
A gravadora Rhino segue a feliz missão de abrir o baú da Joni Mitchell para entregar suas melhores pérolas a nós meros ouvintes e adianta uma das joias da próxima caixa de discos sobre a discografia da cantora canadense que está prestes a lançar. Joni Mitchell Archives, Vol. 4: The Asylum Years (1976-1980) reúne o material que compôs quando começou a se envolver mais com o jazz no final dos anos 70, época em que gravou quatro de seus clássicos pela gravadora Asylum: Hejira (1976), o duplo Don Juan’s Reckless Daughter (1977), o disco que gravou comk o veterano Charles Mingus, chamado apenas de Mingus (1979) e o disco ao vivo que encerra esta fase de sua carreira, Shadows And Light (1980). A caixa com 6 CDs (ou 4 LPs) reúne as participações de Joni na turnê Rolling Thunder Review, de Bob Dylan, versões alternativas em estúdio, demos dos discos e versões ao vivo em turnês do período. A caixa (já em pré-venda) deve ser lançada no dia 4 de outubro e a gravadora Rhino acaba de antecipar a demo de “Traveling”, música que depois se tornaria a faixa que batizaria seu disco de 1976. Ouça abaixo, além de ver a capa e o conteúdo completo da caixa, com todas as músicas e um livro de 36 páginas com fotos e pinturas de Joni e uma conversa dela com seu amigo, o direotr Cameron Crowe. Continue

Sérgio Mendes, que morreu nessa sexta-feira nos Estados Unidos, provavelmente vítima dos efeitos a longo prazo da covid-19, foi o artista brasileiro mais bem sucedido internacionalmente. Embora ainda ofuscado pelo gigantismo de Carmen Miranda, que foi a primeira popstar em escala global do planeta (e não apenas brasileira), o músico, compositor e arranjador fluminense foi quem desbravou o caminho para a bossa nova tornar-se um sucesso mundial, abrindo à facada a estrada que ligava o Rio de Janeiro a Los Angeles, capital da indústria fonográfica nos anos 60. Ele foi para os Estados Unidos ainda em 1961, quando gravou com músicos como Cannonball Adderley e Herbie Mann, tocando bossa nova em shows nos EUA e na Europa antes de Tom Jobim sonhar em compor “Garota de Ipanema”. Fez parte do Sexteto Bossa Nova, que acompanhou artistas brasileiros na fatídica apresentação no Carniege Hall em Nova York e desde então seguiu naquele país. Foi a partir do tranalho do músico nascido em Niterói que mestres da música brasileira como Jobim, João Gilberto, Eumir Deodato, João Donato e dezenas de músicos e intérpretes cruzaram a fronteira rumo ao hemisfério norte, conseguindo trabalhos e talentos reconhecidos no exterior. Mendes tornou-se o maior destes nomes depois de alguns anos já nos Estados Unidos, quando, por sugestão de Herb Alpert, da gravadora A&M, passou a gravar músicas em inglês, além de versões em português cantadas por duas vocalistas, uma norte-americana (Lani Hall) e uma brasileira (Bibi Vogel) no grupo que montou quando saiu da gravadora Atlantic, o Brasil 66. A sonoridade palatável da bossa nova de Mendes aliada aos vocais híbridos das vocalistas deste novo grupo o transformaram em um sucesso gigantesco mesmo para os padrões dos EUA a partir da versão que o grupo fez para “Mas Que Nada”, de Jorge Ben. Era o começo do estrelato internacional de Sérgio Mendes, que lhe garantiram, com o tempo, um Grammy, um Oscar e 14 músicas entre as 100 mais tocadas nos Estados Unidos, além de parcerias com Stevie Wonder, Justin Timberlake e Black Eyed Peas, amizades com Frank Sinatra, Pelé, João Gilberto, Tom Jobim, Mick Jagger, Elton John, Michael Jackson e Burt Bacharach, além de ter sido um dos poucos brasileiros que conheceu Elvis Presley. Um monstro sagrado, vai em paz.

Agente e testemunha das transformações musicais que mexeram com a vida noturna de São Paulo entre os anos 80 e 90, Camilo Rocha fala de escrever um livro sobre este período desde que a gente se conheceu, no meio dos anos 90, quando ele, recém-chegado da Inglaterra, trouxe o conceito de raves para o Brasil e esteve envolvido na produção de algumas das primeiras festas desse tipo por aqui. Ele cobre música de pista desde essa época, quando enfrentava chiliques de leitores roqueiros raivosos da falecida Bizz que reclamavam que a revista dava espaço para esse tipo de música e foi um dos criadores do mitológico Rraul, site/fórum que deschavava a cena deste tipo de música em todo o Brasil. Depois de décadas de produção, ele finalmente lança Bate-Estaca – Como DJs, drag queens e clubbers salvaram a noite de São Paulo pela editora Veneta e o convidei para participar de mais uma edição da sessão Trabalho Sujo Apresenta, que tenho realizado no Cine Belas Artes, desta vez trazendo o autor para falar do livro antes de vê-lo discotecar no mezanino do cinema. A festa acontece no dia 12 de setembro e eu mesmo converso com Camilo a partir das 19h30 para, uma hora depois, entrarmos no modo discotecagem, quando teremos a DJ Linda Green como convidada da noite. Os ingressos já estão à venda neste link. O Belas Artes fica na rua da Consolação, 2423, do lado da Estação Paulista da Linha Amarela do metrô.

A maior edição do Inferninho Trabalho Sujo, que aconteceu nesta quinta-feira, também foi uma experiência auditiva. Se nas outras edições privilegiávamos o calor humano de um espaço pequeno em que bandas poderiam aquecer ainda mais a noite com o volume de seu som, desta vez trazendo para o palco de pé direito alto da Casa Rockambole optamos por uma edição celestial em que a sensibilidade e a delicadeza estivessem em primeiro plano, sem que isso diminuísse a temperatura da noite. E o crescendo musical e energético que começou com voz e violão e acabou com uma banda de rock fez o público subir a expectativa cada vez a cada nova apresentação, devidamente saciada após cada um dos shows.
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A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo de setembro é das grandes! Vamos reunir cinco shows na próxima quinta-feira, dia 5, na Casa Rockambole. Quem abre a noite é a novata paulistana Luiza Villa, mostrando suas primeiras composições solo, seguida do encontro das cantoras sergipana e mineira Tori e Júlia Guedes, misturando os próprios repertórios. Depois é a vez de Marina Nemesio mostrar as músicas que farão parte de seu primeiro disco solo. E ainda temos a banda baiana Tangolo Mangos encerrando uma extensa turnê que fizeram pelo Brasil no útlimo mês, antes da atração que fecha a noite, quando Sessa sobe ao palco para mostrar as músicas de seu disco mais recente, depois de fazer uma turnê pela Europa. Entre os shows, duas duplas discotecam: primeiro Lina Andreosi e Clara Bright e depois eu e a Francesca Ribeiro, deixando a noite ainda mais quente e fluida. A Casa Rockambole fica na Rua Belmiro Braga, 119, em Pinheiros, os shows começam a partir das 19h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Ao lançar um dos melhores discos de 2024 num espaço pequeno como o Auditório do Sesc Pinheiros, nesta quarta-feira, Thiago França sublinhou que seu novo disco (trinta e quantos?) é reservado para audições menores e mais intimistas, mas sem isso se confunda com mais leve ou mais delicado. Logicamente que há momentos de sutileza e sentimento, mas o forte da apresentação tinha peso, força e intensidade, especificamente por Thiago ter escolhido o formato de trio de jazz para conduzir o repertório da vez. E ao lado dos velhos comparsas Welington “Pimpa” Moreira e Marcelo Cabral, ele aproveitou para explorar todos o espectro possível daquela formação em cima dos temas registrados no novo disco. Uns deles (como “Luango” ou a faixa-título do disco, “Canhoto de Pé”) são velhos conhecidos de quem acompanha o trabalho do saxofonista e pontos de partidas para verdadeiras tours-de-force instrumentais, seja coletivamente ou em hipnóticos momentos solo. Mas no terço final do show, Thiago expandiu ainda mais sua paleta sonora, ao começar pelo “Bolero do Desterro”, faixa do segundo disco de seu projeto Sambanzo, que transformou-se num momento solo em que Pimpa e Cabral o deixaram só no palco, quando mostrou o motocontínuo de sua respiração circular, antes de receber Juçara Marçal para a versão dilaceradora que os dois registraram no novo disco de Thiago, quando visitaram, sax e voz, a preciosa “Dor Elegante”, de Itamar Assumpção. Aproveitando a presença de Juçara, encerrou o show com uma mistura (ou “um remix analógico e orgânico”, como ele mesmo brincou) de “Fear of the Bate Bola” do disco da vez com “Bará” que Juçara compôs quando o grupo Metá Metá foi convidado para fazer a trilha sonora de um espetáculo do grupo Corpo. O público pediu bis e Thiago encerrou a noite com a imortal “Cabecinha no Ombro”, de Paulo Borges, tocando sozinho e pedindo pro público cantar o eterno acalanto junto com seu sax. Que noite!
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Olha ela aí! Erykah Badu vem mais uma vez ao Brasil no início de novembro, quando fará quatro apresentações por aqui, uma em São Paulo (dia 6, no Espaço Unimed, com abertura da Luedji Luna), outra no Rio de Janeiro (dia 8, dentro do festival Rock The Mountain, que abriu data extra para receber a diva) e duas vezes em Salvador (dias 9 e 10, dentro do festival Afropunk). Os ingressos para o show de São Paulo começam a ser vendidos nessa sexta-feira, os de Salvador já estão à venda pelo Sympla e os do Rio começam a ser vendidos em breve.

Aproveitando o auê ao redor da segunda volta do Pavement, a clássica gravadora indie norte-americana Matador, que acompanhou toda a fase adulta do grupo liderado por Stephen Malkmus nos anos 90, encomendou um filme sobre a banda ao diretor Alex Ross Perry. Pavements estreou pela primeira nesta semana durante o festival de Veneza, trazendo Joe Keery, que interpreta o valentão Steve Harrington no seriado Stranger Things, como o vocalista e guitarrista da banda californiana. Um pastiche irônico de biografia romantizada com documentário feito para a TV (como deveria ser, afinal, eram os anos 90), o filme teve sua primeira cena mostrada em público nessa semana, quando a revista Vanity Fair antecipou um trecho do filme em que um Malkmus fictício faz pouco da excitação dos dois donos da gravadora (Chris Lombardi e Gerard Cosloy, vividos pelo ator Jason Schwartzman e pelo comediante e músico Tim Heidecker) quando estes anunciam que sua banda será o número musical do programa humorístico Saturday Night Live. E a reação foda-se de Keery como Malkmus consegue ser mais convincente em poucos segundos do que o Dylan de Timothée Chalamet no trailer do próximo filme sobre Dylan, A Complete Unknown (e olha que eu gostei desse último!).
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Cuca Ferreira pisou firme em sua estreia como artista solo em sua apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira. Embora ainda se escondendo sob o pseudônimo de Cuca Sounds, ele deixou sua marca explícita em toda a apresentação, desde o desenho da formação musical que reuniu à escolha do repertório até a forma como ele foi apresentado. A deixa inicial foi a primeira apresentação ao vivo do EP que lançou no primeiro semestre que batizava o espetáculo, Música em Busca de um Filme, mas esse foi só o mote inicial da noite, resolvido na primeira faixa. Dali em diante, Cuca e o exército de sopro e ritmo que organizou mergulharam no mar das memórias do saxofonista, passando por músicas que foram importante em sua carreira, como “Algo Maior” da Tulipa Ruiz, “Pomba de Gira do Luar” de Luiza Lian e “Saudade de Casa” e “Ngm + Vai Tevertrist” de Giovani Cidreita, um dos convidados da noite, com quem Cuca vem trabalhando ao vivo; e faixas autorais, como as do disco que lançou há pouco tempo, uma da segunda parte deste projeto, ainda inédita, e uma música em homenagem ao compositor Philip Glass, chamada “Glass Key”, esta última coreografada por sua filha, a dançãarina Beatriz Galli que, como o próprio pai disse antes da apresentação, mostrou que não estava ali por nepotismo. A banda, sem instrumentos harmônicos ou bateria, contava com velhos e novos cúmplices de Cuca, como o baixista Fábio Sá (com quem sempre tocou em projetos temporários), a flautista Marina Bastos (com quem ele tocava pela primeira vez), a percussionista Valentina Facury e o trombinista Doug Bone (ambos integrantes de uma de suas bandas, o decano Bixiga 70). Longe do palco, Bernardo Pacheco e Paulinho Fluxus, outros velhos camaradas de Cuca, cuidavam respectivamente do som e da luz, provocando intervenções cirúrgicas. E escondido atrás das cortinas estava o agente oculto Marcos Vilas Boas, que projetava imagens durante toda a apresentação – até chegar ao ápice da noite, quando a banda – e a dançarina – improvisou a partir de imagens que Vilas Boas projetava sem ter combinado nada previamente, invertendo o título da noite e mostrando o quanto essa formação é orgânica e próxima, num delírio em preto e branco. Agora é colocar essa turma na estrada, seu Cuca!
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Satisfação receber nesta terça-feira, no Centro da Terra, a primeira apresentação solo do saxofonista Cuca Ferreira, que traz o espetáculo Música em Busca de um Filme usando o nome de CucaSounds. Integrante fundador do Bixiga 70, Cuca também faz parte do trio Atønito e da banda Corte, ao lado de Alzira E, e já tocou e arranjou para artistas como Elza Soares, João Donato, Tulipa Ruiz e Giovani Cidreira. Este último, inclusive, participa desta primeira apresentação solo, que também terá a participação da dançarina Bia Galli, da flautista Marina Bastos, da percussionista Valentina Facury, do baixista Fábio Sá, do trombinista Doug Bone, além de projções feitas por Marcos Vilas Boas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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