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Jornalismo

A vez de Buhr

Foi só passar o Carnaval pro ano começar de verdade – e o mês de março já vem pesado pra música brasileira. Além dos anúncios dos novos discos da Letrux e do Cidadão Instigado, Buhr, que abandonou o prenome Karina para ficar apenas com o sobrenome, finalmente anuncia o quinto disco que vem preparando há dois anos. Sucessor do ótimo Desmanche, de 2019, Feixe de Fogo, seu quinto disco, foi anunciado para o mês que vem e começa a mostrar a cara no próximo dia 25, quando ela mostra o primeiro single “Ânsia”, que conta com Fernando Catatau e o produtor do disco Rami Freitas como parte do instrumental da canção, sua primeira faixa desde o single “Poeira de Luz”, de 2024. A capa do single é a foto que ilustra essa publicação, de autoria de sua irmã, Priscilla Buhr.

Nesta terça-feira, recebemos no palco do Centro da Terra o encontro entre pai e filho que celebra a afinidade musical de Paulo Padilha e seu filho Kim Cortada em uma apresentação emotiva. Com 30 anos de carreira musical, Padilha fez parte do grupo Aquilo Del Nisso e recebe o filho Kim, metade da dupla de rap experimental Kim & Dramma num espetáculo que batizaram de Filho de Peixe e reinterpretam os próprios repertórios e outras canções apenas com suas vozes, violão – a cargo de Padilha – e percussão – por conta de Kim. A apresentação começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda pelo site do Centro da Terra.

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Bem que essa movimentação do Cidadão Instigado nas redes sociais estava indicando e agora, nesta terça-feira, Fernando Catatau anuncia mais um disco de seu grupo batizado apenas com o nome da banda. Cidadão Instigado, o disco, chega ao público no dia 25 deste mês e mexe no cerne original da banda, expandido-o não só para além do rock como para além de sua formaçao clássica. O primeiro indício é a curta “Consciência”, lançada neste mesmo dia, em que o líder da banda pega-se no meio da dúvida logo na entrada da canção: “E eu não sei como é que eu vim de tão longe e agora estou aqui”. O novo disco conta com vários novos colaboradores, inclusive na formação do grupo que tocará o disco ao vivo, que reúne os já veteranos de banda Dustan Gallas (no baixo, synths e vocais) e Clayton Martin (vocais) com os novatos Rubi Assunção (vozes e baixo synth) e Samuel Fraga (bateria e bateria eletrônica), além de participações que entram em diferentes shows, variando inclusive a cada cidade. Bem que 2026 tava prometendo…

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E essa versão de “Who Loves the Sun?” do Velvet Underground que o Matt Berninger do National gravou ao lado da Rosanne Cash pra abertura de um seriado? Lógico que não chega perto do original, mas é uma bela porta de entrada para o público em geral na história do Velvet – ou, mais especificamente, no quarto disco deles, o Loaded, esse baú cheio de joias.

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A veia certa

Sophia Chablau começou sua temporada Guerra no Centro da Terra puxando sua banda pro palco e trazendo um mimo para os fãs que compareceram em peso ao teatro nesta primeira segunda-feira do mês, quando tocou a íntegra do seu ainda não gravado terceiro disco. Ela pediu para que o público não filmasse nem publicasse as músicas ainda inéditas, pedindo para que registrassem apenas as músicas que eles já estão tocando nos shows há quase um ano, que nem têm títulos oficiais ainda, embora seus seguidores já as batizaram de “Ao Sul do Mundo” e “Eu Não Bebo Mais”. E entre os momentos que seguem apenas nas memórias dos presentes estão duas músicas com o baixista Téo Serson nos vocais – e numa delas com ele na guitarra – , além de canções do guitarrista Vincente Tassara, do baterista Theo Ceccato e da própria Sophia, como “Cinema Brasileiro”, parceria com Felipe Vaqueiro que abriu a noite desta segunda. Apesar do teor político estar presente na maioria das músicas novas, ele não é sempre escancarado – mas quando é, caso da excelente “Não Tenho Medo”, o grupo pega numa veia certa que só como ele sabe pegar. A noite terminou com duas músicas do disco anterior – “Quem Vai Apagar a Luz?” e o hit “Segredo” e Sophia esfuziante por ter conseguido finalmente mostrar essas canções que vêm trabalhando há meses. Se o disco novo sai esse ano? Ela não tocou nesse assunto…

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A primeira temporada de 2026 no Centro da Terra não poderia ser mais certeira, afinal Sophia Chablau, que vai tomar conta de todas as (cinco!) segundas-feiras deste mês de março no teatro, batizou sua residência no teatro com o título de Guerra no exato momento em que o mundo parece colapsar em mais um conflito bélico mundial. “Palavra temida que escancara o conflito, repetida na canção, metonímia ou metáfora de conflitos externos a nós, conflitos internos ou conflitos românticos”, explica a cantora paulistana. “Em último caso a vida sendo uma guerra contra a morte, o monumento fazendo guerra ao tempo, a canção fazendo guerra a desordem do universo. As grandes guerras, as pequenas guerras, as guerras. – Pra variar estamos em guerra. Não é um eixo temático, é uma provocação, é um anúncio – é preciso declarar guerra.” E para essa declaração ela reúne sessões que prometem ser históricas. A primeira acontece nesta primeira segunda (dia 2) quando recebe sua banda Enorme Perda de Tempo para mostrar novidades que eles vêm trabalhando. Nas segundas seguintes ela mantém o baterista Theo Ceccato e chama o baixista Marcelo Cabral para acompanhá-la na guitarra quando recebe duplas de peso. Na segunda (dia 9), ela chama Kiko Dinucci e Jonnata Doll. Na outra (dia 16) é a vez de receber Dora Morelenbaum e Juçara Marçal. Na quarta segunda do mês (dia 23) ela convida o casal Ava Rocha e Negro Leo e encerra sua temporada de ouro na última segunda do mês (dia 30) com as presenças de Vítor Araújo e Zé Ibarra. Os espetáculos começam pontualmente às 20h e os ingressos estão à venda pelo site do Centro da Terra – mas corre que eles estão acabando!

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Leticia Novaes acaba de anunciar, como quem não quer nada, um novo álbum Letrux para o final deste mês. Sad Sexy Silly Songs chega às plataformas na última sexta-feira deste mês, dia 27, e tanto o título quanto a capa dão uma ideia do que vem por aí. Mas em se tratando de Letrux, tudo é possível.

Em mais um volume da brilhante série Relicário, que traz registros ao vivo de clássicos shows de música brasileira realizados em unidades do Sesc, o Selo Sesc anuncia o registro de um show gravado em 1979 pela dupla Sá & Guarabyra no antigo Sesc Vila Nova, hoje conhecido como Sesc Consolação. O show gravado há 47 anos vem logo após a dissolução amigável da dupla no ano passado, que decidiu deixar a carreira a dois de lado após 53 anos de atividades. Com quase 20 canções, o novo registro tem como base o repertório do disco que lançaram naquele mesmo ano, batizado apenas de Quatro, e o Sesc disponibilizou uma destas faixas, “Sete Marias”, como aperitivo do álbum ao vivo que será lançado no próximo dia 20.

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Em mais um relance da iminente coletânea Help(2) que a ONG britânica Warchild vai lançar em breve, podemos ver alguns detalhes da participação da geninha Olivia Rodrigo na compilação, regravando um clássico dos Magnetic Fields, “The Book of Love”. Embora não dê pra ter uma ideia de como ficará sua versão, é mais uma prova de como ela apura o próprio senso estético em público fazendo conexões com artistas que cresceu ouvindo, como Robert Smith, David Byrne e o Weezer. E não duvido nada que ela apareça qualquer dia desses cantando essa música com o próprio Stephin Merrit, o senhor Magnetic Fields ele mesmo.

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Idealizado pelo compositor e produtor de trilhas sonoras Anselmo Mancini, o espetáculo Cine Concerto, em que o maestro convida músicos para fazer a trilha sonora ao vivo em sessões de cinema, teve noites de gala neste fim de semana no Sesc 14 Bis, quando recebeu Antonio Pinto e Ed Côrtes, compositores da trilha sonora do filme brasileiro Cidade de Deus, para conduzir um conjunto de 13 músicos (incluindo o próprio Anselmo nos teclados) que recriavam a trilha composta por eles para o clássico moderno de Fernando Meirelles e Kátia Lund. Extraindo apenas a música do filme original – que manteve diálogos e efeitos sonoros durante a sessão -, a execução ao vivo das canções criou uma profundidade extra para o filme e felizmente os vocais originais das canções – um espectro amplo que vai de Tim Maia e Cartola a “Kung Fu Fighting” e “Metamorfose Ambulante” – foram preservados em vez de reinterpretados por outros vocalistas (o que criou questões técnicas durante o filme, pois às vezes o vocal vinha duplicado). Mas só o fato de podermos ver a trilha ao vivo recriada por seus autores – Antonio Pinto o tempo todo no baixo elétrico e Ed Côrtes no saxofone – já valeu a noite, que, no domingo, além de contar com a saudação final ao cinema brasileiro, ainda contou com a presença ilustre do autor do livro que inspirou o filme, Paulo Lins, que foi reverenciado por Antonio Pinto ao final da apresentação. Viva!

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