
Há quase dois anos sem pisar nos palcos e depois de dois eventos trágicos em sua vida no ano passado (a briga com o irmão e a morte de sua mãe), Emicida vem preparando esta volta que aconteceu nesta quinta-feira desde o fim de 2025, quando subiu nos ombros dos maiores (os Racionais MCs) para voltar com a cabeça erguida. O projeto Emicida Racional começou com um sorrateiro Volume 3 no YouTube, em que mashupava músicas dele com clássicos dos Racionais e tornou-se o emotivo Volume 2, que funcionou como base para esse retorno, que aconteceu num Espaço Unimed lotado e repete-se nessa sexta-feira. Show dividido em atos em que monólogos da peça Tá Pra Vencer, de Jhonny Salaberg (que contou com a direção musical do próprio Emicida), eram projetados no telão, estendeu-se por longas quase três horas de apresentação, em que, ao receber convidados e repassar grandes músicas de sua carreira, também contava a história do rap brasileiro ancorada justamente pelos Racionais. E entre releituras de “Jesus Chorou”, “Capítulo 4, Versículo 3”, “Preto Zica”, “A Vida é Desafio” e “Homem na Estrada”, o show ainda contou com participações de Jotapê (que releu sua “Leandro Roque”), os Prettos, Rashid e Projota (que cantaram “A Mesma Praça” e “Nova Ordem”, do último) e de ninguém menos que o próprio Edi Rock, que rimou “A Praça” dos Racionais com os três MCs que cantavam a música anterior. Show emotivo em que Emicida parou a apresentação para que socorressem integrantes do público que passavam mal, chegou ao ápice quando Leandro não segurou as lágrimas ao cantar sua “Mãe”, sendo ovacionado pelo público, que cantava todas as músicas. E além das músicas dele e dos Racionais, também visitou Xis (“Sonho Meu”), Caetano Veloso (“Motriz”) e Parteum (“Moral Provisória”), mostrando que ele nunca esquece de onde veio. Showzaço – e sexta tem mais… Será que tem Mano Brown, Ice Blues ou KL Jay ou ele vai deixar esses outros convidados mais pro final da turnê? Porque sigo minha teoria que o Volume 1 desta trilogia é um álbum em colaboração dos dois artistas.
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Madonna começou abençoando Sabrina Carpenter no palco do Coachella na mesma semana em que lançava o primeiro single de sua volta às pistas (“I Feel So Free”, coproduzido pela Arca) com o álbum Confessions II, continuação anunciada para julho de seu último clássico, Confessions on a Dance Floor, de 2005, que será produzida pelo mesmo Stuart Price do primeiro. E agora a madre superiora entroniza a loirinha insuportável (desculpem-me fãs) em seu próprio altar de vez, ao lançar o segundo single do mesmo disco em parceria com a jovem fã. E “Bring Your Love” – um bom single house de Madonna, embora Sabrina passe quase despercebida – funciona bem, dá uma sacada…
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Eis a capa de Coração Disparado, disco em duas partes que Giovani Cidreira começa a mostrar a partir do próximo dia 5, quando lança a primeira delas, gravada ao vivo no Porão da Casa de Francisa, no ano passado. E como aperitivo desta nova fase, Gio e Benke Ferraz, dos Boogarins, que produziu o disco, gravaram várias demos e versões ao vivo de músicas que testaram para esse show, que agora disponibilizam no Bandcamp de Giovani com o título de Demos ao Vivo e Outras Coisas – entre elas, duas versões para músicas do Legião Urbana, “Angra dos Reis” e “Teatro dos Vampiros”. Ouça abaixo: Continue

Estive em Fortaleza neste fim de semana, quando pude assistir ao festival que comemorava o 27º aniversário do Dragão do Mar, um dos centros culturais mais importantes do Brasil. E entre as atrações, o principal destaque foi a volta do Cidadão Instigado aos palcos com seu primeiro disco de inéditas em 11 anos – e com uma formação completamente diferente. Escrevi sobre o festival em mais uma colaboração para o Toca UOL. Continue

O grupo inglês Last Dinner Party apresentou-se duas vezes no Brooklyn Paramount em Nova York neste fim de semana e para saudar a cidade, visitou o hino do LCD Soundsystem à grande maçã, “New York, I Love You but You’re Bringing Me Down”, uma música que funciona pacas com o repertório da banda. Bom demais.
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O quinteto paulistano Turmallina, que, embora já existisse antes de 2020, veio de uma cena específica que surgiu em São Paulo depois da pandemia cruzando referências tão distantes quanto emo e shoegaze, também está prestes a lançar seu primeiro álbum e antecipou o terceiro single de seu disco Enquanto o Mundo Dorme em primeira mão para o Trabalho Sujo. “Serra” chega às plataformas de áudio nesta quinta-feira e é o último single antes do lançamento do álbum, depois de “Sem Chão” e “Mil Pedaços”, ambos deste ano. “Sinto que o som da Turmallina sempre se baseou numa mistura, de gêneros, mistura de elementos, de épocas, até porque somos cada um de um extremo da cidade, pessoas diferentes e gostos diferentes”, explica o guitarrista e vocalista Caio Silva, que compõe a banda ao lado de Gabe Jordano (voz), Marcos Marques (guitarra), Eduardo Campos (baixo) e Paula Janssen (bateria). “Sempre prezamos por tocar o que gostamos, e nos divertimos muito criando essas músicas. Evoluímos e amadurecemos ideias e construímos nossa identidade.” Ele cita a importância do ex-Applegate Rafa Penna no processo: “Por influência dele e naturalmente das bandas da nossa cena, conseguimos colocar bastante psicodelia nesse disco, algo que não tínhamos muita confiança pra fazer antes”.
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Tô falando que 2026 tá ficando bom e mais um indício disso é que a banda baiana Tangolo Mangos finalmente vai lançar o sucessor de seu disco de estreia Garatujas. Pedágios y Caronas será lançado no mês que vem e traz a banda afiadíssima depois de meses na estrada tanto pelo Brasil quanto no exterior. E o primeiro aperitivo do novo trabalho é o single “Dominó”, que eles antecipam em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Escrito e cantado pelo percussionista Bruno “Neca” Fechini, a faixa traz uma malemolência sossegada que contrasta com o elemento fulminante dos shows – que também está logo no início do novo disco. Mas a escolha é estratégica, como explica o vocalista e guitarrista Felipe Vaqueiro: “Durante a mixagem, no Estúdio Ori, em Salvador, percebemos o quanto nossos engenheiros e co-produtores – Apu Tude e Victor Vaughan -, assim como seus colegas e visitantes que passavam por lá, ficavam com essa música na cabeça, cantarolando até ao longo dos dias das sessões, como também acontecia com o público nos show”, lembra.
“Ainda que não tenha a carga de velocidade e agressividade de outras músicas do disco, ela conquista e cativa pelo suíngue e qualidade da canção, e vimos isso acontecer com públicos não só no Brasil mas nas nossas experiências tocando em países europeus”, continua Vaqueiro. “Além disso, a gente achou que seria interessante introduzir esse novo universo de faixas com uma música que dá uma amostra do teor pop e cancioneiro que vem aí, mas sem revelar o todo. Talvez outras músicas do álbum como single entregassem uma silhueta sintética mais bem definida do que vem pela frente, mas ‘Dominó’ funciona muito bem como essa espiada do futuro trabalho.” A banda já marcou o show de lançamento do disco em São Paulo, quando tocam ao lado da dupla Kim e Dramma no Porão da Casa de Francisca, no próximo dia 28.
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Eis a capa de Dessemelhantes, disco que Juçara Marçal lança ao lado da pianista Thais Nicodemo depois de passear por alguns palcos da cidade desconstruindo canções contemporâneas no próximo dia 9 de maio, e que ela antecipa em primeira mão para o #trabalhosujo. “São xilos com matrizes ligadas a tipografias”, explica Juçara sobre a arte feita pela irmã de seu compadre Kiko, Gina Dinucci. “Ela vai fazendo sobreposições dessas matrizes criando um efeito muito interessante, que parece legível, mas não é. A série de onde saiu a ideia da capa chama-se ‘Indizíveis’, de 2017, e quando chamei a Gina pra pensar numa arte pro disco, ela mostrou, entre várias possibilidades, essa série, que achei q tinha tudo a ver com a concepção do disco: algo que parece simples mas encobre uma complexidade na feitura.”
“E também a ideia do indizível… Indizível porque faltam palavras?… ou porque está para além delas?”, continua Ju. “No caso do nosso disco, dá pra pensar ainda nos sons que se somam às palavras e as fazem transbordar de sentidos, sensações… e pra mim isso é uma outra forma muito precisa de definir a canção!”
Além de músicas de Kiko, Maria Beraldo, Rodrigo Campos, Kauê, Negro Leo, Clima e Rômulo Fróes, o disco ainda tem uma colaboração das duas com Thiago França, justamente a que o batiza. “Melodia dele, letra minha e única inédita do disco, que chegou um dia antes de eu e Thais entrarmos no estúdio pra gravação”, lembra a vocalista.
“Eu e Thiago fizemos essa música mais ou menos em 2018 e chegamos a testar num ensaio do Metá Metá, mas acabou não rolando e ficou esquecida. Criei a letra inspirada numa postagem que a poeta e ensaísta Rosane Preciosa fez no Instagram e conversando com uma amiga recentemente, lembrei dela. Thiago me ajudou a recuperar nos perdidos de gravações de ensaio e acabei achando que tinha a ver incluir no disco. Thais fez um arranjo super bonito explorando ostinatos à lá Meredith Monk e ela chegou chegando – e virou nome do disco.” Feito, como ela mesma cita, “’às próprias custas S.A.’, como diria Itamar, tive apoio da YB na mixagem, masterização e no lançamento nas plataformas.” Estamos esperando!

Fez-se palco! Heloiza Abdalla finalmente materializou seu livro de poemas Ana Flor da Água da Terra em espetáculo nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando completou 20 anos desde que começou a escrevê-lo e dez de sua publicação. Com o auxílio luxuoso – e discreto – de bons camaradas como Sandra-X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete), Chicão (piano) e Diogo Cardoso (luz), ela fundiu poesia, música, dança e cinema numa apresentação que ganhou seu próprio corpo – e ainda deixou uma palhinha de seu próximo livro ao improvisar um bis com o sexto poema de Sala Azul Vermelha.
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Imensa satisfação proporcionar à Heloiza Abdalla a transformação de seu livro Ana Flor da Água da Terra em espetáculo musical no aniversário de dez anos de sua publicação. Ela transforma os poemas desta obra em um improviso livre contínuo que conta com as participações de Sandra-X (voz e efeitos), Breno Kruse (violão e guitarra), Romulo Alexis (trompete) e Chicão (piano), além de iluminação feita pelo poeta Diogo Cardoso. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.
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