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Jornalismo

Em mais uma colaboração para o Toca UOL, escrevi sobre como a nova fase do Cidadão Instigado conversa com a recuperação da cena independente brasileira depois que a pandemia dizimou uma parcela considerável desta. Continue

O Rush pegou todo mundo de surpresa ao apresentar-se pela primeira vez após o anúncio de sua turnê de retorno e ao mostrar a baterista que entra no lugar do lendário Neil Peart – Anika Nilles, que tocava com Jeff Beck – durante a cerimônia de premiação da indústria fonográfica canadense, os prêmios Juno, que aconteceu na cidade de Hamilton, no Canadá, na noite deste domingo. Única atração surpresa da noite, o Rush havia dado pistas sobre novidades na semana em sua newsletter, mas a apresentação ao vivo – em que tocaram “Findiing My Way”, do primeiro disco do trio – pegou até os fãs mais roxos do grupo de surpresa. O guitarrista Alex Lifeson e o baixista Geddy Lee tocaram juntos algumas vezes após a morte do baterista original em 2020, mas só ano passado voltaram a anunciar que iriam retomar a banda original, pegando todos de surpresa – inclusive com a escolha da então desconhecida baterista alemã. Essa turnê promete…

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Eis a capa de A Balada de Bicho de Luz, quinto disco solo do mineiro-capixaba Juliano Gauche, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. Gravado no ano passado e produzido em parceria com seu compadre e baixista Klaus Sena, o novo álbum chega às plataformas de streaming nesta terça-feira e reata a sonoridade de Gauche ao rock’n’roll, saindo da fase introspectiva que tomou conta de sua carreira neste início de década. “Dançar era a única regra clara durante o processo desse disco”, explica o cantor e compositor, que há duas semanas lançou o primeiro single do álbum, “Jesus Cristo x Belzebu”. “Fiz todo o arranjo dele pensando na parte rítmica, seguindo a fórmula do James Brown, onde ele diz que todos os instrumentos em uma banda são uma peça da bateria e assim nasceu a ideia de me filmar dançando para o primeiro vídeo promocional. E foi ideia do Vitor Arevabeni, um amigo e artista daqui do Espírito Santo, que eu tirasse a capa de um frame deste mesmo vídeo”, conta Juliano, sobre a arte da capa. O disco ainda conta com participações de Fernando Catatau, Julia Valiengo e Tatá Aeroplano. Confira o primeiro single e os nomes das músicas a seguir: Continue

Em transformação

Com duas datas lotadas no teatro do Sesc Pinheiros neste fim de semana, Ana Frango Elétrico brincou que estava fazendo uma microtemporada de um show de transição ao fazer a estreia no sábado e o encerramento no domingo. Mas realmente não dá pra dizer que os shows que aconteceram nestes dias são os mesmos que ela vinha fazendo até o final do ano passado ao divulgar seu terceiro álbum, Me Chama de Gata Que Eu Sou Sua, de 2023. Mais próximo de um show de carreira – passando por seus três álbuns – do que de um dedicado ao disco mais recente, a apresentação já começava diferente ao isolar Ana no meio dos músicos, reforçando seu papel de intérprete e performer, mais do que o de band leader. Seu papel de instrumentista mesmo ficou em segundo plano, ainda que tenha tocado guitarra parte considerável do show, preferindo ornar sua figura à luz deslumbrante de Olívia Munhoz, que optou por degradês de tonalidades intensas projetadas sobre um telão ao fundo, emoldurando a figura da cantora em Rothkos de luz coloridas (quase sem verde, principal cor do show anterior). Trocando poucas palavras com o público, sem fazer bis e emendando uma música na outra, ela deixou os fãs – que cantavam todas as letras – enfeitiçados, mesmo em trechos que desconheciam, que podem apontar os próximos rumos musicais da artista, como as versões que fez para “O Leão e o Asno” de seu compadre e guitarrista de sua banda Vovô Bebê e de “Cérebro Eletrônico”, de Gilberto Gil. Um show intenso que ainda contou com assinaturas do show do disco anterior, como “A Sua Diversão” e o mashup de “Não Tem Nada Não” de Marcos Valle com “Gyspsy Woman” de Crystal Waters (marca registrada dos show do Me Chama de Gato…), além de novos arranjos para músicas já conhecidas e uma versão furiosa para “Mulher Homem Bicho”, que encerrou o show. Ana está pegando fogo!

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Quem voltou aos palcos neste fim de semana foi a vocalista do Paramore, Hayley Williams, que deu início à turnê de divulgação de seu ótimo disco solo lançado no ano passado tocando todo seu Ego Death At A Bachelorette Party na íntegra nos dois shows que fez no Tabernacle, casa de shows em Atlanta, nos Estados Unidos. O primeiro show, que aconteceu na sexta-feira, ainda contou com uma versão para o clássico imortalizado por Nina Simone “Don’t Let Me Be Misunderstood”, que não repetiu no segundo, no sábado, mas este foi gravado na íntegra por um fã. Confira abaixo: Continue

Garbage ♥ Cure

O Garbage encerrou a programação do fim de semana no Royal Albert Hall na capital inglesa, quando Robert Smith apresentou sua curadoria de música para a edição deste ano dos shows beneficentes para a fundação Teenage Cancer Trust. É a primeira vez que o líder do Cure assume o cargo que, até o ano passado, era do fundador da ONG, o vocalista do Who Roger Daltrey. Na edição 2026, Smith chamou bandas como Mogwai, Manic Street Preachers, Chvrches e My Bloody Valentine e as apresentações terminaram neste sábado, quando a banda Placebo abriu para o show do Garbage, que, com Shirley Manson à frente, fez uma bela versão para a clássica “Lovesong” do Cure. Olha que beleza…

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Gilberto Gil despediu-se de sua megaturnê Tempo Rei neste sábado, ao fazer sua sétima apresentação no Allianz Parque e fechando um ciclo de exatamente um ano, iniciado em Salvador em março do ano passado, que passou pelas principais capitais do Brasil, em alguns casos mais de uma vez, trazendo sempre convidados-surpresa quase sempre nativos da cidade visitada, e que chegou a ir para a Argentina e para o Chile, além de virar um cruzeiro no final do ano passado. O show de encerramento, no entanto, foi sem surpresas – à exceção da impressionante vitalidade do baiano. Os convidados da noite, todos da família de Gil, foram anunciados com antecedência e suas participações mexeram um pouco no repertório da noite de sábado e apenas a partir da segunda parte do show, depois que Gil, uma hora e meia em pé tocando violao, guitarra ou dançando, senta-se no palco para cantar suas canções mais delicadas. Foi nessa hora que as pequenas mudanças começaram. Até ali, o show seguia idêntico às outras apresentações, incluindo todos os pequenos causos que Gil contava antes ou depois de determinadas músicas. E depois de “Se Eu Quiser Falar com Deus” e “Drão”, começou a chamar os convidados. Primeiro a nora Mãeana e o neto Francisco Gil, que cantaram a tocante “Queremos Saber” pela primeira vez na turnê. Depois, a neta Flor Gil sentou-se ao lado do avô para cantar “Estrela” e depois chamou outro neto, Bento Gil, para cantarem juntos “A Paz”, que só havia sido tocada duas vezes na temporada (a primeira com Marisa Monte e a segunda com Roberto Carlos). Depois o show seguiu idêntico até que, quando ele volta a fazer todos dançar, depois de “Expresso 2222” e “Andar Com Fé”, Gil chama outros netos, os Gilsons, para cantar mais uma inédita no show: “Nossa Gente (Avisa Lá)” eternizada pelo Olodum, que fez o público se esbaldar ainda mais. Ao final desta, o filho Bem pega o microfone para lembrar que aquela música foi trilha sonora de uma celebração familiar que ainda contava com a presença de sua irmã Preta, que faleceu no ano passado, e aproveitou para dedicar, às lágrimas, o show a ela, e dando a deixa para Gil filosofar sobre a existência e a morte. Depois o show seguiu com “Emoriô” (citando BaianaSystem), “Aquele Abraço”, “Esperando na Janela” e “Toda Menina Baiana”, encerrando com uma versão instrumental de “Atrás do Trio Elétrico”, que fez Gil voltar ao palco brincando que ele tinha que estar ali pois não havia morrido. E sua vivacidade seguiu até sair do palco, cantando sobre a gravação de “Sítio do Picapau Amarelo” que encerra a noite até esta ser desligada. Vai fazer muito show ainda esse senhor Gilberto…

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Robert Smith e Kevin Shields num mesmo ambiente. Só a foto dessas duas sumidades já valeu a curadoria que o líder do Cure está fazendo do evento de caridade pra ONG inglesa Teenage Cancer Trust durante essa semana no Royal Albert Hall. O show dessa sexta-feira começou com a abertura de um reformulado Chvrches, que logo depois espaço para a banda do mago da transcendência noise. E o My Bloody Valentine em 2026 – formação classicissima: Shields, Bilinda Butcher, Debbie Googe e Colm Ó Cíosóig – fez jus à reputação de ícone de uma nova geração que está lotando todas as casas de show que a banda aparece, como podemos ver e ouvir nesse show, que felizmente, alguém gravou na íntegra. Quando é que eles vêm pra cá?

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Apesar de pertencerem a universos distintos – uma é essencialmente roqueira, a outra passeia pelas diferentes vertentes do pop -, a banda Belladona e a Tiny Bear de Beatriz Brasil fizeram uma ótima noite em dupla nesta sexta-feira em mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma. O trio novato formado por Amanda Gumesson (guitarra), Giulia Dora (baixo) e Paula Janssen (bateria) abriu a noite mostrando personalidade e coerência estética ao determinar sua sonoridade nos anos 90 que viram a ascensão do rock alternativo com o surgimento das riot grrls, misturando a pegada punk com o barulho grunge do início daquela década. Com o repertório ainda em formação (lançam seu primeiro single ainda este ano, mas já estão pensando no álbum), elas também tocaram versões para músicas do Hole (uma ótima versão de “Violet”), Babes in Toyland e da banda australiana Lash (da trilha sonora da versão de 2003 de Sexta-Feira Muito Louca) e mostraram que estão prontas para correr a nova cena paulistana.

Depois foi a vez de Beatriz Brasil mostrar a amplitude do pop de seu Tiny Bear, que passeia pela dance music, por canções que poderiam estar na trilha sonora de animes e por baladas, com ótima presença de palco e uma banda – formada pelo guitarrista e braço-direito Rafael Ohira, a baixista Julia Magalhães e o baterista Denno Ragonha – que a ajuda a chegar nas fronteiras que ela busca, soltando sua voz e seu corpo, enquanto inclusive toca teclados. Bia passeou por músicas de seu recém-lançado primeiro solo – chamado de UMi -, mas também mostrou músicas que deverão estar no próximo álbum.

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Esta semana não tem Inferninho, mas na próxima sim quando mais uma vez volto ao Clube Redoma no Bixiga trazendo dois artistas em ponto de bala. O trio noventista Belladona toca pela primeira vez na festa, abrindo para a reincidente Tiny Bear, que está prestes a lançar seu primeiro álbum. O Redoma fica em frente à pracinha do Bixiga, no número 825-A da Rua Treze de Maio, a casa abre às 21h e os ingressos já estão à venda!