
Muitos achavam que Juca Chaves, que morreu nesta segunda-feira, era um humorista que fazia música, quando na verdade era justo o contrário: o Menestrel Maldito tinha formação erudita e começou a brincar em seus shows aos poucos consolidando sua fama mais conhecida.

O quarto capítulo da saga John Wick, estrelada por Keanu Reeves, que estreou neste fim de semana, leva os filmes de ação para outro patamar. Além de desafiar conceitualmente a ideia de uma franquia cinematográfica interminável a partir de um final aparentemente definitivo, mas ambíguo (fique até o fim dos créditos que tem cena escondida), o novo filme do ex-dublê Chad Stahelski nos envolve num crescendo de cenas de luta de tirar o fôlego, que além de abrir o leque para armas para além das pistolas, rifles, fuzis e metralhadoras que atravessavam os três filmes anteriores, ainda tem sua natureza internacional reforçada em cenas que vão do deserto árabe ao Japão, passando por Nova York e conhecidas paisagens europeias. As quase três horas de John Wick 4 passam com a mesma velocidade de suas cenas de ação, mas quando seus personagens chegam a Paris, a gente não quer que o filme acabe nunca mais. Cenas hiperbólicas em cartões postais parisienses alternam uma luta no trânsito de deixar qualquer um tonto, uma fuga filmada de cima (em que o protagonista dispara uma arma inacreditável), uma escadaria interminável e um duelo tão dramático quanto inteligente. O filme ainda conta com um elenco impressionante, que além de Reeves ainda traz atores conhecidos do grande público como Bill Skarsgård, Hiroyuki Sanada, Ian McShane, Laurence Fishburne e o último papel de Lance Reddick e queridinhos do cinema de ação, como Donnie Yen, Scott Adkins e Marko Zaror, além da cantora Rina Sawayama, que sai-se ótima como atriz de ação. Algumas coisas são meio forçadas (como a cena da festa, os ternos à prova de balas e a onipotência da sociedade secreta que controla o crime organizado mundial), mas não são suficientes tiram o brilho deste que é um dos melhores filmes de ação já feitos que resume a franquia numa frase lapidar: “A forma como você faz qualquer coisa é a mesma forma como você faz tudo.” Pra assistir no cinema.

Noite histórica. Ao recriar mais uma vez seu clássico de 1980 no palco do Sesc Pinheiros neste sábado, Arrigo Barnabé reforça o papel fundamental de sua obra-prima na história da música brasileira ao sublinhar com a ênfase necessária que ela só aconteceu devido ao contexto em que foi concebida, a cena que surgiu ao redor do mitológico teatro Lira Paulistana, no início dos anos 80. Arrigo arregimentou parte da Banda Sabor de Veneno da gravação original, entre eles o trombonista Ronei Stella, o tecladista Bozo Barretti, os saxes de Manuel Silveira e Chico Guedes, a bateria de seu irmão Paulo Barnabé e as vozes de Suzana Salles e Vânia Bastos, acrescidas das presenças de Ana Amélia e Tetê Espíndola. Acompanhando Tetê ao piano num momento fora do roteiro do disco original, o compositor paranaense passeou por duas de suas composições para celebrar a presença da amiga, “Canção dos Vagalumes” (que resumiu como “canção-manifesto do sertanejo lisérgico” que a vocalista do Mato Grosso do Sul fazia parte naquele período) e “Londrina”, além de visitar, em outros momentos da noite, “Mente Mente”, de Robinson Borba, que gravaria na trilha sonora do filme Cidade Oculta, e improvisar o começo de “Noite Fria”, de Itamar Assumpção, com as vocalistas antes de começar o bis. E ao entrecortar a ópera dodecafônica sobre o monstro mutante surgido a partir de uma experiência a que um office-boy se submete, por falta de dinheiro, nas entranhas de São Paulo com estas composições, Arrigo reverenciou a cena em que surgiu numa apresentação de fôlego para um teatro lotado. “43 anos…”, desabafou, rindo, com sua voz grave no início do espetáculo. “Inacreditável, a gente tocava isso em 1980, por isso que chamavam de vanguarda”.
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Conhecido apenas pelo sobrenome, Roberto Negreiros era um dos meus traços brasileiros favoritos e cansei de trombar com ele por diferentes publicações nos meus anos de formação. A notícia de sua morte me revela que ele ainda era muito novo – e que quando comecei a conhecer seu trabalho ele era praticamente um jovem adulto. Fará falta – e alguém precisa catalogar sua extensa produção.

Triste de saber a péssima notícia sobre a passagem do DJ Jamaika, um dos nomes mais importantes do rap no Brasil e pilar da fundação da cultura hip hop no Distrito Federal, a partir de sua participação no grupo Câmbio Negro desde o clássico Sub-Raça até o pioneirismo com o grupo que tinha com o irmão, Kabala, o Álibi.

(Foto: Pedro Clash/Divulgação)
Lembro quando Juliano Gauche me procurou para testar no palco do Centro da Terra o disco que havia acabado de gravar em São Paulo. Ele estava repensando os próximos passos da carreira no início de 2020, quando lançou o EP Bombyx Mori, um mês antes da chegada da pandemia que paralisou nossas vidas, e havia acabado de mudar-se para a praia de Manguinhos, no Espírito Santo, depois de um tempo morando no interior daquele estado. Como aconteceu com muitos, o período de isolamento social o colocou em contato mais intenso com seu inconsciente e ele passou a dar atenção ao que acontecia em seus sonhos. Inspirado em questões metafísicas levantadas por estas viagens, Gauche reduziu a sonoridade de suas canções a arranjos mínimos, conduzidos e produzidos pelo comparsa Klaus Sena, que coproduziu seu novo álbum, além de tocar pianos, teclados, xilofones e sintetizadores, deixando sua voz mostrar as paisagens sonoras que recolhia após dormir. Tenho Acordado Dentro dos Sonhos, este novo disco, foi apresentado ao vivo em novembro do ano passado e além de Sena, Gauche também contou com a guitarra e o violão de Kaneo Ramos, que também participa do disco. De fora daquele show, apenas o vocalista da banda mineira Moons, André Travassos, com quem divide os vocais da única música em inglês do disco, “Ondas Que Acordam”. “Das vinte músicas que escrevi nesse período de isolamento, escolhi as sete que foram mais direto nas feridas, as que para mim traduziram melhor as mudanças ocorridas, as que abordaram tudo pela ótica espiritual”, explica Juliano, que lança o novo trabalho nesta sexta-feira, mas antecipa o disco na íntegra aqui pro Trabalho Sujo, não sem antes apontar para o próximo estágio: “As mais violentas e eufóricas ficaram para o próximo.”
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Quarta é dia de documentário sobre música brasileira no Centro da Terra dentro da parceria que o teatro fez com o festival In Edit e neste dia 22 vamos entrar na história de um dos nomes que ajudou a consolidar o violão como o mais brasileiro dos instrumentos. Garoto – Vivo Sonhando conta a história deste músico que viveu apenas 40 anos e, além de integrar o mitológico Bando da Lua, que acompanhou Carmen Miranda em suas temporadas nos EUA, também foi mestre de ases do instrumento como Baden Powell, João Gilberto e Raphael Rabello, ajudando a modernizar o instrumento no país. O filme de Rafael Veríssimo costura diários, depoimentos, entrevistas e arquivos raros, revelando um artista à frente de seu tempo. A sessão começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.
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Na primeira das duas terças em que Mestre Nico apresenta-se no Centro da Terra, ele aproveitou para repassar suas mais de três décadas dedicadas à música. Liderando seu quarteto Balanço da Manipueira, composto pelas percussões e vozes de Thalita Gava e Rafaella Nepomuceno e pela voz e sax de Júnior Kaboco, ele recebeu compadres de diferentes gerações, desde velhos parceiros como o violonista Edinho Almeida e os sopros de Gil Duarte quanto novos compadres como o guitarrista Lello Bezerra e Bb Jupteriano, que distorce, em fita de rolo, sons gravados previamente. Este material está sendo depurado para tornar-se o primeiro disco solo de Nico. E terça-feira que vem tem mais…
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Muitos conhecem o trabalho do Mestre Nico a partir do trabalho que vem desenvolvendo com Siba há quase uma década, segurando o ritmo e a segunda voz do trabalho do pernambucano desde que este passou da rabeca para a guitarra, mas este percussionista conta com um trabalho solo que aos poucos começa a ser revelado. É esta nova faceta que dá as caras em duas terças-feiras no Centro da Terra, quando Nico traz propõe, ao lado de sua banda O Balanço da Manipueira (formada por Thalita Gava, Rafaella Nepomuceno e Júnior Kaboco), o início do que pode ser seu primeiro álbum autoral na minitemporada chamada De Andada no Tempo. E para estas duas apresentações reuniu compadres para abrir novas fronteiras de sua arte, como o guitarrista Lello Bezerra, Bb Jupteriano, que distorce fitas de rolo, o violão 7 cordas de Edinho Almeida e o trombone e o pífano de Gil Duarte. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Mais uma noite com Ná Ozzetti no Centro da Terra e a viagem desta segunda-feira foi entre voz e sopro, com a cantora sendo conduzida pelos saxes e clarinetes de Fernando Sagawa. Juntos, desbravaram canções de Tom Zé, Beatles, Hermínio Bello de Carvalho, Déa Trancoso, Chico Buarque e Geraldo Filme e Luiz Tatit – Fernando superpondo seus sopros com arranjos minimalistas e a voz resplandecente de Ná abrindo luzes claras na escuridão do teatro. Muita doçura pra uma noite só.
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