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Terceiro transe

Mais uma vez Lenna Bahule nos elevou para o sublime com seu encontro afetivo que parte da música para incluir outras manifestações artísticas e nos tirar deste plano. Como nas outras noites acompanhada do par de asas que são os irmãos Ed (guitarra) e Kiko (baixo) Woiski, ela começou o espetáculo apenas com sua voz, para receber os dois e os convidados daquela noite para nos levar para uma outra dimensão. E cada um trouxe um sabor, primeiro o dançarino Guinho Nascimento, que espalhou bençãos com planta, águas e sua dança na primeira parte da noite para depois pintar um quadro enquanto o espetáculo descortinava-se no palco. Depois foi a vez de Bruno Duarte deixar o vibrafone para reger público e músicos num jogral de voz e palmas, sem precisar emitir uma só palavra. Finalmente, o chileno Camilo Zorilla saiu de sua bateria para tocar em primeiro plano, deixando seu instrumento nas mãos de Bruno, que só pesava mais o ritmo andino que trazia para a noite, mais um transe para dentro regido intimamente – com olhares e gestos discretos – pela maestra da temporada. Perfeição.

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E mais uma vez colaboro com uma versão impressa da revista Rolling Stone Brasil, que elegeu os melhores filmes de todos os tempos, tanto nacionais quanto internacionais e como as edições mais recentes da revista, ela não chega às bancas e pode ser comprada apenas através do site. Me chamaram para participar desta votação e abaixo seguem os 20 filmes que votei em cada categoria: Continue

A primeira edição no Inferninho Trabalho Sujo na Casa Natura reuniu pontos distintos da nova cena da música brasileira para reforçar a importância do carnaval em nossa cultura. Era um baile de pré-carnaval mas mesmo que você tivesse ido assistir apenas a um show inevitavelmente entrava no espírito da noite – e isso aconteceu logo de cara quando o bloco Cordão Cheiroso inaugurou a sexta-feira e as comemorações de sua primeira década. Entre marchinhas de carnaval e suas próprias composições autorais – que estarão nas plataformas em breve -, o bloco, composto por figurinhas conhecidas da cena musical paulistana (Luca Frazão dos Amanticidas, Helena Cruz dos Pelados, a cantora Loreta Colucci, o saxofonista João Barisbe – que ainda tocaria naquela noite com o Grand Bazaar -, a iluminadora Olívia Munhoz, entre outros) e foliões dispostos a não deixar ninguém parado, o grupo dividiu-se entre o palco (com seus cantores e sopros olhando o público de cima) e o chão, com os instrumentos de percussão misturados à plateia. Mas na última música, os metais desceram para o público e puxaram o bloco no meio do público com a intensidade do carnaval de rua que eles bem conhecem. Começamos bem.

Depois foi a vez dos mineiros do Varanda, veteranos de Inferninho Trabalho Sujo, também estreando naquela casa e fantasiados de time de futebol, como nas fotos de divulgação de seu primeiro disco, Beirada, um dos grandes discos indie do ano passado, que foi a base da apresentação da banda. Mas o ar da noite falou mais alto e eles encararam “Eva” do grupo Rádio Táxi, que depois da banda baiana que leva o nome da canção, transformou-se em hino carnavalesco, mesmo falando de destruição pós-apocalíptica – e que funcionou bem com a vibe das músicas do Varanda, uma carta na manga que pode surpreender fãs se tirada em momentos inusitados.

E quem fechou a noite foi a incansável Grand Bazaar, grupo que mistura música do leste europeu com música cigana, brasileira e mediterrânea que coroou a noite com uma hora de show que parecia uma festa interminável, escancarando um sorriso em todos os presentes que não paravam de se mexer na plateia, seguindo as coreografias do grupo ou puxando trenzinhos e fazendo uma única roda no meio da Casa Natura. E como antes e durante os shows, terminei a noite fazendo minha discotecagem carnavalesca de sempre, misturando hits da música brasileira pra dançar com artistas da nova cena e clássicos do funk, do samba e do forró. Foi demais!

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O ano mal começou e já estou falando em Carnaval – é que no dia 14 de fevereiro faço um Inferninho Trabalho Sujo de pré-carnaval na Casa Natura Musical, reunindo três atrações além da minha discotecagem (que, como pede a ocasião, é só música brasileira). Primeiro comemoramos os dez anos do Bloco Cordão Cheiroso, que abre a noite desfilando clássicos e hits autorais pela casa, antes da entrada de dois shows da pesada: primeiro os mineiros do Varanda, que lançaram o ótimo disco de estreia Beirada no ano passado, e toda a euforia da big band Grand Bazaar. Vai ser uma noite e tanto! Os ingressos já estão à venda neste link.

Cacá Diegues, que morreu na manhã desta sexta-feira, é um dos maiores nomes da história do cinema brasileiro. Fundador do movimento Cinema Novo ao lado de Glauber Rocha, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, entre outros, ele demorou para ter sua obra festejada e o início de sua filmografia é marcado por produções voltadas para questões sociais. Durante o período que esteve no Centro Popular de Cultura (CPC, órgão extinto pela ditadura militar de 1964) dirigiu um dos episódios da única produção cinematográfica realizada pela entidade, Cinco Vezes Favela, de 1961, quando dividiu a direção do episódio Escola de Samba, Alegria de Viver com Andrade, Hirszman, Miguel Borges e Marcos Farias. Sua estreia foi em 1963, quando dirigiu Ganga Zumba, primeiro filme nacional com protagonistas negros, e depois de provocar a ditadura com filmes como A Grande Cidade (1966) e Os Herdeiros (1969, este censurado), mudou-se para Paris com sua esposa à época, Nara Leão, onde esteve no início dos anos 70. Voltou para o Brasil no meio daquela década, quando começa sua fase mais popular, que atravessa décadas, com filmes que se misturam com a história do cinema brasileiro: Xica da Silva (1976), Chuvas de Verão (1978), Bye Bye Brasil (1980), Dias Melhores Virão (1989), Veja Esta Canção (1993), Tieta do Agreste (1996) e Deus é Brasileiro (2003). Alagoano de nascença, morava no Rio de Janeiro desde os seis anos de idade e foi homenageado pela escola Belford Roxo num samba-enredo em 2016 e dois anos depois tornava-se imortal da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 7 que era de seu amigo e também cineasta Nelson Pereira do Santos. Não tinha perspectiva de aposentadoria e estava trabalhando na produção de um filme para ser lançado no segundo semestre deste ano, Deus Ainda é Brasileiro. Seu velório acontece na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio.

Enquanto a maioria das pessoas fazia pão, cursos à distância, assistia a lives ou bebia com os amigos no zoom, o catarinense Fabio Bianchini, fundador de uma das lendas do indie brasileiro do século passado, o Superbug, se distraiu durante a pandemia fazendo tie-dye, que foi a inspiração para o novo single de seu projeto solo, Gambitos, que será lançado nessa sexta-feira, apenas no Bandcamp. “Coração de Tie-Dye” é o início do EP que lançará ainda neste semestre, Winter Electromisses, e ele adianta em primeira mão para o Trabalho Sujo com o clipe caseiro que fez para acompanhar o lançamento da música.

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Na segunda aula do curso Bibliografia da Música Brasileira, eu e Pérola entramos de cabeça no samba, contando não apenas como suas primeiras décadas ajudaram a moldar o mercado da música no Brasil ao mesmo tempo em que serviram de base para a transformação de uma manifestação cultural urbana num gênero musical que tornou-se basal na fundação da identidade cultural moderna brasileira. Citamos várias referências, mas as fontes centrais da aula desta quarta foram os livros O Mistério do Samba, de Hermano Vianna; Samba, o dono do corpo, de Muniz Sodré; e o primeiro volume da trilogia Uma História do Samba, de Lira Neto. Na próxima aula falaremos sobre a ideia de modernidade, a internacionalização da música brasileira e o impacto da bossa nova a partir de outros livros. (📷: @anacarol_pmachado)

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Não passou o carnaval ainda então dá tempo de remoer o ano que terminou tem quase um mês e meio, por isso segue abaixo a minha votação na lista mais tradicional de melhores do ano da internet brasileira, promovida pelo heróico Scream & Yell do compadre Marcelo Costa.

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A avalanche Tietê

E a avalanche Tietê desabou nesta terça-feira no Centro da Terra, mas ao contrário de seus costumeiros shows – em que colocam todo mundo, que normalmente fica em pé, pra dançar – hipnotizaram os presentes ao fazê-los entrar em seu transe sem precisar levantar-se das cadeiras. O septeto paulistano começou o ataque aos sentidos ao recepcionar o público ainda na escada do teatro, encontrando-se com o naipe de metais da banda e aos poucos entrando na vibração da noite. Essa inevitavelmente era baseada no groove, uma das principais fundações do grupo, mas conduziram o público ao estado de choque com os truques que sempre usam no palco (trocando instrumentos, trocando vocalistas e às vezes sem pausa entre uma música e outra) aliados a uma iluminação que pulsava de acordo com o som, à cenografia e figurinos que reforçavam a ideia de viagem daquela noite e trechos narrados que lembravam o público onde ele estava. Desfilaram as músicas de seu próximo álbum entre viagens instrumentais psicodélicas, cocos e reggaes que sambavam juntos, metais encantados, base rítmica à flor da pele e elementos harmônicos que se entrelaçavam entre as músicas, num ótima aperitivo do que será a nova fase da banda. Voa Tietê!

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Tietê: Tâmisa

A big band Tietê faz sua primeira apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira, quando mostram o espetáculo Tâmisa, em que adiantam seu segundo disco, gravado nos lendários estúdios Abbey Road, na Inglaterraa, que está programado para sair neste semestre. Formada por Dodó Stroeter (voz e sax), Fela Zocchio (percussão), Leo Montagner (teclados), Pedro Carboni (trombone, voz e guitarra), Rubi Assumpção (voz e bateria), Théo Cardoso (sax e percussão) e Victor Forti (baixo), a banda mistura diferentes gêneros musicais e faz com que a inquietante mistura de ritmos tradicionais brasileiros, jazz, MPB, rock e reggae ganhe uma personalidade própria, que ainda inclui referências de artes cênicas, circo, moda e dança. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão sendo vendidos pelo site do Centro da Terra.

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