus próprios sapatos” e a irônica “Pense Positivo” – e regravar uma canção alheia, o hino caipira “Chico Mineiro” que, como explica no texto de apresentação do novo disco, foi a primeira música que aprendeu a tocar no violão e que “era a música que meu avô pedia pra que eu tocasse quando era adolescente”. O novo volume também é o fim de uma trilogia que Giancarlo só percebeu depois de finalizar o novo disco.









