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Jornalismo

Ótima sexta

Sexta-feira surpreendente na Porta Maldita, quando tivemos três estreias na edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo. A noite começou doce e delicada com o folk da dupla Nalu & Annina, grata surpresa acústica e com sensibilidade musical para unir universos musicais distintos como Adrianne Lenker (“Not a Lot, Just Forever”), Simon & Garfunkel (“Kathy’s Song”), Beto Guedes (“Amor de Índio”), Neil Young (“Harvest Moon”), Lô Borges (“Como o Machado”) e Milton Nascimento (“Mistérios”) que soavam gêmeos a partir de sua conjunção vocal e leveza de vozes. Acompanhadas pela quieta e habilidosa Lorena Braco ao violão, as duas ainda mostraram músicas próprias que, apesar de pertencer ao universo que descortinaram com as canções alheias, têm personalidade distinta o suficiente para referendar um trabalho autoral em construção. No final do show ainda convidaram a amiga Lígia de Castro e o duo vocal virou trio para uma versão maravilhosa para “These Days” que Jackson Browne compôs com 16 anos e que ficou eternizada pela Nico, além de um bis em cima de outra joia, “Desenredo”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Fizeram bonito e estão prontas.

Depois de Nalu & Annina a festa seguiu com um dos pés em Minas Gerais, mas sai a delicadeza folk para entrar o peso jazz rock da banda Caruma, liderada pelos compositores Tom dos Reis (vocais e baixo) e Pedro Caldeira (vocais e guitarra), que já começou o show, ainda que na brincadeira, usando “Don’t Let Me Down” pra mostrar a dupla formada à frente do grupo, que ainda conta com sopros de Ma Vettore (flauta), Vinícius França (sax) e Daniel Gerecht (sax e flauta) e a bateria absurda de Tommy Coelho. Mas a canção dos Beatles acidental foi só pra esquentar os instrumentos e começar a tocar sério. E põe seriedade nisso porque quando entram no território que estão mapeando como seu (e só tocaram músicas autorais), criam um universo sonoro particular a ponto de incluir todo o jazz mineiro descendente do Clube da Esquina (dá pra ouvir de Toninho Horta a Novelli, passando por Beto Guedes, Tavito e Flávio Venturini) mas misturando com linhagens de rock progressivo que passam pelas vertentes brasileiras (Mutantes fase Sérgio, Som Imaginário, Moto Perpétuo e Terreno Baldio) e estrangeiras (e de todo tipo, indo de Rush a King Crimson, passando por Geneis e Yes). E além da verve instrumental de todos os integrantes, destaca-se o entrosamento dos dois compositores, tanto em termos vocais quanto instrumental, e o baixo inacreditável de Tom, que é puro carisma tanto quanto canta quanto quando toca. A banda tá prontinha, só decolar!

E a noite de sexta fechou com Pra Sempre Pepito, projeto autoral do guitarrista Pedro Amaro, o próprio Pepito, que também é baterista da banda Florextra (que inclusive já tocou no Inferninho). Lançando seu EP A Vida é Muito Vibes, ele equilibra-se entre a seriedade e a ironia com o mesmo senso lúdico e bem humorado que desafia um meio-termo entre o indie rock e o jazz pop, com o auxílio luxuoso de uma banda formada por Pedro Abujamra (teclados), Toti Villares (sax), Ma Vettore (que estava tocando flauta no Caruma e agora assumiu o baixo) e Luigi Delphino (bateria). Tocando inéditas e uma (ótima) música instrumental, encerrou a noite colocando o astral lá em cima, numa sexta-feira muito, como ele mesmo diz, ~ vibes ~.

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A próxima edição do Inferninho Trabalho Sujo acontece nesta sexta-feira, dia 15, quando reunimos na Porta Maldita as bandas Caruma, Pra Sempre Pepito e a dupla Nalu & Annina, todos fazendo suas primeiras apresentações na festa. A Porta Maldita fica no número 400 da rua Luiz Murat, em frente ao cemitério de Pinheiros, abre a partir das 20h e os ingressos já estão à venda. Vamos?

Defalla cometh!

O Defalla vem aí de novo – e dessa vez são eles mesmos, não são clones! É o que me explica Edu K sobre as 10 noites de Kaos que o grupo gaúcho fará no mês de agosto, em entrevista que fiz pra ele em mais uma colaboração com o Toca UOL.

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A revista Variety confirmou que a atriz norueguesa Inga Ibsdotter Lilleaas, que acaba de estrelar o festejado Valor Sentimental, viverá a fotógrafa suíça Claudia Andujar, que após perder os pais na Segunda Guerra Mundial, veio viver no Brasil e mais especificamente na Amazônia, onde tornou–se defensora ferrenha da tribo dos yanomami, inclusive durante nossa ditadura militar. O filme será dirigido por Sandra Delgado, cineasta e fotógrafa esposa de Wagner Moura, que também estará no elenco de A Estrangeira (The Outsider), que ainda não tem previsão de lançamento. Não custa lembrar que Inga morou no Brasil aos 17 anos, quando fez intercâmbio na cidade goiana de Rio Verde e aprendeu a falar português assistindo a novelas brasileiras.

Eis os Beatles – ou melhor dizendo, a gangue dos Beatles à época em que o grupo inglês era apenas uma banda estrangeira tocando na zona de uma cidade alemã, numa versão televisiva daquele período que já começou a ser produzida. Essa é a primeira foto oficial de Hamburg Days, seriado que está sendo produzido pela BBC para contar a pré-história do grupo de Liverpool, quando eles eram um quinteto e começaram a se envolver com alguns jovens artistas locais que ajudariam a mudar o destino do grupo. Essa turma está retratada na foto principal, que traz os atores Ellis Murphy (Paul McCartney), Paddy Gilmore (Pete Best), Harvey Brett (George Harrison), Rhys Mannion (John Lennon), Louis Landau (Stuart Sutcliffe), Luna Jordan (Astrid Kirchherr), Casper V Bülow (Klaus Voormann) e Lasse Klene (Jürgen Vollmer). Enquanto Best foi baterista do grupo até eles começarem a gravar discos (quando Ringo Starr assume as baquetas, em 1962), o baixista Stuart deixou o grupo após a temporada alemã para estudar arte e ficar com Astrid, que além de artista também inventou o corte de cabelos que viraria futura marca registrada da banda e compunha, com Voormann e Vollmer, jovens fotógrafos amadores que fazia parte do time de artistas que se chamava de “exis”, em referência aos existencialistas franceses. Klaus, que anos mais tarde faria a capa do disco Revolver (além de tocar em discos solo de John e George), é o ponto de partida da série, que é inspirada em sua autobiografia. Dividida em seis partes, a série será escrita por um ex-roteirista de Succession (Jamie Carragher) e deve estrear ainda este ano, esquentando a expectativa para a chegada dos quatro filmes que Sam Mendes está fazendo sobre o grupo, que devem estrear no ano que vem.

Lá vem a Dua Lipa de novo! Nossa musa transformou a enorme turnê de 92 datas que realizou desde 2024 em filme ao reunir filmagens feitas nas três apresentações que fez na Cidade no México em dezembro do ano passado transformando-as no ao vivo Dua Lipa (Live From Mexico), que estreará no YouTube no dia 21 de maio às duas da tarde (horário de Brasília) e, no dia seguinte, chega às plataformas de áudio. No trailer do disco ao vivo ela diz que “essa turnê foi a experiência mais bonita e satisfatória da minha carreira até agora”. O registro ao vivo trará o dueto que fez com Fher Olvera, da banda mexicana Maná, quando cantaram “Oye Mi Amor”.

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Vem Avalanches!

Começou! A dupla australiana Avalanches acaba de lançar o single “Together”, com as participações dos norte-americanos Nikki Nair, Prentiss e Jessy Lanza (os dois primeiros estadunidenses, a última canadense), e com isso inicia os trabalhos de seu quarto álbum, mas sem contar muito além disso. A não ser ao lançar um clipe com disquetes, celulares pré-smartfones e iPods e lançar um site chamado Takumi Digital Archives, que anuncia: “Na Takumi, entendemos que arquivos digitais são mais do que repositórios de dados – eles são uma memória institucional, propriedade intelectual e legado cultural”. E continuam “Nossa plataforma combina segurança de alto nível, infraestrutura escalonável e indexação inteligente para entregar uma fundação segura e pronta para o futuro da preservação digital”. Será que esse é o tema do disco?

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Você aí se culpando com síndrome de impostor(a) e a Rosalía aprendeu, no meio do show que ela fez na semana passada em Londres, o que significava “coming out” em inglês – que quer dizer, literalmente, “sair”, mas figurativamente “sair do armário”. Todo dia um aprendizado ou, como ela mesma disse, “todo show é uma aula de inglês pra mim”.

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É muito bom ver um monstro sagrado da música brasileira ser reconhecido em vida. O percussionista Paulinho da Costa – que já tocou com TODO mundo (de Stevie Wonder a Michael Jackson, de Madonna aos Stones) – é um dos maiores de todos os tempos e está vivendo um 2026 de ouro! E depois do sucesso do documentário que a Neflix fez sobre ele (The Groove Under The Groove: Os Sons de Paulinho da Costa, que estreou em março passado), ele acaba de se tornar o primeiro brasileiro nativo a ganhar uma estrela na famigerada calçada da fama em Hollywood. Antes dele, apenas Carmen Miranda (que apesar do coração brasileiro nasceu em Portugal) foi nossa única conterrânea a brilhar na passarela da fama. Ave Paulinho!

Agora vai! Eis o clipe de “Olho”, primeiro single de Paralich, próximo disco do Orange Disaster que finalmente sai depois de anos, que a banda liberou em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Começamos a produzir esse disco ali pelo final de março de 2020, quando a gente ainda achava que a quarentena duraria umas poucas semanas”, explica Carlos Freitas, guitarrista do grupo e produtor musical que acaba de fechar as portas do seu heróico estúdio Aurora. “Nessa época, o Davi, nosso baterista, morava na Alemanha e o Theo, então um dos nossos guitarristas, morava no Uruguai, por isso fazer o disco acontecer não foi uma tarefa fácil com cinco pessoas morando em três países e quatro cidades diferentes”, que Carlão ainda soma tragédias pessoais vividas por cada um dos integrantes como motivo para lançar o disco quando finalmente tivessem condições de tocá-lo ao vivo sem substitutos para o lançamento, a volta de Davi Rodriguez Lima no começo do ano fez com que eles finalmente pudessem soltar o que se referiam como seu próprio “China in Box Democracy”, em referência ao infame disco do Guns N Roses que nunca saía. O título em russo, que quer dizer “Paralisia”, em referência aos anos que se passaram. “Eu estava com impressão de que a Europa era um mundo meio paralelo que tava começando novamente ter um impacto mundial mais amplo e comecei a ler muita coisa sobre política europeia, ficando com a impressão de que a Rússia era num lugar que estavam prestando pouca atenção”, explica o vocalista J.C. Magalhães. “É um lugar que era muito sintomático do mundo atual, por isso achei que era um jeito de mostrar que eles são importantes e que a gente vai ter que conviver muito com as maluquices de lá. E que se ia acontecer alguma insanidade, provavelmente viria de lá, como aconteceu… Foi um chute que eu dei que acabei acertando…”, diz em referência à questão do país com a Ucrânia. Paralich sai na próxima sexta, dia 22, quando fazem um show dividindo a noite com o Tutu Naná, no Fffront.

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