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Jornalismo

Segue a dança das cadeiras nas guitarras da atual turnê de Bob Dylan. Depois que o jazzista Julian Lage entrou no lugar de Doug Lancio no mês passado, outro jovem, Joel Patterson, entrou na banda após a saída do segundo veterano do instrumento, Bob Britt. Lage tinha outros shows solo marcados neste período, o que deixou Dylan apenas com Patterson no instrumento, mas nesta sexta-feira, no show que fez no PNC Pavillion, em Cincinatti, outro novo músico juntou-se ao grupo, quando Dylan apresentou o 36º guitarrista a tocar com ele em shows, Jad Tariq, de apenas 29 anos. Ainda não sabemos se ele continua na banda ou só substitui a saída temporária de Lage, mas, pelo andar da carruagem, nem o próprio Bob Dylan sabe…

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Pela segunda vez, Jack White traz sua filha Scarlett White para dividir o palco com ele, tocando baixo. A primeira vez foi em fevereiro do ano passado, quando a jovem de 19 anos subiu para tocar com o pai no Irving Plaza, em Nova York. Neste sábado, mais uma vez na mesma cidade em que ela reside, o guitarrista chamou-a para dividir três canções (“Cannon”, “John the Revelator” e “Black Math”) em sua apresentação no Brooklyn Paramount. Scarlett já tinha inclusive participado de duas faixas do disco que White lançou em 2024, No Name. Resta saber quando ouviremos as próprias músicas da filha do fundador dos White Stripes, mas isso é questão de tempo…

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Pode ter sido só para esse show-relâmpago que Charli XCX puxou de surpresa nesta sexta-feira e que quando ela levar seu Music Fashion Film para palcos maiores tudo mude de figura. Mas ao mostrar pela primeira vez as novas canções ao vivo no Music Hall do Brooklyn, em Nova York (um lugar um pouco maior do que o La Iglesia, em Pinheiros, e menor que o Fabrique, na Barra Funda), ela preferiu manter o clima intimista com o volume no talo – e com guitarras em primeiro plano, dando a tônica de como deverão ser seus próximos shows. Com figurino escuro e visuais espartanos (luzes brancas e muita sombra) como na capa do novo álbum, a apresentação com cara de sala de estar (sofás, poltronas e tapetes – além de convidados espalhados pelo palco) e ótimas participações surpresa, que ela já tinha soltado o spoiler em suas redes sociais – e, aos poucos, foi chamando-as ao palco. Primeiro Underscores, que vai abrir sua próxima turnê, dividindo sua “Music” com a dona da festa, seguida de Kim Petras, com quem Charli cantou sua “Jeep”, e concluindo com a aparição da nossa querida Clairo, dividindo sua “Sofia”. No resto do repertório, apenas uma música do disco Brat (“Apple”) e vários do novo álbum, incluindo alguns lados B dos primeiros singles, marcando a estreia ao vivo “Playboy Bunny”, “SS26”, “Camera” (que provavelmente é o próximo single e pode ser ouvida pela primeira vez na íntegra), “Wink Wink” e “Rock Music”, além da inédita “Take Away the Music”, que, como não está na ordem das faixas do disco original, deve ser o lado B de “Camera”, que deve surgir em breve. Além destas, ela abriu espaço para um disco que torna-se cada vez mais importante em sua carreira, o pandêmico How I’m Feeling Now, que veio representado por “Anthems”, “Pink Diamond” e “Party 4 U”, cimentando ainda mais a base desta sua nova década. Eu bem que fiquei esperando uma aparição do Cronenberg, mas acho que ela deve guardar um momento específico para esta surpresa, afinal de contas… é o Cronenberg. Na próxima terça, ela repete o show pequeno no Scala de Londres, último show antes de ela encarar a série de quatro festivais com os quais abre sua nova turnê: primeiro nos EUA, tocando primeiro no Lollapalooza de Chicago e depois no Outside Lands de São Francisco, para depois ir para seu país, quando toca nos festivais ingleses de Reading e Leeds em agosto, antes de começar efetivamente a turnê de seu disco novo em setembro. Temos muita Charli ainda esse ano…

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Dói o coração! Rod Stewart, acompanhado do maestro pop Jools Holland, celebrou a memória da musa galesa Bonnie Tyler em um evento fechado que realizado na quinta passada num hotel de luxo na cidade de Auchterarder, na Escócia, ao lembrá-la cantando um de seus maiores hits, “It’s A Heartache”. Ela partiu cedo demais💔…

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O encontro entre a dupla Test e a cantora Paola Ribeiro parecia uma contradição frontal ou um acerto infalível – e felizmente o barulho extremo da dupla de pós-metal sobrepôs-se como uma camada apocalíptica e tensa na canção desconstruída da vocalista que, acompanhada da bandaça que lhe ajudou a erguer Circus, seu ótimo disco de estreia (parte deles velhos conhecidos do Test), materializou a segunda opção como matriz de uma nova sonoridade, ainda em construção, durante essa sexta-feira, no Sesc 14 Bis. Além de João e Barata do Test e de Paola, o palco ainda contava com as presenças dos dois integrantes da Rádio Diáspora (os sopros de Rômulo Alexis e a bateria de Wagner Ramos), os eletrônicos de Podeserdesligado, a guitarra de Kiko Dinucci e o baixo de Marcelo Cabral, todos jogando no modo hard. A big band de noise começou num improviso comum para depois cair na faixa mais recente de Paola (“Furtacor”) que foi emendada com “Eles Voltam”, do Disco Normal, do Test, e inaugurar a primeira dobradinha da noite, quando João e Kiko duelaram suas guitarras em cantos extremos do palco. Outros duetos surgiram no decorrer da noite, contraponto inevitavelmente as baterias de Barata e Ramos e, num dos grandes momentos da noite, o trompete de Rômulo com a voz de Paola, que vieram para a frente do palco e optaram por solarem sem microfones. Depois Paola solou com seu berimbau amplificado e tocado com um arco para retomar as passagens pelos repertórios respectivos, alternando momentos como a turbulenta “Fama/Fome” do Test com a explosão de “A Fenda e o Corte”, de Paola, com a banda testando os limites do ruído como se acelerassem fissões das partículas de som ao vibrá-las e acelerá-las cada vez mais. A apresentação durou menos de uma hora, duração perfeita para o atordoo sonoro e conceitual que conseguiram atravessar, mas funcionou apenas como um reconhecimento mútuo para caminhos que podem explorar se começarem a compor em conjunto. Voltaram um bis cirúrgico, tocando “Faca da Palavra” que estará no próximo disco de KIko Dinucci e que abre o disco que Paola lançou ano passado. Pesado e promissor.

#test #paolaribeiro #sesc14bis #trabalhosujo2026shows 160

Fiona Apple, que não está nas redes sociais, pediu pra uma amiga publicar um vídeo pra dar notícias, dizer que ela tá tentando escrever sobre o momento que estamos vivendo, mas que a “barreira infinita de horrores” sobre a qual quer falar também é a mesma que a impede de ser mais criativa – e avisa que, quando puder, terá novidades vindo aí.

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É longo e vale ver inteiro o depoimento emocionado da grande Fabiana Cozza sobre o encontro com sua mestra Alcione na abertura da exposição Com Amor, Alcione, idealizada pelo Centro Cultural Vale Maranhão e aberta nesta quarta-feira no Museu das Favelas de São Paulo. Ao cantar com uma de suas maiores inspirações, Cozza voltou a publicar um vídeo reforçando a importância daquele momento, em que pode ultrapassar diversas questões atuais para reforçar sua paixão pela música e pela identidade cultural brasileira. Depois do depoimento dá pra ver trechos do encontro, tanto das duas cantando juntas quanto de Fabiana declarando sua admiração à sua luz artística. Bonito demais. A exposição segue no Museu até o dia 6 de dezembro.

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Eis que Negro Leo reaparece em dose dupla. Primeiro quando o selo inglês Hive Mind anuncia uma coletânea – em um disco duplo! – de sua carreira chamada de White Elephant, que reúne vinte e sete (!) faixas de treze lançamentos diferentes feitos pelo bardo do absurdo (ou “cosmic joker”, como os gringos preferem chamar) entre 2012 e 2024, em parceria com o incansável selo carioca Quintavant. E depois ele acaba de anunciar o lançamento do filme que fez em parceria com outro ás, este das câmeras, Gregorio Gananian (que fez Inaudito, sobre o lendário guitarrista Lanny Gordin). Aquele Que Viu o Abismo, a distopia brasileira que ganhou o prêmio de Melhor Filme na Mostra Olhos Livres da 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, tem sua estreia marcada para o fim deste mês, dia 30 de julho, nos cinemas brasileiros. Veja o cartaz e um teaser do filme abaixo: Continue

Esquentando ainda mais o clima antes do lançamento de seu vigésimo quinto álbum de estúdio, Foreign Tongues, dois dos três Rolling Stones fizeram uma aparição surpresa nesta quarta-feira em Londres, na Inglaterra, quando Mick Jagger e Ronnie Wood tocaram para um público bem pequeno no St. Clement Hotel acompanhados do tecladista Matt Clifford, que toca em turnês com o grupo desde 1989. Foram apenas três canções, dois clássicos (“Dead Flowers” e “You Can’t Always Get What You Want”) e a inédita “Ringing Hollow” e depois da apresentação o grupo saudou a capital britânica com um show de drones no céu. Não foi dada nenhuma explicação sobre a ausência de Keith Richards no evento.

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Bonnie Tyler já não estava bem há alguns meses, depois que teve de ser submetida a um coma induzido por conta de uma complicação em uma cirurgia de emergência no intestino, e por mais que tenha saído do coma e recuperado a consciência nos últimos meses, não resistiu e faleceu nesta quarta-feira, como sua própria família noticiou. Um dos grandes nomes daquela fase em que a música pop misturou-se com o rock clássico entre o final dos anos 70 e o começo dos anos 80, a galesa Bonnie nasceu Gaynor Hopkins, mas teve que mudar de nome quando lançou-se cantora em 1969 para não ser confundida com a já estabelecida Mary Hopkin. Mas seu primeiro nome artístico não foi o que a consagrou e sim Sherene Davis, com o qual se apresentou até 1975. Mas ao ser descoberta pela gravadora RCA naquele ano, acatou a sugestão de trocar mais uma vez de nome e optou por um dos inúmeros nomes que a sugeriram. Seu segundo single, “Lost in France”, lançado em setembro de 1976, conseguiu um certo sucesso inclusive para além do Reino Unido, atingindo a Europa continental – e especialmente a França – que seria importante no futuro de sua carreira. O terceiro single “Heaven” foi ofuscado pela morte de Elvis Presley, em agosto de 1977, mas a partir da próxima música, seu primeiro grande hit, “It’s a Heartache”, lançada em novembro daquele ano, subiu um degrau e tornou-se um nome reconhecido no novo cenário do pop rock inglês. A principal mudança do novo single acabou tornando-se sua assinatura musical, quando, após retirar um nódulo nas cordas vocais, teve que passar um longo período com a voz em repouso, que culminou num grito incontido num dia mais tenso, que acabou por danificar seu timbre original, tornando-o rachado como o de outros vocalistas daquele período como Rod Stewart e Kim Carnes. Mas a grande virada de sua carreira acontece quando sai da RCA para a gravadora CBS e chama o produtor Jim Steinman (que havia produzido o best seller Bat Out of Hell, do Meat Loaf) para conduzir seu próximo disco. Ele recusou inicialmente, mas voltou atrás quando percebeu que a voz de Bonnie Tyler poderia ser a melhor forma de mostrar a música que havia composto para o disco anterior de Meat Loaf e que foi recusada. Com “Total Eclipse of the Heart”, a cantora pode exercer toda sua influência roqueira com uma carga dramática ainda mais intensa que a de suas canções anteriores, consagrando a nova canção como um dos maiores sucessos dos anos 80, uma balada imortal. A locomotiva de sucessos tornou-se constante: o single vendeu 13 milhões de cópias no mundo todo, tornando o álbum Faster Than the Speed of Light uma das maiores tiragens de 1983, faturando dezenas de prêmios. No ano seguinte emendou “Holding Out for a Hero” na trilha sonora do filme Footloose como um dos grandes sucessos do ano, seguido, em 1985, por uma colaboração com o produtor Giorgio Moroder na trilha sonora da versão restaurada do clássico filme alemão Metrópolis, na música “Here She Comes”, que lhe garantiu mais um Grammy. Ela recusou cantar a música tema de um filme do agente 007. Após os anos 80, seu alcance comercial caiu e a partir da década seguinte e no começo do século 21 seguiu fazendo sucesso e shows pela Europa, mais especificamente na França, onde inclusive regravou “Total Eclipse of the Heart” em francês (“Si Demain…”, em 2003). Ela seguia em atividade e ano passado inclusive lançou um single produzido por David Guetta (“Together”), além de ter encerrado sua discografia precocemente ao lançar outro single, “Only Love”, agora mesmo em março, que lançou ao vivo em um show Shepherd’s Bush Empire, em Londres. Morreu com 75 anos – e, não fosse essa trágica emergência recente, viveria muito mais.