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Jornalismo

Inferninho Trabalho Sujo especial nesta sexta-feira no Picles, quando o Varanda pode mostrar as músicas de seu disco de estreia pela primeira vez no mesmo palco que trouxe a banda mineira pela primeira vez a São Paulo, sentindo-se em casa na festa que faço desde o ano passado ao mesmo tempo em que sente-se consolidando a primeira fase de sua carreira. “Aqui que a gente nasceu pra vocês”, disse a vocalista Amélia do Carmo. Antes do show do grupo, que fechou a primeira parte da festa, foi a vez da paulistana Lotzse mostrar seu recém-lançado Excelentes Exceções, em que, acompanhada por uma banda pesadíssima (formada pelo guitarrista Victor Kroner, o tecladista Christian Sayeg, o baixista Rafael Nilles e o baterista Davi Gomes), pode soltar sua voz em suas canções pop com um groove entre equilibrado entre o funk, o jazz e o rock, abrindo espaço para versões de músicas alheias, como “Maria Maria” (de Milton Nascimento, que sublinha o tema principal do álbum, que é a relação não-romântica entre mulheres), “Azul Moderno (de Luiza Lian) e “Murder on the Dancefloor” (de Sophie Ellis-Bextor), que entrou no bis.

A abertura deixou o público do Inferninho Trabalho Sujo em ponto de bala para que o Varanda fizesse o Picles pegasse fogo. A festa foi o ponto de partida da banda mineira em sua carreira paulistana, cuja fase inicial culminou com o show de lançamento de seu álbum de estreia, Beirada, que aconteceu há dois meses no Sesc Vila Mariana. E agora encerram seu 2024 com um show redondinho, tanto com a química entre os músicos cada vez mais precisa: o baterista Bernardo Merhy e o baixista Augusto Vargas segurando a base firme o guitarrista Mario Lorenzi e a vocalista Amélia do Carmo se soltarem sem medo da queda, Amélia em alguns casos quase literalmente, se pendurando nas paredes do Picles e se jogando no meio da pequena multidão que cantava as músicas da banda. É muito bom ver o quanto os quatro evoluíram no último ano, ganhando confiança entre si e para com o público enquanto levam suas canções para um outro patamar no palco, como acontece com as melhores bandas. E é impressionante como isso se materializa especialmente em Amélia, cada vez mais segura de sua performance, de seu canto e de seu carisma, hipnotizando a audiência como uma bruxa sedutora, transformando cada canção num passe de mágica. A banda ainda chamou a amiga Manu Julian para dividir os vocais de “Cê Mexe Comigo” que a vocalista dos Pelados canta no disco, ajudando ainda mais a temperar este que foi o melhor show da banda que vi. Depois eu e Bamboloki assumimos o comando da madrugada – se é que dá pra dizer que houve algum comando naquele desfile desenfreado de hits de todas as épocas que concluímos com nossa a música que iniciou nossa relação, “Clara Crocodilo”, faixa-símbolo de um de nossos faróis estéticos, o mestre Arrigo Barnabé. Que noite!

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Vamos pro Picles! Sexta-feira tem mais Inferninho Trabalho Sujo, desta vez na casa que viu a festa nascer com duas atrações daquelas: quem abre a noite é a novata Lotsze, que acaba de lançar seu disco de estreia, Excelentes Exceções e prepara o terreno para uma banda veterana de Inferninho, os mineiros do Varanda, que tocam seu recém-lançado disco de estreia, Beirada, pela primeira vez no Inferninho. E a noite termina comigo comandando a pista ao lado da minha comissária da loucura Bamboloki, que me ajuda a incendiar a pista do Picles, que fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde, no coração de Pinheiros! Vamos?

Show, peça, programa de auditório, karokê, luau, quiz show…? A apresentação que os atores Sofia Botelho e Ernani Sanchez fizeram para celebrar a vida e obra de Marina Lima aconteceu mais uma vez nesta quinta-feira no Belas Artes, em mais uma sessão Trabalho Sujo Apresenta que realizo na sala de cinema. O roteiro do espetáculo atravessa os principais hits da cantora carioca ao mesmo tempo que revê sua postura frente à fama, à música brasileira e ao comportamento da época, citando inclusive outros autores contemporâneos como Ana Cristina César e inevitavelmente seu irmão e recém-falecido Antôno Cícero, lembrado com solenindade ao final da apresentação. Os dois reencenavam trechso da vida de Marina – entre entrevistas e participações em programas de TV – ao mesmo tempo em que dividiam os vocais, com Ernani quase sempre tocando um instrumento, seja guitarra, baixo ou violão, e trocavam de figurino. Houve algumas mudanças em relação à apresentação que fizeram no primeiro semestre no Centro da Terra (quando Sofia ainda estava grávida), mas isso é a natureza do teatro.

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Enorme satisfação em anunciar mais uma edição da série Trabalho Sujo Apresenta, desta vez trazendo o espetáculo Eu, Marina, peça-show concebida por Sofia Botelho e Ernani Sanchez, que coloca em cena o legado musical de Marina Lima a partir de 12 composições selecionadas do repertório da artista, rearranjadas e interpretadas ao vivo pelos autores-atores da apresentação. O espetáculo mergulha na essência das canções e traz esquetes ligadas à biografia de Marina e às vivências dos próprios artistas. Poemas de autores como Eduardo Galeano, Ana Cristina César e Angélica Freitas adicionam uma camada poética à experiência. Mais do que uma adaptação artística, Eu, Marina é uma oportunidade de explorar o universo das músicas, trazendo à tona novas interpretações e possíveis conexões com o público contemporâneo. O título Eu, Marina surge como uma referência ao que incorporam do espírito de Marina Lima os dois artistas que a interpretam, além de envolver uma brincadeira onde ambos disputam ser “escolhidos” pela artista no jogo “Eu, Marina!!”. A apresentação é mais uma das atrações da celebração dos 29 anos do Trabalho Sujo, cujo aniversário acontece neste mês de novembro, será realizada no dia 21 e os ingressos já estão à venda.

Uma das atrações do primeiro Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, que acontece na última sexta deste mês, dia 29, a banda Naimaculada está finalizando seu disco de estreia, chamado de A Cor Mais Próxima do Cinza, que sairá no começo do ano que vem, e antecipa mais um single para abrir terreno para o álbum em primeira mão para o Trabalho Sujo. A balada “Não é Sobre Peixes” será lançada nesta sexta-feira e é uma das primeiras músicas compostas pelo grupo paulistano, como lembra o vocalista e compositor Ricardo Paes. “A música em si fala sobre essa relação do ser com a sociedade, a sensação de não pertencimento que diretamente ou indiretamente sentimos”, explica Ricardo. “Escrevi a música pra dois amigos que estavam se relacionando na época, achava que os dois eram pessoas perdidas, que além de sentir esse sentimento de não pertencimento, sentia que eles tinham uma questão maior, talvez até relacionada com a sensação de procurar algo que eles não sabiam exatamente o que era ou o por que estavam procurando, ou buscando nesse breve relacionamento essa resposta”. É o penúltimo lançamento antes do disco, que está programado para março. Ouça abaixo: Continue

29 anos são mais que uma vida, mas ainda sinto como se estivesse começando. Os 29 anos do Trabalho Sujo, completos oficialmente nesta quarta-feira, também selam 30 anos da minha carreira como jornalista, mas este único ano de diferença entre as duas datas é o que separa minha vida profissional (ênfase em “profissional”) da minha vida profissional (ênfase em “minha”). Ao rotular meu trabalho com um nome que eu havia criado para um fanzine (que acabou virando uma coluna num jornal impresso e depois virou site, blog, conta em redes sociais, podcast, festa, curso, programa de rádio, curadoria, direção e o que mais der na minha telha), sem querer separei o trabalho que não me interessa daquele que eu quero fazer e consegui ressignificar essa atividade sem que ela carregasse o peso profissional – e sempre carregando a minha assinatura, a minha edição, o meu ponto de vista. Carrego trabalho no nome e sempre que falo que meu signo é capricórnio a reação dos que acreditam em astrologia é um olhar arregalado de obviedade devido à minha dedicação à labuta. Mas por mais que canse (e, acredite, cansa), o Trabalho Sujo não é um frila que eu peguei pra fechar as contas, um emprego formal que me cobra horário e prazos, uma tarefa insuportável justificável apenas pelo preço pago. Mais do que isso, nesses 29 anos dou ênfase à palavra “vida” no que diz respeito à minha vida profissional quase três décadas passadas. Meu caráter foi formado antes mesmo de pensar em trabalho, ainda em Brasília, mas a maior parte da minha vida que comemoro agora consolidou o que meus pais, meus irmãos e minha cidade me ensinaram antes de me tornar maior de idade: a importância de fazer o que se quer, de colocar planos logo em prática, respeito e franqueza como principais filtros da vida e a importância da parceria. O Trabalho Sujo é um trabalho solitário sim, mas nunca estive só, mesmo porque sempre contei com pessoas importantes da minha vida próximas ao que faço – e não apenas relações profissionais. Laços que firmei ao longo destes trinta anos que são elos forjados para a vida inteira: não apenas coleguinhas de redação, parceiros de escrita, compadres e comadres com quem já discotequei e apresentei e projetei programas, mas também amigos que se tornaram irmãos, esposas, namoradas, professores, gurus, casos e confidentes, gente foda cuja relação transcende o trabalho e só ajudou a forjar as regras pelas quais pauto minha vida – e estou falando de centenas de pessoas, gente que dividi baias, quartos, redes, espaços virtuais e conexões físicas. O Trabalho Sujo só existe por causa de vocês – e vocês sabem quem vocês são. Amo todos a 29 anos ou menos – e pra que serve tudo isso se não há amor? Seguimos juntos, sempre. Bora que só melhora. ❤️

Esta semana temos o imenso prazer de receber a querida Lulina em nosso podcast sobre como um show pode transformar uma vida e ela lembrou dos shows que viu no Recife, sua terra-natal, e dos que veio assistir em São Paulo – em especial o show de Lou Reed que assistiu no Sesc Pompeia.

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Ano passado o reverendo Al Green quebrou as pernas emocionais de nós todos ao regravar “Perfect Day” do Lou Reed – e não é que agora ele conseguiu ir ainda mais fundo? Pois saca essa versão inacreditável para “Everybody Hurts” do R.E.M. e nem tenta segurar a emoção…

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No laboratório

Um dos motivos que pautou minha curadoria no Centro da Terra é entender o quanto o palco é um momento importante para a transição e evolução da carreira de um artista de música – não apenas por ser o lugar em que este se encontra com seu público e por tornar-se a incorporação de uma nova fase de sua carreira (algo que quase sempre é materializado num disco), mas também por permitir que a música guie ela mesma o rumo que o artista está buscando. Tocar algo novo em frente ao público é uma boa forma de fazer que ideias se calcifiquem e consolidem, uma vez que palavras, melodias, harmonias, solos e andamentos são exercitados. Bruna Lucchesi entendeu esta lógica e mais uma vez trouxe um trabalho em progresso para experimentar no palco-laboratório – e como havia feito no início do ano passado em sua homenagem às músicas de Paulo Leminski, no espetáculo Quem Faz Amor Faz Barulho que depois virou o disco de mesmo nome. Ao apresentar um novo trabalho de transição nesta terça com a mesma banda que já a acompanha (Vitor Wutzki na guitarra, Ivan Gomes no baixo e Bianca Godoi na bateria), mostrando a evolução musical do grupo, ela revisitou músicas do disco anterior com composições novas ainda inéditas, além de versões para canções alheias, como “Pissing in a River”, de Patti Smith.

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Do mesmo jeito que começou sua homenagem à música feita por Paulo Leminski no Centro da Terra em fevereiro do ano passado, a curitibana Bruna Lucchesi volta mais uma vez ao palco do Sumaré para dar início a uma nova fase de sua carreira – ao mesmo tempo em que despede-se da anterior. Por isso Quem Faz Amor Faz de Tudo lembra o título da homenagem ao poeta paranaense que começou como show e culminou com o disco Quem Faz Amor Faz Barulho, mas desta vez ela prefere expandir a intesecção da poesia com a música para novos autores, passeando por poetas musicais como Patti Smith e Bob Dylan ao mesmo tempo em que mostra composições próprias nesta nova fase que batizou de Faz de Tudo. Nesta terça ela vem acompanhada de Vitor Wutzki (guitarra), Ivan Gomes (baixo) e Bianca Godoi (bateria). O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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