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A primeira foi um sucesso e estou voltando pra Brasília (“neste país lugar melhor não há…”) para fazer mais uma Trabalho Sujo DJs de novo no Culto Rock Bar (CLN 312 bloco A loja 30) no dia 7 de março, na próxima sexta-feira, quando me reúno novamente com o compadre Ivan Bicudo e trago a novata Isa Lugosi para nos acompanhar numa noite que não vai deixar pedra sobre pedra… Por isso, se você estiver em Brasília na próxima semana, guarde energia porque essa noite promete ser épica! Quem foi na primeira sabe bem… A festa começa às 21h e vai até altas na madrugada!

Roy Ayers, que nos deixou nesta terça-feira aos 84 anos, era mais importante que sua fama fazia parecer. Mais conhecido pelo hit “Everybody Loves the Sunshine”, lançado no álbum de mesmo nome em 1976, o vibrafonista, compositor e cantor teve um papel importante na consolidação de um novo gênero que começa a surgir no meio dos anos 70 e que misturava jazz com a variação soul mais pesada que surgia naquele mesmo período, o funk. Ayers, nascido em Los Angeles mas que fez fama em Nova York, pegava o amálgama que era base de gêneros como jazz funk e hard bop e trazia para um terreno musical ao mesmo tempo sofisticado e leve a partir de sua big band Roy Ayers Ubiquity, que plantaria as sementes para o que na década seguinte, com a ascensão da música eletrônica, se chamaria de acid house e, neste século, o neo-soul, gênero que era considerado o padrinho. Foi sampleado por artistas como Dr. Dre, Mary J. Blige e Common, além de ter sido regravado por D’Angelo, Jamie Cullum e Robert Glasper e colaborado com Fela Kuti, Erykah Badu e Pharrell Willams. Sua morte foi confirmada pela família em um post no Facebook nesta quarta-feira.

Marcelo Costa manda avisar que já sabe das datas do Jon Spencer na América do Sul em abril, quando ele passa por Buenos Aires (dia 1°, no Niceto Club), São Paulo (dias 2 e 3, no Sesc Avenida Paulista), Jundiaí (dia 4, no Sesc Jundiaí) e em Santiago (dia 6, no Blondie). Em breve novidades sobre as datas das vendas de ingressos por aqui. Os ingressos começam a ser vendidos online a partir do dia 25 de março, neste link.

Mais um documentário sobre Neil Young à vista, mais uma vez dirigido por sua esposa, a atriz Darryl Hannah, que começou a dirigir filmes registrando os passos do marido. Coastal é o quarto longa em que Hannah flagra um momento específico da carreira do mestre canadense, desta vez acompanhando-o na volta aos palcos no período pós-pandêmico e além de trechos de shows, em que Neil toca músicas que não visitava há décadas, ainda traz entrevistas com as impressões do bardo sobre a vida no século 21. O filme estreia em cinemas de todo o mundo no dia 17 de abril, mas não há previsão se vai passar por aqui. Quem sabe num certo festival de documentários…

Assista ao trailer abaixo: Continue

Enquanto Pavements, o ótimo metadocumentário feito por Alex Ross Perry que cristaliza o Pavement como uma das melhores bandas de rock de todos os tempos (“a última banda de rock honesta”), não chega aos canais de streaming (o filme provavelmente vai pro Mubi), um de seus subprodutos de repente ganha vida própria quando o filme inspirado na história da banda (que era quase uma piada interna do filme, como o musical em torno do grupo) é anunciado com um trailer que ameaça sua estreia para o próximo Natal. Range Life: A Pavement Story é uma cinebiografia de mentira que traz Joe Keery do seriado Stranger Things como o líder da banda, Stephen Malkmus, e ainda traz os comediantes Jason Schwartzman e Tim Heidecker fazendo os papéis dos dois donos da gravadora indie Matador Records, que lançou os cinco álbuns do grupo, respectivamente Chris Lombardi e Gerard Cosloy, além de outros músicos conhecidos no elenco. O improvável trailer promete, diz aí. Veja abaixo: Continue

A DR das Haim

E as Haim anunciaram novo single, “Relationships”, preâmbulo de seu quarto álbum, mas sem dizer qual vai ser a data do lançamento da música nova, cuja capa parece ter sido inspirada na clássica foto em que teoricamente Nicole Kidman sai do escritório de seu advogado após ter assinado o divórcio de Tom Cruise, no início do século (que, apesar de ter virado meme, a própria atriz negou ser uma cena real e sim um outtake de um filme, veja abaixo). Mas como parecem dizer as irmãs californianas que não lançam nada desde 2020, quando a lenda é melhor que a realidade, publique a lenda… Continue

Morreu nesta terça-feira o escritor mineiro Affonso Romano de Sant’anna em sua casa em Ipanema, no Rio de Janeiro. Um dos principais poetas brasileiros da segunda metade do século passado, também era conhecido por seu trabalho ensaístico e acadêmico e além de lecionar literatura brasileira na PUC do Rio e de ter dirigido seu Departamento de Letras e Artes, também realizou uma extensa pesquisa sobre Carlos Drummond de Andrade em seu doutorado, Drummond, o Gauche no tempo. Como gestor público, dirigiu a Biblioteca Nacional nos anos 1990, quando criou Sistema Nacional de Bibliotecas e o Programa Nacional de Incentivo à Leitura, que funcionam até hoje. Autor de livros como Que País é Este? (1980), O Canibalismo Amoroso (1984), O Imaginário a Dois (1987, ao lado de sua mulher, a também escritora Marina Colasanti, que faleceu no início do ano), Intervalo Amoroso (1998), Tempo de Delicadeza (2007), e Como Andar no Labirinto (2012), ele sofria de Alzheimer desde 2017 e há quatro anos estava acamado.

A Cinemateca Brasileira fez bonito com essa Retrospectiva Alfred Hitchcock, mas olha essa Mostra Chantal Akerman, que o Cine Brasília está fazendo aqui no cerrado: são 17 filmes da diretora belga, entre curtas e longas, incluindo seu clássico Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles nas três primeiras semanas de março. Não à toa esse é um dos melhores cinemas do Brasil (e responsável pela minha formação fílmica desde moleque). Grande Cine Brasília! Confira a programação no site do cinema. E não é só o Cine Brasília: o Sesc Digital, aplicativo de streaming do Sesc, também está fazendo sua própria mostra da cineasta belga e exibe, até o dia seis de maio, os filmes Eu, Tu, Ele, Ela (1974), Jeanne Dielman (1975), Notícias de Casa (1976), Os Encontros de Anna (1978), Toda Uma Noite (1982) e A Prisioneira (2000). Mais informações no site do sesc.digital

O lendário Jello Biafra, fundador e antigo líder do clássico grupo de hardcore Dead Kennedys, participou do show do grupo Cavalera Conspiracy, formado pelos ex-Sepultura Max e Iggor Cavalera, nesta segunda-feira, no Marquis Theater, em Denver, nos EUA, e aproveitou o encontro — e o momento bizarro que seu país está atravessando — para atualizar o clássico hino de sua antiga banda, “Nazi Punks Fuck Off”, mas não sem antes soltar o verbo, como ele sempre faz. “Somos uma família há muito tempo, cara. Eu vi (o Sepultura) pela primeira vez em Denver com o Ministry e o Helmet. Aquele show aconteceu neste lugar que na época ainda era chamado de Mammoth Gardens. Agora a Live Nation também tem suas garras neste lugar. Eu não venho pra cá desde que eles compraram este lugar; essa empresa é o Elon Musk das empresas de show. E muitos de vocês conhecem essa música. Ela foi escrita originalmente sobre pessoas sendo realmente violentas no meio do público e agindo como um bando de nazistas. Então, quando chegou a lugares que tinham ditadores e fascistas de verdade, como o Brasil e a Europa Oriental, se tornou mais do que isso, se tornou uma espécie de grito revolucionário. Então, nada de deixar a música de lado, especialmente porque, pela primeira vez, estamos olhando para ditaduras fascistas reais e vivas com camisas vermelhas, brancas e azuis por todo o país. Vai demorar um pouco para eles me pegarem, mas já estou na lista negra o suficiente pelo que disse sobre o sujo Donnie Trump… e tudo mais, nunca se sabe. Então, agora, essa música tem um nome um pouco diferente, acho que todos podemos nos identificar. Nazistas trumpistas, vão se foder!”

Assista abaixo: Continue

Ninguém tá falando muito disso porque o calor de Ainda Estou Aqui ainda é grande, mas Marcelo Rubens Paiva já está com livro novo na praça, mais uma vez autobiográfico, contando a história seguinte ao livro que Walter Salles transformou em nosso primeiro filme nacional a levar um Oscar. O Novo Agora fala do Brasil pós-ditadura militar e da paternidade do próprio Marcelo, misturando ainda mais sua história pessoal com a nossa história brasileira recente. E não custa perguntar: será que vão adaptar seu clássico Feliz Ano Velho novamente para o cinema? Porque a adaptação feita por Roberto Gervitz com Marcos Breda e Malu Mader em 1987 é até OK, mas esse momento Oscar brasileiro pede por uma nova versão — ainda mais que o livro, como Ainda Estou Aqui, estão entre os livros mais vendidos no Brasil hoje.