
Outro dia Marcelo Segreto publicou uma foto em seu Instagram em que atravessava a rua ao lado de Tom Zé, da cantora Loretta e da fotógrafa Sofia Colucci (numa foto tirada pela Laura Pina) e neste sábado a intenção da foto foi revelada, quando a coluna da Mônica Bergamo na Folha de São Paulo, trouxe a notícia que o quase nonagenário cientista musical baiano irá lançar um single chamado “Futuro Fruto” (daí as frutas da foto) ao lado de Segreto e Loretta no próximo dia 20 de agosto. Mas será só um single ou tem disco vindo aí?

Quando Fernanda Abreu mostrou seu documentário sobre o seu disco Da Lata, que comemorou 30 anos no ano passado, na edição 2026 do festival In Edit, aproveitei a oportunidade pra bater um papo com ela em mais uma colaboração com o Toca UOL sobre o filme que acabou indo para outros lugares, quando falamos sobre a situação do Brasil nos últimos 30 anos, como ela gere a própria carreira, seu próprio legado fonográfico e uma curiosidade em relação a como usar inteligência artificial ao produzir música nova. A captação da entrevista foi feita pela Rafa Fernán, em mais uma parceria comigo. íntegra do papo segue abaixo: Continue

Jack White está em plena turnê de lançamento de seu recém-lançado Frozen Charlotte e ao passar por Chicago, nos EUA, na mesma época em que os Black Crowes tocavam na região, convidou o vocalista do grupo Chris Robinson para participar de seu show, quando dividiram, classicamente, a ótima “I’m a Mover”, que o grupo inglês Free gravou em seu disco Tons of Sobs, lançado em 1968. E é impressionante como os dois, mesmo com dez anos de diferença e pertencentes a gerações distintas do rock de seu país, parecem ter saído da cena inglesa da virada dos anos 60 para os 70. E se você lembrar que em sua turnê atual os Black Crowes vêm temperando seu setlist com clássicos deste período – como “Oh! Sweet Nuthin'” (do Velvet Underground), Everybody Knows This Is Nowhere” (do Neil Young), “Three Button Hand Me Down” (dos Faces), “She” (do Gram Parsons), “Feelin’ Alright?” (do Traffic), “Hard to Handle” (do Otis Redding), “Torn and Frayed”, “Bitch”, “Dancing With Mr. D” e “You Got the Silver” (todas estas dos Stones), entre outras – dá até vontade de imaginar uma turnê do grupo com Jack White como guitarrista convidado para tocar clássicos do rock, na mesma medida – só que apontando para outra geração – que os próprios Crowes fizeram com Jimmy Page em outubro de 1999. Só imagina…
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Não dá pra discutir: um dos principais artistas brasileiros na atualidade é uma banda de rock paraibana cujos músicos começaram no metal e aos poucos foram descobrindo novos horizontes artísticos tanto nas desventuras instrumentais intermináveis do rock progressivo quanto na genealogia musical nordestina, desde seus inúmeros e ancestrais gêneros musicais às variações psicodélicas que surgiram na região depois da invenção do ácido lisérgico. A Papangu, que apresentou-se nesta quinta-feira no Sesc 14 Bis, está às vésperas de mais uma turnê internacional e do lançamento do terceiro álbum, batizado de Celestial e previsto para o próximo mês e cada vez mais depura seu som rumo a um novo patamar de maturidade musical que a aproxima mais do jazz e do fusion ao mesmo tempo que se distancia da formação metal de seus integrantes, cujo principal vestígio encontra-se no timbre gutural de um dos vocalistas. Tocando no formato de quarteto nesta apresentação (com o multiinstrumentista Pedro Francisco assumindo o baixo no lugar de Marco Mayer), o grupo passou por músicas de seu ótimo Lampião Rei (lançado em 2024) e algumas do próximo álbum, que mostram sua evolução natural em canções gigantescas divididas em partes distintas, sempre com momentos para solos de seus integrantes – seja a tecladeira do vocalista Rodolfo Salgueiro, os solos de Hector Ruslan, os grooves de baixo e os vocalises de Pedro (além de seu solo com brinquedos que fazem som, inspirados pelo saudoso Hermeto Pascoal) ou a bateria entre a quebradeira nordestina e o groove jazzy do novato George Alexandria. Mas a austeridade característica do rock progressivo cai por terra tanto no encontro com as raízes locais do grupo, quanto pelo humor escrachado que optam ao falar com o público entre as músicas, reforçando que o som que fazem chama-se apenas de “rock troncho”, mas sabemos que o que eles fazem é o bom e velho prog. Como poucos estão fazendo no Brasil atualmente, diga-se de passagem.
#papangu #sesc14bis #trabalhosujo2026shows 171

Anitta mergulhou fundo no Brasil em seu novo disco Equilibrivm – e mais fundo ainda na segunda parte do disco, que ela lançou essa semana. E se no primeiro volume, ela primou por inúmeras participações especiais com novos nomes da música brasileira (de Ebony a Luedji Luna, passando por Liniker, Os Garotin, Marina Sena, Rincon Sapiência, Melly, entre outros), na segunda parte ela engrossou ainda mais o caldo com convidados de peso como Maria Bethânia e Alceu Valença e outros novos nomes como Letícia Fialho e MC Tha. E pra encerrar o disco, ela sampleia nada menos nossa querida Alessandra Leão, colocando sua “Cabocla de Pena” na abertura da última faixa do disco, “Oke”, que ainda conta com a participação de artistas indígenas como o grupo Brô Mc’s e a cantora Katú Mirim, Um bom epílogo para um dos projetos mais ousados – e bem feitos – de uma das maiores artistas do Brasil.
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O Pulp passou pela América do Sul no mês passado sem dar a menor bola para o Brasil, mas ao divulgar o lançamento de seu novo documentário Pulp: What Do You Do for an Encore? pelo canal de streaming Mubi, logo lançou o trailer com legendas feitas pra gente ler. Sem anunciar data de lançamento, o documentário feito pelo velho colaborador da banda Garth Jennings estreia no dia 18 de setembro no Reino Unido, no dia 23 no Canadá e no dia 24 nos EUA. Por aqui, o título do filme foi (mal) traduzido como Pulp: Até Onde Você Vai Por um Bis?, o que levou fãs a responderem à pergunta da tradução mencionando que não é para o Brasil…
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Mais um single do disco dos Avalanches, desta vez com uma participação de peso, quando o duo australiano convidou a diva Karen O, dos Yeah Yeah Yeahs, para cantar a melancólica “Blue Shadows”. É a terceira música que eles soltaram desde o começo, todas com participações especiais, como de praxe: a primeira – “Together” – com Nikki Nair, Jessy Lanza e Prentiss e a segunda – “Every Single Weekend” – com Jamie xx. Mas ainda não há notícias sobre título ou data de lançamento do disco… Seguimos à espera.
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Sempre é um bom dia quando o Teenage Fanclub anuncia um novo álbum, o que aconteceu nesta quinta-feira, quando o grupo escocês avisa que vem aí seu décimo terceiro disco, com o ótimo título Do Not Dare to Dream. O disco será lançado pela gravadora Merge (e já está em pré-venda) no dia 9 de outubro e foi anunciado com o clipe do primeiro single, a sossegada “Day in the Sun”. E é bom ver como o novo tecladista Euros Childs, o galês líder da subestimada banda Gorky’s Zygotic Mynci, está entrando cada vez mais no espírito da banda. Mas ainda dá pra sentir a falta de Gerald Love…
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A noite desta quarta ainda teve o encontro de duas das principais bandas paulistanas da nova geração, quando os Pelados abriram o show da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo no Porão da Casa de Francisco. O quinteto formado por Manu Julian, Lauiz, Helena Cruz, Vincente Tassara e Theo Ceccato (estes dois últimos também integrantes da Enorme Perda de Tempo) estava lançando a edição em vinil de seu ótimo Contato, segundo (terceiro? Quinto?) disco que lançaram no ano passado, que logicamente foi a base da apresentação, a primeira da banda na casa. O show ainda teve números do excelente disco anterior (Foi Mal, de 2022), como “Vampirinhos do Amor”, “Nunca Sozinha Sempre Mal Acompanhada”, “Medo de Ficar Pelado!!!!!” e “Foda Que Ela Era Linda”, esta no bis) quase todos cantados pelo público que lotou o Porão, mas alguns números do novo álbum também tiveram seus momentos, como “Modrić”, especialmente depois que Vicente dedicou a música ao “segundo melhor jogador de todos os tempos, Lionel Messi” (e tomou uma vaia), fazendo o público berrar o refrão (“Você perdeu! Cara o que você fez? Caiu mais uma vez, você era camisa dez”) – e Vicente deu seu recado ao final, encerrando a música com o riff de “Buddy Holly” do Weezer. Bom ver a banda cada vez mais entrosada, especialmente a evolução do humor infame do grupo (puxado por Lauiz) e a presença de palco de Manu, que se firma cada vez mais como uma das grandes cantoras de sua geração.
Depois dos Pelados foi a vez da Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo voltar àquele Porão, fazendo um show que mistura músicas de seus dois primeiros discos (o homônimo álbum de estreia, de 2021, e Música de Esquecimento, lançado dois anos depois) e incendiando de vez o público. Sem mostrar nada do próximo disco, que o grupo mais uma vez sinalizou para 2027 (fora “Eu não bebo mais”, que eles vêm tocando desde o ano passado), o show teve momentos delicados, como quando passaram pelas baladas “Música de Esquecimento”, a ótima “Fora do Meu Quarto”, a linda “Qualquer Canção”, “Se Você”, “Embaraço Total” e “Último Sexo”, que o baterista Theo cantou para sua própria avó, que estava presente no show (aos 86 anos!). E pegou fogo nos momentos mais intensos, como quando tocaram a maravilhosa “Debaixo do Pano”, que não tocavam há tempos (e Sophia ainda me deu um salve antes desta), quando Sophia passou um sermão contra quem abre espaço para fascistas dentro da cena independente antes da ótima “Idas e Vindas do Amor”, na ótima “Pop Cabecinha” e chegaram ao talo quando emendaram as excelentes “Delícia/Luxúria” e “Segredo” como se fossem a mesma música. Showzaço.
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Acompanhada de uma bandaça, Gae fez a prévia do que será seu disco de estreia nesta quarta-feira, no Centro da Terra, quando apresentou o espetáculo Antecipações, que é o mesmo título do primeiro single de seu próximo trabalho, que será lançado no início de agosto. Entre citações de músicas dos Beatles (quando “The Long and Winding Road” foi tocada na introdução de uma das canções) e Roberto Carlos (que entrelaçou-se com sua “Cinza Azul” quando dividiu os vocais com a convidada Luíza Villa, que cantou “Cavalgada” do rei), ela ainda fez uma versão para “Água de Chuva no Mar”, imortalizada por Beth Carvalho, e soltou sua bela voz em suas próprias composições, quase sempre no tom confessional, à frente da guitarra e violão de João Vaz , o baixo de Valentim Frateschi, o teclado de Lê Veras, o trombone de Conrado Bruno e a bateria de Bianca Godói. O disco tem a produção de Biel Basile e Sessa e está previsto para ser lançado ainda neste semestre.
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