
A noite de quarta terminou com o encontro de duas novas bandas na Porta Maldita, que é uma das melhores pequenas casas de show do underground de São Paulo, quando os baianos dos Tangolo Mangos, tocando onde dá em São Paulo desde que os chamei pro Inferninho Trabalho Sujo no Picles, encontraram-se com o quarteto paulistano Os Fonsecas – dois grupos que mostram a intensidade de uma nova geração de artistas que equilibra-se entre a MPB e o indie rock e que aos poucos vem se estabelecendo em diferentes cidades do Brasil. Com a casa cheia em plena quarta-feira, a noite começou com uma apresentação bem mais firme da que havia visto do grupo encabeçado pelo vocalista Felipe Távora, que acaba de lançar seu primeiro álbum, Estranho Pra Vizinha. À frente de um dos melhores power trios da nova cena de São Paulo (Valentim Frateschi no baixo, Caio Colasante na guitarra e Thalin na bateria), o vocalista tinha mais presença de palco e estava mais à vontade com os músicos, o que não aconteceu no primeiro show que vi deles naquela mesma casa – depois ele me confessou que aquele show anterior havia sido muito “caótico”. Como naquele outro show, este também terminou com a participação do vocalista do Tangolo, Felipe Vaqueiro, tocando sua já famosa gaita. Uma boa amostra do que está vindo por aí…
Depois dos Fonsecas foi a vez dos Tangolo Mangos subirem no palco para mostrar quase todo seu disco de estreia Garatujas, além de músicas de seus primeiros EPs e outras inéditas. O grupo vem de uma sequência intensa de shows paulistas: além do Inferninho Trabalho Sujo, eles ainda tocaram em Campinas, Santo André e abriram para a Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo na Casa Natura, além de participar de uma festa junina no Porta como banda surpresa, domingo passado, sempre com o guitarrista dos Fonsecas, Caio Colasante, como quinto integrante. Essa sequência pode até cobrar um preço pelo cansaço, mas inevitavelmente deixa qualquer grupo tinindo e o guitarrista Felipe Vaqueiro, o baixista João Denovaro, o percussionista Bruno Fechine e o baterista João Antônio Dourado estavam completamente entrosados, enfileirando músicas em alguns casos de improviso. O grande momento do show acabou por coroar o encontro das duas noites, quando chamaram o baixista da banda de abertura, Valentim Frateschi, para cantar seu single “Falando Nisso”, música que o próprio Tim revelou ter sido composta inspirada na banda baiana. Antes da noite terminar ainda chamaram o tecladista do Eiras e Beiras, Eduardo Barquinho, para acompanhar o grupo por três músicas, que encerraram a apresentação com o público cantando músicas gigantescas a plenos pulmões. Esta nova onda está só começando a crescer…
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Jadsa subiu no palco do auditório do Sesc Pinheiros nesta quarta-feira com uma banda enxuta e já dando os passos decisivos para o que deverá ser seu segundo disco, Big Buraco. Ela começou a experimentar este conceito numa temporada que fizemos ano passado no Centro da Terra, quando chamou, como ela mesma lembrou, Fernando Catatau, Alessandra Leão, Juçara Marçal, Marina Melo, Josyara, Marcelle, Kiko Dinucci e Giovani Cidreira em diferentes noites para começar a desbravar o conceito sobre um buraco enorme que carregamos e que precisamos preencher durante nossas vidas. Desde então vem experimentando novas formações e desbravando ainda mais esse abismo espiritual interior enquanto vem gravando estas experiências no que deverá ser este disco, desta vez com a produção do maestro carioca Antonio Neves – e o motivo desta apresentação no meio da semana foi celebrar o encontro dos dois no mesmo palco em que o próprio Neves fez seu primeiro show, ainda com 14 anos de idade. Ao lado dos dois, outra dupla singular, uma cozinha precisa reunida como braços direitos de cada um, do lado de Jadsa o percussionista e manipulador de efeitos Felipe Galli e do lado de Antonio o monstruoso baixista Paulo Emmery. Mas as separações se desfazem logo na primeira música e aos poucos os quatro se amalgamam em uma só entidade, que vai para um universo diferente do disco de estreia da baiana, Olho de Vidro. Neves não tocou no seu instrumento principal, o trombone, dividindo-se entre a guitarra, a bateria e o trompete, deixando Jadsa brilhar com sua voz e guitarra em momentos que iam do reggae à MPB, do jazz à psicodelia. A apresentação culminou na única faixa não-inédita da noite, “Um Choro”, que Jad compôs para o EP que Juçara Marçal lançou como continuação de seu soberbo Delta Estácio Blues.
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“Sem motoboy São Paulo para”, encerra uma voz, em português, o clipe da nova música de Manu Chao, “São Paulo Motoboy”, faixa que usou para reforçar o lançamento de seu próximo álbum, Viva Tu, que anunciou no início do mês. É o primeiro disco de inéditas do cantor francês em 17 anos e a nova música foi feita influenciada pelo impacto destes trabalhadores na vida da cidade que visitou por duas vezes no último ano. O clipe e a música, ambos com texto em português, registra o drama paulistano destes trabalhadores que sustentam a economia da cidade ganhando mal, trabalhando muito e arriscando a própria vida cotidianamente, enquanto a música narra esse cotidiano sobre uma base conhecida dos fãs do compositor sem pátria, “King of Bongo”, só que um vocal bem mais tenso que a música original, como pede o tema. É o segundo single do novo disco de Chao (o primeiro foi a faixa-título, lançada há um mês), que será lançado no dia 20 de setembro e ainda conta com participações do caubói norte-americano Willie Nelson e do francês Laeti.
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“Eu não sou Jesus, mas tenho as mesmas iniciais”, apresentava-se Jarvis Cocker, vocalista do Pulp, pela metade dos anos 90 quando tornou-se um dos grandes nomes do pop britânico – e embora não tenha precisado usar estas credenciais, lá estava ele, domingo passado, dividindo os vocais com Jim Reid, do Jesus & Mary Chain, na última noite do festival italiano Medimex, na cidade de Taranto. Jarvis foi chamado para participar do show da clássica banda indie escocesa e assumiu os vocais no grande hit da banda, a irresistível “Just Like Honey”, num momento épico para o indie britânico. Quem dera…
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Clara Castro e Nathan Itaborahy fizeram bonito ao misturar suas carreiras solo num mesmo espetáculo nesta terça-feira no Centro da Terra, quando, acompanhados pelos músicos Lucas Gonçalves e Douglas Poerner visitaram diferentes fases de suas respectivas carreiras, além de apontar as novas composições que devem se materializar nos novos discos de cada um ainda no próximo semestre. Apenas o baixista Douglas Poerner manteve-se em seu instrumento e os outros músicos revezaram-se pelo palco a cada nova fase do show: os dois começaram mostrando músicas de Nathan, com este na guitarra, Clara ao violão e Lucas na bateria. Clara ainda passou pela flauta e pela bateria (sempre fazendo vocais) até assumir suas canções, quando Lucas foi para a guitarra e Nathan para a bateria. Entre o rock, o funk e a MPB, com algumas doses de jazz, música caipira e blues, os dois esbanjaram carisma em canções por vezes melancólicas mas em sua maioria ensolaradas – e ainda contaram com a participação da poeta e MC Laura Conceição em uma das faixas. Agora é colocar os dois shows – e discos! – na rua!
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E encerrando a safra de apresentações musicais deste junho no Centro da Terra, temos uma atração dupla nesta última terça-feira do mês, quando o casal de Juiz de Fora Clara Castro e Nathan Itaborahy juntam-se para realizar um mesmo espetáculo, contemplando as carreiras individuais de cada um. Ela começa a mostrar seu álbum Perambule (com produção do próprio Nathan) e previsto para ser lançado no próximo mês de agosto enquanto ele mostra o groove de sua sonoridade solo, também aos poucos mostrando o início de um novo trabalho. A dupla mineira é acompanhada pelos músicos Lucas Gonçalves (guitarra, bateria e voz) e Douglas Poerner (baixo e cavaquinho) e a apresentação ainda contará com a presença de Laura Conceição, MC e poeta da cidade dos dois. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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Desfrute este momento: domingo passado Alanis Morissette convidou sua filha Onyx para o palco da Bridgestone Arena, na cidade norte-americana de Nashville, por onde passava a turnê que está fazendo em conjunto com a Joan Jett, e depois de fazer o público cantar parabéns para a menina (era seu aniversário), colocou-a no centro das atenções para cantar seu grande hit “Ironic”. Vê-la cantando com tanta força não só nos dá mais esperança sobre as novas gerações, como derreteu o coração da cantora canadense em público, para delírio de todos. Depois ela publcaria em seu Instagram: “O momento raivoso da garota do aniversário 💫✨ cantando ‘Ironic’ juntas 😭😭😭😭😭😭😭😭🎂🥹🥹🥹🥹 Te amo tanto Onyx, você é minha filha dos sonhos”. Haja amor.
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Para encerrar sua autoproclamada Temporada do Medo no Centro da Terra, a dupla Test praticamente não esteve no palco na última segunda-feira do mês, quando em vez de encarar mais uma vez o público em outra versão deformada de seu Disco Normal, preferiu chamar dois trios formmados de baixo, vocal e bateria para encarnarem o Test Fantasma. A única aparição física do guitarrista João foi no início da apresentação, quando subiu pelo alçapão do teatro para o palco, ainda com as luzes acesas, para logo em seguida assumir a iluminação da noite, enquanto seus convidados iam chegando pouco a pouco, começando por Sarine, que pilotava uma das baterias, seguido por Berna, que assumiu o baixo elétrico um pouco antes de Flavio Lazzarini assumir a segunda bateria e Alex Dias erguer seu contrabaixo acústico, tocando as mesmíssimas músicas que o Test tocou nas três noites anteriores, só que com novos arranjos, igualmente extremos. Logo depois os dois vocalistas da noite – Tomás Moreira e Chris Justino – começaram a urrar as letras das canções, fazendo a apresentação ganhar camadas de improviso e ruído que ficaram em algum lugar entre a formação da apresentação anterior – que já teve muita interferência eletrônica, desta vez capitaneada por Berna, Sarine e Flavio – e o épico formato Test Big Band, em que o grupo ultrapassa a dezena de cabeças no palco. O baterista Barata, por sua vez, assistiu à toda apresentação em uma das poltronas do teatro e só subiu ao palco depois que a noite terminou, quando foi cumprimentar os músicos convidados, provando que a banda pode existir sem mesmo ter a presença de seus dois integrantes. Um fecho brilhante para uma temporada intensa.
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E ele vem mesmo! Depois de muito fazer charme anunciando datas na América do Sul, no México e na Europa como parte da versão 2024 de sua Got Back Tour, Paul McCartney finalmente anuncia os shows deste ano no Brasil, em outubro: no dia 15 toca em São Paulo (como parte das comemorações de 10 anos do novo patrocinador do estádio do Palmeiras, que o recebeu pela primeira vez há dez anos) e no dia 19 toca pela primeira vez em Florianópolis, no Estádio da Ressacada – e os ingressos começam a ser vendidos nesta terça-feira mesmo. “Terminar 2023 no Brasil foi uma experiência incrível”, disse o eterno beatle ao anunciar as novas datas. “O calor e amor que vocês nos mostraram foi inacreditável, sabíamos que tínhamos que voltar e vê-los de novo. Vocês sabem como fazer uma festa e se acabar e estamos muito animados de voltar esse ano: ‘o pai tá on!'” e a infame última frase foi escrita em português. E não duvide nada se ele anunciar ainda mais datas no Brasil nos próximos dias…

(Foto: Davi Pacheco/Divulgação)
A produtora carioca Natália Lebeis, gestora do festival de música avançada Novas Frequências, vem passando por um processo de transformação que lhe tira dos bastidores para lançar sua própria carreira artística – e o primeiro aperitivo chega em primeira mão no Trabalho Sujo. O single “Égua Solta”, que mistura influências eletrônicas e de música brasileira da nova artista, chega às plataformas de áudio nessa terça-feira, mas já pode ser ouvido anteriormente aqui no site, e é o primeiro registro público do álbum Choque Eletrostático, que compôs ao lado dos conterrâneos produtores Jonas Sá e Thiago Nassif, que será lançado em agosto. Ela explica que essa mutação aconteceu durante a pandemia: “O Jonas e o Thiago chamaram o Pedro Sá pra colaborar na criação dos arranjos e então eles ficavam de um lado da câmera e eu do outro; escutávamos juntos as composições e eles iam trabalhando lá no estúdio do Jonas no Rio de Janeiro”, me conta a nova cantora. “Depois quando pudemos nos encontrar – eu, Jonas e Thiago – já tínhamos algumas coisas super legais, e a partir daí tudo foi muito orgânico”, continua, “fizemos um disco de colagens sonoras, cheio de camadas e texturas, que é uma zona de interesse dos três então nos entendemos desde o primeiro momento.” Ela mais especificamente de ter escolhido essa faixa para começar os trabalhos – e abrir o disco: “Foi uma das últimas músicas que escrevi e não planejei que ela fosse o primeiro single, foi uma sugestão da meu selo (Toca Discos) e achei que eles estavam certos. É simbólico que ela esteja abrindo alas porque ela nasce como resposta a uma experiência traumática de relacionamento que mudou radicalmente a maneira como eu me entendo no mundo. Ela é um recado, mas sobretudo também, uma afirmação.”
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