
Como de hábito, o bom e velho Marcelo Cabral chega pianinho para mostrar seu terceiro disco solo, que ainda não tem título nem data de lançamento mas começa a tornar-se público com o lançamento do single “O Herói Vai Cair”, parceria sua com o Clima que chega às plataformas no próximo dia 15. E no dia 21 ele sobe no palco do Mamãe com a banda que gravou o álbum (apenas Sophia Chablau na guitarra e Biel Basile na bateria) para mostrar outras canções deste novo trabalho. 2026 promete!

Que ano é hoje? As russas t.A.T.u. anunciaram sua vinda para o Brasil no fim do ano passado, mas eu só vi notícia disso agora. Elas tocam no Komplexo Tempo, uma casa na Mooca, no dia 16 de maio e os ingressos já estão à venda.

E 2026 já começa quente com mais um disco surpresa do coletivo de funk soul britânico Sault. Chapter 1 já está nas plataformas e é aquela groovezeira que a gente espera deles…
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Lily Allen aos poucos vem voltando às apresentações ao vivo, que havia abandonado há mais de seis anos, para mostrar as canções de seu recente – e ótimo – West End Girl. Nesta quarta-feira, ela apresentou-se acompanhada somente de um piano no lendário hotel Chateau Marmont, em Los Angeles, nos EUA, quando cantou pela primeira vez ao vivo uma das peças centrais do álbum, “Pussy Palace”, ouvindo o público cantar – e rir – junto com ela a letra da canção.
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E o David Byrne, que não é bobo nem nada, aproveitou o aniversário do primeiro hit de Olivia Rodrigo para lançar sua versão de “Drivers License”. Assim o talking head sela em disco sua parceria com a jovem geninha do pop, que começou com o dueto dos dois no show dela no festival Governors Ball, do ano passado, quando dividiram os vocais da clássica “Burning Down the House”.
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Nunca trabalhei diretamente com o Conrado, embora o tenha conhecido por causa do trabalho: éramos contemporâneos de redação no Estadão, quando ele tocava o barco na política e eu militava nas trincheiras da tecnologia digital no recém-abatido Link. Mas logo que saímos daquela redação, ele tentou me trazer para seu novo Nexo, onde liderou uma ousada iniciativa de jornalismo em tempos de internet, mais de uma vez, mas sempre declinei por motivos diferentes. Essa aproximação profissional no entanto descambou para uma amizade que, como fui percebendo em seu estilo, misturava problemas pessoais com sonhos particulares, ambições natas e outras adquiridas, longos papos em que uma desavença na semana anterior alongava-se em diferentes cenários para futuros possíveis do Brasil e descambava numa discussão sobre qual era a melhor música dos Mutantes. Ao conhecê-lo fora das redacoes pude ter contato com um coração imenso e intenso e uma cabeça a 200 por hora sem estar imerso nas tensões da labuta e da rotina — sempre que nos encontrávamos ele aproveitava justamente para desopilar tais pesos, em bebedeiras sociais que por vezes extrapolavam madrugada afora. A notícia de sua morte me veio como mais um alerta sobre a necessidade de sr conviver com quem se gosta e valorizar esses momentos. Fazíamos muito isso, mas há mais de um ano não falava com ele, a última vez foi quando visitou um show no Centro da Terra. Passei a quinta pensando nele e em todos esses pensamentos que vêm junto com esse tipo de notícia e só consigo agradecer sua insistência em querer me contratar. Assim perdi um chefe para ganhar um amigo. Que faz falta. Obrigado, bicho. ❤️

Desde que o Belas Artes assumiu a curadoria de filmes do Frei Caneca, a programação daquele cinema melhorou horrores, como é o caso dessa mostra Davids, que reúne dois #janeirocapri do primeiro escalão em filmes que trazem Bowie no elenco e Lynch na direção. A seleta deste último tá melhor que a do primeiro (podia ter Furyo, O Grande Truque, Labirinto, Zoolander e até o documentário Moonage Daydream) e podiam trazer o ponto de encontro dos dois (o soberbo e aterrador Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer), mas não tô reclamando — olha essa sequência de filmes, afinal… A mostra também acontece no Rio de Janeiro, no Belas Artes Botafogo.

Caio Stampa é o brasileiro que passou o réveillon com Rosalía em Ipanema e ele contou em sua conta no Instagram como foi conhecê-la pessoalmente. E pelo visto ela se apaixonou pelo Brasil, hein…
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Dona de um dos melhores discos de 2025, a vocalista do grupo The Marias, María Zardoya, estreou seu projeto solo Not for Radio nos palcos pela primeira vez nesta segunda-feira, quando deu início à divulgação ao vivo de seu ótimo Melt no teatro Fox, em Oakland, nos EUA. Além de tocar todas as músicas de seu disco, ainda tocou três inéditas, o hit “No One Noticed” de sua banda e uma versão deslumbrante para “Nude”, do Radiohead. Sente o drama abaixo.. Continue

Nenhum diretor personifica tão bem a ideia da cinefilia para além da indústria do que o húngaro Bela Tarr, que morreu nesta terça-feira. Autor com letra maiúscula, nunca fez concessões para o cinema como indústria ou comércio e dirigiu filmes épicos e lentos, sem ação ou espetáculo, sem preocupar-se com narrativas tradicionais ou métricas estabelecidas. Colocava moral, ética e existencialismo no mesmo patamar da grande arte, fazendo filmes que eram essencialmente políticos e humanísticos ao mesmo tempo em que negava-se a facilitar a obra para o espectador, convidando-o mais a experimentar suas peças audiovisuais do que a entendê-las. Trabalhava com atores não-profissionais, filmava cenas longas e por vezes improvisadas, sempre esticando-a por minutos lentos e contemplativos, quase sempre num preto e branco de alto contratantes, sempre abordando temas pesados e difíceis, como a decadência da humanidade, o fim da utopia política, o fracasso da modernidade, a repetição, a dificuldade em se comunicar e ser compreendido como centro do caos social que tornou-se a sociedade, sempre com tons de desilusão e desesperança. Entre seus clássicos estão filmes como Danação (1988), Sátántangó (com suas lendárias sete horas de duração, 1994), meu favorito Harmonias de Werckmeister (2000) e O Cavalo de Turim (2011). Um diretor único, incomparável e seminal, que deixa nosso plano numa época que parece ter abandonado as características que ele exigia de seu público: a atenção, a paciência, a imersão filosófica e a disposição psicológica. Um mestre.