
“Essa é a base do fazer musical: dar forma ao tempo”, assim, Irmin Schmidt, único músico fundador do grupo alemão Can ainda vivo, define sua labuta no documentário Can and Me, de Michael P. Aust e Tessa Knapp, primeiro filme confirmado na edição de 2023 do festival de documentários sobre música In Edit. O filme traz várias cenas raras e inéditas do transgressor grupo em ação, incluindo cenas de shows e apresentações ao vivo em programas de TV (além de um inusitado encontro entre seus dois vocalistas, o norte-americano Malcolm Mooney e o japonês Damo Suzuki, que assumiram os vocais de diferentes fases da banda após sua fundação), mas ultrapassa o período em que Schmidt esteve com a banda. O vemos fazendo trilhas sonoras para seriados de TV, filmes de Wim Wenders, óperas com ênfase em música eletrônica e colaborações com DJs e produtores contemporâneos, além de comentar sua filosofia musical. Também traz cenas da infância e da adolescência do músico e maestro, incluindo sua relação conflituosa com o pai, que era militar nazista na Alemanha de Hitler, e quando conheceu a nata da música de vanguarda de seu tempo (incluindo Karlheinz Stockhausen, La Monte Young e até John Cale antes deste vir fundar o Velvet Underground), antes de criar o Can, um dos grupos mais importantes da cultura alemã da segunda metade do século passado. Can and Me é uma boa amostra do que o In Edit, que acontece entre 16 e 25 de junho, vai trazer na edição deste ano. Ainda hoje, anunciam mais lançamentos de sua programação, que será revelada integralmente na primeira semana de maio.
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Mais um programa sobre saúde mental – e dessa vez chamei a Amanda Ramalho, que já toca há anos o Esquizofrenoias, para falar sobre o tema de um filhote de seu podcast, criado um ano após ela ter sido diagnosticada como pertencente ao espectro autista. Em seu novo programa, Amanda no Espectro, que estreia no dia 24 deste mês, ela fala sobre a sua experiência com essa descoberta e chama uma série de convidados para falar sobre o que é o autismo e como o que conhecíamos sobre o tema era apenas uma visão estereotipada e caricatural de algo que muitas pessoas têm e sequer sabem, como aconteceu com ela mesma.
Acompanhe o Esquizofrenoias aqui.
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(Foto: Louie Martins/divulgação)
A brasiliense Mari Tavares vem aos poucos preparando o campo para seu primeiro trabalho solo e lança nesta sexta-feira seu segundo single autoral, o samba à moda antiga “Tapa de Pelica”, que ela revela em primeira mão aqui no Trabalho Sujo, onde já havia lançado a primeira faixa, “Laca Espanada” e ela pesa as semelhanças e discrepâncias entre estas duas faixas, como se ambas se complementassem para demonstrar melhor seu trabalho. “Essas duas faixas dialogam entre si, funcionando como um compacto, embora tenham sido produzidas e lançadas separadamente”, me explica a cantora e compositora por email. “‘Laca Espanada’ traz um tom mais confessional, mais autorreferencial, ‘Tapa de Pelica’ já tem um personagem, uma narrativa em terceira pessoa construída a partir de uma grande metáfora, mas ambas as canções bebem da mesma fonte, a representação de uma busca por um equilíbrio interior”. De sua lavra, Mari só gravou a voz dessa canção, deixando a produção e toda a instrumentação (desde a percussão à guitarra, violão e synths) a cargo de seu companheiro e parceiro, Rodrigo Campos. Além dos dois, a faixa conta com um coro com vários suspeitos de sempre, entre eles Romulo Froes, Anaïs Sylla, Fernanda Broggi, Victória dos Santos, entre outros. ” O resultado desse trabalho vem influenciando muito a maneira que tenho pensando composição e estética, norteando o caminho que sigo daqui pra frente”, conclui, ressaltando que já está trabalhando em seu primeiro álbum.
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(Foto: Adelita Ahmad/divulgação)
A Trupe Chá de Boldo está lentamente voltando. Depois do período pandêmico, o grupo paulistano começa a mostrar as cores do novo disco, Rua Rio, inspirado pelo bairro do Bixiga, que tornou-se tão central para a banda, que há anos ensaia num estúdio na rua 13 de maio. “Saracura”, composta por Remi Chatain e Gustavo Galo, celebra um dos inúmeros rios sufocados pela cidade, justamente que passa pelo bairro eternizado por grandes nomes do samba paulistano, lar de teatros clássicos como o Oficina e o Sérgio Cardoso e amálgama de culturas que se encontram em suas ruas, seja italiana, nordestina ou negra. “Sabíamos da existência do Rio Saracura no bairro por conta dessa proximidade, mas também pela memória do samba, de composições do Geraldo Filme, por exemplo”, explica a banda em uníssono. “E, de repente, em meio a descoberta do sítio arqueológico onde se pretende construir a estação do metrô – ‘pretende’ pois há resistências populares a esse projeto -, a canção veio a tona como um modo de afirmar as águas, a força irrefreável dos rios em uma cidade com tanto asfalto, com tanta destruição de vitalidades.” “Saracura” é a primeira faixa de Rio Rua a vir a público, nesta sexta-feira, mas o grupo liberou pra ser ouvida em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.
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Show dos Pin Ups hoje em dia quer dizer reencontrar velhos amigos que festejam a existência desta banda que por muito tempo foi um dos bastiões do indie paulistano e que parece ter acertado seus próprios ponteiros quando anunciou sua última apresentação ao vivo, no final de 2015. Aquele momento, celebrado no Sesc Pompeia, não foi importante apenas pela consciência que o grupo teve de que seu ciclo havia se encerrado, mas também foi seu show mais histórico, quando décadas no palco se refletiram numa maturidade tanto musical quanto técnica, que fez com que o grupo ganhasse uma sobrevida e passasse a fazer shows esporádicos para celebrar sua carreira, gravando inclusive um improvável disco de inéditas. Atualmente este hiato tornou-se ainda mais extenso depois que, durante a pandemia, a baixista e vocalista Alê Briganti mudou-se para Israel e o show que aconteceu nesta quarta-feira no Sesc Avenida Paulista foi o primeiro da banda desde que o covid-19 entrou em nossas rotinas. E seguindo o padrão estabelecido nos últimos anos, o grupo formado por Alê, Zé Antônio Algodoal, Adriano Cintra (de volta ao Brasil e talvez o guitarrista base definitivo da história da banda) e Flávio Cavichioli, fizeram mais um show redondinho e muito barulhento, passando por diferentes fases de sua carreira, chamando convidados importantes para sua biografia (o eterno Mickey Junkie Rodrigo Carneiro e o guitarrista dos Twinpines Bruno Palma) e tocando versões para músicas do Superchunk (“Detroit Has a Skyline”) e My Bloody Valentine (“You Made Me Realize”), além de reunir fãs de diferentes gerações – e de gerações de bandas – que sempre se encontram em eventos da banda, que, apesar de cada vez mais raros, seguem firmes e fortes.
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Você já sabe que quarta-feira é dia de cinema no Centro da Terra graças à parceria que fechamos com o festival de documentários In Edit e neste dia 12 de abril é a vez de exibirmos O Piano Que Fala, filme de Marcelo Machado que usa o músico e compositor Benjamin Taubkin como fio condutor de uma viagem pelo Brasil pelo ponto de vista de piano – mostrando como o instrumento conversa com a musicalidade do país independentemente da região em que ele esteja sendo tocado. A sessão começa pontualmente às 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo. Continue

Morreu a segunda integrante do sensacional Quarteto em Cy, um grupo vocal cuja influência e importância ainda não foram medidas na história da música brasileira. A baiana Cynara Faria era a mais entusiasmada das quatro irmãs sobre a existência do quarteto em nossa cultura.

Ao conectar seu trumpete com o contrabaixo acústico de Marcelo Cabral, o kit de percussão de Mamah Soares e o vocal intenso de Paola Ribeiro, Guizado começou a explorar uma nova fronteira sonora para uma nova fase de sua carreira a partir desta terça-feira, no Centro da Terra. Com esta formação chamada Guizado e a Realeza, ele abriu possibilidades de improviso a partir de temas já estabelecidos que fez com que este encontro de músicos expandisse seus próprios horizontes à medida em que se conheciam mutuamente. Um primeiro passo decisivo.
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O trompetista Guizado começa mais um capítulo de sua carreira ao apresentar, pela primeira nesta terça-feira, seu projeto Guizado e a Realeza, no Centro da Terra. Cercado de cobras como Marcelo Cabral, Mamah Soares e Paola Ribeiro, o músico e produtor começa a investigar conexões entre a música eletrônica para dançar, percussão africana, a presença do baixo e a voz como instrumento de improviso, em uma apresentação inédita O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

“Pra sempre quer dizer sempre em busca”, canta Angel Olsen na faixa-título do EP que lança na próxima sexta, “Forever Means”. O disco é um conjunto de faixas que poderiam entrar no esplendoroso álbum que ela lançou no ano passado, Big Time, mas que surgem agora como um pacote de canções que acertam em cheio. “Nothing’s Free”, a faixa de abertura do EP lançada há um mês, já nos colocava num lugar em que sua composição e sua execução atingiam um equilíbrio perfeito, empenando aos poucos (e de propósito) para um lugar mais emotivo à medida em que o piano e o sax se soltam com o correr da canção, atingindo um ápice com o solo do instrumento de sopro, que vem sendo completo por um Hammond esparramado como um blues antigo. Na nova faixa, lançada nesta terça, ela prefere que o timbre levemente rouco que lhe é característico dê o tom da canção, que apesar do clipe solar, traz uma melancolia que não quer olhar para trás. “Pra sempre quer dizer tentar ver, pra sempre quer dizer dizer o que você está pensando, pra sempre quer dizer tenha certeza, tome seu tempo, pra sempre nos seus olhos, te vejo quando você brilha”. Que mulher.
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