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Pra você ver como são as coisas: na quarta-feira o Phantom Planet tocou uma versão de “Paranoid Android” no show que fez em Nova Jérsei e no dia seguinte, quando foram tocar no Palladium Times Square, em Nova York, contaram com os Hanson (sim, aqueles Hanson) como banda de abertura, que começou seu show tocando… “Optimisc” do Radiohead! Não é a primeira vez que a banda toca essa versão ao vivo e nem é a única versão que tocaram no show (também tocaram “Ain’t No Sunshine” do Bill Withers, “Feelin’ Alright?” do Traffic e “Everybody Wants To Rule The World” dos Tears for Fears), mas que tem uma vibe Radiohead no ar, isso tem… Assista abaixo: Continue

Não bastasse a Caroline Polachek regravar “True Love Waits” numa versão deslumbrante em frente a telas de Monet, o grupo californiano Phantom Planet puxou, de improviso, na quarta-feira passada, uma versão para “Paranoid Android”, também do Radiohead, quando apresentou-se no White Eagle Hall, em Nova Jérsei, nos EUA. Não custa lembrar que não é a primeira incursão do grupo no tema, já que seu vocalista Alex Greenwald foi convidado para regravar “Just” no disco que projetou a carreira do produtor inglês Mark Ronson, Versions, no longínquo 2007. Ficou demais, veja abaixo: Continue

E essa versão deslumbrante de “True Love Waits” do Radiohead que a Caroline Polachek gravou no Musée de L’Orangerie, em frente às Nenúfares de Monet? Assista abaixo: Continue

Faz tempo, né? Mas finalmente vamos matar a saudade de mais uma de nossas festas em que a acabação feliz dá a tônica pra não acordarmos destruídos no dia seguinte. A Desaniversário deste mês veio um pouco mais tarde mas neste sábado, dia 19, estaremos mais uma vez transformando a pista do Bubu em uma fonte de diversão e dança ininterrupta, começando cedo, como de praxe, pra acabarmos a tempo de aproveitarmos bem o domingo. Eu, Clarice, Camila e Claudinho deixamos o alto astral dominar o recinto e contagiar os presentes com músicas que vocês nem lembravam que conheciam e pessoas que você nem sabia que queria conhecer. A festa, como sempre, acontece no Bubu, que fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/n°), começa às 19h e vai até à meia-noite. Vem dançar com a gente!

Uma sexta-feira com um coração imenso: assim foi a edição de outubro do Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A noite começou com a usina de força que é a banda Tietê. Ancorada no reggae, o novíssimo septeto paulistano tempera sua mistura de ritmos com funk, soul, grooves latinos e música brasileira e a energia que transborda no palco inevitavelmente contagia o público. Atiçados pelo carisma inacreditável da vocalista e saxofonista Dodô, os integrantes da banda trocam de instrumentos enquanto passeiam por diferentes vibes, sempre carregando a expectativa do público junto, seja nos momentos mais introspectivos ou na fritação completa. E eles estão só começando: acabaram de gravar o segundo disco (no estúdio Abbey Road, em Londres, olha só) e o repertório da noite ficou por conta destas músicas ainda inéditas, que deverão vir a público apenas em 2025.

A banda deixou o o caminho pronto para a estonteante Soledad enfeitiçar o público com o repertório de seu novo trabalho, chamado de Desterros, que misturas suas composições às da geração clássica do cancioneiro cearense, como Fagner, Fausto Nilo, Ednardo (revisto em uma versão apaixonante para “Beira Mar”), Rodger Rogério, entre outros. Seu terreiro é encantado com a ajuda de bruxos da música, com Davi Serrano e Allen Alencar revezando-se entre o baixo e a guitarra, Xavier e Clayton Martins trocando lugares entre a bateria e a percussão (acústica e eletrônica), enquanto Paola Lappicy serpenteava pelos teclados e sintetizadores. E entre estes hinos, ela ainda contou com as participações de Julia Valiengo (com quem dividiu “Santo ou Demônio”, de Fagner) e de Fernando Catatau, que ainda puxou duas músicas próprias, “Completamente Apaixonado” de seu primeiro disco solo e a clássica “Homem Velho” do grupo Cidadão Instigado. No centro de tudo, a voz e a o corpo de Sol, completamente entregues à emoção e à música, hipnotizava o público, que embarcava naquela viagem intensa de sentimentos e sons. Quando eu e a Bamboloki assumimos o som depois de seu show – e fomos de dance music a rock clássico, passando por clássicos da disco music, do funk e aquela mistura de summer eletrohits com o disco novo da Charli. E depois eu contei pra Bam o que o público que não estava na pista tinha mais… Que noite!

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Tô bem por fora da Mostra Internacional de Cinema, que começou essa semana em São Paulo, mas fiquei bem feliz com a notícia que aquele filme sobre o Pavement que eu comentei outro dia está na programação dele. Pavements, misto de cinebiografia, documentário e autoparódia encomendado pela gravadora Matador ao diretor Alex Ross Perry, que misturou referências diferentes de filmes sobre Bob Dylan, como o Dont Look Back de D.A. Pennebaker, o Eu Não Estava Lá de Todd Haynes, o Rolling Thunder Revue do Scorsese e o Renaldo and Clara do próprio Dylan. O filme conta a história da banda como se fosse uma fábula e eterniza a biografia de uma das melhores bandas de rock de todos os tempos num filme em que um dos protagonistas da série Stranger Things, Joe Keery, vive Stephen Malkmus, que também atua como ele mesmo, como os outros integrantes da banda (que também são interpretados por outros atores). O filme ainda conta com Jason Schwartzman e Tim Heidecker (como os donos da Matador, Chris Lombardi e Gerard Cosloy, respectivamente) e tem participações de Kim Gordon, Lindsey Jordan (a Snail Mail) e Sophia Regina Allison (a Soccer Mommy). E o filme vai passar em duas sessões, uma neste sábado, na Cinemateca, e outra dia 23, no Cinesesc.

Tá sentindo falta do Inferninho Trabalho Sujo? Pois cá estamos nessa sexta-feira mais uma vez no Picles, quando recebo pela primeira vez a promissora banda Tietê e a maga cearense Soledad num show que ainda contará com participações de Fernando Catatau e Júlia Valiengo. Depois dos shows, meia-noite em diante, esquento a pista ao lado da minha fiel escudeira ícone do desvario Bamboloki e já decidimos de antemão que vamos pesar pra eletrônica, ela quer Justice e eu quero Charli. O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros, e quem chegar antes das 21h paga mais barato. Vamos?

Lembro do exato momento: estava fritando no desafio proposto pela Marina do Belas Artes de transpor o Dummy do Portishead para o palco do cinema em mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta e montando um lego mental entre instrumentistas, produtores e vocalistas que fizesse sentido ao mesmo tempo em que topasse o desafio quando, no meio dum show da Manu Julian no Bar Alto, olhei para o lado e lá estava o Lauiz assistindo à apresentação de sua parceira de Pelados. Ela no palco repetia mais uma vez o riscado do primeira show solo de sua vida, quando aceitou a provocação que fiz para exercitar seu músculo criativo fora das duas bandas que encabeça, a Pelados e a Fernê, e topo fazer um show com seu próprio nome (à época ainda Manuella, num exercício de alteridade com seu nome de batismo, para além do encurtamento típico paulistano) no Centro da Terra. E nesta empreitada, chamou o compadre Thales Castanheira para acompanhá-la tocando guitarra. Vi Manu e Thales no palco sendo observados por Lauiz e caiu a ficha: são os três que vão fazer esse disco. Fiz o convite, os três toparam curtindo a ideia e que felicidade descobrir que mais do que encarar como um frila, os três aproveitaram para debruçar-se sobre o processo criativo do Portishead e recriaram o disco depois de desconstruí-lo, adaptando o disco de 1994 para a realidade sonora de 2024 sem necessariamente virar do avesso as canções. Era uma releitura que respeitava os arranjos originais mas sem tratá-los de forma sacra, tirando elementos que hoje soam datados (como os scratches de vinil, que Lauiz substituiu por glitches digitais a partir de sua devoção aphextwinana ao ruído desta natureza) e acrescentando outros que soavam mais próximos à sonoridade atual, trazendo a força original das canções a uma energia vital sem nostalgia, com foco no presente. Enquanto Thales dividia-se entre as bases recriadas e a guitarra à John Barry, Manu soltava sua voz sem usar a de Beth Gibbons como referência – e o que nos ensaios parecia confortável e aconchegante no palco pegou fogo, graças à presença de palco e ao canto seguro e dramático desta que é minha cantora favorita de sua geração. Mas o mais legal deste processo foi descobrir o nerdismo e o profissionalismo do trio aliados ao completo escracho e cumplicidade de uma irmandade de alma. Suspeitava que os três tinham uma sintonia desta natureza mas nem nos meus sonhos mais otimistas podia supor o quanto eles funcionavam bem. O que vimos no palco do Belas Artes nesta quinta foi apenas o reflexo de quatro meses de trabalho que, como Manu comentou em uma de suas poucas intervenções, começou com o curta To Kill a Dead Man, thriller nouvellevagueano abstrato e tenso que o grupo produziu e lançou antes do disco e que pautava suas opções estéticas, que exibimos no início da sessão e que batizou a versão que fizemos, chamada Dummy 30 anos – Matar Um Homem Morto. E na hora do vamo ver, o show cresceu vertiginosamente, ainda mais com a distorção lisérgica da textura VHS que Danilo Sansão fazia na tela de cinema ao misturar imagens do curta com outras que sua parceira Vitoria Trigo captava na hora. Reto e sem bis, o show do disco lotou a sala 2 do Belas Artes de um público que apaixonou-se pelas versões que os três fizeram. É tão bom quando um plano dá certo…

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Segura essa pedra: o Diiv, os heróis contemporâneos do shoegaze que acabaram de passar pelo Brasil, fizeram essa versão absurda para “Cream of Gold” do Pavement em sua recente ida aos estúdios da rádio SiriusXM, em Washington, nos EUA, e o resultado ficou foda demais. Muito bom ver que a banda de Stephen Malkmus está sendo finalmente reconhecida como uma das principais bandas de rock da história.

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(Foto: Indira Dominici/Divulgação)

Quando convidei Zé Nigro para fazer uma temporada no Centro da Terra há dois anos, sabia que daquele mato sairia algo. Conheço-o desde os tempos em que ainda estávamos no Unicamp (embora ele não lembre) e acompanhei sua ascensão como músico e produtor nos últimos vinte anos, sempre o vendo testar limites e explorar novas fronteiras com figuras que respeito e admiro no mundo da música – de Anelis Assumpção a Metá Metá, passando por João Donato, Elza Soares, Curumin, Glue Trip, Antonio Carlos e Jocafi e Francisco El Hombre, entre outros). Ele lançou seu primeiro disco solo durante a pandemia e nunca havia feito um show só com seu nome, mas tinha certeza que era só dar a oportunidade que ele abraçaria. Dito e feito. E no ano passado ele me chamou para ouvir o disco que havia finalizado após a experiência que teve em suas segundas-feiras no teatro e levando seu primeiro disco para outros palcos e me convidou para escrever o release do disco. Silêncio, que chega nesta quinta-feira às plataformas de streaming e tem releituras de diferentes faixas do primeiro disco por artistas tão distantes quanto Russo Passapusso, Souto MC, Saulo Duarte e Arthur Verocai, é, ao mesmo tempo, uma continuação e um complemento ao disco que lançou em 2021, Apocalip Se. Segue abaixo o texto que escrevi pra ele sobre o disco: Continue