Johnny Nash, que morreu nesta terça-feira, viu o reggae nascer quando se mudou dos Estados Unidos para a Jamaica em 1965 e descobriu uma banda local promissora chamada The Wailers liderada por um cantor e compositor carismático chamado Bob Marley. Tentou fazer sucesso como um intérprete de rocksteady local, mas logo estava incorporando a nova sonoridade que surgia na ilha caribenha à medida que Marley misturava o mento e o ska locais com a soul music que chegava pelas ondas do rádio dos Estados Unidos. Nash logo começou a compor suas canções, tornou-se o primeiro não-jamaicano a gravar reggae em Kingston e, após uns pequenos hits na Inglaterra, ganhou o planeta com o hit avassalador “I Can See Clearly Now”, um dos grandes hinos fundadores do gênero e o primeiro single de reggae a vender mais de um milhão de discos, lançado no mesmo 1972 que Bob Marley derrubava tudo com seu álbum Catch a Fire.
De timbre doce e sinuoso, ele foi um nobre coadjuvante no início da história do gênero e um dos responsáveis por tornar Bob Marley mais conhecido – e a ter seu primeiro contato assinado com uma gravadora. Nash chegou a emplacar mais hits através dos anos 70, entre eles versões reggae para canções de Sam Cooke. Mas desde os anos 80 não conseguiu levar sua carreira adiante, embora seu papel histórico seja claro como a forma que ele conseguia ver em seu grande hit.
Mais uma perda triste deste ano funesto: agora foi a vez do guitarrista Eddie Van Halen, que vinha lutando contra um câncer na garganta há pelo menos cinco anos. O virtuose holandês, que fundou o principal grupo de hard rock dos anos 80 ao lado do seu irmão, o baterista Alex, também reinventou o conceito de guitar hero transformando a técnica em uma espécie de superpoder, desprendendo a guitarra do blues e jogando para um território sônico completamente novo, hiperbólico e lúdico ao mesmo tempo em que preciso e detalhista, influenciando praticamente todos os guitarristas de hard rock e heavy metal que começaram depois dele. Um gênio do pop, também sabia equilibrar a seriedade de sua técnica com o escracho de sua presença de palco, transformando-se numa figura onipresente na década em que dominaram o planeta, nos anos 80, e mudando os rumos do showbusiness. Não é pouca coisa…
E o viral do ano começou a ganhar outras versões, incluindo do próprio autor da música que o inspirou, Mick Fleetwood…
E ele está longe de ser o único…
Make Democracy Fun Again. #FleetwoodMac#VOTE #Iowa pic.twitter.com/HKkP4R8DJc
— Rob Sand (@RobSandIA) October 5, 2020
PROTECT YOUR HEAD! So theres a whole challenge going on with the viral #FleetwoodMac skateboarding video, but in each of them we keep seeing that theyre missing the most important safety item…#Dogfacechallenge #Dreams #bikesafety @fleetwoodmac @StevieNicks @MickFleetwood pic.twitter.com/Fy9jhi03WC
— Southlake DPS (@SouthlakeDPS) October 5, 2020
Porter is out chasing his #dreams today. #FleetwoodMac pic.twitter.com/gzZSyIyx7G
— Kalamazoo Growlers (@KzooGrowlers) October 5, 2020
Fall vibe 🎃🍁🍂 #420doggface208 #FleetwoodMac pic.twitter.com/KnhG1fAiYb
— ▼ Kiel James Patrick (@KJP) October 3, 2020
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Outros tantos virão… Duvida? Agora que apareceu o primeiro famoso…
O fundador do Velvet Underground, John Cale, começou o ano preparando-se para lançar seu primeiro disco desde 2016 – até conversamos sobre isso quando ele passou pelo Brasil em março -, mas a pandemia teve de fazê-lo adiar o disco que indefinidamente. Mas isso não o estagnou e ele preparou algo específico para esse período de quarentena: ” então me ocorreu que eu tenho algo para o momento, uma música que eu terminei recentemente…”, explicou em um comunicado. “Com o mundo saindo de sua órbita, eu queria parar a guinada e desfrutar de um período em que podemos tomar nosso tempo e respirar nosso caminho de volta para um mundo mais calmo”, encerra, apresentando seu novo single, “Lazy Day”.
Lembro a primeira vez que entrevistei um artista através de assessoria de imprensa quando Arnaldo Antunes iria lançar seu segundo disco solo, Ninguém. Havia acabado de começar a carreira entrevistando artistas depois de shows, lidando com produtores e empresários sem saber qual era a diferença entre estes diferentes cargos. Quem me explicou que eu poderia não apenas ouvir um disco antes de ele ser lançado como entrevistar o artista antes desse disco sair foi Mirian Martinez, que nos deixou nesta segunda. Ela viu meu nome assinando matérias sobre música num jornal no interior de São Paulo e resolveu entrar em contato para saber se eu não queria entrevistar o ex-titã. Quando ela entendeu que eu não conhecia nada deste circuito, me explicou como funcionava e pediu para que eu me apresentasse pra ela ao final da entrevista, que aconteceu ao vivo, no prédio da antiga gravadora BMG. Ao final da coletiva, apresentei-me e ela me explicou pacientemente como era o processo de agendar entrevistas, para que servia o assessor de imprensa, o produtor e o empresário do artista. Uma pequena aula, de graça. No final ainda puxou uma sacola cheia de CDs: “Não esquece que toda semana a gente te manda o suplemento!”
Se fosse só por esse primeiro contato, Miriam já teria minha gratidão eterna por ter explicado algo que a maioria dos profissionais aprende na marra. Mas sempre que a via era uma festa, com seu jeito expansivo e sua longa gargalhada, dominava qualquer ambiente e contagiava a todos com seu astral. Muita gente a conheceu ali na entrada lateral da Via Funchal, certamente as últimas vezes que a vi, recebendo imprensa e convidados daquela que era a melhor casa de shows que São Paulo já viu. Perdi o contato mas sabia que ela ainda estava por aí, ajudando a espalhar a boa música e contagiando novos e velhos amigos com sua simpatia imensa. Saudades, Miriam, fica bem.
Dois dos filmes mais bem-sucedidos do ano passado – Bacurau e Parasita – reforçaram uma tendência cinematográfica recente de questionar o sistema a partir da realização que ele é composto por pessoas. São filmes como Nós, Sobre Facas e Segredos, Coringa, entre vários outros, que parecem despertar uma consciência das classes oprimidas ao mesmo tempo em que revêem o papel dos ricos nessa história. No Cine Ensaio desta semana, eu e André Graciotti nos aprofundamos nessa tendência recente para também lembrar a forma dúbia que milionários foram retratados na história do cinema.
Nossa musa regrava o standard “I’ll Be Seeing You”, composto por Sammy Fain com letras de Irving Kahal em 1938, que foi mais tarde imortalizado por Frank Sinatra e Billie Holiday. São poucos segundos dessa voz celestial acompanhada apenas do piano, mas é o suficiente para aquecer os corações:
E ela diz que está “trabalhando em alguns covers” – o que será que ela está aprontando?
O Gorillaz está prestes a lançar seu próximo álbum, Song Machine: Season 1 — Strange Timez, e entre as várias participações que já apresentaram para o disco, agora mostram esta e contam com a nobre presença de Sir Elton John em seu novo single, a balada “The Pink Phantom”, que ainda conta com a participação do rapper inglês 6lack.
Dona de um dos melhores discos do ano, a popstar inglesa Dua Lipa convida o rapper norte-americano Dababy para calibrar ainda mais sua ótima “Levitate” – e, na boa, ficou melhor que a versão que ela fez com a Madonna e a Missy Elliot…
Ah que saudade de uma pista de dança…
Participo neste domingo de uma mesa sobre música e comunicação dentro da programação do festival online MIA 2020, que vem acontecendo desde a semana passada. O papo será mediado por Pedro Antunes e terá também as participações da Katia Abreu e da Nerie Bento, a partir das 19h45. A transmissão acontece pelos canais do MIA tanto no YouTube quanto no Facebook. Confira o resto da programação do festival aqui. Dá pra assistir à mesa online no vídeo abaixo (que tem a íntegra do festival online), a partir das quatro horas.









