
Sobrenatural a apresentação que Tiganá Santana fez de Milagre dos Peixes neste domingo no Sesc Pinheiros. O cantor baiano releu o disco cinquentenário de Milton Nascimento há três anos, quando o registrou ao lado dos comparsas Sebastian Notini (percussão e sax) e Ldson Galter (contrabaixo), e nunca havia tocado o disco ao vivo no Brasil. Esta primeira apresentação contou com os músicos Cauê Silva (percussão), Marcelo Galter (pianista irmão do baixista) e Juninho Costa (o Junix, guitarrista do BaianaSystem) e com a presença intensa de Conceição Evaristo, que pontuou a apresentação com comentários sobre música. Tiganá também aproveitou o momento para celebrar dois outros clássicos que também completam 50 anos em 2023 quando resgatou a eterna “Na Linha do Mar” do mágico Marinheiro Só de Clementina de Jesus e “Estácio Holy Estácio” do disco de estreia do nobre Luiz Melodia. “Viva a arte preta do Brasil!”, saudou antes de encerrar a apresentação com a arrebatadora “Cais”. Viva!
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Fecho o fim de semana discotecando no Bar Alto, em mais uma festa Antes da Meia-Noite, em que toco com na sequência da Dina Mesmo e da Roberta Buongermino. No som, você já sabe: músicas boas pra dançar que você provavelmente vai cantar junto – não importa se é dance music, indie rock, música brasileira, soul music ou rock clássico. O Bar Alto fica ali na Vila Madalena (no número 194 da rua Aspicuelta) e eu começo a tocar a partir das 20h. Chega mais!

Enquanto a chuva desabava sobre São Paulo neste sábado, Arrigo Barnabé reuniu-se mais uma vez com seu Trisca – o trio formado por três ex-integrantes do grupo Isca de Polícia, o guitarrista Jean Trad, o baixista Paulo Lepetit e o baterista Marco da Costa – para celebrar seu saudoso compadre Itamar Assumpção no Sesc Consolação. O show Tristes Trópicos costura clássicos do velho Ita com outros de outros sambistas dantanho, como Nelson Cavaquinho (cuja eterna “Quando Eu Me Chamar Saudade” abriu a noite) e Ataulfo Alves (presente em “Errei… Erramos” e “Na Cadência do Samba”) e convulsão entre funk, blues e samba que pairava sobre a obra de Assumpção dava o tom da apresentação, que começou com Arrigo em máquina de escrever, conversando com Itamar ao mesmo tempo em que sua voz regravada repetia-se no palco (em uma possível referência a Walter Franco). E entre hinos como “Fico Louco”, “Noite Torta”, “Oh! Maldição”, “Mal menor” e “Já Deu pra Sentir”, Arrigo ainda embrenhou duas canções próprias que conversam com a obra – e a vida – de Itamar: “Cidade Oculta” e “Clara Crocodilo”, que misturou com “Nego Dito”. Mas um dos grandes momentos da apresentação foi quando contrabandeou o “Relógio do Rosário” de Carlos Drummond de Andrade no meio da clássica “Dor Elegante”: “O amor não nos explica. E nada basta, nada é de natureza assim tão casta que não macule ou perca sua essênci ao contato furioso da existência”, puxou Arrigo de improviso, “Nem existir é mais que um exercício de pesquisar de vida um vago indício, a provar a nós mesmos que, vivendo, estamos para doer, estamos doendo.”
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Em mais uma reunião de cúpula do Aparelho, em contraponto – ou contraponta? – ao evento ConCon que infelizmente deve pintar num horizonte próximo de você futuramente, eu, Tomate e Vlad puxamos mais uma edição do Aparelho Jornalismo Fumaça, desta vez desvendando a criação de um ícone surgido no período de transição entre a ditadura militar dos anos 60 e a redemocratização pré-constituinte dos anos 80: o jovem brasileiro. Entre transas e caretas, armações ilimitadas, roques estrelas, TVs piratas, areias escaldantes, cidades ocultas e meninos do Rio, passeamos por essa fauna que tomou conta do imaginário brasileiro naquele período a ponto de entrar em nosso inconsciente coletivo e continuar aí até hoje, entre velhos jovens que reclamam como era melhor naquele tempo.
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Morreu nesta sexta-feira um dos trovadores pop mais conhecidos dos EUA, um nome que se estabeleceu graças a seus shows desde os anos 70 mais do que seus discos.

A Trupe Chá de Boldo está em ponto de bala! Depois do recolhimento do período pandêmico, o grupo paulistano voltou aos palcos em 2023 para lançar o resultado deste tempo fora de cena, o ótimo Rua Ria, que pode lançar no Sesc Pinheiros nesta sexta-feira. E é tão bom ver quando uma banda tão numerosa – são doze integrantes! – funciona de forma tão orgânica e sincronizada, incluindo as trocas de funções durante o show: o vocalista Gustavo Galo vai para a guitarra em alguns momentos, enquanto Tomás Bastos e Gustavo Cabelo revezam-se entre o baixo e a guitarra e o percussionista Rafael Werblowsky troca de lugar com o baterista Pedro Gongom e o outro percussionista Guto Nogueira vai para a frente assumir os vocais. As três vocalistas – Ciça Góes, Julia Valiengo e Leila Pereira – são a alma da banda, entrelaçando seus vocais com os de Galo e Guto e com direito a momentos solo deslumbrantes, enquanto o trio de saxes Marcos Grinspum Ferraz, Remi Chatain e Juliene Bellingeri (esta última gravidaça!) dá o molho que engrossa o groove da banda. Passaram por várias faixas do disco mais recente mas não deixaram músicas de outros discos de fora. Bem bom!
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(Foto: Biel Basile/Divulgação)
Conheci Gabriel Milliet no ano passado, quando ele participou da temporada que o Biel Basile fez no Centro da Terra e aos poucos ele foi me apresentando ao seu trabalho solo, que desenvolveu nos anos em que esteve fora do Brasil, quando mudou-se para a Holanda. Longe do país, começou a compor suas músicas num misto de saudade e sensação de deslocamento e pertencimento, que, quando voltou ao Brasil, começaram a se tornar um disco. Gravado em dois continentes, o disco batizado Um reúne a paixão de Millet pela canção e pelo violão de nylon à sensação de descolamento que sentiu ao ficar longe do país e está sendo lançado neste início de setembro. Gabriel me chamou para escrever o texto de apresentação do trabalho, que republico abaixo:
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(Foto: Mariama Palahares/Divulgação)
Depois de um período hibernando à força, a Trupe Chá de Boldo está lançando seu Rua Rio, disco que foi concebido durante a pandemia e que retoma questões que já haviam começado a discutir nos discos anteriores, em especial no que diz respeito à vida na cidade. E prestes a fazer mais um show de lançamento do disco nessa sexta-feira, no Sesc Pinheiros (ainda há ingressos há venda aqui neste link), o grupo também aproveita para mostrar o clipe de um dos singles do álbum. “Ouça Onça” foi dirigido por Julia Valiengo (da Trupe), pela ilustradora Bruna Barros e pelo animador Pedro Gallego e estreia nessa sexta-feira, mas o grupo antecipou em primeira mão aqui pro Trabalho Sujo. “Para construir a narrativa do clipe nos inspiramos nas mulheres que vivem nas periferias, acerca das florestas, e que enfrentam diariamente grandes jornadas até o centro das cidades”, conta Julia. “Quando surgiram algumas perguntas: quem são e o que desejam essas mulheres? Será que a cidade ainda é capaz de ouvir a floresta? Numa linguagem que mistura ilustrações animadas e colagens de fotos e vídeos, este videoclipe traz uma realidade fantástica de mulheres que, ao chegarem na cidade, viram bicho. Verdadeiras musas felinas que com garras, poder e certo feitiço, unem-se para transformar o que está à sua volta.” Além do show de São Paulo, o grupo ainda tem outras datas agendadas para o interior do estado, quando tocam no Sesc São José do Rio Preto (dia 7 de setembro), no Armazém Baixada em Ribeirão Preto (no dia seguinte) e no Galpão Busca Vida em Bragança Paulista (dia 23).
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E pra esquentar esse clima, vou ficar publicando sobre Talking Heads aqui de vez em quando, como esse show maravilhoso que o grupo fez no festival de Montreux, na Suíça, no dia 9 de julho de 1982, e está na íntegra no YouTube. Além da banda principal, o grupo é acompanhado mais uma vez de vários músicos, como o guitarrista Alex Weir, o tecladista Raymond Jones, o percussionista Steve Scales e a vocalista e percussionista Dolette McDonald. além do tecladista Tyrone Downey e as irmãs de Tina, Lani e Laura Weymouth, que entram no bis para tocar “Take Me To The River”. No mesmo dia, Tina Weymouth e Chris Franz acompanhados de Lani, Laura, Steve, Alex e Tyrone abriram para o grupo com seu projeto paralelo Tom Tom Club (e esse show também pode ser assistido abaixo): Continue

“Acho que tem sido uma experiência de cura para todos. É como se ‘é, nós podemos trabalhar juntos e fazer isso’ e isso é algo que todos nós estamos orgulhosos”, explicou o guitarrista dos Talking Heads Jerry Harrison em entrevista ao programa que o jornalista norte-americano Kyle Meredith apresenta em seu canal no YouTube. E assim, em mais uma notícia sobre a volta do filme Stop Making Sense aos cinemas, aos poucos vamos assistindo à dissolução da treta master que tornava a volta dos Talking Heads aos palcos algo impensável e impossível. A segunda metade da carreira da banda tornou a convivência entre os integrantes cada vez mais tensa e quando o grupo oficializou que seu término era óbvio, no início dos anos 90, seus integrantes passaram a se falar cada vez menos, à medida em que o vocalista e principal compositor David Byrne se estabelecia como uma personalidade distante do grupo e tanto ele quanto o casal Tina Weymouth e Chris Franz trocaram farpas pesadas em declarações em público. Mas quando o estúdio A24 se dispôs a relançar o filme de Jonathan Demme no cinema, inevitavelmente fez com que os quatro voltassem a se conversar. “Nós somos donos do filme, por isso tínhamos que trabalhar juntos para tomar uma decisão”, continuou o guitarrista na mesma entrevista. “‘Será que a A24 é a melhor distribuidora, o melhor parceiro pra gente?’, tínhamos que ter esse tipo de conversa e tínhamos que tê-las juntos.” Harrison continua: “Podemos deixar de lado conflitos sobre os quais as pessoas passaram muito tempo falando. Não é como se os sentimentos que fizeram as pessoas dizerem várias coisas não existam mais ou algo do tipo, mas é que agora que eles foram ditos, precisamos repeti-los o tempo todo? Eu já dei minha opinião”. Na entrevista, além de falar sobre o processo de masterização do som, o guitarrista também deixa no ar que outros anúncios relacionados à banda podem vir em breve… Ainda coloco minhas fichas em “turnê de despedida”. Imagina isso!
Assista à íntegra da entrevista (em inglês) abaixo: Continue