
Falei outro dia do novo grupo pernambucano Mayara Iara Dimitria e elas liberaram em primeira mão para o Trabalho Sujo a íntegra da live que gravaram no Estúdio Casona, no Recife. Entre a psicodelia, o experimental e o indie rock, o trio formado por Iara Adeodato (guitarra), Mayara (synth) e Dimitria (bateria) é o primeiro lançamento do novo selo Precarian Tapes, do Benke Ferraz, guitarrista dos Boogarins. Elas já estão marcando mais shows e devem começar a rodar pelo Brasil em breve…
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A britânica Arlo Parks acaba de lançar seu terceiro álbum Ambiguous Desire e na rodada de divulgação do disco acabou por saudar sua conterrânea PinkPantheress ao cantar a grudenta “Stateside” (a mesma que foi causou a sensação ao ser escolhida pela patinadora norte-americana Alysa Liu para ser sua trilha sonora nas Olimpíadas de Inverno) em sua participação no programa BBC Radio 1 Live Lounge, deixando a canção suave mas sem perder seu ritmo. Ficou joia.
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Vim para Brasília discotecar no Night Lab, projeto mensal realizado no antigo Touring da cidade (quem lembra?) que agora chama-se Sesi Lab e tem a curadoria de Roberta Martinelli, e calhou de me apresentar no mesmo dia da Ana Frango Elétrico, de quem acabei de ver um show impecável no Sesc Pinheiros. Mas diferente do show de São Paulo, esse foi sem banda e Ana encarou o público apenas empunhando um violão (e à frente das projeções de sua companheira Maria Cau Levy, projetando grafismos e vídeos em baixa definição num telão imenso), numa apresentação que, sabendo que estava cercada de um público fanático, trouxe várias músicas de seu próximo álbum, que ainda não tem nome nem previsão de lançamento. E mesmo sem conhecer as quatro músicas novas, o público que lotou o Sesi Lab a acompanhava deslumbrado, repetindo inclusive o refrão de “O Silêncio é o Barulho da Noite”, parceria inédita dela com Rômulo Froes e Tuca Monteiro. Mas ela não ficou só nas novidades e encantou o público com canções de seus três discos, além das mesmas versões alheias que trouxe no show que vi em São Paulo: “O Leão e o Asno” do Vovô Bebê e “Cérebro Eletrônico”, do Gilberto Gil. E embora o público cantasse tudo junto, Ana lamentava ter feito o show sozinha, exagerando que aquela era a última vez que ela tocava violão para mais de trinta pessoas. Autocrítica com excesso de modéstia, ela ficou mais tensa ainda quando acabou a bateria do violão, o que fez ela aproximar o instrumento do microfone e chegar ainda mais perto do público, que não parava de gritar. Íntimo e intenso.
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Era inevitável que isso acontecesse. Ao retomar sua turnê pela Europa depois de um problema alimentar que a fez abandonar um show na Itália pela metade, a cantora espanhola fez quatro datas na capital de seu país para, a seguir, ir para Portugal – e lá, com a presença de uma das principais participações especiais de seu disco do ano passado, Lux, ela estreou, nesta quarta-feira, uma música que ainda não havia tocado ao vivo: “Memória”, que contou com a presença da própria portuguesa Carminho, com quem divide a canção. Veja só: Continue

“Feixe de Fogo é um disco em trânsito”, me explica Buhr sobre seu quinto álbum, o primeiro em que adota apenas seu sobrenome como nome artístico, que chega ao público nesta sexta-feira, e marca mais um lançamento brasileiro de 2026 que indica a ótima safra que vem sendo colhida este ano. O fogo do álbum já vinha aquecendo com o lançamento do primeiro single, “Ânsia”, e agora tem mais uma amostra com o clipe da faixa-título, antecipado em primeira mão para o Trabalho Sujo. O trânsito que se refere não é apenas o de gênero, uma vez que assumiu-se uma pessoa não-binária (daí a troca de nome), mas também pelo fato de ter sido feito em diversas cidades: “Foi gravado de forma independente, por quase dois anos, entre Fortaleza, Sobral, Salvador, Recife e São Paulo, em dez estúdios diferentes”, reforçando que a natureza do disco juntou pessoas de todos esses lugares e além. Produzido por Buhr e Rami Freitas (que toca vários instrumentos no disco), Feixe de Fogo conta com participações de nomes diferentes e conhecidos como Fernando Catatau, Arto Lindsay, Josyara, Regis Damasceno, Russo Passapusso, Edgard Scandurra, o maestro Ubiratan Marques, os baixos de Mau, Izma Xavier e Dadi, os synths de Susannah Quetzal e de Briar Aguarrás, entre outros. . “O momento de escolher a ordem do disco também foi cheia de caminhos, onde botar ‘70 Cigarros’, que é cena de novela, e ‘Oxê’, quase prima da Comadre Fulozinha, que são bem fora da curva das outras? Mas aí são muitas curvas no disco e elas foram se encaixando muito bem”, lembra da natureza mutante do disco. “Eu trocando mensagens com Arto Lindsay, que também tem asas nos pés, e a gente combinando de se achar em alguma dessas cidades – conseguimos em São Paulo! Negadeza, Josyara e Dadi gravando do Rio, me mandando e perguntando ‘tá bom?’”. O disco está nessa vibe – inclusive de astral.
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Fila pra pegar fila pra pegar senha pra pegar ingresso: era inevitável que o encontro de Juçara Marçal com a obra da fotógrafa e cineasta Agnès Varda no Instituto Moreira Salles iria causar uma procura gigantesca de curiosos querendo ver as conexões entre estas duas forças artísticas – e a cantora carioca reverenciou a diretora francesa, pioneira da nouvelle vague e falecida em 2019, como gesto final da exposição imperdível (que fica só até domingo, se liga) no próprio IMS, numa programação que o instituto chamou de “comentário musical”, numa esperta justificativa para contrapor autoras distintas – e semelhantes. A própria Juçara contou que teve um certo ceticismo quando recebeu o convite, mas ao mergulhar na obra de Varda, encontrou vários pontos em comum com a sua obra: a atenção ao cotidiano, o olhar voltado para o efêmero, a atenção para o oprimido e o ponto de vista aguçado sobre as conexões da África com o mundo moderno. Dividida em três partes, a apresentação começou com Juçara cantando “Poeira” (de Mariana Aydar e Nuno Ramos) e emendando-a com a sua “Odoyá” e com um ponto pra Oxum, antes de puxar duas canções de uma cantora negra francesa retratada por Vardas, Toto Bissainthe, de quem cantou “Papa Loko” e “Lamize Pa Dous”. Sempre acompanhada de seu compadre Kiko Dinucci na guitarra e da irmã Juliana Perdigão no sax e clarinete, que criavam ciclos musicais repetidos, deixando Juçara à vontade para disparar samples e soltar efeitos. Finda a primeira parte, foi exibido o curta A Ópera-Mouffe (1958) sem a participação dos músicos, que voltaram na parte em que Juçara conectou outra musa inspiradora – Brigitte Fountaine, artista tema de um espetáculo que ela faz com Kiko e a pianista Thais Nicodemo, que também trabalhou com Vardas. Nesta parte cantou o hit “Comme à La Radio” e outra chamada “Brigitte”, entremeando-as com a indefectível “Oi Cats”, do poeta carioca Tantão. E depois da exibição do documentário Os Panteras Negras (1968), ela arrematou a noite com uma sequência arrebatadora de canções brasileiras que cantam “estratégias de resistência” do povo afrodescendente no país, enfileirando uma versão absurda para “Negro Drama” dos Racionais (que ela já havia gravado com seu antigo grupo Vésper Vocal, no disco Ser Tão Paulista, em 2004), outra para “Vela no Breu” do Paulinho da Viola e arrebatando com “Batuque”, de Itamar Assumpção, que terminou com o escárnio do velho Ita à lei áurea assinada pela Princesa Isabel: “Papé!” Que noite!
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O Pink Floyd anunciou uma nova coletânea chamada Eight Tracks, que, como o título indica, reúne oito faixas do período em que a banda começou a se erguer depois da saída do líder e fundador Syd Barrett até seus últimos anos de vida, quando caminhavam pelo planeta como uma das maiores bandas de rock do mundo. O lançamento, que chega ao público no dia 5 de junho e já está em pré-venda, quase não traz nenhuma novidade ao enfileirar os maiores hits da banda num mesmo disco: “Money”, “Wish You Were Here”, “Another Brick In The Wall, Part 2”, “Time” and “Comfortably Numb”, além de números menos conhecidos mas que mostram a evolução da banda (como “One Of These Days” que abre o primeiro grande disco da banda após a saída de Barrett, Meddle) e ‘Wot’s… Uh The Deal” (do subestimado Obscured by Clouds). A função da coletânea parece ser apenas criar um ponto de partida para novos ouvintes, algo que o Pink Floyd nunca teve uma compilação concisa: Relics (lançada em 71) e A Nice Pair (de 73) apresentava a primeira fase da banda aos fãs que chegaram após o clássico Dark Side of the Moon, A Collection of Great Dance Songs (de 81) é superficial e desorganizada e o mastodonte Echoes (de 2001) tenta abraçar toda a carreira da banda em apenas dois discos. Ao focar em poucas faixas, a nova coletânea ainda traz um trocadilho com um formato de música que tentou decolar nos anos 70, que eram cartuchos de fita conhecidos como 8-Track, que traziam faixas extras para fazer os ouvintes buscarem aquela nova versão. A única verdadeira novidade de 8-Track é justamente a versão completa de “Pigs on the Wind” do disco Animals, que no LP foi dividida em duas partes, no início e no final do disco. Na edição, tiraram o solo de David Gilmour, que aparece na íntegra nesta versão que só os fãs mais roxos da banda tiveram contato.
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Um momento mágico aconteceu nesta terça-feira no Centro da Terra quando quatro novos talentos da composição brasileira entrelaçaram suas canções num espetáculo que pode batizar esse encontro coletivamente. João Menezes, Marina Nemesio, Tori e Ítallo França já atuam há tempos na música mas estão desabrochando suas carreiras individuais nesse instante: Ítallo lançou seu disco solo em 2023 (Tarde no Walkiria), Tori estreou ano passado (com seu Areia e Voz) e tanto João quanto Nemesio estão fechando suas estreias solo possivelmente para esse ano. Mas reuniram-se para tocar seus repertórios como se fossem um grupo (ou, como o título da noite anunciava, “De Banda”) e fizeram uma apresentação que não só desvenda pérolas de cada um deles, como tem os outros três como acompanhamento musical luxuoso. Todos compõem, cantam e tocam violão, mas alternam-se por outros instrumentos – João, Marina e Tori por vezes tocam percussão (quase sempre discreta), enquanto João e Ítallo alternam seus violões entre baixos e guitarras, além do conjunto de vozes que, quando soam juntas, chega perto do céu. A noite mostrou que não só os quatro são obstinados no ofício da composição e esmeram-se por orquestrar letra e música para caminhos além dos clichês da música popular, sempre tratando suas pequenas obras como ourives hiperfocados em sua artesania. E entre as canções, brincam entre si e com o público, contam causos e repassam ideias de como começar as canções, deixando o tom sério de suas canções um pouco mais informal, caseiro e familiar, flutuando entre o drama e a brincadeira ao mesmo tempo em que retomam uma tradição de laços de composição nordestina que gerou obras coletivas célebres, como a série Cantoria e os shows do Grande Encontro. Encerraram a noite com a única música que compuseram juntos e estão prontos para ir. Vai De Banda!
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Nesta primeira terça-feira de abrimos recebemos quatro novos autores que se unem no palco como se fossem uma banda. Ou será que são uma banda? O espetáculo De Banda reúne os alagoanos Ítallo França, Marina Nemesio e João Menezes e a sergipana Tori para celebrar seus próprios repertórios individuais ao mesmo tempo em que experimentam trabalhar conjuntamente. A apresentação surgiu quase de súbito, quando, depois de passar por suas cidades-natal no fim do ano passado, Tori, Marina e Ítallo se encontraram em trio e fizeram apresentações em Maceió, Recife e Aracaju. Deu tão certo que, ao voltar para São Paulo (onde residem atualmente), convidaram um terceiro alagoano (João) para juntar-se ao time e entre violões e percussões, eles mostram este espetáculo pela primeira vez na cidade. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.
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Se um herói que filma um show na íntegra salva o deleite dos fãs que não puderam estar presente, imagina quando mais de um deles registra um show homérico e reúnem seus diferentes materiais num mesmo vídeo? Pois tome o show que o My Bloody Valentine fez no Royal Albert Hall londrino no final do mês passado na íntegra. A relação com todas as músicas vem a seguir. Tragam eles, Primavera!
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