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Doce e mínimo

Uma hora doce e delicada – foi a isso que o trio formado pela dupla carioca Meiabanda e a cantora sergipana Tori proporcionaram na primeira apresentação deste maio no Centro da Terra. Os três optaram por uma apresentação minimalista, em que o guitarrista e produtor Eduardo Manso apenas disparava bases pré-gravadas levemente manipuladas ao fundo para que Tori e Bruno Di Lullo se revezassem ao violão, quase sempre cantando em uníssono, acentuando as distâncias entre seus timbres ao mesmo tempo em que alinhavam os próprios repertório como se sempre tivessem tocados juntos. No meio do show, Ava Rocha surgiu para cumprimentar os velhos parceiros e a cantora novata com suas canções – ela começou com “Doce é o Amor”, passou por “Mar ao Fundo”, “Joana Dark” e terminou num bis improvisado em que Ava puxou Bruno para cantar “Periférica”, de seu último disco, apenas os dois ao violão. Foi demais.

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Morreu, nesta segunda-feira, o bardo do folk canadense.

Começamos a temporada de maio no Centro da Terra numa terça-feira e nosso primeiro espetáculo promove o encontro da cantora Tori com a dupla Meiabanda. Esta última é um projeto dos produtores cariocas Bruno Di Lullo e Eduardo Manso, que habitam a principal cena musical do Rio de Janeiro da última década e recebem a cantora sergipana (que acaba de lançar seu primeiro disco solo, produzido por Bruno, Bem Gil e Domenico Lancelotti) para misturar seus repertórios no espetáculo Murmúrios, que ainda conta com a participação especialíssima de Ava Rocha. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados aqui.

Acompanho os Pelados desde antes da pandemia, quando estavam começando a programar os primeiros shows de seu terceiro disco ainda não lançado, o primeiro sem o nome original da banda, Pelados Escrotos. Sem poder lançar o disco formalmente, a banda passou por uma transformação radical durante este período, negando a natureza clean e correta do disco Sozinhos, de 2020, quando se enfurnou no estúdio caseiro Orgânico (do tecladista Lauiz) para, em dez dias, compor e gravar um disco na contramão do que se espera de uma gravação profissional, lançando o excelente Foi Mal, meu disco nacional favorito do ano passado. O minidocumentário 2 e 2 são 5, feito pela produtora Tuqui Filmes a partir de registros caseiros que a banda fez durante a gravação, flagra o processo a que o grupo se submeteu e estreia em primeira mão aqui no Trabalho Sujo.

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Tá com vontade de se acabar de dançar, né? Então separa aí na agenda o dia 5 de maio que toco mais uma edição das #noitestrabalhosujo dentro da segunda celebração do Alberta #3 que a Neiva e a Noemi estão puxando no Cine Cortina. Yuri Goo e Marcos Bacon abrem a noite com aquele gostinho de Funhell, deixando depois o som na mão da DinaMesmo do Bailindie, que passa a bola pra eu terminar a noite naquele nível de acabação feliz que você conhece. Os ingressos já estão à venda e a noite vai ser booooowa…

Consagrando o lançamento do disco ao vivo Relicário, registro da inauguração do Sesc Vila Mariana quando João Gilberto começou os trabalhos do hoje clássico equipamento cultural há vinte e cinco anos, a apresentação Rei Sem Coroa reuniu súditos de todas as gerações da música brasileira para reverenciar nosso maior artista e pude assistir à sua terceira e última apresentação neste primeiro dia de maio. Um quinteto formado por Joyce Moreno, Alaíde Costa, Dori Caymmi, Renato Braz e Vanessa Moreno saudou o repertório clássico do pai nosso da música brasileira moderna com as condições perfeitas de temperatura e pressão – o público imóvel e em silêncio deixando lágrimas rolarem no escuro enquanto músicos e intérpretes revezaram-se no palco em formações mínimas, sempre lustrando o formato que João escolheu para sua música – somente voz e violão. Entre as canções, várias histórias e lembranças, com Alaíde lembrando do tempo em que tudo era chamado de “bossa nova” pois o nome do gênero ainda era associado a um modismo passageiro, Joyce citando testemunhas que viram João sapatear – e bem! – e Dori fazendo a conexão de seu pai Dorival com nosso mestre.

A novata do grupo Vanessa Moreno abriu a noite com três orações obrigatórias deste rosário – “Corcovado”, “Samba de Uma Nota Só” e “O Pato” -, deixando sua doce voz solar equilibrando solenidade e carinho. Renato Braz pegou o violão na canção seguinte, a imortal “Bahia com H”, dividindo os vocais com Vanessa, que percutia a batida nostálgica em seu próprio corpo. Braz seguiu com “Pra Que Discutir Com Madame?” tocando apenas com um tamborim e prosseguiu com a faixa que batiza o espetáculo, “Rei Sem Coroa”, pérola de Herivelto Martins que finalmente ganhou registro oficial de João Gilberto com o lançamento de Relicário, emendando-a com “Eu Vim da Bahia”, de um dos principais pupilos dele, Gilberto Gil. Depois Braz recebeu Alaíde Costa, uma imortal da canção, que começou sua participação dividindo “Caminhos Cruzados” (de Tom Jobim e Newton Mendonça), para depois seguir ao lado de Joyce Moreno, que trocou de lugar com Renato, para dois duetos fabulosos: “Nova Ilusão” e “Retrato em Branco e Preto” (de Chico Buarque e Tom Jobim).

Depois Joyce seguiu sozinha e deslumbrante como sempre com “Desafinado” e “Águas de Março”, convidando Dori Caymmi para dividir uma mistura impecável de “Esse Seu Olhar” com “Só em Teus Braços” seguida de “Aos Pés da Cruz”. Dori teve seu momento solo cantando “Rosa Morena” de seu pai (quando improvisou a letra para avisar ao assistente de palco que a correia de seu violão havia escapulido) e “Bolinha de Papel”, até que Renato e Vanessa voltaram para cantar “Doralice” (também de Dorival). O final trouxe três faixas fora do roteiro: “Saudades da Bahia”, com os cinco no palco, “Dindi” (apenas Dori e Alaíde, numa versão maravilhosa, que abriu o bis) e “Chega de Saudade”, que encerrou a uma noite de reverência ao maior nome de nossa cultura que, como Joyce lembrou, ousou imaginar um Brasil moderno: “João pra mim ainda hoje é um Brasil possível, um sonho de Brasil, um Brasil que deveria ter sido e que algum dia será”.

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O maestro Manoel Francisco de Moraes Mello já vinha passando por um tratamento pesado por conta de um câncer, mas sua morte aconteceu neste domingo, mais uma vítima do Covid-19. Moraes começou tocando piano nas primeiras gravações de Celly Campello, trabalhou no programa O Fino da Bossa ao lado de Elis Regina e Jair Rodrigues nos anos 60 e na década seguinte tornou-se parceiro de Roberto Carlos. Também trabalhou na TV Globo fazendo abertura de programas e trilhas sonoras de novelas, além de ter atuado ao lado de praticamente todos os grandes nomes da nossa música naquele período, de Chico Buarque a Simone, passando Erasmo Carlos, Ivan Lins, Moraes Moreira, Nana Caymmi, Edu Lobo, Ronnie Von, Caetano Veloso, Zizi Possi e Emílio Santiago, entre muitos outros.

Em mais uma colaboração para o caderno Eu& do jornal Valor Econômico, escrevi sobre os bastidores da tão aguardada volta dos Titãs, que começou neste fim de semana. Conversei com os diretores da empresa novata 30E, Pepeu Correa e Gustavo Luveira, que fazem os festivais Knotfest, Ultra, Mita e GPWeek e no último ano trouxeram Jungle, Wu-Tang Clan, Killers, Two Door Cinema Club, Gorillaz, Hot Chip e Kooks para o Brasil, e eles me contaram como conseguiram convencer esse bicho de sete cabeças voltar à ativa. Continue


(Foto: Mooluscos/Divulgação)

E de novo Jadsa e Yma soltam mais uma música de seu ainda inédito projeto conjunto Zelena em primeira mão para o Trabalho Sujo. Depois que “Meredith Monk“, lançada no final do mês passado, deu a tônica entre a arte pós-moderna e a new wave, é a vez de “Mete Dance” cutucar a veia dançante desta mistura, numa faixa irresistível. “Compus ‘Mete Dance’ em 2021”, lembra a cantora baiana. “Tinha acabado de lançar Olho de Vidro e tava buscando um mantra pra não parar e me veio ela na cabeça e bem rock. Dai me veio essa necessidade de trocar com Yma por conta do disco Par de Olhos, que ela lançou em 2019, mesmo ano que eu gravei Olho de Vidro. Senti esse propósito de estarmos juntas por conta dos olhos, dos olhares.” Yma empolga-se com a lembrança: “Quando Jadsa apresentou ‘Mete Dance’ pra mim, logo no comecinho das nossas conversas sobre o projeto, estávamos ainda atravessando um período difícil da pandemia. Escutar ‘Não canse, let’s dance antes que tudo caia’ deu uma levantada total no astral. Eu adoro como o arranjo se desenrola, tem vários elementos surpresas e interessantes como o cowbell, as guitarras mágicas do Fernando Catatau, os gritinhos e sussurros”, ri a cantora paulista. “Tem um balanço meio Talking Heads e Titãs que eu sou apaixonada e é a faixa do EP que eu mais gosto de dançar.” “Depois da gravação e produção eu vejo bem a influência de Kate Bush, na parte do final”, conclui Jadsa. “O beat me lembra muito e quem a me apresentou real foram Yma e Nando (Rischbieter, companheiro de Yma e produtor musical do projeto paralelo da dupla) na casa deles, eu fiquei muito viciada. E tem muita influência também de Grace Jones, ali no final dos anos 70. Acredito que essa musicalidade foi justamente essa de não podemos parar, temos que continuar”.

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Quarta é dia de documentário sobre música brasileira no Centro da Terra graças à parceria que fizemos com o festival In Edit e nesta última quarta de abril o assunto da noite é a história incrível de um dos nomes da música brasileira mais ativos durante os anos 70, seja nos palcos e discos – em trabalhos com os grupos Som Imaginário e Joelho de Porco e do trio Sá, Rodrix e Guarabyra – ou nos bastidores, José Rodrigues Trindade ajudou a erguer uma outra música brasileira que ia para além da bossa nova, do samba e da tropicália. No documentário, O Fabuloso Zé Rodrix, o diretor Léo Cortês conta a trajetória desta figura ímpar em nossa cultura com cenas da época e depoimentos de comparsas como Flávio Venturini, Moacyr Franco, Miguel Paiva, Ney Matogrosso, Wanderléa, Ronnie Von, Bibi Ferreira, Nasi, Cláudia Raia, Silvio de Abreu, Luiz Thunderbird, Caçulinha, entre muitos outros. O filme começa a ser exibido a partir das 20h, os ingressos podem ser comprados neste link e o trailer pode ser visto abaixo.

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