
Ano passado comentei que a RTP, o canal público de TV em Portugal, havia disponibilizado em seu site a íntegra do clássico programa Discorama que em 1969 recebeu os Mutantes em Lisboa, um dos principais registros audiovisuais de uma das principais bandas da história do Brasil, que já circulava por outros meios em versões de baixa qualidade. Além de tocar ao vivo quatro músicas (“Panis et Circensis”, “A Minha Menina”, “Caminhante Noturno” e “Banho de Lua”, além de uma versão criminosamente cortada pela metade de “Trem Fantasma”), o programa ainda acompanha o grupo passeando pela capital portuguesa ao som de músicas do disco Tropicália ou Panis et Circensis, além de entrevistar Arnaldo Baptista e Rita Lee. E era inevitável que o programa fosse parar no YouTube, como dá para ver abaixo: Continue

Conheci o trabalho de Maxim Ludwig graças à estrela Angel Olsen, que vinha fazendo turnê a seu lado e o inclusive o chamou para cantar junto em sua participação no recém-lançado tributo a Lou Reed, quando cantaram juntos “I Can’t Stand It”, do Velvet Underground. E essa semana mais uma vez ela chamou atenção de seu compadre ao fazer a segunda voz para o single “Mercury Avenue”, que ele acaba de lançar. “Quando Maxim tocou a demo de ‘Mercury Avenue’ pela primeira vez pra mim, eu timidamente perguntei se ele não se importava que eu a cantasse com ele em seu próximo show”, escreveu Angel em seu Instagram, “o verso ‘eu sei como é estar vivo, estive aí antes’ lembrou das tantas vezes que eu me descolei completamente de mim mesma, anestesiada e em busca do mínimo sinal de mudanças ou força. As palavras bateram em mim imediatamente”. Abaixo separei tanto o clipe dessa música lindíssima que os dois acabaram de lançar como o vídeo em que ela menciona sua participação no show de Maxim, assista abaixo: Continue

E ao que tudo indica, o anúncio que David Lynch agendou para este cinco de junho não é de uma obra propriamente sua, já que parece antecipar apenas o novo disco da cantora e atriz Chrysta Bell, produzido pelo próprio Lynch. Cellophane Memories é o sexto disco da cantora norte-americana, que conheceu Lynch em 1998 e só foi colaborar com ele quase dez anos depois, quando o diretor incluiu uma parceria dos dois na trilha sonora de seu Império dos Sonhos. Depois, em 2011, Lynch produziu um disco em parceria com ela (This Train), em que a cantora musicou seus poemas, colaboração que continuou quando ela cantou “Sycamore Trees”, da trilha de Twin Peaks, na abertura de uma mostra australiana em homenagem ao diretor em 2015, chamada David Lynch: Between Two Worlds, e depois no EP Somewhere in the Nowhere, em 2017. Seus discos seguintes foram produzidos por John Parish e Chris Smart, mas a parceria com Lynch continuou quando ele a convidou para participar da terceira temporada de Twin Peaks fazendo o papel da agente do FBI Tamara “Tammy” Preston. O novo disco de Bell, que agora assina Chrystabell, é mais uma parceria com Lynch e será lançado no dia 8 de agosto e um link para o serviço de streaming da Apple na Nova Zelândia acabou entregando que o disco será anunciado nessa quarta-feira, provavelmente com o anúncio do primeiro single, que parecer ser a última faixa do disco, “Sublime Eternal Love”. Além da data de lançamento, também apareceram a capa do disco, o nome das músicas e um link com o áudio do primeiro single, que mantém aquele climão típico das cenas de encerramento de alguns episódios-chave da série. Resta saber se o single terá um clipe e se este será dirigido por Lynch, que prometeu na semana passada que algo que estava vindo para ser visto e ouvido. A capa do disco, o nome das músicas, Bell cantando “Sycamore Trees” e o link para “Sublime Eternal Love” podem ser vistos abaixo: Continue

Encarnado e desencantado! Como Juçara falou logo no começo da primeira das duas apresentações que está fazendo no Centro da Terra neste começo de mês, retomar seu primeiro disco solo em formato acústico fecha a tampa de um alçapão que nos foi aberto bem quando ela começava uma temporada de shows no teatro revisitando seu primeiro disco (que naquele março de 2020, que viu o começo da pandemia, completava seis anos) sem instrumentos elétricos – e sem microfones ou amplificadores, só no gogó e na unha, como ela mesma disse. A nova versão acústica de seu Encarnado, que agora completa 10 anos, foi diferente daquela antes de entrarmos na tragédia pandêmica, pois além de microfone e instrumentos plugados também contava com a iluminação de Olívia Munhoz, que já havia feito no primeiro aniversário do disco esse ano, no Sesc Vila Mariana. Ao seu lado, os suspeitos de sempre (Kiko Dinucci, pela primeira vez tocando violão com cordas de aço num show, Rodrigo Campos e Thomas Rohrer) a ajudavam a conduzir-nos a um território cru e direto, sem meios termos passando por novos (“A Velha da Capa Preta” de Siba, “Ciranda do Aborto” – o momento mais intenso do disco e do show – e “João Caranca” de Kiko, “Pena Mais Que Perfeita” de Gui Amabis, “Velho Amarelo” de Rodrigo, “Presente de Casamento” de Romulo Froes e Thiago França e “Canção Pra Ninar o Oxum” de Douglas Germano, entre outras) e velhos (“E o Quico?” de Itamar Assumpção e “Não Tenha Ódio no Verão” de Tom Zé) clássicos da música brasileira. Dois destes últimos surgiram nessa versão ao vivo, primeiro “Xote de Navegação”, de Chico Buarque (em que Juçara foi acompanhada apenas por Rohrer tocando um fuê!), e depois “Comprimido” de Paulinho da Viola (em que trocou “um samba do Chico” por “um samba do Kiko”). Com a luz de Olívia perseguindo os silêncios e esporros do som (indo da penumbra quase completa aos faróis na cara do público), a apresentação terminou com um bis intenso, quando ela voltou a música do Tom Zé e pediu para que o público a acompanhasse seus gritos do refrão, fazendo com que todos exorcisassem, aos berros, o pesadelo dos últimos quatro anos, transformando o teatro numa câmara de descompressão de frustrações do período pandêmico. Irretocável. E terça que vem tem mais.
Assista abaixo: Continue

Em março de 2020, Juçara Marçal começou uma temporada no Centro da Terra em que visitava seu primeiro disco solo, Encarnado, num formato diferente – colocando seus chapas Kiko Dinucci, Rodrigo Campos e Thomas Rohrer, que marcaram presença no disco, para tocar instrumentos acústicos, dando uma outra roupagem às canções. Mas o mês desta temporada também foi o mesmo em que afundamos naquele pesadelo chamado pandemia do coronavírus e inevitavelmente a série de apresentações foi suspensa após a primeira noite. Mas sempre conversava com ela sobre a possibilidade de retomarmos aqueles shows. Eis que finalmente conseguimos realizá-los novamente agora neste início de junho, com duas apresentações, que além de ter Kiko tocando violão de aço, Rodrigo no violão e cavaquinho e Thomas na rabeca, ainda traz a luz da Olívia Munhoz, que iluminou o show de aniversário do disco, que completa 10 anos em 2024, agora no início do ano. Serão duas apresentações em duas terças, 4 e 11, e a primeira delas já está com ingressos esgotados.
#jucaramarcalnocentrodaterra #jucaramarcal #centrodaterra2024

Paul McCartney veio ao Brasil no ano passado e o José Norberto Flesch acaba de cravar que ele volta ainda esse ano! São poucas informações adiantadas pelo Flesch, que deixou no ar a possibilidade de ele passar por cidades que não passou na vinda de 2023 pra cá (quando passou por Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro) e que sua décima primeira vinda ao Brasil aconteceria entre novembro e dezembro deste ano. Pra quem perdeu o fio da meada, Paul veio ao Brasil em 1990, 1993, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2017, 2019 e 2023! E é claro que estaremos lá mais uma vez, rezando nossa missa beatle e cantando todos os nanananas de “Hey Jude” possíveis. Triste é quem não tem um ídolo desse quilate vindo pra cá toda hora.
Veja abaixo o anúncio do Flesch: Continue

A primeira noite da temporada que o Test está fazendo no Centro da Terra durante este mês foi só um aperitivo da experiência sônica que a dupla formada por João e Barata irão proporcionar neste mês de junho. Sem participações musicais, a rigor foi um show semelhante aos que a banda vem fazendo, mas a convidada da noite deu um tempero extraordinário para a apresentação. A vídeo-artista Carol Costa cobriu o show dos dois com um amálgama de imagens que misturava filmes educativos de antes da Segunda Guerra Mundial, comerciais dos anos 70, documentários sobre a natureza e cenas de cirurgias criando uma colagem visual aparentemente díspare que ia criando um sentido à medida em que era sincronizada com as cadênciais em que os dois alternavam intensidades de velocidade e ruído. E ao fazer isso num teatro, com o público sentado, o trio criou uma sensação de cinema imersivo que deixou a plateia emudecida por quase uma hora sem parar, vítima de um impacto fulminante. E se pensarmos que os próximos shows terão a presença de outros músicos e manipuladores de som, o céu da experimentação é o limite para eles. Impressionante.
Assista abaixo: Continue

Baita prazer receber no palco do Centro da Terra o Test, projeto musical que já transcendeu os limites do grindcore e do death metal para abraçar a plenitude do barulho extremo, tratando os limites do ruído como fronteiras a serem desbravadas por sua vanguarda noise. A dupla formada por João e Barata toma conta das segundas-feiras de junho em uma temporada chamada de Curadoria do Medo, em que, a cada nova apresentação traz diferentes formatos a partir de seu disco mais recente, o Disco Normal. Na primeira segunda, dia 3, recebem a videoartista Carol Costa, que traduz em imagens a sonoridade do grupo. Na segunda, dia 10, recebem a iluminadora Mau Schramm, o vocalista Carlos James e Douglas Leal, que dispara efeitos e recombina o som, para manipular o ruído da dupla em tempo real. No dia 17, a terceira segunda, eles destróem as paredes do barulho numa noite que contará com uma orquestra noise formada por Leandro Conejo, Rayra Pereira, André Damião e Fabio Gianelli. A última segunda do mês é dedicada ao elemento mais livre de sua música, quase free jazz, quando recebem os músicos Miazzo, Bernardo Pacheco, Sarine, Flavio Lazzarin, Tomas Moreira, Alex Dias e Chris Justtino. As apreentações comeeçam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
#testnocentrodaterra #test #centrodaterra2024

Que maravilha ver esses meninos decolando. Neste fim de semana, a banda Sophia Chablau & Uma Enorme Perda de Tempo fez seu primeiro show internacional ao tocar na escalação do Festival Primavera deste ano, em Barcelona. É o primeiro de uma série de shows que eles fazem na Europa e o jovem maestro Vicente Tassara me contou sobre a experiência, que compartilho abaixo, junto com a íntegra do show, segura! Continue

Fechando o fim de semana, programa duplo no Bar Alto reuniu dois tipos de melancolia indie quando Manuella Julian dividiu a noite com o quarteto Cianoceronte. A vocalista dos Pelados vem azeitando a carreira solo que acalenta desde o ano passado em parceria com o guitarrista Thales Castanheira. Entre teclados, bases pré-gravadas e guitarras, ela está cada vez mais solta (como à frente de suas bandas) e além das primeiras músicas solo e de versões de músicas de suas duas bandas (além do Pelados, ela também é vocalista do Fernê), Manu mostrou mais duas inéditas neste domingo, ainda com os títulos de trabalho “Copo Vazio” e “Gato Preto” e visitou ainda as versões que já havia feito para músicas da banda argentina El Príncipe Idiota (“Novedades”) e Ava Rocha (“Você Não Vai Passar”), saindo da introspecção das primeiras apresentações e expandindo seu show para um novo patamar. Bem foda.
Depois da Manuella Julian foi a vez do grupo Cianoceronte fechar a noite de domingo no Bar Alto. São quatro músicos de primeiríssima – Duda Abreu nos teclados e voz, Bruno Giovanolli na guitarra, Victor Alves no baixo e o novato Demian Verano na bateria – que vão para além do virtuosismo em canções em sua maioria instrumentais que flertam tanto com o jazz (há uma música chamada “01jazz”) e a MPB clássica (citando “Samba de Verão” de Marcos Valle e tocando uma versão para “Na Boca do Sol”, de Arthur Verocai) quanto com o rock progressivo e o indie rock mais cabeçudo, passeando por um outro tipo de melancolia diferente da do show de abertura, mais expansiva, dividida em partes meticulosamente ensaiadas, com mudanças de tempo e uma boa dose de ruído. Fizeram bonito.
>Assista abaixo: Continue