Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

Um dos grandes momentos da volta do Rush no início deste mês foi a participação surpresa da cantora Aimee Mann na versão ao vivo que fizeram para “Time Stand Still”, hit da banda nos anos 80 que nunca havia sido tocado no palco com a presença de sua cantora convidada. Mas para ela não foi fácil, como ela conta em um quadrinho (feito por ela mesma) que acaba de publicar em sua conta no Instagram, quando revela a indecisão em aceitar o convite (por pura insegurança), como ficou mal por deixar a banda à espera e como foi bem aceita por Geddy Lee e Alex Lifeson e pelos próprios fãs da banda. É isso aí: até a Aimee Mann pode ter síndrome de impostora – mas o principal dessa história é que ela a superou e foi lá mostrar seu brilho como todos esperavam. Que maravilha.

Veja abaixo: Continue

Lançado esta semana nos EUA, o calhamaço Do What You Fear The Most de Richie Unterberger promete ser o livro definitivo sobre o Velvet Underground. Com mais de 800 páginas e reunindo mais de 100 entrevistas sobre a seminal banda que inventou a vanguarda pop como a conhecemos hoje, o livro ainda pode ser responsável por desenterrar não apenas a gravação de um show que muitos nunca tinham ouvido falar mas uma música do grupo que nunca foi ouvida para além desse show. Uma das fontes do livro, o músico e escritor Ryan H. Walsh (autor do livro Astral Weeks: A Secret History Of 1968, sobre o disco clássico de Van Morrison), revela em sua conta no Tumblr que, ao ser procurado por Unterberger para falar sobre a banda, revelou um segredo que havia descoberto há pouco tempo. Ele mesmo narra:

“E se eu te dissesse que, durante a pandemia, Phil Milstein, fundador da Velvet Underground Appreciation Society, me procurou pra ver se eu queria trabalhar com ele num mistério sobre o Velvet que ele havia descoberto e, mais impressionante que tudo, uma ‘nova’ canção do Velvet que ninguém nunca ouviu antes e que é fantástica? Phil e eu a chamamos de ‘I Don’t Really Care About You’, enquanto Richie a chama de ‘I Don’t Much Care for the Things That You Do’.”

“Phil e eu passamos a gravação para alguém que está querendo lançá-la oficialmente. Eu tenho grandes expectativas que acontecerá mais rápido do que a gente pensa. Mas é tudo que posso dizer por enquanto.”

“Eu não posso esperar a hora das pessoas ouvirem essa fita para contar nossa pequena aventura para ouvi-la, catalogá-la e buscar os detalhes adicionais sobre quando e como isso aconteceu. Fiquem ligados.”

Segundo o livro, a música foi tocada em agosto de 1967, em Boston, no que parece ser uma gravação em estúdio ou sala de ensaio, mas que pode ter sido um show com uma pequena plateia. Que boa notícia!

Não é só Olivia Rodrigo com seus fones de ouvido com fio e laptops que está puxando uma tendência vintage retrô com aparelhos do início do século (na verdade, é bem mais profundo que isso, se você procurar por cyberdecks vai descobrir uma subcultura tecnofeminina gigantesca). E reforçando essa tendência na superfície do mainstream, quem se junta a esse time é a anglofilipina Beabadoobee, que mandou para alguns fãs unidades do velho iPod Shuffle com sua nova música, “The Sun Has Set”, que anuncia a chegada de seu quarto álbum, que ainda não tem título nem data de lançamento. O single, ao que tudo indica, sai nessa sexta-feira e já pode ser ouvido no próprio site (outra tendência digital vintage) da cantora.

Ouça abaixo: Continue

O que faz dos Beatles a maior banda de todos os tempos? Além de ter capturado o espírito de sua época em larga escala como pouquíssimos artistas no século passado, o grupo sempre fez questão de manter-se vivo para seu público, Mesmo logo após seu turbulento término – entre brigas, indiretas em canções e brigas na justiça -, John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr nunca deixaram seu legado morrer, primeiro lançando coletâneas nos anos 70, depois formalizando a versão britânica de sua discografia na década seguinte e depois mergulhando em seu próprio acervo de inéditas (primeiro nos dois duplos Live at the BBC e depois com o projeto Anthology) e lançando até músicas póstumas. O século 21 viu essa pesquisa aumentar exponencialmente, com o relançamento de filmes, a série dirigida por Peter Jackson e uma nova versão do mesmo Anthology, entre inúmeros outros projetos, lançados quase anualmente. Então não é de se estranhar que, às vésperas de quatro cinebiografias oficiais sobre o grupo (cada filme do ponto de vista de um de seus integrantes) e de uma série sobre seus dias antes da fama em Hamburgo, na Alemanha, o grupo lance seu próprio Dia Global dos Beatles, transformando uma data em seu próprio feriado mundial. Mas a ideia não veio da banda e sim de uma fã norte-americana, Faith Cohen, que desde 2009 comemora o dia 25 de junho como o dia global dos Beatles, data criada após ela ter visto modismos menores (como o “dia de falar como um pirata”) ganhar tração graças à internet. Ela escolheu esta data pois foi neste dia, em 1967, que os Beatles apresentaram a canção “All You Need is Love” (que resume a essência das mensagens da banda) em uma inédita apresentação via satélite, que atingiu quase 400 milhões de telespectadores à época. A data foi ganhando fama com o passar dos anos e neste ano Faith recebeu uma carta assinada por Tom Greene, diretor-executivo da gravadora do grupo, a Apple, reconhecendo a importância de sua dedicação à memória do grupo e dizendo que a partir de 2026 a data passa a ser comemorada oficialmente pela banda. E para celebrar este primeiro dia festivo, o grupo lançará as imagens da citada transmissão pela primeira vez em cores, gratuitamente, pelo YouTube. Então se você acha que tem muito Beatles no noticiário atualmente, se prepara que a brincadeira nem começou direito…

Veja abaixo a carta de Tom Greene: Continue

Esse mashup fodão de Frank Ocean com Underworld não veio do nada e foi apresentado ao público num set sensacional de CINCO HORAS que o senhor Daphni deu no Corsica Studios londrino no começo do ano, misturando várias faixas próprias com hits de Rosalía, PinkPantheress e Four Tet com remixes e versões de artistas que você conhece (como Q-Tip, Suzanne Vega, J Dilla, Plastikman, Ricardo Villalobos, Fred Again e até os nossos Barbatuques) provavelmente nunca ouviu falar. Aperte o play e deixe-o levar para horizontes musicais que você nem sequer imagina… E aí quando chegamos ao instante em que “Lost” se mistura com “Born Slippy” (que acontece em dois momentos) e tudo parece fazer ainda mais sentido. Se liga…

Ouça abaixo: Continue

Como juntar um hit de um dos papas da música de rua dos EUA deste século com um épico raver inglês do final do século passado? Deixa isso com o Daphni – a alcunha mais dance do produtor canadense Caribou – que sintoniza “Lost” do Frank Ocean com “Born Slippy” do Underworld neste senhor mashup…

Ouça abaixo: Continue

Triste e certo

Bem bonita a primeira apresentação do duo Triste, criado pelo casal Rafael Brasil e Brenda Mayer como um passatempo caseiro mas que aos poucos ganhou forma e força, começando por singles lançados esporadicamente nas redes e tornando-se um projeto musical com formação de banda, convidados especiais e um forte espetáculo ao vivo. O som intimista e delicado do casal ganha corpo e presença com os graves eletrônicos disparados pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além do belíssimo vocal de Brenda ganhar uma camada de profundidade com os vocais de apoio da baixista Luísa Phoenix, discreta e precisa. A guitarra de Raffa ganha texturas detalhistas mais palpáveis ao vivo do que em disco e tanto as versões de autores alheios escolhidas para a noite (“Ceilings” de Lizzy McAlpine e a minha favorita das Spice Girls, “2 Becomes 1”) e as participações especiais abriram ainda mais os horizontes do grupo, que escolheu o título De Perto para a apresentação como se quisesse mostrar o quão amplo eles podem ser sonoramente, mesmo soando frágeis e melancólicos: primeiro veio o multiinstrumentista Tereu tocar uma música novíssima com eles ao piano e depois o vocalista dos Menores Atos, Cyro Sampaio, dividiu sua canção solo “Viu?” com o grupo, antes de cantar “Secret Intentions”, uma das primeiras faixas da dupla, lançada ainda quando se chamavam Tigres Tristes (e o travalíngua os obrigou a reduzir o nome da banda). Ameaçando o lançamento iminente tanto de um clipe quanto do primeiro álbum (mas sem confirmar datas), eles encerraram a apresentação com a música que consideram seu principal trunfo, “Falta”, que Brenda não teve modéstia (e precisa?) para reconhecer que “no meu universo, essa música é um hit pra todo o sempre”, antes de resumirem a própria sonoridade com guitarras pós-punk, groove eletrônico, alma de trip hop e vocais pop. Começaram – e terminaram – bem.

#tristenocentrodaterra #triste #centrodaterra ‘#centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 144

Triste: De Perto

É um prazer receber no Centro da Terra e estreia da dupla Triste, que, depois de lançar uns singles online, prepara-se para o lançamento de seu primeiro álbum. Mas sem grandiloquência, afinal a sonoridade do casal formado por Rafael Brasil (da banda Far From Alaska) e Brenda Mayer (da banda Call Me Lolla) busca intimismo e delicadeza como se os dois convidassem o público para ouvir músicas na sala de estar de sua casa. Em canções indie pop adocicadas e delicadas misturando letras em inglês e português, a dupla vem para o teatro como a apresentação batizada de De Perto, quando pretendem desacelerar o tempo com suas composições, subindo ao palco acompanhados pela baixista Luísa Phoenix e pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além de terem participações do músico Tereu e do guitarrista Cyro Sampaio, do grupo Menores Atos. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra.

#tristenocentrodaterra #triste #centrodaterra ‘#centrodaterra2026

“Inacreditável: o Tim Maia cantando na sala da sua casa”, lembra extasiado Moreno Veloso em uma cena inédita do filme Nem Tudo é Paz e Amor antecipada em primeira mão para o Trabalho Sujo. Dirigido pelo músico Betão Aguiar, o filme estreia no tradicional festival de documentários sobre música In Edit, que começa nesta semana em São Paulo, e será exibido em três sessões: sábado às 20h30 no CineSesc, quinta (dia 25) às 20h na Cinemateca Brasileira e domingo (dia 28) às 14h na Galeria Olido. Ele mesmo filho do novo baiano Paulinho Boca de Cantor, Betão entrou na obra como entrevistado, mas com a morte da amiga de adolescência Jasmin Pinho, diretora e idealizadora do projeto em 2020, resolveu assumir a produção e esteve durante as entrevistas com outros filhos de famosos como Nara Gil, Ciça Moraes, Sarah Sheeva, Beto Lee e Anelis Assumpção, entre outros, focando nos filhos da geração que fundou as bases do que conhecemos por MPB. “Escolhi essas pessoas não apenas pelas relações pessoais que mantemos, mas também pela relevância das obras de seus pais, pelas conexões com a minha família e com a produção artística do contexto em que nasci e fui criado”, explica Betão, que também é produtor do filme. “Queria ouvi-los sobre como tudo isso ecoa em suas próprias vidas e acreditei que uma conversa aberta poderia me ajudar não só a contar uma história que é nossa — e de muitas pessoas nascidas e criadas nesse período e sob essas condições — mas também a compreender com mais clareza a pessoa que me tornei. Esse processo revelou-se um trabalho profundamente terapêutico, para além do filme em si, algo que só compreendi plenamente após o início das filmagens e que sigo assimilando até o momento em que escrevo este texto.” Ele fala de pontos em comum com os entrevistados e lembranças parecidas, fazendo-o pensar nas dificuldades que normalmente não ligam à vida destes artistas, normalmente rotulados como “bem nascidos” ou mais recentemente pelo péssimo neologismo “nepobaby”.

Assista abaixo: Continue

Adiando uma possível volta desde 2020, o Faith No More parecia não ter futuro de volta aos palcos até que, na tarde desta terça, publicou seu logotipo em sua conta no Instagram sobre uma foto de uma multidão e o número 2027. E o feito é da produtora brasileira 30e, que fechou um acordo com o grupo liderado por Mike Patton semelhante ao que fez com o System of a Down no ano passado. Ou seja: a culpa da turnê de volta do FNM em 2027 é do Brasil!