
Mais uma atração que estreia no Centro da Terra, temos o prazer de receber nesta terça-feira a primeira apresentação do grupo CØMA, idealizado por Bianca Godoi e Guilherme Held a partir de uma playlist de pós-punk e disco-punk obscuro organizada pelo DJ brasileiro residente Alemanha chamado Cosmic Pulses. Os dois convidaram outros amigos músicos para encorpar essa apresentação e além de dividirem-se entre synths e programações, Bianca e Guilherme, que tocam bateria e guitarra respectivamente, chamaram Otto Dardenne para fazer os vocais, Rubens Adati para tocar baixo, Joana Bergman nos teclados e piano e Danilo Sansão, que vai fazer projeções enquanto toca. O espetáculo batizado de Tao marca o nascimento deste pequeno coletivo e começa pontualmente às 20h, além de já estar com ingressos à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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E um dos grandes eventos do ano aconteceu neste fim de semana, quando a mestra Joni Mitchell esgotou por duas vezes (sábado e domingo) o Hollywood Bowl, em Los Angeles, nos EUA, para realizar seus primeiros grandes shows após o aneurisma cerebral que a derrubou em 2015, deixando-a sem falar, cantar ou tocar por um bom tempo. Infelizmente isso não foi uma novidade em sua vida, já que ela que ficou reclusa em seu quarto no início da adolescência, vítima da pólio, tragédia que a transformou em uma instrumentista de excelência ímpar e uma das maiores compositoras da América do Norte. A recuperação da calamidade recente tornou-se pública há poucos anos, quando ela começou a fazer algumas aparições-surpresa: primeiro no festival de folk de Newport em 2022, depóis em dois shows mais longos em 2023 em Washington, capital dos EUA (um em março e outro em junho), e mais recentemente em uma aparição no Grammy deste ano, na mesma época em que anunciou as apresentações deste fim de semana. E ela não veio só: sua famosa banda rotativa Joni Jam, contou com, além da velha amiga Brandi Carlile, que a chama de “minha embaixadora”, Joni reuniu uma constelação de estrelas que incluía nomes como o cantor e compositor Blake Mills, o fleet fox Robin Pecknold, o jazzman inglês Jacob Collier, integrantes da banda Lucius, a soberba Annie Lennox, o inglês Marcus Mumford da Mumford & Sons, o multiinstrumentista Jon Batiste, a cantora e ativista canadense Allison Russell, a dupla afilhada por Prince Wendy & Lisa, a atriz e cantora Rita Wilson, Taylor Goldsmith do grupo Dawes, o imortal Elton John e a deusa do cinema Meryl Streep, além de Lucy Dacus e Chappell Roan, que cantaram com Joni em seu camarim. Separei uns trechos que achei da apresentação abaixo, bem como o setlist dos dois dias (que foram idênticos), e aproveito para agradecer publicamente à maravilhosa Luiza Villa, que há pouco mais de um ano, me cutucou para fazer um show em homenagem à mestra e me reconectou à história deste colossso da canção. Valeu, Lu! E tá na hora de fazer outro show daqueles, hein? Ave Joni Mitchell! Continue

Confirmados Air, Pretenders, Wilco e Nile Rodgers e também fechados Mulatu Astatke, A.G. Cook, Amaro Freitas, Gossip, Perfume Genius, Meshell Ndegeocello, Maria Esmeralda, Seu Jorge, Agnes Nunes, Last Dinner Party, Arooj Aftab, Stephen Sanchez, Brian Blade & The Fellowship Band, Beach Weather, English Teacher, Cat Burns e Superjazzclub. Sinistro!

Coube ao Bruno Romani, atual editor do Link Estadão, a tarefa de celebrar o aniversário de vinte anos do antigo caderno do centenário jornal paulistano dedicado à tecnologia e ele convidou alguns ex-editores para lembrar do tempo em que cada um de nós tomou conta da publicação. Liderei esta equipe entre 2007 e 2012, primeiro como editor-assistente e depois, dois anos após minha contratação, como editor e aproveitei para lembrar de um período que funcionou como uma era de ouro da cultura digital e também como uma forma de trazer a cobertura de tecnologia do jornalismo brasileiro para o século 21. Além de mim, a antologia ainda reunia textos do Camilo Rocha, da Claudia Tozetto e do Bruno Capelas, todos ex-editores da seção.
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Aquela expectativa…
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Segundo o Flesch, o lendário líder do Chic é mais uma atração confirmada no C6Fest do ano que vem, que, se tudo seguir o cronograma, anuncia sua escalação completa nesta terça-feira… E por enquanto temos Wilco, Pretenders e Air tocando Moon Safari… Não tá fraco não…

E Pélico segue desbravando novos rumos para suas canções em mais uma noite de sua temporada Cá com Meus Botões no Centro da Terra. Nesta segunda, a terceira noite de sua temporada no teatro, ele chamou o parceiro de longa data Regis Damasceno, que também está tocando na atual formação de sua banda, que chega em conjunto na próxima segunda, para acompanhá-lo ao lado de um novo parceiro, o violoncelista Thiago Faria. E juntos, o trio passeou por algumas das canções de seu repertório visitadas nesta temporada e algumas versões, entre elas mais uma vez “Espelhos D’Água”, hino romântico de Dalto, e, pela primeira vez, “Vinte e Nove”, do Legião Urbana, além de pinçar faixas próprias que há muito tempo não tocava ao vivo, como “Um Menino” e “Pretexto”. E mais uma vez Pélico entregou-se de corpo e alma às suas canções, numa noite tão emotiva quanto as anteriores, mas que caminhava por outros arranjos…
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Apesar de ter gravado apenas dois discos com o Iron Maiden e de ter sido ofuscado pela entrada de Bruce Dickinson, o primeiro vocalista da banda, Paul Di’Anno, que morreu neste segunda-feira, foi crucial para o grupo ter se destacado na famigerada cena New Wave of British Heavy Metal que despontou no final dos anos 70 na Inglaterra. Di’Anno, que escondia a ascendência brasileira ao transformar o sobrenome Andrews num pastiche de italiano inexistente, mas que depois até assumiu que era torcedor do Corinthians, tinha o gás e a selvageria no palco que fizeram a banda tornar-se conhecida nos primeiros meses em atividade, mesmo não sendo o ideal de vocalista que o líder da banda, o baixista Steve Harris, gostaria. Seu espírito indomável também foi sua ruína – e o excesso de drogas e álcool acabaram por tirá-lo da banda prematuramente. Seguiu no mundo do metal nos anos seguintes, cantando em bandas que tiveram relativo sucesso nos anos 80 (como Gogmagog, Battlezone e Killers, esta formada por ex-integrantes do Iron Maiden) e com sua carreira solo conseguiu fazer shows em todo o mundo, inclusive no Brasil. Nos últimos anos já estava debilitado, andando de cadeira de rodas, mas seguia fazendo shows. Formou o grupo Rockfellas com três brasileiros na formação: Jean Dolabella (ex-Sepultura), Marcão (ex-Charlie Brown Jr.) e Canisso (ex-Raimundos). A causa de sua morte não foi revelada.

Desbravando mais um território, o Inferninho Trabalho Sujo desta semana acontece em um dos principais palcos para novas bandas em São Paulo neste meio de década, A Porta Maldita. Projeto itinerante com mais de dez anos de atuação, o Porta se estabeleceu como estabelecimento fixo há um ano, no número 400 da rua Luiz Murat, em frente ao cemitério que separa a Vila Madalena de Pinheiros, escondido sob uma discreta porta que esconde uma escada que leva para uma das pequenas casas da cidade com o melhor equipamento de som. Culpa do herói Arthur Amaral, que abriu espaço para minha festa nessa sexta-feira, dia 25, quando apresentamos três novíssimas bandas locais, os trios Los Otros e Jovina e o quinteto Florextra, com discotecagens minha e da Lina Andreosi entre os shows. Os ingressos já estão à venda neste link e custam mais barato do que se deixar pra comprar no dia.

O concerto O Canto de Maldoror: Terra em Transe em Transe, apresentado no Theatro Municipal de São Paulo neste fim de semana pela Orquestra Sinfônica Municipal e pelo Coro Lírico Municipal, foi um arrebatador ataque aos sentidos que, a partir da dissolução das fronteiras entre som, sentido e ruído, converteu-se em um dos grandes acontecimentos artísticos do ano. Concebido e idealizado por por Nuno Ramos e Eduardo Climachauska, a apresentação recriava a trilha sonora e os diálogos de Terra em Transe, magnus opus do cinema nacional, forjada por Glauber Rocha em 1967, como uma única obra. E assim, à frente da orquestra regida por Gustavo Petri e do coro regido por Érica Hindrikson, os atores Georgette Fadel e Marat Descartes recriavam, ao lado do contrabaixo de Marcelo Cabral, as falas dos protagonistas do filme apresentadas em quatro diferentes sintonias, cada uma representada pela mudança de frequências e velocidades de cada instante. Em quatro tempos diferentes, estes diálogos foram reprocessados eletronicamente e entregues aos compositores Piero Schlochauer e Rodrigo Morte, que escreveram partituras para estes diferentes momentos distorcidos serem recriados analogicamente pelas vozes dos intérpretes e assim Fadel e Marat liam diálogos como se ouvíssemos um disco em diferentes rotações, cada uma delas referida a um dos três personagens do filme: sem distorção representavam o delírio do intelectual Paulo Martins (vivido no filme por Jardel Filho), em uma distorção mais lenta traziam o personagem ao presente, numa outra ainda mais lenta mostravam o passado do político populista Felipe Vieira (personagem vivido por José Lewgoy) e numa versão aceleradíssima davam voz ao passado do politico conservador Porfírio Diaz (vivido por Paulo Autran). As falas ditas pelos dois atores tornavam o português dito meramente sonoro e elas eram perseguidas pelo baixo de Cabral, que acentuava a musicalidade dos diálogos à direita do palco. Na outra ponta, à esquerda, a solista Marcela Lucatelli soltava sua voz animalesca entre o canto e o rugido (além de surgir impávida e serena ao cantar “Olá”, de Sergio Ricardo), enquanto a orquestra e o coro passeavam entre sambas, pontos de macumba, O Guarani de Carlos Gomes, trechos de obras de Villa-Lobos e Verdi, jazz e gritos de protesto, colocando o coro inclusive para solar com minicornetas de brinquedo. As partes cantadas pelo Coro Lírico, O Canto de Maldoror que batizava a peça, inspirado no título da obra clássico do uruguaio vertido francês Conde de Lautréamont, haviam sido escritas a partir de improvisos vocais de Juçara Marçal, criando mais uma camada de distorção na apresentação, que ainda contava com os quatro pêndulos imaginados pelos cenógrafos Laura Vinci e Wagner Antônio, que representavam os quatro tempos dos cantos mostrados, cada um deles movendo-se numa velocidade distinta. A contraposição destas distorções de tempo, sobrepostas ao caráter épico da apresentação e aos diálogos alegóricos – e infelizmente sempre atuais – escritos por Glauber abria janelas com novas dimensões temporais que tornavam Terra em Transe ainda mais atual do que em seu tempo, em pleno 2024. Um acontecimento de tirar o fôlego.
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