
Temos duas razões para celebrar neste sábado: a primeira é mais uma edição da nossa querida festa Desaniversário, que reúne música boa e alto astral na pista do Bubu, que fica ali na marquise do estádiuo do Pacaembu. A segunda é que nessa edição comemoramos um ano da nossa festa para adultos, que começa cedo e termina cedo pra dar tempo de todo mundo aproveitar o domingo como quiser. Eu, Clarice, Camila e Claudinho reunimos hits que você lembrava que gostava de cantar com um povo que não sai da pista de dança de jeito nenhum! O Bubu fica na Praça Charles Miller s/n° (no estádio do Pacaembu) e a festa começa a partir das sete da noite – e termina meia-noite. Vem dançar com a gente!

Nós temos que voltar!
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“Pra ser honesto, foi amor à primeira vista, como parceiro, músico e amigo”, lembra o octegenário Marcos Valle de seu encontro com o músico e produtor norte-americano Leon Ware, que faleceu em 2017. “Imediatamente, eu e Leon sabíamos que tínhamos que escrever algo juntos – era muito natural.” Às vésperas de lançar mais um disco solo, este batizado de Túnel Acústico, Valle pinça uma faixa composta ao lado do saudoso parceiro quando se conheceram, no final dos anos 70, e que ainda seguie inédita até hoje para lançar no início do próximo semestre. A demo de “Feels So Good”, que nunca foi lançada, foi encontrada em uma prateleira na casa de Marcos Valle quando seu autor entregou ao amigo e produtor Daniel Maunick para refazê-la. Tirou o vocal cantarolado que ocupava a segunda parte, cuja letra foi escrita e cantada por Valle neste ano, acrescentou vocais (a cargo de Paula Alvi), percussão (dele mesmo e Ian Moreira), deixando os vocais de Ware e os teclados de Valle gravados num estúdio em Los Angeles em 1979, quando o brasileiro ainda morava nos EUA. A deliciosa “Feels So Good” foi mostrada nessa sexta-feira pela gravadora inglesa Far Out, que lançará o single em uma versão limitada de 500 discos de vinil (já à venda), tornando-se a quarta faixa composta e tocada pela dupla – e juntando-se a “Rockin’ You Eternally” e “Baby Don’t Stop Me” (esta com Laudir De Oliveira do grupo Chicago) lançadas no disco de Ware de 1981 e a faixa-título do disco Estrelar, que Marcos Valle lançou em 1983. “Foi uma deliciosa parceria que eu prezo muito, muito”, continua Valle, ao falar sobre a nova música, “sinto muita falta dele e estou muito feliz que temos essa nova música juntos.
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O sumo-sacerdote do noise Thurston Moore veio lançando singles desde o início do ano e agora acaba de formalizá-los no lançamento de mais um álbum, o nono lançado com seu nome e sexto desde o fim de sua banda, o fundamental Sonic Youth. Flow Critical Lucidity reúne as três músicas que lançou desde o ano passado — “Isadora” (cujo clipe foi dirigido pela Sky Ferreira) “Hypnogram” e “Rewilding” – a outras cinco faixas, uma delas lançada nesta quinta-feira. Enquanto as três primeiras carregam sua assinatura musical clássica, misturando o vocal quase falado a melodias dissonantes sobre ritmos marcados, a nova, composta em parceria com Lætitia Sadier, do Sterolab, conduz a musicalidade para outro hemisfério: hipnótico, repetitivo e delicado, com os vocais de Thurston superpondo aos de Laetitia – e dando ao disco, que já está em pré-venda e será lançado no dia 20 de setembro, uma nova coloração. Veja a capa, o nome das músicas e ouça a faixa na íntegra abaixo: Continue

O cinema e a televisão perderam um de seus atores mais versáteis. O canadense Donald Sutherland fez de tudo nessa área, de filmes premiados a séries esquecidas, passando por clássicos na maioria dos gêneros, sempre com seu rosto comprido e olhos gigantescos tomando conta de personagens que poderiam ser frios e tensos, brincalhões e amorosos, desesperadores ou maus. Passou por filmes emblemáticos como Os Doze Condenados, M.A.S.H., Inverno de Sangue em Veneza, 1900, Casanova de Fellini, Prova de Fogo, Gente como a Gente, JFK, Jogos Vorazes e meus dois favoritos, ainda nos anos 70: o policial Klute (de Alan J. Pakula) e a comédia Clube dos Cafajestes (de John Landis). Também atuou na TV em seriados de toda espécie, do clássico inglês Avengers nos anos 60 a Buffy – A Caçadora de Vampiros (nos anos 90), embora tenha recusado um papel que faz falta em sua filmografia: o de pai do agente Jack Bauer, na série 24, protagonizada por seu filho, Kiefer Sutherland. Já estava doente há tempos e foi saudado pelo filho, que publicou online: “Com o coração pesado, digo que meu pai, Donald Sutherland, fez sua passagem. Eu pessoalmente o considero um dos atores mais importantes da história do cinema. Nunca se intimidou com nenhum papel, bom, mau ou feio. Ele amava o que fazia e fazia o que amava e ninguém pode pedir mais do que isso. Uma vida bem vivida.” Salve!

E a Luiza Lian que acaba de anunciar a primeira turnê pela Europa que começa na semana que vem? São sete datas em cinco países, sendo que em duas delas faz participação no show do Bixiga 70 em Paris. Ela começa por Nantes, na França (dia 27), depois passa por Londres (30), tem as duas datas em Paris com o Bixiga (8 e 9 de julho), depois em Barcelona (10) e Madri (11) para depois voltar em agosto, quando passa por Berlim (18) e finalmente Lisboa (31). E não duvide se outras datas pintarem…

Kendrick Lamar abalou as estruturas do hip hop nesta quarta-feira, ao apresentar o show The Pop Out: Ken and Friends no The Forum, em Los Angeles. A apresentação foi uma celebração à Califórnia, mais especificamente ao rap de Los Angeles, quando contou com a participação de ícones da história do gênero misturando-se com sua própria biografia, visitando quase todos seus discos e com aparições surpresas de nomes como seu supergrupo Black Hippy (chamando os integrantes originais Ab-Soul, Jay Rock e ScHoolboy Q para o palco) e ninguém menos que Dr. Dre, que trouxe dois de seus clássicos, “Still D.R.E.” e “California Love”. Ele reuniu todos os compadres – inclusive os líderes das gangues historicamente rivais da área, Bloods e Crips – para uma foto histórica: “Isso tudo tá me deixando emotivo, estamso na merda desde que Nipsey (Hussle, rapper morto em 2019) morreu, desde que Kobe (Bryant, jogador de basquete, morto em 2020) morreu”, bradou o rapper, “isso é o melhor moemnto dessa unidade, perdemos muitos manos nessa vida de música, nessa vida de rua, por isso para todos que estão no palco, isso tudo é especial.” E como a celebração da união angelena não fosse o suficiente, Kendrick aproveitou a oportunidade para firmar os pregos que faltavam no caixão de Drake, ao cantar as músicas que fez destruindo o rapper e encerrar com a última delas, “Not Like Us”, cantada cinco vezes seguidas no final da apresentação, com o público assumindo o vocal aos berros. O show inteiro ainda tá no YouTube, corre pra ver antes que tirem!
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Tá de parabéns nosso compadre Fábio Massari! Ele não só completa este anos seis décadas dedicadas aos bons sons, como faz isso em grande estilo, celebrando seu aniversário de 60 anos com o primeiro Massarifest – festival de um dia, com apenas três bandas (pra que mais?), reunindo nada mais nada menos que os reis do noise japonês Acid Mothers Temple, os pais do math rock Patife Band e a banda pioneira do punk rock no nordeste Devotos em uma apresentação que já nasce histórica. Os três shows acontecem na sexta-feira, dia 20 de setembro (o exato dia do aniversário do reverendo), no Fabrique e os ingressos já estão à venda! Vai ser pesado! E tomara que não seja o único – imagina um desses por ano? Afinal, jornalismo musical também se faz como curadoria, bem sabemos.

Morreu nesta quarta-feira José Pereira da Silva Neto, mais conhecido como Chrystian, da dupla sertaneja Chyrstian & Ralf. Mais velho que o irmão que fazia a segunda voz, ele começou na carreira musical antes de abraçar o sertanejo, mas já com o pseudônimo americanizado, que adotou quando lançou-se como cantor que cantava em inglês nos anos 70 (quando isso era bem comum no país). Montou a dupla que o consagrou com o irmão Ralf Richardson da Silva, cinco anos mais novo, em 1982 e aos poucos foi trilhando a carreira que o tornou um dos principais nomes do gênero. Ao lado de Ralf, vendeu mais de 15 milhões de discos e emplacou músicas que estão no imaginário brasileiro até hoje, entre elas a imortal “Chora Peito”. A dupla foi pioneira na gravação de CDs no Brasil e no início do século propôs uma solução para a pirataria de CDs quando lançou o formato SMD (Semi Metalic Disc), que seria mais difícil de ser copiado, mas que não colou.Separou-se do irmão no início do século, mas logo voltaram a tocar juntos, até 2021, quando lançou-se em carreira solo. Apesar de divergências (entre elas políticas, Chrystian era bolsonarista, Ralf não), a separação aconteceu sem brigas e Chrystian cogitava voltar a trabalhar com o irmão num futuro próximo, mas somente após 2026, quando encerrava o contrato que havia assinado nesta nova fase. A morte de Chrystian segue a nefasta maldição que paira sobre os sertanejos, vitimando sempre o primeiro nome da dupla. Sua causa da morte não foi revelada pela família, mas ele já vinha passando por problemas de saúde, recentemente.

Quando chamei a Desirée Marantes pra dividir uma temporada com a Sue no ano passado no Centro da Terra, ela me contou que estava finalmente começando o primeiro trabalho com seu próprio nome. Depois de lançar discos com bandas, produzindo outros artistas e com seu projeto solo Harmônicos do Universo, ela estava certa de que era hora de deixar seu próprio nome repercutir. “É louco né, tu acharia que alguém que tem o nome Desirée Marantes já meio que tem pronto o nome artístico e deveria ser uma conclusão lógica, mas foi um processo de muitos anos fazendo parte de bandas, trabalhando com outros artistas, sempre priorizei muito a criação e projetos coletivos, tive selo de música, banquei lançamentos de outros artistas e em 2019 começou a surgir essa vontade de assinar com meu nome, de sair um pouco dos fundos do palco para a frente”, me explica a musicista, compositora e produtora gaúcha, que já emenda a explicação sobre porque ter demorado tanto. “Acho que minha analista poderia falar melhor sobre isso, mas devo confessar que eu me sinto um pouco tipo integrante de banda famosa que sai em carreira solo, porém eu nunca fiz parte de nenhuma banda famosa então é só isso mesmo”, ri. Prestes a lançar o primeiro projeto com o próprio nome, o EP Breve Compilado de Músicas para _______, no início de agosto, ela antecipa o primeiro single, que sai nesta quinta-feira, em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Quando Magma vira Lava” é uma faixa composta ao lado da dupla Carabobina a partir da observação da erupção de um vulcão.
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