
Há 60 anos, os Beatles chegaram aos Estados Unidos e a febre adolescente que até então só tomava conta da Inglaterra espalhou-se imediatamente pelo resto do planeta. E embora afeito a efemérides para seguir sua dominação cultural, o grupo só fez um anúncio até então, avisando que iria finalmente relançar a versão estadunidense de sua discografia em uma caixa de LPs que não estavam disponíveis para o público desde o século passado. Mas mesmo que agradasse a uma fatia fiel de seu público (os completistas) pouco acrescentava para os fãs em geral, que não comprarão novas versões em vinil de músicas que provavelmente já estão em sua coleção e neste mesmo formato (embora dispostos na versão considerada oficial da discografia da banda, lançada na Inglaterra). Até que no início deste mês a banda anunciou quase discretamente uma nova versão para o disco A Hard Day’s Night, o primeiro que o grupo lançou no ano de 1964 e que funcionava como trilha sonora para seu primeiro filme, batizado com o mesmo título. A nova versão também não trazia nenhuma novidade: era apenas uma edição em vinil branco de 180 gramas lançada para o National Album Day, evento inglês equivalente ao Record Store Day dos EUA, que seria lançada apenas no Reino Unido no próximo dia 19 e não traria nenhuma novidade em relação à versão que já conhecemos do álbum, o primeiro que traz apenas composições da dupla John Lennon e Paul McCartney. E o jornal inglês The Sun descobriu que o canal de streaming da Apple (não da gravadora dos Beatles) está preparando um documentário sobre a chegada do grupo aos EUA chamado apenas de 1964, que trata do impacto do grupo no mundo pop depois que dominou o público dos Estados Unidos, trazendo cenas nunca vistas – embora a Apple oficialmente não tenha se pronunciado sobre o filme. E custava pedir que eles relançassem o A Hard Day’s Night no cinema?

(Foto: Julia Milward/Divulgação)
“Esse disco é a impossibilidade de dar uma resposta em palavras”, me explica a produtora e multiartista Sue, falando sobre seu segundo álbum, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, mas que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. O disco sucede seu disco de estreia, Soundtracks for Photographs, lançado em 2019, pouco antes da pandemia, em que ela usava a desculpa de compor, como o título entrega, trilhas sonoras para fotografias, como uma forma de mostrar como vinha sendo sua adaptação ao Brasil, uma vez que nasceu na França e mora aqui desde 2013. O período pandêmico acelerou o fim de sua banda anterior, o grupo de trip hop Ozu, e logo ela viu-se imersa em novas produções instrumentais que começavam a ditar o rumo de seu novo trabalho solo, que finalmente vem à tona. O disco é batizado de Quando Vc Volta?, pergunta que ela cansou de ouvir de seus conterrâneos sobre sua estada em nosso país. O resultado é um hipnótico conjunto de transes instrumentais que passeia tanto pelo trip hop quanto pelo hip hop instrumental quanto por variações ambient, num disco ao mesmo tempo experimental e reconfortante, que conta com participações de Desirée Marantes, com quem dividiu a instigante temporada Mil Fitas, no Centro da Terra em junho do ano passado, e Dharma Jhaz em faixas com títulos em diversos idiomas: de sua língua-pátria (“Je Fais Ce Que Je Peux”) a títulos em inglês (“Morning Tears”, “Pulse” e “First Steps”), português (“Colo”, “Araucária”, “Vida Morte Vide”, “Gigantesca”, “Complemento”) e palavras no meio do caminho (como “Anton” e “Alias”). Quando perguntei para ela sobre o porquê de um disco que discorre sobre essa impermanência territorial não ter texto, ela responde sucinta: “Diante da falha das palavras, seja em francês ou em português, quem fala é o som.”
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Carox e Flávio Particelli estavam animados mas nervosos com o primeiro show do A Ride for Two, projeto que criaram durante a pandemia para compor canções introspectivas e bucólicas distantes das músicas que fazem em seus projetos até então, quando a velocidade e o ruído do hardcore encobre letras e melodias para valorizar a energia da performance. Mostrando pela primeira vez ao vivo o novo duo, eles sentiram o peso de ouvir as próprias vozes e instrumentos sem distorção ou volume, o que a princípio os deixou tensos no começo da apresentação desta terça-feira, no Centro da Terra. Mas à medida em que iam desbravando as canções e se acostumando ao ouvir as respectivas vozes num contexto longe do caseiro iam ganhando confiança e fazendo o show crescer. Amparados por uma banda afiadíssima, formada por Marcelo Crispim (guitarra), David Margelli (baixo), Thales Stipp (bateria) e Luiz Viola (piano), que nunca transbordava o som de forma a sobrepor-se à dupla vocal, os dois entrelaçavam violão e guitarra (era a primeira vez que Carox tocava o instrumento em público) e os dois belos timbres de vocais nas canções que formam o repertório de seu único EP e algumas inéditas, além de contar com duas participações especiais, cada uma delas trazendo uma referência musical diferente: ao lado de Cyz Mendes, do grupo Plutão Já Foi Planeta, os dois cantaram “Wildflower”, do disco novo da Billie Eilish, e ao lado de Cyro Sampaio tocaram “Miopia”, da banda do convidado, Menores Atos. Um show bonito e delicado, que logo livrou-se do clima de batismo de fogo que tensionava a dupla no início para entrar num portal de sutilezas e melodias que, apesar de estranho às carreiras anteriores dos dois, fez muito sentido para ambos – e para o público, que embarcou na carona proposta pelos dois.
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Com muita satisfação recebemos nesta terça-feira no Centro da Terra a primeira apresentação ao vivo de uma dupla que nasceu no hardcore, mas se encontrou no folk. Carox (das bandas Carox e Miami Tiger) e Flávio Particelli (das bandas Fullheart, Falante e Anônimos Anônimos) se começaram a fazer música no período de isolamento social da pandemia e criaram a dupla acústica A Ride for Two, que já lançou seu primeiro EP, batizado com o próprio nome da banda, mas nunca apresentou-se ao vivo – até hoje. Sua estreia acontece no espetáculo Hey Life, quando tocam tanto sozinhos quanto acompanhados por uma banda formada por Marcelo Crispim na guitarra, David Margelli no baixo, Thales Stipp na bateria e Luiz Viola no piano e sintetizadores, além de receberem duas participações especiais, Cyro Sampaio, do grupo Menores Atos, e Cyz Mendes, do grupo Plutão Já Foi Planeta, todos entrando no clima de introspecção e delicadeza proposto pala dupla. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.
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Embora tenha entrado para a história por ser a mãe de Whitney Houston, a cantora Cissy Houston, que morreu nesta terça-feira, tem uma longa ficha de serviços prestados à música, muito antes mesmo de sua filha começar a fazer sucesso. Liderou os grupos vocais Drinkard Singers e, seu trabalho mais conhecido, as Sweet Inspirations, com quem gravou com inúmeros artistas, como Otis Redding, Wilson Pickett, Lou Rawls e sua sobrinha Dionne Warwick, além de marcar presença em clássicos como “Son of a Preacher Man” de Dusty Springfield, “Brown Eyed Girl” de Van Morrison, “Ain’t No Way” de Aretha Franklin e “Burning of the Midnight Lamp” do grupo Jimi Hendrix Experience. Ela estava internada vítima do mal de Alzheimer e morreu nesta terça-feira.

Que o Mudhoney está vindo pra cá ano que vem você já sabia – a novidade é que agora liberaram as datas em que a banda mais barulhenta de Seattle estará na América do Sul em 2025. Dia 21 de março (uma sexta) tocam em São Paulo no Cine Joia (ingressos aqui), no dia seguinte tocam no Rio de Janeiro no Circo Voador (ingressos aqui) e no domingo 23 tocam em Belo Horizonte na Autêntica (ingressos aqui), para encerrar a volta pelo continente no dia 26 (uma quarta-feira) com show na Argentina. Vai ser fogo!

E se você estava esperando as datas dos shows da Luedji Luna cantando Sade em São Paulo anote aí: o espetáculo acontece três vezes durante o mês de novembro, além da data no Circo Voador (dia 19), que já teve seus ingressos esgotados. Na cidade, a musa toca dias 27 e 28 de novembro na mitológica sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo, e no dia 30 no Festivalzinho, evento que será realizado no Parque Villa-Lobos, e pretende unir atividades para pais e filhos, trazendo shows infantis (como os palhaços Patati Patatá, o espetáculo Os Saltimbancos, a Galinha Pintadinha, o grupo Tiquequê e a banda Beatles para Crianças) e para o público em geral (e além de Luedji ainda se apresentarão Mariana Aydar com Mestrinho, Céu com seu Baile Reggae, Maria Gadú e a dupla Anavitória. Teve quem pedisse que ela fizesse esse show na abertura do show que vai fazer para Erykah Badu no dia seis de novembro, mas ela vai apresentar seu próprio show – mesmo porque além de fazer bonito frente à gringa com suas próprias músicas, ela não precisaria invocar outra diva gringa da soul music para dividir atenção com Badu. Os ingressos para os shows no Centro Cultural ainda não estão disponíveis para compra, mas os do Festivalzinho já estão à venda neste link.

E se havia alguma dúvida de que A Complete Unknown, a cinebiografia de Bob Dylan com Timothée Chalamet dirigida por James Mangold, pode ser um bom filme, ela dissipa-se com a revelação de seu trailer principal nesta terça-feira. Não só o astro da vez está convincente como o protagonista- e não apenas cantando -, como algumas cenas e trechos de diálogo mostram que há um compromisso sério com a história de Dylan, mesmo que o próprio não se leve tão a sério – e fala sobre isso até no trailer (“As pessoas inventam seus passados, elas lembram-se do que querem e esquecem do resto!”). O trailer mistura cenas de sua chegada em Nova York, trechos de seu relacionamento com Joan Baez (vivida por Monica Barbaro) e Suze Rotolo (que transformou-se em Sylvie Russo por algum motivo, vivida por Elle Fanning), com seu empresário Albert Grossman (vivido por Dan Fogler) e com seus mestres Pete Seeger (vivido por Edward Norton), Johnny Cash (Boyd Holbrook), Alan Lomax (Norbert Leo Butz) e Woody Guthrie (Scoot McNairy). O filme estreia nos EUA dia 25 de dezembro e deve chegar por aqui em janeiro. Confira o trailer abaixo: Continue

Aquela boa véspera de viagem.
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Pélico começou sua temporada Cá com os Meus Botões nesta segunda-feira no Centro da Terra voltando em momentos distintos de seu repertório revistos de forma direta e reta, deixando a força de suas canções de amor soar para além de arranjos meticulosos, silêncios de câmara e várias participações, como pedem seus registros fonográficos. Ao lado de Pedro Regada, que revezou-se entre os teclados e o piano, ele preferiu mostrar suas canções cruas, fossem acompanhadas por seu violão ou conduzidas apenas por sua voz. E assim passou por diferentes momentos de seus três discos mais recentes – Que Isso Fique Entre Nós, de 2011 (representado por “Não Éramos Tão Assim”, “Não Vou Te Deixar, Por Enquanto”, “Sem Medida” e pela faixa-título); Euforia, de 2015 (que também veio com sua faixa-título e “Olha Só”) e por seu disco mais recente, Quem Me Viu, Quem me Vê, de 2019 (que veio com “Machucado”, que abriu o show, “Nosso Amor” e “Amanheci”) -, além de visitar duas pérolas alheias, “Espelhos d’Água” de Dalto que ficou famosa com Patrícia Marx, e “O Que Me Importa” que Cury Heluy fez pra Wanderlea, mas que foi gravado depois por Tim Maia, Ira! e Marisa Monte. Em todas as canções, a intensidade de sua voz reforçava a força das letras e das melodias, que se integravam perfeitamente quando o piano se misturava ao violão, como fizeram na última canção da noite, ao visitar mais uma do disco de 2011, “Recado”. Foi bem bonito.
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