Trabalho Sujo - Home

Jornalismo

Passo decisivo

Ao conectar seu trumpete com o contrabaixo acústico de Marcelo Cabral, o kit de percussão de Mamah Soares e o vocal intenso de Paola Ribeiro, Guizado começou a explorar uma nova fronteira sonora para uma nova fase de sua carreira a partir desta terça-feira, no Centro da Terra. Com esta formação chamada Guizado e a Realeza, ele abriu possibilidades de improviso a partir de temas já estabelecidos que fez com que este encontro de músicos expandisse seus próprios horizontes à medida em que se conheciam mutuamente. Um primeiro passo decisivo.

Assista aqui. Continue

O trompetista Guizado começa mais um capítulo de sua carreira ao apresentar, pela primeira nesta terça-feira, seu projeto Guizado e a Realeza, no Centro da Terra. Cercado de cobras como Marcelo Cabral, Mamah Soares e Paola Ribeiro, o músico e produtor começa a investigar conexões entre a música eletrônica para dançar, percussão africana, a presença do baixo e a voz como instrumento de improviso, em uma apresentação inédita O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

“Pra sempre quer dizer sempre em busca”, canta Angel Olsen na faixa-título do EP que lança na próxima sexta, “Forever Means”. O disco é um conjunto de faixas que poderiam entrar no esplendoroso álbum que ela lançou no ano passado, Big Time, mas que surgem agora como um pacote de canções que acertam em cheio. “Nothing’s Free”, a faixa de abertura do EP lançada há um mês, já nos colocava num lugar em que sua composição e sua execução atingiam um equilíbrio perfeito, empenando aos poucos (e de propósito) para um lugar mais emotivo à medida em que o piano e o sax se soltam com o correr da canção, atingindo um ápice com o solo do instrumento de sopro, que vem sendo completo por um Hammond esparramado como um blues antigo. Na nova faixa, lançada nesta terça, ela prefere que o timbre levemente rouco que lhe é característico dê o tom da canção, que apesar do clipe solar, traz uma melancolia que não quer olhar para trás. “Pra sempre quer dizer tentar ver, pra sempre quer dizer dizer o que você está pensando, pra sempre quer dizer tenha certeza, tome seu tempo, pra sempre nos seus olhos, te vejo quando você brilha”. Que mulher.

Assista aqui: Continue

Que encontro maravilhoso o de Kiko Dinucci e Jadsa na segunda noite da temporada Big Buraco que a compositora baiana está realizando no Centro da Terra. Os dois percorreram repertórios mútuos – Jadsa puxou tanto sua “Raio de Sol”, que contou com a participação do guitarrista de Guarulhos em seu disco de estreia, quanto “Um Choro”, que compôs para o disco recente de Juçara Marçal que Kiko produziu; quanto Kiko convidou Jadsa a passear por “Chorei”, de Beto Villares, que eternizou em seu primeiro disco solo, Cortes Curtos. Mas também tocaram números inéditos, entrelaçando os timbres claros de seus instrumentos, ambos feitos pelo curitibano Seithy Handa, da luthieria Kuumba.Wa, que pareciam gêmeos bivitelinos, que apesar de não serem gerados a partir da mesma célula, conheciam-se de forma uterina. Uma apresentação maravilhosa, imantada por uma energia magnética, que parece ser apenas o começo de uma longa parceria.

Assista aqui. Continue

Os mineiros da Lupe de Lupe encerraram neste domingo a turnê de despedida do baterista e vocalista (e ex-guitarrista da banda) Cícero Marra no Bar Alto, na Vila Madalena, e a procura foi tão grande que a casa abriu uma segunda sessão, começando às 17h, antes do último show de fato. Casa abarrotada de fãs cantando todas as músicas, a banda formada por Cícero, Renan Benini (baixo e vocais), Vítor Bauer e Jonathan Tadeu (guitarras e vocais) segurou mais de uma hora e meia de apresentação intensa e alto astral (mesmo com altas doses de sofrência), citando Caetano Veloso, Legião Urbana, John Denver e Dorival Caymmi nos rabichos de suas canções sempre emocionadas, se consolidando como um dos maiores conjuntos musicais em atividade no Brasil atualmente. Foda demais.

Assista aqui. Continue

Um mês sem DM – o último foi antes do carnaval! – e isso é motivo para eu e Dodô não apenas revermos o mês passado, que passou voando pra ele e bem devagar pra mim, como também fazer um balanço destes três primeiros meses do novo ano, falando tanto da guerra na Europa e da iminente crise econômica mundial como do começo do governo Lula e como isso tem impactado em nossas rotinas. É claro que isso é a deixa pra falarmos de tudo quanto é assunto, desde a violência desse começo de ano, do disco inédito dos Tincoãs (e seu desdobramento histórico, mais que musical), a secessão brasileira, o filme novo de Martin Scorsese em Cannes, a série que o Dodô escreveu e sobre mais um encontro presencial, porque um só pro começo do ano não foi suficiente.

Assista aqui. Continue

O disco mais emblemático do Pink Floyd completa meio século de existência neste 2023 e o programa Em Movimento, do canal Arte 1, me chamou pra falar sobre a importância deste disco, que mesmo 50 anos depois, continua tão moderno quanto atemporal.

Assista aqui. Continue

Cure no Brasil?!

Robert Smith está mais uma vez testando nossa paciência para um novo disco do Cure e transformou essa espera numa extensa turnê que começou no ano passado, logo que anunciou o título do novo álbum: Songs of a Lost World. A turnê Shows of a Lost World causou rebuliço típico de suas excursões esporádicas e atropelou inclusive a gigante Ticketmaster numa polêmica que o próprio Smith se envolveu pra contornar preços extorsivos e cambistas online como poucos artistas já fizeram, quando anunciou mais datas para 2023, marcando shows em países do hemisfério norte. E como quem não quer nada, no início da semana, twittou com seu CAPS LOKI característico, que está apontando sua mira para a América Latina:

E anunciou quando o aniversário do último show de sua banda em São Paulo completa dez anos – sim, aquele show memorável no Anhembi aconteceu no dia 6 de abril de 2013 e eu tava ali na grade, vendo o cara de pertinho… Com a mesma voz e o mesmo som de guitarra que atravessam décadas intactos – gravei alguns vídeos, claro.

Assista aqui. Continue

Você já sabe se quer ver um documentário sobre música brasileira no cinema em São Paulo já tem dia e hora marcada toda semana: graças à parceria que o Centro da Terra fez com o festival de documentários In Edit Brasil, sempre trazemos filmes novos e clássicos sobre grandes nomes e cenas da nossa cultura musical. E nesta primeira quarta de abril, mergulhamos no grande Paulo César Pinheiros, um dos maiores letristas do Brasil, que é dissecado no documentário que Andrea Prates e Cleisson Vidal lançaram em 2021. Paulo César Pinheiro – Letra e Alma aprofunda-se na importância deste poeta que fez exemplos clássicos de nosso cancioneiro ao lado de artistas tão diferentes quanto Ivan Lins, Edu Lobo, João Nogueira, Francis Hime, Dori Caymmi, Pixinguinha, Sueli Costa, Raphael Rabello, Tom Jobim, Lenine, Guinga, Carlinhos Vergueiro, Toquinho e Baden Powell Maria Bethânia, eternizado por intérpretes como Maria Bethânia, Elis Regina, Simone, Nelson Gonçalves, Emílio Santiago e Clara Nunes, com quem foi casado. A sessão começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Só a notícia que existe um disco novo inédito dos Tincoãs que nunca foi lançado já seria suficiente para segurar o fôlego de qualquer um que goste de música. Mas não para por aí: esse disco, engavetado há quarenta anos, finalmente verá a luz do dia, trazendo Dadinho (violão), Mateus Aleluia (atabaques) e Badu (agogô e ganzá) acompanhados do Coral dos Correios e Telégrafos do Rio de Janeiro, um projeto que foi idealizado pelo produtor Adelzon Alves, que trabalhava com o grupo. O primeiro aperitivo de Canto Coral Afrobrasileiro, que será lançado ainda este semestre, é o single “Oiá Pepê Oiá Bá”, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, mas já dá pra sentir um gostinho em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

Ouça aqui. Continue