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Jornalismo

Mais dois alagoanos que vêm mostrar sua face nesta primeira segunda-feira pós-carnaval no Centro da Terra, quando o compositor João Menezes recebe a comadre cantora e compositora Marina Nemésio para o espetáculo 12 Metros Terra Adentro, em que ambos mostram músicas de seus respectivos repertórios. Os dois vêm apenas com suas vozes e seus instrumentos (João toca violão e baixo, Marina toca violão) e com o compadre Meno del Picchia, que os acompanha no piano e no baixo em versões intimistas de suas músicas, incluindo inéditas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Vamos a mais uma festa daquelas? É a segunda Desaniversário do mês, mas como a primeira foi nosso Baile à Fantasia de Carnaval, resolvemos fazer outra em fevereiro para mostrar que 2024 já começou daquele jeito! Aquele nosso encontro que você dança até se acabar mas volta cedo pra casa porque quer aproveitar o domingo acontece neste sábado, dia 24 de fevereiro, quando eu, Clarice, Claudinho e Camila nos reunimos para mais uma daquelas sessões de descarrego feliz, com a vantagem de estarmos comemorando outro aniversário em pleno Desaniversário, desta vez da nossa musa da moda Camila Yahn! A festa, como sempre, acontece lá no nosso cantinho favorito do Pacaembu, o Bubu, que fica na marquise do estádio, na Praça Charles Miller, s/n°, começa às 19h e termina à meia-noite, como toda festa de adulto que se preze… Vamos lá?

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Ao apresentar seu Favelost neste sábado no Sesc Avenida Paulista, Fausto Fawcett reuniu uma banda que deu um sabor ao mesmo tempo novo e retrô ao seu poema épico e decadente sobre a megalópole do terceiro mundo. Ao lado do casal Leela (Bianca Jhordão e Rodrigo Brandão, ambos empunhando guitarras, Bianca às vezes arriscava-se no theremin), ele substituiu a cozinha de uma banda de rock pelos sintetizadores de Paulo Beto, soando simultaneamente dance e rock e deixando sua verborragia apocalíptica, ir rumo à psicodelia dançante da Manchester do final dos anos 80, a famigerada Madchester, mas com o tempero sensual, decadente e brasileiro característico de sua poética. Misturando samples de Rolling Stones, Led Zeppelin, Bee Gees e “Please Don’t Let Me Be Misunderstood” no meio de pérolas de seu repertório como “Facada Leite Moça”, “Santa Clara Poltergeist”, “Drops de Istambul” e “Caligula Freejack”, ele ainda recebeu a presença de Edgard Scandurra e Fernanda D’Umbra, com quem tocou “De Quando Lamentávamos o Disco Arranhado” da banda desta última, o Fábrica de Animais. O espetáculo ainda teve os visuais do diretor Jodele Larcher e a reverência ao hit imortal “Kátia Flávia”, revisitado com direito a parte dois, quando a protagonista sai do submundo cão para assumir o “supermundo cão” fazendo OnlyFans para agentes de inteligência e do crime organizado em troca de segredos de estado. E, de repente, em 2024, as hipérboles de Fausto não parecem tão exageradas quanto eram no século passado. Showzaço.

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As minas do Miquelina, simpático pub que fica ali na Bela Vista, me chamaram pra tocar lá no primeiro sábado pós-carnaval, por isso assumo a pista num set comprido a partir das dez da noite, passando por clássicos do rock, hits R&B, hinos da música brasileira, petardos da música eletrônica, joias pop e todo o tipo de música que faça todo mundo se mexer sem parar. O Miquelina fica na Rua Francisca Miquelina, 66, e a entrada custa 15 reais. Vamos lá?

Acabou a moleza?

“A temporada de treino acabou”, canta Dua Lipa em seu novo single, “Training Season”. Será? Afinal de contas, mesmo com todos os instrumentos e vocais de apoio do senhor Tame Impala (Kevin Parker), que assina a música ao lado da vocalista e do midas pop Tobias Jesso Jr. (que depois de abandonar sua carreira solo com o ótimo disco Goon, de 2013, escreveu hits para Adele, Shawn Mendes, John Legend, Pink, Florece and the Machine, Haim, Elle Goulding, FKA Twigs, Harry Styles e Miley Cyrus), a música parece uma mera continuação de seu disco de 2020, Future Nostalgia, algo que já havia acontecido com o primeiro single que ela lançou, “Houdini”. O clipe, que mostra ela sendo blasé ao ser desejada por uma multidão de homens num bar em Londres, está longe de ser uma boa ideia e por melhor que seja executada parece tão descartável quanto a nova canção. Só dá pra entender que ela pode apontar para um outro lado se esses dois primeiros singles são justamente uma forma de desviar a atenção para uma mudança (daí a ênfase na frase que destaquei no início do texto) que não a faça apenas repetir as fórmulas de seu segundo disco. Falta sustança:

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Ave Tom Zé!

Não consegui assistir à estreia de Tom Zé na Casa de Francisca no mês passado, mas felizmente (e graças a um bem-vindo ingresso em cima da hora, valeu Leoni!) pude ver o mestre em ação num dos palcos mais emblemáticos da cidade nesta quinta-feira, em sua segunda aparição num dos palcos mais emblemáticos de São Paulo. E como o mestre baiano cai bem naquele lugar. Mais à vontade do que na média de seus shows, ele aproveitou a intimidade com o público para esticar longas conversas sobre assuntos mais diversos entre – e às vezes durante – suas músicas. Sem um show recente específico, Tom Zé passeou por pérolas de seu repertório que passeiam tanto por clássicos de sua discografia quanto discos mais recentes, acompanhado da mesma banda que reuniu depois que conseguimos sair do pesadelo da pandemia, com o guitarrista Daniel Maia, a tecladista e vocalista Cristina Carneiro, o baixista Felipe Alves, o baterista Fábio Alves e a vocalista Andreia Dias, todos atentos ao velho mago entre suas estrepolias e causos contados no palco. Ele abriu o show lembrando do desfile do bloco de carnaval em sua homenagem, o Abacaxi de Irará (e cantou a música que deu origem ao nome do bloco), que sai neste sábado e aproveitou para lembrar histórias do tempo em que sua cidade tinha só três mil habitantes, enquanto percorria por pérolas como “Hein?”, “Não Urine no Chão”, “Jimi Renda-se”, “Xique-Xique”, “Tô”, “2001”, “Não Tenha Ódio no Verão”, “Jingle do Disco”, “Menina Amanhã de Manhã”, “Aviso Aos Passageiros”. “Politicar” e “Amarração do Amor”, antes de reverenciar Adoniran Barbosa em duas músicas que diz ter se inspirado no clássico sambista paulistano, “Augusta, Angélica e Consolação” e “A Volta do Trem das Onze”, e nesta última Tom Zé puxou uma longa conversa sobre sua infância e sobre a ausência de ferrovias no Brasil. Sério e austero quando começava a falar, parecia estar passando um pito no público que só queria se divertir, mas logo em seguida derretia-se em gingado e sorrisos assim que começava a cantar, uma usina de energia que o tempo todo nos faz esquecer que ele está com quase 90 anos de idade. Um patrimônio vivo da cultura brasileira. Ave Tom Zé!

#tomze #casadefrancisca #trabalhosujo2024shows 19

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Vem Warpaint!

Nossas amigas do Warpaint comemoraram o aniversário de vinte anos (já?) com um novo single, “Common Blue”, que chega com um clipe em clima de retrospectiva de carreira (veja abaixo) ao mesmo tempo em que elas anunciam mais uma turnê pelos EUA. No dia 22 do mês que vem elas lançam o single em vinil, que vem com o lado B “Underneath”, as duas primeiras músicas que lançam desde o ótimo Radiate Like This, de 2022. Elas bem que podiam esticar essa turnê pra cá, hein…

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Mais uma música – e um clipe – do próximo disco de Kim Gordon, The Collective, que sai no começo do mês que vem (e já está em pré-venda). Como a primeira faixa (“Bye Bye“), esta “I’m a Man” mantém o clima de trap com beats insistentes, timbres distorcidos e vocal falado na sua cara e também tem um clipe estrelado pela filha de Kim, Coco Gordon Moore. Assista abaixo: Continue

Cows in the Pasture ainda nem tinha nome quando estava sendo cogitado, mas o disco de country que Brian Wilson estava fazendo enquanto gravava o Sunflower dos Beach Boys em 1970 parece que finalmente verá a luz do dia. Instigado pela paixão do empresário do grupo pelo gênero musical, o líder dos Beach Boys resolveu dirigir um disco dedicado à country music que tivesse ninguém menos que o próprio agente da banda, Fred Vail, nos vocais. Naquela época Brian já não fazia mais shows com sua banda, dedicando-se apenas à composição e às gravações do material que depois sairia em turnê, e a ideia de tocar um disco em que não precisasse ser o principal artista mexeu com o velho beach boy. Fred, que nunca havia cantado profissionalmente na vida mas era um fã ardoroso de música country, comprou a ideia e juntos fizeram gravações junto a músicos com quem Brian nunca havia gravado, todos de raiz caipira (os guitarristas James Burton e Red Rhodes e o pianista Glen D. Hardin) e juntos compuseram e gravaram 14 músicas que ficaram esquecidas no arquivo do grupo, como uma pitoresca nota de rodapé na história da banda. Mas a equipe de Brian descobriu essas fitas há dez anos e entrou em contato com Fred, que quis mantê-las. E agora ele conta à revista Rolling Stone que, ao lado do produtor de Nashville Sam Parker, com quem desenvolveu uma amizade há poucos anos, irá recuperar este disco, provavelmente para lançar no ano que vem. Fred regravará os vocais, mesmo com sua voz envelhecida, e o disco contará com participações especiais. “Há lendas do country e lendas do rock’n’roll, nomes do country contemporâneo e alguns popstars”, antecipou Parker, sem revelar os nomes, que ainda estão sendo negociados. O único que pode antecipar é o envolvimento de T Bone Burnett com o projeto. Vail foi empresário dos Beach Boys desde os primeiros anos da banda e cresceu junto ao grupo como um irmão mais velho, além de ter uma trajetória que mistura-se com a própria história do rock, nos anos 50, que será contada em uma série documental que acompanhará o lançamento no ano que vem. É mais um aceno para o gênero voltar ao centro da música pop dos EUA, depois das pesadas adesões de Lana Del Rey e Beyoncé.

Imagine se você pudesse ver, numa mesma noite, shows de Lionel Richie, Diana Ross, Al Green, Gladys Knight, os Isley Brothers, Smokey Robinson, Dionne Warwick, Nile Rodgers e seu Chic, os Animals de Eric Burdon, Chaka Khan, Charlie Wilson, os O’Jays, George Clinton e seu & Parliament Funkadelic, o War, Los Lobos, os Stylistics, os Delfonics, os Manhattans, os Chi-Lites, o Zapp, o Cameo, Kool & the Gang, Rose Royce, a Dazz Band, o Time do Morris Day, as Pointers Sisters e o Mayer Hawthorne, entre outros artistas? Pois este é o pesadíssimo elenco da primeira edição do festival Fool in Love, que acontecerá no 31 de agosto, em Los Angeles, nos EUA, no Sofi Stadium. É o terceiro evento histórico que a cidade recebe no mesmo mês, além da volta dos Head Hunters de Herbie Hancock e o primeiro show em anos de Joni Mitchell. Os ingressos começam a ser vendidos pelo site do festival a partir dessa sexta-feira, dia 16. Quem vai?