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Vocês estão prontos para mais uma edição do @chamafestivalchama? Pois marque aí na sua agenda que no próximo dia 6 de junho teremos mais uma safra de novas bandas que estão em ascensão na cena independente brasileira desfilando pelos dois palcos da Casa Rockambole, em mais uma parceria entre @aportamaldita e @inferninhotrabalhosujo. Enquanto não anunciamos as bandas desta edição, o que deve acontecer em breve, os ingressos estão no precinho. Confia!

Imagina essa dupla! Não precisa imaginar pois nesta quinta-feira surge “Boots on the Ground”, primeira faixa do Massive Attack desde que lançaram o EP Eutopia em 2020 e a primeira gravação de Waits em estúdio desde que este gravou uma versão da canção tradicional antifascista “Bella Ciao” com Marc Ribot, em 2018. Há quem suspeite do início da divulgação de um disco novo do grupo de Bristol, algo que estamos precisando em 2026…

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Terça-feira histórica no Centro da Terra, quando Kiko Dinucci mostrou, didaticamente, como chegou ao seu terceiro álbum Medusa sem que este nem tenha sido lançado. Tocando o disco ainda inédito na ordem, ele foi, sozinho no palco apenas com sua guitarra, dois amplificadores e pedais, mostrando as músicas ao vivo numa espécie de audição (que ele também odeia e se refere como “maldição”) enquanto entre as canções falava do processo criativo deste Medusa, que incluiu seu reencontro com a guitarra, uma nova curiosidade em relação ao shoegaze e ao dreampop, a inspiração inicial de Noel Rosa, a presença fantasmagórica dos Cocteau Twins, Dinosaur Jr., My Bloody Valentine e Sonic Youth na microfonia da guitarra solitária, registros em fita analógica, parcerias com Maria Beraldo, Negro Leo, Sophia Chablau, Gustavo Infante e Cadu Tenório tudo sob a direção musical – agora com firma reconhecida em público – de Juçara Marçal. Com vultos tão diferentes quanto Laura Palmer, Alexandre Frota e Claudia Raia pairando sobre a cama de eletricidade sonora e canções que sempre falam de amor – e dos lados improváveis e invertidos deste -, encerrou o show com sua primeira incursão ao território de Roberto Carlos, uma balada rock com uma segunda parte instrumental noise que acaba por sintetizar mais uma obra-prima que Kiko está prestes a por no mundo. Medusa sai no segundo semestre, mas pra quem foi nesta terça não tem como tirar o disco da cabeça.

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Imensa satisfação de receber, nesta terça-feira, Kiko Dinucci mais uma vez no palco do Centro da Terra, desta vez para descortinar pela primeira vez em público apenas músicas inéditas. Na apresentação Pré-Medusa, que antecipa seu terceiro disco solo – batizado apenas de Medusa e previsto para o segundo semestre deste ano -, ele não apenas mostra as canções do novo trabalho, como fala do processo de criação delas, em seu reencontro com a guitarra elétrica. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão esgotados.

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Creature of Habit, o disco novo da Courtney Barnett, é desses que melhora a cada audição – e toda vez que vejo vídeo delas tocando músicas desse disco ao vivo parece que elas melhoram ainda mais. É o caso desse show que ela fez na KEXP no ano passado que a rádio só liberou agora. Discaço!

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Já temos o principal concorrente da categoria “Eu sou mais indie que você” de 2026, quando o líder do Wilco e a líder do Paramore se juntaram para, juntos, cantar a música que botou o Unknown Mortal Orchestra no radar público há quinze anos num programa de TV! De todas as canções do mundo, a excelente dupla formada por Hayley Williams e Jeff Tweedy (quero um disco deles JÁ!) pinçou a música que fez o mundo indie descobrir a banda do neozelandês Ruban Nielson em 2011, faixa de abertura do disco homônimo de sua banda, no programa do Stephen Colbert na TV norte-americana nesta segunda-feira. E dá gosto ver a Hayley esmmerilhando no theremin! Bom demais!

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Timbres e beats

Em mais uma incursão sonora ao cerne da guitarra na temporada Abriu o Fuzz que Guilherme Held está fazendo no Centro da Terra, a noite desta segunda assistiu não só a um encontro de dois samurais de seus instrumentos como a primeira vez em que Held dividiu o palco com Lúcio Maia, que admira desde que o conheceu nos primórdios da Nação Zumbi, ainda como ouvinte, nos anos 90. Os dois se conheceram nos bastidores da vida há anos, ficaram amigos mas nunca haviam tocado juntos, falha essa que foi corrigida na segunda noite da temporada de Held no teatro, quando, mais uma vez sob os lasers implacáveis – dessa vez geométricos – do Paulinho Fluxuz, entrelaçaram timbres, riffs e solos muitas vezes a partir de beats que Lúcio ia soltando no meio do derretimento musical que os dois proporcionavam juntos, misturando rock psicodélico com jazz, música ambient com rock progressivo e pitadas de música caribenha, africana e latina, além da banda do groove musical brasileiro. Uma viagem.

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Tudo bem, Lauiz?

Quem também lança disco esta semana é o incansável Lauiz, tecladista e programador dos Pelados que solta seu terceiro álbum, Comece por Aqui, nesta quarta-feira. Seu trabalho mais biográfico, é também o disco que mais traz referências estrangeiras – ele cita Ween, Nine Inch Nails, David Bowie “e até uma Lana Del Rey no meio”, brinca. “É um disco bem pessoal, meio frustrado com o mundo, que levou bem mais tempo pra gravar, é mais longo e mais elaborado e eu me sinto uma pessoa diferente, por mais que tente usar tudo que fiz pra chegar aqui. Afinal, como foi que eu vim parar aqui?”, continua o produtor. “Queria um disco que soasse roubado, como se nunca fosse pra ser lançado pra mais ninguém além de mim: misturo áudios e vídeos velhos no Youtube, é meio PC music e uma versão perturbada dessa estética alt-pop moderna brasileira”. Isso acaba se refletindo na capa: “Tento botar essa ironia e arrependimento capturados em um instante como alguém caindo do telhado e que joga um pouco de sangue falso pra chamar a atenção.” O disco tem participações de seus colegas de banda (Helena Cruz toca em “Comece por Aqui”, Theo Ceccato toca em “Linus Torvalds”, Vincente Tassara em “Nada Direito” e Manu Julian em “Estados Unidos”), além das presenças de Ricardinho Tubarão, Lucas Filmes, Pedro Acost (da banda Bella e o Olmo da Bruxa) e o primo de Lauiz João Barisbe, que toca sopros na faixa “Na Lagoa”, que ele antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo.

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Eis que finalmente Animal Invisível estará entre nós essa semana. O projeto pandêmico do guitarrista gaúcho Guri Assis Brasil que tornou-se uma usina de groove tropical com três singles lançados (“Dendê”, “Didi” e “Que Delícia é Viver”) vê a luz do dia na próxima sexta-feira com a bênção do selo nova-iorquino Nublu – e Guri antecipa a capa em primeira mão para o Trabalho Sujo. “A ideia era brincar com algo que fosse ‘invisível’ mas que estivesse ali o tempo todo, como foi o vírus que que destruiu a vida de tanta gente na pandemia”, explica o guitarrista, contando que a capa foi assinada por seu chapa Rafa Rocha que cuida de toda a parte visual do trabalho. Guri reforça que apesar do período sombrio que o disco foi gestado, ele vem como uma força antagonista a isso. “Ele é solar, dançante, bem distante da tristeza e angústia desses tempos pandêmicos e acredito que seja por isso que o Rafa escolheu aquela tonalidade de azul”, continua o guitarrista, explicando o vidro canelado usado para que seu retrato não tivesse definição, rosto ou silhueta, “e também brincamos de escrever o nome do projeto em japonês, já sou admirador profundo desta cultura e sempre quis ter algo assim. Uma idéia simples, que dialoga demais com o disco.” Rafa conta que a liberdade dada pelo camarada ampliou muito a ideia do projeto, pensando em como dar forma à ideia do invisível, “através de distorções reais, explorando lentes, vidros e superfícies translúcidas dentro do estúdio, criando imagens que se fragmentam e escapam do esperado”, explica o artista, reforçando a natureza não digital da capa. “Esse jogo entre aparecer e desaparecer, entre controle e acaso, guiou todo o processo”, continua, “por isso escolhemos um caminho físico e analógico, deixando espaço para que a imagem acontecesse de verdade, com todas as imperfeições e surpresas que vêm junto com isso.” O disco será lançado na próxima sexta e tem inspiração em viagens instrumentais de maestros brasileiros como Arthur Verocai, Marcos Valle, João Donato, Banda Black Rio e Moacir Santos, incluindo um quarteto de cordas.

Desde o começo do ano corre solto o boato que os Rolling Stones estariam preparando mais um novo álbum para começar mais uma nova turnê no meio deste ano e há algumas semanas algumas pistas começaram a aparecer – tanto na internet quanto nas ruas inglesas, em cartazes espalhados com um QR-code – ligando o grupo a uma banda chamada The Cockroaches (“As Baratas”, em inglês). O nome já foi usado pelos Stones em 1977, quando, promovendo o disco que haviam lançado um ano antes (o ótimo Black & Blue), se apresentaram após o show da banda canadense April Wine com este pseudônimo no clube El Mocambo, com capacidade de apenas 300 pessoas, em Toronto, no Canadá (show que foi lançado pelo grupo como o disco ao vivo El Mocambo 1977, em 2022). O QR-code dos cartazes levava para o site thecockroaches.com que, além de vender uma camiseta com a pergunta “WHO THE FUCK ARE THE COCKROACHES?” no mesmo padrão da camiseta que o guitarrista Keith Richards usava nos anos 70 para tirar onda com o vocalista Mick Jagger, também anunciava que no sábado haveria uma revelação – esta veio na forma de coordenadas geográficas em que era possível encontrar um automaticamente raro vinil da banda em questão, nada menos que os próprios Stones com um single que, pelo que se consta, chama-se “Rough and Twisted”. É uma música no padrão clássico do grupo, mostrando-o afiado mesmo aos 64 anos de carreira. Ainda não há informações sobre o lançamento oficial do single, sobre o novo disco ou sobre a nova turnê. Mas é questão de tempo…

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