
A primeira apresentação de 2024 no Centro da Terra é o produtor e MC de Niterói, Dadá Joãozinho, que, com seu disco de estreia – lançado pelo selo norte-americano Innovative Leisure – Tds Bem Global, conseguiu estar entre as revelações nacionais do ano passado. Nesta primeira apresentação no teatro, ele expande o conceito do disco e começa a mostrar os próximos passos de seu trabalho, fundindo música instrumental, jazz, beats quebrados e vocais rimados em Global Inabitual. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão sendo vendidos neste link.

Morreu o maior baixista da história do reggae – o que não é pouca coisa, uma vez que o instrumento é praticamente a âncora do gênero. Aston Barrett já teria seu lugar na história só pelo fato de ter tocado nas primeiras formações montadas pelo papa do dub, Lee “Scratch” Perry, quando ele começou a experimentar em seu estúdio na virada dos anos 60 para os anos 70. Mas a partir de 1974, quando foi convocado por Bob Marley para assumir o instrumento em sua banda, os Wailers, ele passa a dirigir musicalmente a banda do velho Bob, gravando em todos seus discos até sua morte, em 1981. É o integrante mais constante da banda de Marley ao lado de seu irmão, o baterista Carlton (que também tocou com Lee Perry). Além de Marley, também gravou discos clássicos de Bunny Wailer e Peter Tosh, ex-integrantes da banda de Bob que ganharam sua própria magnitude, além de ter sido mentor do segundo maior baixista da história do reggae, Sly Dunbar, da dupla Sly & Robbie. O apelido – homem de família – vinha da extensa prole que havia feito desde a adolescência, contabilizando mais de quarenta filhos. Um deles, justamente o Junior, primogênito, foi quem anunciou, via Instagram, que o pai havia morrido após “uma longa batalha médica”, sem especificar qual seria a causa da morte. Vai em paz, mestre!

Show dos Boogarins é sempre um acontecimento transcendental – a liga desenvolvida entre os quatro filhos do Centro Oeste transforma qualquer momento de entrosamento musical dos quatro em um delírio particular que pode ser esticado por horas se eles quiserem. Às vésperas da primeira turnê pelos EUA desde o período pandêmico, o grupo passou pelo Sesc Vila Mariana neste fim de semana celebrando os dez anos do aniversário de seu disco de estreia, Plantas Que Curam, que finalmente ressurgiu em vinil após anos fora de catálogo, e assistir a Dinho, Benke, Rapha e Ynaiã passeando por um repertório que já tem uma década não só reforça a importância do grupo na história da psicodelia brasileira como mostra que sua evolução é coesa, intensa e ampla, fluindo quase organicamente. A apresentação deste domingo contou com a íntegra do disco de 2013 – em ordem diferente -, trazendo ainda faixas que não entraram na edição original e que ressurgem nesta nova versão (como “Resolvi Ir”, que, como faziam há dez anos, fazia o show começar já engatado, “Olhos”, “A Sua Frente” e “Refazendo”), “Foi Mal” e uma faixa inédita, do próximo disco (“Cais dos Olhos” – é isso, Benke?). Por uma hora e meia de transe, o quarteto do cerrado nos submeteu a uma hipnose sonora auxiliada pelo time-família titular para além do palco (Renatão e Alejandra no som, Chrisley como roadie, Rolinos nas imagens e Igor na luz) que expandia minutos por horas psíquicas. O final da primeira parte do show, em que “Infinu”, “Fim”, “Doce” e “Eu Vou” se fundiram em uma só, foi só um dos vários exemplos que eles colocaram em prática a natureza psicodélica de seu som. Uma viagem pesada.
#boogarins #sescvilamariana #trabalhosujo2024shows 12
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Entre um show em Montevidéu e Santiago, o uruguaio Jorge Drexler arrumou um tempinho para regravar “BB”, do Tim Bernardes, em português e postar em seu Instagram para convidar o público espanhol ver os shows solo que Tim está fazendo na Península Ibérica. Ficou bonito: Continue

Durante a festa organizada pela revista Billboard antes do Grammy neste domingo, Lana Del Rey confirmou algo que já vinha atiçando: seu disco country está vindo aí. “Se não dá pra perceber pelos vencedores dos prêmios e pelos nossos artistas, o negócio da música está indo para o country”, ela disse durante a festa, como relata a própria Billboard. “Isso está acontecendo! E é por isso que Jack (Antonoff, seu produtor) me seguia para (o estúdio) Muscle Shoals, em Nashville, nos últimos quatro anos – para escrever nosso disco, que está vindo em setembro e chama-se Lasso”. Ela já flertou com o gênero musical algumas vezes, gravando os clássicos “Take Me Home, Country Roads” (de John Denver) e “Stand By Your Man” (de Tammy Wynette), além de ter feito apresentações ao vivo ao lado das estrelas country Nikki Lane e Sierra Ferrell cantando uma música que nunca lançou, chamada “Prettiest Girl In Country Music” – ou seja, ela sabe o que está fazendo… Vamos ver.

Fui mais uma vez reencontrar o mestre Jards Macalé, desta vez no Sesc Bom Retiro, onde ele está mostra, durante o fim de semana, seu ótimo Coração Bifurcado, que produziu no ano passado ao lado de Rômulo Froes, Rodrigo Campos, Guilherme Held, Pedro Dantas e Thomas Harres, que no palco surge com uma superbanda formada apenas por mulheres: a gigantesca Maíra Freitas, a guitar heroine Navalha Carrera (que toca na banda da Letrux), Lelena Anhaia (eterna parceira de Anelis Assumpção), a espoleta Victoria dos Santos, Aline Gonçalves e Flavia Belchior. Mas Jards também quis seu momento solo e com seu instrumento passou por três do disco mais recente (“Mistérios do Nosso Amor”, cantada no disco por Bethania, “Grãos de Açúcar” e “Simples Assim”, acompanhada pela voz e pelo piano de Maíra) e pela maravilhosa instrumental “Um Abraço do João”, em que saúda o mestre João Gilberto com um causo incluído em todos seus shows depois da pandemia. Com a banda completa, que além de repassar quase todo o repertório do disco do ano passado, ainda desbravou seus clássicos “Mal Secreto” (emendada, como vem fazendo, com “Corcovado”), “Hotel das Estrelas”, “Soluços” e “Meu Amor, Meu Cansaço”, esta última mais recente mas que já chegou a esse status – foi quando ele apresentou as musicistas que o acompanhavam uma a uma. Foi demais.
#jardsmacale #sescbomretiro #trabalhosujo2024shows 11

Outro que nos deixa neste início de fevereiro é o mestre Wayne Kramer, fundador do MC5 e um dos progenitores do punk rock. Com sua banda seminal, abriu um talho na cabeça do rock dos anos 80 ao colocar Detroit no mapa do rock norte-americano ao lado dos conterrâneos Stooges e Alice Cooper. Com o MC5, colocou o rock de garagem dos anos 60 numa britadeira elétrica e junto com o compadre Fred “Sonic” Smith (que anos mais tarde tornaria-se marido de Patti Smith) transformou a guitarra elétrica em um instrumento ao mesmo tempo barulhento e agressivo, como nenhum outro músico daquele período havia feito. E o rugido de suas guitarras ecoavam os gritos politizados incitados pelo empresário do grupo, o ativista John Sinclair. E por mais que o impacto musical de sua influência não tenha sido registrado com eficácia (à exceção do primeiro disco da banda, o imortal Kick Out the Jams, gravado ao vivo), sua influência atravessou os anos 70, mesmo que neste período tenha se afastado da música por conta das drogas e se envolvidos com pequenos delitos que o levaram à cadeia. Ao sair do xilindró, em 1979, mudou-se para Nova York e tocou com um sem número de bandas punk iniciantes, já na segunda leva do punk nova-iorquino. Sua carreira foi ressuscitada de fato nos anos 90, quando o líder do Bad Religion, Brett Gurewitz, o assinou em sua gravadora Epitaph. Aos poucos foi sendo reconhecidos por gerações ainda mais novas até que, no começo deste século, reativou o MC5 com uma série de colaborações ilustres, tocando inclusive no Brasil (com Mark Arm, do Mudhoney, nos vocais). Além da carreira musical também tinha um trabalho social sério voltado à reabilitação tanto de usuários de drogas quanto de ex-presidiários. Sua passagem foi anunciada nessa sexta-feira em suas mídias sociais, mas não há notícias sobre a causa da morte.

Carl Weathers é mais um que nos deixa neste início do ano. Ex-jogador de futebol norte-americano, tornou-se mais conhecido justamente pelo papel que lhe transformou em ator, Apollo Creed, antagonista do personagem que lançou Sylvester Stallone como ator no filme Rocky – Um Lutador. Mas Weathers não ficou preso a um só personagem (que interpretou por quatro filmes) e a fama como Apollo lhe deu papéis como o coronel Al Dillon no filme Predador, o brinquedo Combat Carl da franquia Toy Story, o caçador de recompensas Greef Karga na recente série de Guerra nas Estrelas, Mandalorian, além de interpretar uma versão fictícia de si mesmo na série Arrested Development.

A Apple TV acaba de anunciar mais um filme da turma do Charlie Brown para derreter nossos corações. Welcome Home, Franklin, que estreia no próximo dia 16, conta a história de como o personagem coadjuvante entrou numa dessas turmas de moleques que crescemos juntos. O trailer é de chorar, prepare-se.
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Viramos o primeiro mês de 2024 e a vocalista do Portishead, Beth Gibbobs, acaba de anunciar seu primeiro disco solo em um post no Instagram, em que publicou uma carta escrita à mão que traduzo abaixo: Continue