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(Foto: Fausto Chermont/Divulgação)

Nesta quinta-feira o grupo Garotas Suecas finalmente mostra seu recém-lançado quarto álbum, 1 2 3 4, ao vivo no palco do auditório do Sesc Vila Mariana. Acompanho o grupo desde antes de eles terem lançado seu primeiro disco – e lá vão quase vinte anos vendo a banda abrir caminhos pelo underground brasileiro ao mesmo tempo em que faziam pontes no exterior. Mas desde que venho trabalhando como curador me tornei mais próximo dos integrantes da banda, fizemos shows e uma temporada no Centro da Terra juntos ao mesmo tempo em que pude acompanhar diferentes estágios do processo criativo do grupo, especificamente o disco que compuseram durante a pandemia. E conversando sobre os rumos do disco, começamos a trabalhar juntos – e além de ter assinado o release do disco novo da banda também fui convidado para dirigir o novo show do grupo, que estreia nesta quinta. Foi um jeito de conhecer melhor Tomaz, Nico, Irina e Perdido, que mostram esse disco que reflete os anos de trevas que atravessamos recentemente. A apresentação começa às 20h e chegando em cima da hora sempre dá pra conseguir uns ingressos.

Nesta edição do programa que faço sobre relações internacionais com o professor Tomaz Paoliello abordamos uma questão que é um dos motores da história – o fenômeno migratório que faz com que populações inteiras mudem de uma região para outra, às vezes dentro de um mesmo país ou continente, às vezes do outro lado do planeta. As motivações para estas mudanças podem ser de toda natureza, mas recentemente tornou-se uma questão de ordem política pois as imigrações tornaram-se mais frequentes e volumosas a partir do século 20 a ponto de serem vistas como um problema por governos e lideranças políticas, que a utilizam de acordo com sua própria agenda. Conversamos sobre como essa questão esquentou mais ainda neste século e argumentamos que deve ser pautar boa parte das discussões que teremos no futuro próximo.

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(Foto: Helena Ramos/Divulgação)

Finalmente o quarteto Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo começa a mostrar o sucessor de seu ótimo disco de estreia, lançado em 2020. Música de Esquecimento chega para todos no dia 6 de setembro e tem produção de Vítor Araújo e começa a ser mostrado a partir desta quinta-feira, quando lançam seu primeiro single, “Segredo”. Apesar do título, a música não é propriamente tão secreta assim, já que o grupo vinha tocando-a há um tempão em seus shows, mas mantém os dois pés no rock, com muita distorção. A novidade é o clipe dirigido por Dora Vinci, lançado pouco antes do single estrear nas plataformas.

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Universos colidem nesta quinta-feira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A banda da vez é o trio Xepa Sounds, liderado por Thiago França e ancorado pela percussão de Pimpa e Samba Sam em uma noite de delírio pop que vai da dance music à pagodeira, só no beat e sax – e como essa edição vai pegar fogo, melhor garantir seu ingresso antes da hora pra não correr o risco de ficar de fora. Depois assumo a discotecagem até o fim da madrugada e quem me acompanha é esta que você já deve ter sonhado com ela sem saber de seu nome: Bamboloki, que traz o puro suco dos anos 2000 para a pista de dança. O Picles fica no coração de Pinheiros – enquanto ele ainda tem um – no número 1838 da Cardeal Arcoverde e se deixar o Thiago começa a tocar na hora que abre, às oito da noite. Vem!

Você nem sabia o quanto precisava ouvir o reverendo Al Green cantando “A Perfect Day” do Lou Reed até saber dessa notícia – a versão que o mestre fez para a música mais triste do bardo do Velvet Underground foi lançada no começo desta semana e tá melhor do que você possa imaginar.

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Já falei que o documentário Elis & Tom – Só Tinha de Ser Com Você não é o Get Back brasileiro porque as imagens do encontro desses dois ícones são muito mais intensas e emocionantes que as do seriado dos Beatles, além do clássico de 1974 ser muito melhor que o disco que John, Paul, George e Ringo gravaram em janeiro de 1969. O filme de Roberto de Oliveira não é tão bem acabado quanto a obra de Peter Jackson, mas o filme é obrigatório para todo mundo que gosta de cultura no Brasil. E finalmente sai da fase dos festivais para estrear nos cinemas no dia 21 de setembro. Verei – e chorarei – de novo.

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Velhos camaradas

Bubu, Ricardo, Benjão e Marcelo já haviam se reencontrado uns com os outros depois do período tenso da pandemia, Um tá morando em Portugal, outro veio pra São Paulo e dois seguiram no Rio, distância que acabou causando um fato inédito na história do quarteto Do Amor – pela primeira vez eles compuseram um disco separados, sem tocar aquelas músicas juntos. Problemão, disco que encerra a trilogia bad vibe iniciada com Fodido Demais (2017) e seguido por Zona Morta (2019), foi vivido ao vivo pelos quatro pela primeira vez nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando, depois de três dias matando a saudade de tocar juntos no estúdio que Bubu montou em casa, eles finalmente se reencontraram no palco. A casa cheia ouviu o grupo passar por todo o disco lançado este ano mas também por diferentes fases de sua discografia, além de versões para músicas dos Beatles (“Eight Days a Week”, cantada pelo baterista) e João Donato (reverenciado em sua “Naturalmente”). Mas o mais impressionante é ver como a dinâmica musical destes velhos camaradas, uma new wave meio torta, entortada justamente pela música brasileira, parente dos Talking Heads, do Ween e dos Picassos Falsos, segue intacta, cada vez mais envolvente, seja pelo calor da música ou pelo humor infame. Showzaço!

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Maior prazer em realizar a reunião do grupo carioca Do Amor nesta terça-feira, no Centro da Terra. Sem se encontrar pessoalmente desde antes da pandemia, o clássico grupo independente formado por Gabriel “Bubu” Mayall (guitarra e voz), Gustavo Benjão (guitarra e voz), Ricardo Dias Gomes (baixo e voz) e Marcelo Callado (bateria e voz) sobem juntos no palco pela primeira vez desde 2019, quando mostram tanto músicas de seu recém-lançado disco quanto canções de seus mais de 15 anos de carreira. O espetáculo Problemão Do Amor começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link

Lenda-viva do underground carioca, Tantão já teria seu lugar na história da música brasileira ao fazer parte do clássico Black Future, com quem compôs a obra-prima Eu Sou o Rio. Autor inquieto, sempre esteve à frente de várias iniciativas dentro do campo da arte e atualmente toca sua carreira musical ao lado da dupla Os Fitas, composta por Abel Pinto Duarte e Cainã Bomílcar (a Mari, do selo QTV, explica melhor a importância do cara neste fio no Twitter). Este herói sofreu um AVC no meio do semestre passado e está precisando de ajuda, por isso a Jô criou uma vaquinha online para arrecadar fundos para o Tantão. Ela explica no site em que está organizando a arrecadação: “Tantão teve um AVC em maio, que só foi diagnosticado em junho, e ainda assim este diagnóstico não está totalmente fechado. Pra isso, precisamos de consultas, exames e o que vier pela frente: fisioterapia, fono e remédios. Começamos a fazer um orçamento desse B.O.zão, mas como realmente não temos esse número fechado, colocamos um valor considerável e vamos atualizando os gastos por aqui.” Quem puder ajudar, siga o link e mande suas boas energias para o mestre.

Entre extremos

Mais uma noite no Centro da Terra dentro da temperada Linha do Tempo Contínuo que Sandra Coutinho está conduzindo às segundas de agosto lá no teatro – e desta vez ela puxou dois extremos de sua carreira. Na primeira parte, juntou-se a Paula Rebellato (teclados, efeitos e voz) e Mari Crestani (guitarra e sax) para meia hora de improviso livre, uma de suas viagens atuais. Depois foi a vez de recriar o manifesto pós-punk new wave new age AKT, supergrupo liderado por Sandra no início dos anos 90, cujo repertório foi recriado por Bibiana Graeff (teclados, acordeão e vocais), Silvia Tape (guitarra e vocais) e Rodrigo Saldanha (bateria), num exercício pouco nostálgico cuja química da nova formação pede por novas composições. E na segunda que vem Sandra encerra a temporada puxando o lado B das Mercenárias! Imperdível!

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