
Quase no final de fevereiro, a intérprete paulistana Fernanda Ouro mostra pela primeira vez um espetáculo que vem trabalhando nos últimos meses quando visita o repertório de Clara Nunes. Batizado de A Deusa dos Orixás, a apresentação traz músicas mais conhecidas eternizadas por Clara em novos arranjos ao lado de oito bambas que dividem-se entre cavaco, violão, guitarra, baixo, bateria e percussões. Fernanda formou-se em canto popular no ano passado, mas já se apresenta há tempos na noite paulistana, com seu espetáculo autoral Roda a Saia. Para o Centro da Terra, ele escolheu valorizar seu lado intérprete e celebrar uma das maiores vozes da música brasileira. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda no site do Centro da Terra.
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Anna Vis antecipa em primeira mão para o #trabalhosujo a programação da seu Quinta Lapa, quando reúne mais duplas de peso – como Maurício Takara e Maria Beraldo, Douglas Germano e Thiago França e Felipe Vaqueiro e Luíza Brina – em shows inéditos na galeria Lapa Lapa, como vem fazendo desde 2025, quando reuniu Giovani Cidreira e Negro Leo, Juçara Marçal e Marcelo Cabral, Yma e Fernando Catatau, Jadsa e Nina Maia, Sophia Chablau e Juliana Perdigão e Ava Rocha e Caxtrinho. Lembro quando ela me falou de fazer uma noite mais experimental na Lapa, bairro da zona oeste paulistana que está começando a se movimentar. Moradora do bairro, ela pensou na proposta a partir de uma conversa com Giovani Cidreira e Filipe Castro no bar da Lôra e aos poucos foi formatando a iniciativa, que aconteceu no segundo semestre do ano passado em parceria com a galeria Lapa Lapa, que também fica no bairro. “Eu tinha assistido a um show do Zelo na galeria umas semanas antes e saquei que o som da sobreloja tinha um reverb próprio, bonito, e de cara pensei em fazer um encontro totalmente desamplificado”, me explica Anna, que já havia feito curadoria de noites no Porta e na Associação Cecília, além de ter sua própria carreira solo. “Consegui o contato do Gabriel Roemer, fundador e idealizador da galeria, marcamos um café, contei minha ideia que ainda não tinha nome, mas já tinha uma noção formal de como se daria: seriam duos totalmente acústicos misturando canção e música experimental, dois artistas que tenham trabalhos solos e que topem se encontrar pra fazer um show inédito ali. Gabriel adorou a ideia, ele já queria produzir noites de música lá, tava caçando esse assunto. Quer dizer, nos encontramos na hora certa.” Ela juntou outros talentos – como a iluminadora Marcela Katzin e o fotógrafo Bruno Prada – e agora vem com essa nova safra de encontros, que começam no dia 19 do mês que vem (Maria Beraldo e Maurício Takara) e continuam em abril (Douglas Germano e Thiago França dia 2 e Luíza Brina e Felipe Vaqueiro dia 16). A Galeria Lapa Lapa fica na Rua Afonso Sardinha, 326, e o lugar é bem pequeno, por isso corre que os ingressos pra primeira noite já estão à venda!
#quintalapa #lapalapa
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Veio aí! A turnê Fifty Something celebra meio século de carreira do Rush finalmente tem datas anunciadas para o Brasil – e não são poucas! No dia 22 de janeiro do ano que vem eles passam pela Arena da Baixada em Curitiba, para depois, dia 24, tocar no Allianz Parque em São Paulo e dia 30 no Engenhão no Rio de Janeiro. No dia 1º de fevereiro o trio toca no Mineirão em Belo Horizonte e encerra sua segunda vinda ao Brasil tocando no estádio Mané Garrincha em Brasília. Esta turnê, que começa este ano na América do Norte, marca a primeira vez que os dois fundadores do grupo, o vocalista e baixista Geddy Lee e o guitarrista Alex Lifeson, voltam aos palcos desde a morte do baterista Neil Peart, no início de 2020. Para substituí-lo, os fundadores da banda convidaram a alemã Anika Nilles, que tocava com Jeff Beck, além de contar com o tecladista Loren Gold, que acompanha tanto o The Who quanto Roger Daltrey em carreira solo. Os ingressos começam a ser vendidos a partir do dia 27. A única vez que o grupo veio ao Brasil foi em 2002, quando tocaram apenas em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Há menos de um mês pude ver Douglas Germano mostrando as músicas de seu ótimo Branco, disco que lançou no meio do ano passado e mantém a maestria de sua discografia. Na ocasião, no Bona, o mestre sambista vinha acompanhado apenas do violoncelista Thiago Faria, fazendo o clima descontraído do disco um pouco mais austero naquela ocasião, deixando Douglas à vontade para contar histórias sobre as canções e as parcerias que fez nesse novo trabalho que se tornaram a principal característica do disco. Mas ao trazer o mesmo show para o Sesc Vila Mariana em duas noites neste fim de semana, ele pode reunir simultaneamente o time que preenche a ficha técnica de Branco, transformando o palco do teatro numa grande celebração da música. Além da banda base que o acompanha – formada, além de Thiago, pelos percussionistas Rafael Toledo e Danilo Moura e coro dos vocalistas Tania Viana, Rita Bastos e Rodrigo Morales -, ele pode reunir o bandolinista João Poleto, o flautista Henrique Araújo, a pianista Juliana Rodrigues, a cantora Loreta Colucci e a dupla de metais Bicudos (formada pelo trombonista Pedrinho Moreira e pela trompetista Grazi Pisani) e começou o show com todo mundo no palco, ao mesmo tempo apresentando cada um dos convidados como espalhando o astral de celebração logo no início, ao recuperar sua clássica “Padê Onã”. Depois seguiu o roteiro do show do Bona, só que com time completo, convidando cada um dos músicos que chamou para participar da faixa que tocou no álbum, sempre deixando a vibração nas alturas. Ele terminou o ótimo show puxando dois de seus clássicos modernos: a maravilhosa “Vias de Fato”, uma das minhas canções favoritas desse século, e a urgente ‘Maria de Vila Matilde”, eternizada por Elza Soares e agora numa campanha do governo federal contra o feminicídio, esta tocada com todos os convidados novamente no palco. Foi épico!
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Não é propriamente uma comemoração, mas a dupla francesa Daft Punk lembrou que há cinco anos eles anunciavam sua dissolução e desligavam sua carreira de vez com um clipe novo de uma música antiga. “Human After All”, terceiro single do disco mais monótono da banda (Robot Rock, de 2005), ilustrado com imagens do excelente filme de ficção científica dirigido pelo grupo em 2006, Electroma. Embora continuem lançando produtos e fazendo notícia (de vez em quando pintam novos remixes, reedições comemorativas e até um show num videogame), Thomas Bangalter e Guy-Manuel de Homem-Christo não respondem mais como Daft Punk depois de 28 trabalhando sob esse nome, embora não tenham abandonado a música – Thomas mesmo participou de um DJ set épico e memorável no passado quando dividiu as picapes com o prodígio Fred Again, o mago Erol Alkan e o sórdido Busy P, enquanto Guy é coautor de uma das músicas (“Reliquia”) do disco novo de Rosalía, o festejado Lux. E agora eles vêm com um clipe pra lembrar que vivemos num mundo sem Daft Punk há cinco anos… Parece um casal comemorando que o divórcio deu certo, sem ter certeza se quer voltar a ficar juntos de novo… ou será que eles querem fazer mais algo?
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Entendo que escrever sobre um show que dirigi pode parecer redundante ou cabotino, mas primeiro tenho que deixar registrado que o espetáculo que apresentamos neste sábado no teatro do Sesc Pompeia não apenas culminou um trabalho que venho desenvolvendo com esses artistas há dois anos como também materializou uma vontade de celebrar a importância deste disco ímpar na música brasileira que coloca o Ceará no mapa de uma geração que depois passou a ser conhecida como MPB desde que Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem completou meio século, há três anos. Esta celebração de um disco que infelizmente segue fora das plataformas digitais e que há muito tempo não é reeditado em nenhum formato físico conversa tanto com minhas raízes nordestinas – que embora brasiliense tenho pais cearenses que até hoje reforçam a importância dessa naturalidade – quanto com meu interesse pela cultura desse estado. Tanto que já havia trabalhado com todos os envolvidos nesta nova apresentação – todos cearenses da nova geração -, com shows no Centro da Terra, Centro Cultural São Paulo e no Picles. Mas ao reunir Soledad, Jonnata Doll e Paula Tesser à frente deste show também estava chamando artistas que têm a plena consciência de sua relação com a geração homenageada, algo rapidamente abraçado pelo grupo Ondas dy Calor (formado pelos ases Allen Alencar, Xavier, Igor Caracas e Davi Serrano) e pelo diretor musical Klaus Sena. Com produção de campo da maravilhosa Alexandra Thomaz e figurino da Trama Afetiva de Jackson Araújo (outros dois cearenses) e Thais Losso, o espetáculo ainda contou com som do Gustavo Lenza e Danilo Cruvivel, luzes da Camille Laurent, fotos de José de Holanda e teve Phil Santos como roadie, além da produção executiva da própria Paula – e a nobre participação do mestre Rodger Rogério, um dos autores do clássico disco, que não só nos deu sua benção para o show como participou de vários momentos da apresentação. E mais do que ter feito uma apresentação precisa, terminamos o fim de semana felizes não só por estar mostrando o maravilhoso repertório desse disco e representando a cultura cearense neste novo milênio. É só o começo de uma história que ainda devemos contar outras vezes. Vamos lá, meu Ceará!
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O programa Metrópolis da TV Cultura pegou o gancho do ótimo Mapa da Música Autoral de São Paulo feito por Alexandre Bazzan e Isabella Pontes, da banda Schlop, para fazer uma matéria sobre a nova cena independente de São Paulo – e além de conversar com Isabella e com algumas bandas também falou comigo e com o Arthur sobre o nosso festival Chama. Assista abaixo (a matéria começa no meio do terceiro minuto do programa): Continue

Passou o Carnaval e agora não tem desculpa: 2026 começou de vez. E para deixar isso bem claro, eis a programação de música do Centro da Terra de março, que começa com a primeira temporada do ano, quando Sophia Chablau se apossa de todas as cinco segundas do mês para mostrar músicas com diferentes parceiros em uma temporada que batizou de Guerra. Na primeira segunda, dia 2, ela reúne seu grupo Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo para mostrar músicas que estarão no terceiro álbum da banda. A partir da semana seguinte, ela reúne duplas de feras sempre acompanhadas por ela na guitarra, Marcelo Cabral no baixo e Theo Ceccato na bateria. No dia 9 ela recebe Kiko Dinucci e Jonnata Doll, no dia 16 vem com Juçara Marçal e Dora Morelenbaum, dia 23 traz o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra esta Guerra ao lado de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Na primeira terça do mês Paulo Padilho e seu filho Kim Cortada apresentam o espetáculo inédito Filho de Peixe, quando dividem o palco apenas com vozes, violão e percussão. Na terça seguinte, dia 10, Juliano Abramovay volta mais uma vez ao teatro, tocando seu violão de 7 cordas e alaúde ao lado da violoncelista holandesa Chieko e da cantora palestina Oula Al Saghir em uma noite batizada de Cartografias da Escuta. Depois, dia 17, é a vez do trio paulistano Saravá mostrar as músicas de seu disco de estreia no espetáculo Última Parada, quando receberão vários convidados. Dia 24 é a vez do produtor e multiinstrumentista L_cio mostrar a apresentação Vértice: Ato Único ao lado do percussionista e trombonista Bica e da cantora Nayra Costa. A programação encerra-se no último dia do mês, 31, quando o produtor e instrumentista Victor Kroner mostra pela primeira vez suas próprias canções no espetáculo Entrepulso. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Eis “White Feather Hawk Tail Deer Hunter”, nova amostra do próximo disco de Lana Del Rey, que foi adiado algumas vezes e até onde sabemos se chamará Stove. Mas o que antes foi anunciado como um disco country parece estar tomando rumos inesperados, especificamente a partir da nova faixa, lançada nesta terça, em que ela aparece entre um conto de fadas e um filme de terror, rimando letras que fazem mais referência ao seu próprio imaginário autoral do que ao cânone da cultura caipira dos EUA. Ela difere completamente das duas músicas anteriores que havia lançado no ano passado – as belas “Henry, Come On” e “Bluebird” – e aponta mais dúvidas do que certezas em relação ao seu próximo álbum, o que é bom, principalmente quando falamos de Lana. Sua natureza rebelde e inconstante é parte de sua aura musical e com o novo single ela dá um cavalo de pau mental em seus fãs parecido com o que deu há dois quando lançou os sete minutos de “A&W” um mês antes do ótimo Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd. Talvez Stove (se é que realmente manterá esse título, apesar da palavra ser citada na letra da nova música) seja algo completamente diferente do que a expectativa do novo álbum parecia prever. O que, reforço, é sempre uma boa notícia.
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Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…
Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!
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