
Prontos pro mês de abril no Centro da Terra? Porque nem a gente tá acreditando. A temporada das segundas-feiras fica por conta da Jadsa, que agitou essa seleção chamada Big Buraco em que revê sua obra recente a partir dos pontos de vistas de convidados muito especiais: na primeira segunda, dia 3, ela convida Giovani Cidreira; na semana seguinte, dia 10, ela vem com Kiko Dinucci; depois, no dia 17, ela chama Marcelle, Marina Melo e Josyara; para, finalmente, encerrar com Alessandra Leão e Juçara Marçal! Tá achando muito? Pois a primeira terça-feira, dia 4, é o dia em que o Guaxe, dupla formada pelo eterno supercorda Bonifrate e pelo boogarinho Dinho Almeida, estreia nos palcos pela primeira vez. Na semana seguinte, dia 11, vem o Guizado apresentar-se com uma nova formação, chamada A Realeza. E nas duas últimas terças do mês, dias 18 e 25, Alessandra Leão vem acompanhada de Rafa Barreto para apresentar seu Punhal de Prata, com convidados-surpresa. Tá achando muito? Pois lembre-se que toda quarta nosso teatro agora exibe documentários sobre música brasileira em parceria com o festival In Edit – e em abril a programação traz Paulo César Pinheiro – Letra e Alma (dia 5), O Piano Que Conversa (12), Toada para José Siqueira (19) e O Fabuloso Zé Rodrix (26). Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda online, não deixa pra comprar em cima da hora porque tem show que já tá se esgotando…

(Foto: Rayssa Lima/Divulgação)
A história já se arrasta há um tempo: Yma e Jadsa estão fazendo um disco juntas! Há uns dois anos a parceria entre a paulista e a baiana se firmou, foi para o estúdio, e aguarda lentamente – como é de praxe na carreira das duas – o momento certo para aparecer. E eis que Zelena – o nome do EP de seis faixas que firma o compromisso artístico das duas – começa a dar as caras no fim deste mês, quando, nessa sexta-feira, será lançada a primeira faixa da colaboração, “Meredith Monk”, que pode ser ouvida em primeira mão no Trabalho Sujo.
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E na última quarta de março, o documentário que o Centro da Terra exibe em parceria com o festival In Edit é o sensacional Belchior – Apenas um Coração Selvagem, deNatália Dias e Camilo Cavalcanti, que traça a história do inconstante bardo cearense a partir de seus próprios depoimentos, fazendo com que o próprio autor monte o quebra-cabeças de sua personalidade, sem precisar seguir uma linha-mestre cronológica ou linear. A sessão começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.
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Em quase duas horas de apresentação, Mestre Nico conseguiu até furar seu próprio tambor, de tamanha empolgação. “É a primeira vez que isso acontece!”, disse, surpreso, quase no fim de sua segunda apresentação no Centro da Terra, quando mostrou seu espetáculo De Andada no Tempo. Mais uma vez à frente de seu Balanço da Manipueira (com Thalita Gava, Rafaella Nepomuceno e Júnior Kaboco), ele puxou o fio da meada de sua trajetória outra vez com os compadres BB Jupteriano, Lello Bezerra, Edinho Almeida e a flautista belga Fiona Kelly, que fez uma performance durante a apresentação.
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Deslumbrante a última apresentação da temporada de Ná Ozzetti no Centro da Terra, quando ela se juntou ao violonista e pesquisador Franco Galvão para debruçar-se – e deslizar – sobre a obra de Oswaldo Gogliano, que todos conhecemos por Vadico. Eterno parceiro de Noel Rosa, Vadico é objeto de estudo de Galvão, que está prestes a gravar um disco triplo dedicado ao legado do mestre sambista, incluindo versões para arranjos que o autor escreveu quando estava em turnê pelos Estados Unidos com Carmen Miranda. O espetáculo de voz e violão foi concebido e arranjado pelo violonista, que também abriu um site dedicado ao mestre (vadicogogliano.com/), e passeava por diferentes facetas do compositor, todas conduzidas pela voz angelical de Ná, que aproveitou algumas canções para continuar dançando, atividade que vem desfilando em sua conta no Instagram e que materializou-se no palco nesta temporada do Centro da Terra. Siga a dança, Ná!
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Muitos achavam que Juca Chaves, que morreu nesta segunda-feira, era um humorista que fazia música, quando na verdade era justo o contrário: o Menestrel Maldito tinha formação erudita e começou a brincar em seus shows aos poucos consolidando sua fama mais conhecida.

O quarto capítulo da saga John Wick, estrelada por Keanu Reeves, que estreou neste fim de semana, leva os filmes de ação para outro patamar. Além de desafiar conceitualmente a ideia de uma franquia cinematográfica interminável a partir de um final aparentemente definitivo, mas ambíguo (fique até o fim dos créditos que tem cena escondida), o novo filme do ex-dublê Chad Stahelski nos envolve num crescendo de cenas de luta de tirar o fôlego, que além de abrir o leque para armas para além das pistolas, rifles, fuzis e metralhadoras que atravessavam os três filmes anteriores, ainda tem sua natureza internacional reforçada em cenas que vão do deserto árabe ao Japão, passando por Nova York e conhecidas paisagens europeias. As quase três horas de John Wick 4 passam com a mesma velocidade de suas cenas de ação, mas quando seus personagens chegam a Paris, a gente não quer que o filme acabe nunca mais. Cenas hiperbólicas em cartões postais parisienses alternam uma luta no trânsito de deixar qualquer um tonto, uma fuga filmada de cima (em que o protagonista dispara uma arma inacreditável), uma escadaria interminável e um duelo tão dramático quanto inteligente. O filme ainda conta com um elenco impressionante, que além de Reeves ainda traz atores conhecidos do grande público como Bill Skarsgård, Hiroyuki Sanada, Ian McShane, Laurence Fishburne e o último papel de Lance Reddick e queridinhos do cinema de ação, como Donnie Yen, Scott Adkins e Marko Zaror, além da cantora Rina Sawayama, que sai-se ótima como atriz de ação. Algumas coisas são meio forçadas (como a cena da festa, os ternos à prova de balas e a onipotência da sociedade secreta que controla o crime organizado mundial), mas não são suficientes tiram o brilho deste que é um dos melhores filmes de ação já feitos que resume a franquia numa frase lapidar: “A forma como você faz qualquer coisa é a mesma forma como você faz tudo.” Pra assistir no cinema.

Noite histórica. Ao recriar mais uma vez seu clássico de 1980 no palco do Sesc Pinheiros neste sábado, Arrigo Barnabé reforça o papel fundamental de sua obra-prima na história da música brasileira ao sublinhar com a ênfase necessária que ela só aconteceu devido ao contexto em que foi concebida, a cena que surgiu ao redor do mitológico teatro Lira Paulistana, no início dos anos 80. Arrigo arregimentou parte da Banda Sabor de Veneno da gravação original, entre eles o trombonista Ronei Stella, o tecladista Bozo Barretti, os saxes de Manuel Silveira e Chico Guedes, a bateria de seu irmão Paulo Barnabé e as vozes de Suzana Salles e Vânia Bastos, acrescidas das presenças de Ana Amélia e Tetê Espíndola. Acompanhando Tetê ao piano num momento fora do roteiro do disco original, o compositor paranaense passeou por duas de suas composições para celebrar a presença da amiga, “Canção dos Vagalumes” (que resumiu como “canção-manifesto do sertanejo lisérgico” que a vocalista do Mato Grosso do Sul fazia parte naquele período) e “Londrina”, além de visitar, em outros momentos da noite, “Mente Mente”, de Robinson Borba, que gravaria na trilha sonora do filme Cidade Oculta, e improvisar o começo de “Noite Fria”, de Itamar Assumpção, com as vocalistas antes de começar o bis. E ao entrecortar a ópera dodecafônica sobre o monstro mutante surgido a partir de uma experiência a que um office-boy se submete, por falta de dinheiro, nas entranhas de São Paulo com estas composições, Arrigo reverenciou a cena em que surgiu numa apresentação de fôlego para um teatro lotado. “43 anos…”, desabafou, rindo, com sua voz grave no início do espetáculo. “Inacreditável, a gente tocava isso em 1980, por isso que chamavam de vanguarda”.
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Conhecido apenas pelo sobrenome, Roberto Negreiros era um dos meus traços brasileiros favoritos e cansei de trombar com ele por diferentes publicações nos meus anos de formação. A notícia de sua morte me revela que ele ainda era muito novo – e que quando comecei a conhecer seu trabalho ele era praticamente um jovem adulto. Fará falta – e alguém precisa catalogar sua extensa produção.

Triste de saber a péssima notícia sobre a passagem do DJ Jamaika, um dos nomes mais importantes do rap no Brasil e pilar da fundação da cultura hip hop no Distrito Federal, a partir de sua participação no grupo Câmbio Negro desde o clássico Sub-Raça até o pioneirismo com o grupo que tinha com o irmão, Kabala, o Álibi.