
Vamos lá mais uma vez falar de dois assuntos que amamos: livros e música. No curso Bibliografia da Música Brasileira, que teve suas inscrições abertas nesta quarta-feira e acontece às quartas de fevereiro e março no Sesc Pinheiros os apresentamos livros básicos para o entendimento da nossa história musical. Desde obras publicadas no início do século passado a livros que começaram a ser publicados no final do século 20, a partir do fim da ditadura militar, e que se dedicam a pesquisas mais profundas sobre a música brasileira e seus principais artistas e agentes sociais, vindas de profissionais de diferentes áreas de atuação, como jornalistas, historiadores, sociólogos e pesquisadores. São seis aulas que abordarão diferentes momentos de nossa identidade musical a partir de livros como O Samba Agora Vai… de José Ramos Tinhorão, Nada Será Como Antes de Ana Maria Bahiana, Samba – O Dono do Corpo de Muniz Sodré, Chega de Saudade de Ruy Castro, Eu Não Sou Cachorro Não de Paulo César de Araújo e Da Lama ao Caos de Lorena Calábria, entre dezenas de outros livros. As inscrições podem ser feitas neste link.

E Luiza Villa não para! No espetáculo Cartas e Segredos ela dedica-se ao repertório autoral ao lado das musicistas Marcella Vasconcelos, Yasmin Monique e Marina Kono, no dia 19 de fevereiro, no Bona. A cantora, compositora e instrumentista paulistana apresenta-se pela primeira vez no Bona Casa de Música no dia 19 de fevereiro mostrando o trabalho que iniciou no final de 2024, quando começou a trabalhar sua carreira solo depois de tocar sozinha no formato voz e violão em casas de São Paulo. O espetáculo Cartas e Segredos foi concebido ao lado das musicistas Marcella Vasconcellos (baixo, piano e teclado) e Yasmin Monique (percussão), em que ela dá ênfase às suas próprias canções, além de apresentar músicas de outros artistas, como Milton Nascimento, Led Zeppelin, e Djavan, estes dois últimos encontrando-se numa mesma canção. A apresentação também conta com a participação de Marina Kono que, que também canta e toca vibrafone e conta com a direção do jornalista e curador de música Alexandre Matias. Artista em ascensão na cena paulistana, Luiza Villa é vocalista da banda Orfeu Menino e também integra o projeto Lost In Translation, de Marcelo Rubens Paiva, em que visitam autores como Bob Dylan, Patti Smith e Doors, além de ter criado um festejado show em homenagem à canadense Joni Mitchell, chamado Both Sides Now. Transitando entre os mundos da MPB dos anos 70 e 80, jazz e folk dos EUA , ela aos poucos vem traçando os rumos de sua carreira solo para além destas fronteiras e já lançou o primeiro single com uma versão minimalista para “Faltando um Pedaço”, de Djavan além de uma colaboração com o artista Chá Preto intitulada “Billie Hollyday. Os ingressos podem ser comprados neste link.

Alaíde Costa, Hermeto Pascoal, Amaro Freitas, Maria Esmeralda, Boogarins, Racionais MCs e Black Pantera foram os vencedores de 2024 de acordo com a comissão de música popular do júri da Associação Paulista dos Críticos de Arte após assembleia geral realizada no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo nesta segunda-feira. Eis o resultado de cada categoria: Continue

Fontaines D.C., Girl in Red, Inhaler, Jpegmafia e Parcels: estes são os artistas gringos que virão para o Lollapalozza brasileiro deste ano e que também tocarão fora do festival, como foi anunciado nesta terça-feira. O evento principal acontece no último fim de semana de março e trará, entre suas atrações principais, nomes como Olivia Rodrigo, Alanis Morrissette, Justin Timberlake e Tool, que coroam uma edição do festival que finalmente sai da mesmice confudsa das versões anteriores. Os shows paralelos começam numa quarta-feira, no dia 26 de março, quando o incensado grupo irlandês Fountains D.C. mostra seu novo álbum Romance em um show no Áudio feito em parceria com o selo Balaclava Records. No dia seguinte, quinta-feira, quatro shows diferentes acontecem em duas casas: no Cine Joia o carioca DJ RaMeMes (único brasileiro nestes shows paralelos) abre para o MC nova-iorquino Jpegamafia, que tocou há pouco no Brasil na primeira edição do festival Primavera em 2023, enquanto no Áudio a noite reúne a norueguesa Girl in Red com outra banda irlandesa, o Inhaler liderado pelo filho do Bono, do U2, Elijah Hewson. A última atração paralela ao festival acontece no dia 31, uma segunda-feira, quando o grupo australiano Parcels apresenta-se também no Áudio. Confesso que tinha uma expectativa por shows do The Marias, do Caribou ou do Michael Kiwanuka, mas estas quatro noites são uma boa opção para quem não quer pegar o perrengue do festival. Os ingressos já estão à venda neste link.

Morreu, nesta terça-feira, o último sobrevivente da The Band, lendária banda que acompanhou Bob Dylan em sua fase elétrica e que ajudou o mundo do rock entender que música de raiz norte-americana não era só o country. Garth Hudson também não foi apenas o último a entrar no grupo – quando ainda acompanhavam o herói roqueiro canadense Ronnie Hawks no comecinho dos anos 60 e atendiam pelo nome de The Hawks -, como também era o integrante mais velho, três ou quatro anos a mais que o restante do grupo, o que, mesmo quando essa diferença de idade torna-se irrelevante após o início dos 20 anos, dava um ar de irmão mais velho e às vezes até de figura paternal para o grupo canadense. Ao escolher o antiquado órgão Lowrey como se principal instrumento – um contraponto quase ancestral em relação às marcas que mais faziam sucesso entre seus contemporâneos naquele período, como Hammond e Fender Rhodes -, deu ao grupo um ar de mistério e longevidade que seria a essência da banda depois que ela começou a andar com as próprias pernas, no meio dos anos 60. Dylan os convidou para acompanhá-lo numa histórica turnê pela Inglaterra em 1966, quando tocava metade do show só ao violão e a outra metade acompanhado pelo grupo, o rock mais alto que o antigo império havia ouvido, e o teclado de Hudson ligava todo o espalhafato ruidoso dos outros instrumentistas como um cimento em forma de microfonia que parecia ter sido feito séculos atrás. Sua presença dava um ar arcaico e solene ao som emitido por Dylan e sua nova banda, que referida por ele apenas como “a banda”, que foi responsável por consolidar o jovem bardo estadunidense como uma voz superior a todos os outros nomes da dita fase clássica do rock – e além disso podia tocar saxofone quase de surpresa no meio dos shows. Depois de acompanhar Dylan, o grupo que havia assumido o nome de The Band lançou dois álbuns – Music from the Big Pink e um com o próprio – que os colocou na história do rock, além de inventar, dentro do novo mundo da música pop, uma música caipira da América do Norte que não soava conservadora, reacionária ou preconceituosa, mas consciente de sua importância pátria sem cair nas caricaturas do patriotismo. O vínculo com Dylan atravessou os anos 70 quando o grupo acompanhou o velho compadre em uma longa turnê (quase toda recém-lançada em disco na íntegra, na caixa Bob Dylan & The Band – The 1974 Live Recordings, que expande o disco duplo Before the Flood, lançado naquela época, para apenas 27 discos diferentes) e viu surgir, com o nome de The Basement Tapes, num álbum extemporâneo gravado nos anos 60 e lançado só no meio da década seguinte. Este laço culminou em tornar a importância da The Band imprescindível para a música de seu país e após encerrar as atividades, uma década após sua fundação, em um registro ao vivo tornado histórico ao ser dirigido por Martin Scorsese no musical The Last Waltz. Hudson, como os outros integranres do grupo, seguiu e carreira solo e colaborou com grandes nomes de sua geração, como Emmylou Harris, Van Morrison e Leonard Cohen. A banda voltou à atividade em 1983, mas terminou três anos depois quando o baterista e tecladista Richard Manuel cometeu suicídio em 1986. Em 1999, o baixista Rick Danko morreu dormindo e o baterista Levon Helm morreu de câncer em 2012. Há dois anos foi a vez do guitarrista Robbie Robertson, deixando Hudson como o solitário representante vivo de um dos grupos musicais mais importantes da história dos EUA. Agora a banda está completa.

Tá com saudades do Picles? Eu tô! E de discotecar com a Fran então? Faz teeeempo… Mato essas saudades neste sábado, dia 24 de janeiro, quando faremos o primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2025 em nossa casa de origem com a participação de duas bandas do coração, as queridas Crime Caqui, que não vejo ao vivo desde antes da pandemia, quando a banda havia acabado de começar, e os novíssimos CØMA, projeto pós-punk do guitarrista Guilherme Held com a baterista Bianca Godói que conta com algumas figurinhas carimbadas da cena underground paulistana na formação. E depois dos dois shows é a vez de discotecar com a Fran aquela mistureba de R&B do começo do século com MPB dos anos 70, rock da década seguinte e música pop dos anos 20 que não deixa ninguém parado! O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde, no coração do canteiro de obras conhecido por Pinheiros, e abre as portas a partir das 20h – mas chega cedo que o primeiro show começa às 21h30! Vamos?

Nesta segunda-feira, a Associação Paulista de Críticos de Arte reúne-se mais uma vez para escolher os grandes nomes do ano que passou e esta relação abaixo lista os 50 discos mais importantes de 2024 de acordo com o júri de música popular da Associação, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (Mistura Cultural), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Times Brasil), Guilherme Werneck (Canal Meio), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto).
Adorável Clichê – Sonhos Que Nunca Morrem
Alaíde Costa – E o Tempo Agora Quer Voar
Amaro Freitas – Y’Y
Bebé – Salve-se!
Black Pantera – Perpétuo
Bonifrate – Dragão Volante
Boogarins – Bacuri
Cátia de França – No Rastro de Catarina
Caxtrinho – Queda Livre
Céu – Novela
Chico Bernardes – Outros Fios
Chico César e Zeca Baleiro – Ao Arrepio da Lei
Crizin da Z.O. – Acelero
Curumin – Pedra de Selva
Duda Beat – Tara e Tal
Exclusive Os Cabides – Coisas Estranhas
Febem – Abaixo do Radar
Fresno – Eu Nunca Fui Embora
Giovani Cidreira – Carnaval Eu Chego Lá
Gueersh – Interferências na Fazendinha
Hermeto Pascoal – Pra você, Ilza
Ilessi – Atlântico Negro
Josyara – Mandinga Multiplicação – Josyara Canta Timbalada
Junio Barreto – O Sol e o Sal do Suor
Kamau – Documentário
Lauiz – Perigo Imediato
Luiza Brina – Prece
Maria Beraldo – Colinho
Milton Nascimento & Esperanza Spalding – Milton + Esperanza
Ná Ozzetti e Luiz Tatit – De Lua
Nando Reis – Uma Estrela Misteriosa
Negro Leo – RELA
Nina Maia – Inteira
Nomade Orquestra – Terceiro Mundo
Oruã – Passe
Papangu – Lampião Rei
Paula Cavalciuk – Pangeia
Pluma – Não Leve a Mal
Pullovers – Vida Vale a Pena?
Samuel Rosa – Rosa
Selton – Gringo Vol. 1
Sergio Krakowski Trio e Jards Macalé – Mascarada: Zé Kéti
Silvia Machete – Invisible Woman
Sofia Freire – Ponta da Língua
Tássia Reis – Topo da Minha Cabeça
Taxidermia – Vera Cruz Island
Teto Preto – Fala
Thalin, Cravinhos, Pirlo, iloveyoulangelo & VCR Slim – Maria Esmeralda
Thiago França – Canhoto de Pé
Zé Manoel – Coral

Voz marcante do jornalismo esportivo brasileiro, Leo Batista morreu neste domingo após complicações devido a um câncer no pâncreas. Conhecido por diferentes gerações por apresentar momentos específicos da cobertura esportiva – como o programa dominical os Gols do Fantástico, o resultado da loteria esportiva ou o programa Esporte Espetacular, todos na Rede Globo -, Leo começou no rádio e devido a um plantão foi a voz que anunciou ao resto do Brasil o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954. Cobriu 13 Copas do Mundo e 13 Olimpíadas e também foi o primeiro locutor de TV a apresentar competições de fórmula 1 e de surfe no Brasil. Mais um ícone do entretenimento brasileiro que nos deixa.

Vamos à primeira Desaniversário de 2025 neste sábado, quando mais uma vez eu, Clarice, Camila e Claudinho transformamos o Bubu em nossa pista de dança preferida, pinçando clássicos de todas as épocas e músicas que você nem lembrava que gostava para se acabar de dançar neste começo de ano quente! O Bubu fica na marquise do estádio do Pacaembu (Praça Charles Miller, s/n) e não custa reforçar que nós começamos e terminamos cedo pra dar tempo pra todo mundo curtir o domingo – começamos às 19h e vamos até a meia-noite. Vem dançar com a gente!

Como é de se esperar, a cada nova apresentação do show que fizemos em homenagem a Joni Mitchell ele sobe um degrau, mas essa quarta edição que Luiza Villa conduziu no Sesc Avenida Paulista nessa sexta-feira foi um salto em relação às anteriores. Foi o primeiro show feito para o público assistir de pé, o que deu outra cara à apresentação. Também foi a estreia do novo guitarrista, João Vaz, comedido e preciso em suas participações e abrindo vocais com Luiza com frequência, deixando os outros músicos – Pedro Abujamra, revezando-se entre o piano de cauda e o teclado elétrico, Tommy Coelho, que fez um solo maravilhoso de bateria no meio do show, e João Ferrari sempre esmerilhando no baixo – soltarem-se ainda mais, reforçando o vínculo instrumental da banda. Foi o primeiro show com a participação de um músico convidado e a estreia foi de João Barisbe, trazendo seu sax para o universo de Joni sem cerimônias. Mas o principal foi ver como a idealizadora do tributo está cada vez mais à vontade ao encarar uma obra tão rígida. Luiza Villa brilha a apresentação inteira não apenas como vocalista mas também como instrumentista, trocando de guitarras e violões para criar atmosferas especificas para diferentes momentos na noite. O figurino celebrando Patti Smith na capa de seu primeiro disco – a camisa social branca frouxa e a gravata mal amarrada – ajudou-a a soltar-se ainda mais no palco, inclusive nos momentos em que não canta. Mas era a influência de Joni Mitchell que pairava sobre a noite, não apenas com suas letras gigantescas e jogos de palavras, mas com camadas musicais que misturavam folk, jazz, blues e, por que não?, música brasileira, base instrumental de todos no palco. O show contou com músicas novas no repertório: “Goodbye Pork Pie Hat” e “Black Crow”, ambas da fase mais jazz de Joni com Barisbe arrasando em seu instrumento (ele ainda tocou em “Help Me” e no bis do final com “Free Man in Paris”. O show, que ainda teve os belos vídeos de Olívia Albegaria, ainda reverenciou Neil Young no momento acústico, quando Villa chamou Vaz para dividir vocais e violões na maravilhosa “Harvest Moon”. Fácil dizer que o show atingiu outro patamar, vamos ver quais serão os próximos passos.
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