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Foi demais a primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo, que aconteceu neste sábado, no ótimo e novíssimo Macro Bar e Pista, uma casa ampla com três ambientes – uma área externa, uma pista ampla e uma área superior para shows – que funcionou lindamente pra marcar a chegada da festa à capital paranaense. A noite começou com a discotecagem em vinil da Márcia Manzana, que preparou um set só tocando versões alternativas de músicas conhecidas, e logo emendou com o primeiro show da noite, quando a banda 3x, projeto guitarreiro do rapper Respx, que não deixou ninguém parado, bebendo de diferentes fontes da história do rock – do punk ao emo, passando por hardcore e rock de garagem -, com atenções divididas entre os dois vocalistas, o elétrico Respx e a carismática Niko, que começaram esquentando a noite do melhor jeito possível.

Depois foi a vez da Feralkat, liderada por Natasha Durski, que hipnotizou o público com camadas de ruído lento e paisagens sonoras etéreas, construindo um universo onírico entre o trip hop e o shoegaze. Pilotando três sintetizadores, além de tocar guitarra, ela funcionou como um respiro entre os shows elétricos das duas bandas roqueiras que tocaram antes (3x) e depois (Wi-Fi Kills) de seu show. E além de pinçar uma ótima versão para “The Rip” do Portishead, ainda mostrou sua canção-assinatura, que acaba por sintetizar a vibe da banda a partir de seu título, “Lyncheana”.

O último show da primeira edição do Inferninho em Curitiba trouxe a new wave fulminante do Wi-Fi Kills, liderada pelo sensacional Klaus Koti, que também apresenta-se como uma banda de um homem só chamada O Legendário Chucrobillyman. Tocando guitarra e sintetizadores, Koti fez seu grupo passear por canções sobre inteligência artificial e Corel Draw (!), sempre no limite entre o ritmo e o ruído, e não escapou de tocar uma versão para uma música de uma banda que é um dos seus alicerces musicais, quando tocou “Uncontrollable Urge”, do Devo. O público foi ao delírio – deixando tudo mais fácil pra minha discotecagem que segurou o povo até às quatro da manhã. Quando é a próxima? Quero mais!

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Alô Curitiba! Nessa sexta-feira volto à cidade para realizar a primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo na capital paranaense. Começou numa tentativa de comemorar o aniversário de dois capricornianos ainda em janeiro, mas o papo com a Fernanda Maldonado evoluiu com a entrada da Marcia Manzana, que fez a ponte com o Macro Bar e Pista e logo estávamos escolhendo bandas locais para tocar na mesma noite, que recebe as participações de Feralkat, Wi-Fi Kills e 3x, além da Selecta Manzana com sua discotecagem em vinil e o back to back que deu origem a tudo, quando toco com a Fernanda. A noite começa às oito e vai até altas madrugadas, a casa fica na Rua João Negrão, 2450 e os ingressos já estão à venda. Vamoooos!

Picles em chamas!

O Inferninho Trabalho Sujo desta quinta pegou fogo! A noite começou com a banda Boia estreando no Picles e fazendo o público cantar junto músicas que nem conhecia! Ases da música, os seis integrantes do grupo contagiaram os presentes com o magnetismo da vocalista Luli Mello e os solos do guitarrista Murilo Costa Rosa e do flautista e saxofonista Tato Quirino, sempre em harmonia com o violão e os vocais de Leo Bergamin, o baixo de Murilo Kushi e a bateria de Decco. Bebendo de diferentes fontes da MPB, o grupo mostrou seu show mais autoral, tocando apenas músicas próprias (e prometendo um EP para breve), abrindo exceção apenas para a bela “Sonhei Que Viajava Com Você”, do mestre Itamar Assumpção. Finos demais.

Depois foi a vez dos baianos do Tangolo Mangos apagar o fogo aceso pela banda Boia com gasolina. O quinteto baiano está cada vez mais afiado e eles não precisam nem trocar olhares para engatar mudanças de tempo, alinhar solos de guitarra e dominar o público. O carisma irrefreável dos vocalistas Felipe Vaqueiro – em sintonia finíssima com o outro guitarrista, mais na dele, Théo Kiono, que por sua vez sempre de olho no baterista -João Antônio Dourado , João Denovaro e Bruno Fechine só tornava a noite ainda mais quente, à medida em que cada um deles incendiava o Picles com seus instrumentos – Vaqueiro é um guitarrista absurdo, Deno trata o baixo como uma guitarra e Bruno passeia por inúmeros instrumentos de percussão, puxando o rock da banda sempre pra algum recanto do sertão nordestino e fazendo o público explodir em gritos e rodas de pogo. O grupo tocou várias músicas de seu álbum Garatujas, algumas do tempo que a banda só tinha um Soundcloud e outras tantas do próximo disco, que está em fase de finalização e, conforme anteciparam, deve sair ainda esse semestre.

#inferninhotrabalhosujo #tangolomangos #bandaboia #picles #noitestrabalhosujo #trabalhosujo2026shows 038 e 039

E essa edição do Inferninho Trabalho Sujo pra começar março rasgando? Mais uma vez recebemos no Picles os baianos eletrizantes dos Tangolo Mangos, numa noite que terá a abertura da sensacional Banda Boia. E depois dos shows você sabe que a noite fica comigo e com a Fran – e só deus sabe o que poderemos fazer. Os ingressos já estão à venda.

Olha isso… Terça passada St. Vincent fez uma apresentação intimista no pequeno Little Saint, na cidade de Healdsburg, na Califórnia, nos EUA, ao lado de sua tecladista Rachel Eckroth. Mas num dado momento, ela preferiu tocar apenas sua guitarra e surpreendeu todo mundo com uma versão emocionante para “Grace” do Jeff Buckley. Na mesma noite ela também tocou “Personal Jesus” do Depeche Mode, mas eu ainda não encontrei esse vídeo online…

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Nessa sexta-feira Ottopapi finalmente materializa um dos melhores shows de São Paulo em seu disco de estreia, que batizou com o nome do seu primeiro hit, Bala de Banana. Mas enquanto o show caminha pela conexão São Paulo-Nova York, traçando paralelos entre Velvet Underground, Television, Strokes com Fellini, Pin Ups e Cansei de Ser Sexy, a versão em disco, com produção de Chuck Hipólitho, salienta a verve new wave das canções, deixando a guitarra surf mais pronunciada, bem como os vocais mais definidos, sem nunca perder o elemento chicletudo das canções, vírus musicais que entram no cérebro e ficam dias na memória. Otto celebra o lançamento do disco ao lado da usina de som que ele montou (Thales Castanheira, Yann Dardenne e Vítor Wutzky nas guitarras, Danilêra nos synths, Bianca Godói no baixo e Gael Sonkin na bateria) na própria sexta-feira num show que promete no Porta. Vou perder essa porque não vou estar em São Paulo, mas se eu fosse você não perderia porque marca o lançamento do primeiro grande disco de 2026. O vídeo é do Rollinos. Bora Otto!

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Pouco mais de um ano desde o lançamento do disco country Look Up, Ringo Starr aparece com um novo álbum programado para ser lançado no final de abril. Em Long Long Road, o eterno baterista dos Beatles volta a repetir a dobradinha com o produtor e guitarrista T Bone Burnett, que esteve com Starr no disco anterior, e juntos convidaram alguns jovens nomes de peso para as gravações, como Sheryl Crow e St. Vincent. O primeiro single do disco, “It’s Been Too Long”, não acrescenta nada à discografia do Beatle (como se precisasse), mas marca seu primeiro lançamento após ter cruzado a marca dos 85 anos, no meio do ano passado. Vai Ringo!

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O título de produtora do ano dado pela indústria fonográfica britânica à formidável em sua premiação oficial, que aconteceu sábado passado em Manchester na Inglaterra foi só a consolidação de um trabalho que ela vem desenvolvendo com muito afinco desde que era só uma sensação do pop feito em seu quarto no início da década, quando começou a ganhar audiência e notoriedade através do TikTok. Mas seu Fancy That, um dos discos mais legais do ano passado, já tinha recebido um título dessa estatura quando sua expansão (Fancy Some More?, lançado em outubro de 2025) contava com a participação de luminares do pop de diferentes recortes como Oklou, Kylie Minogue, Kaytranada, Basement Jaxx, Joe Goddard, Bladee, Zara Larsson, Groove Armada e até brasileiros como Anitta, DJ Caio Prince e Adame DJ. A coroação desse novo estágio de sua carreira vem na mesma semana do prêmio, quando ninguém menos que Four Tet (que já vinha discotecando a faixa de abertura de Fancy That? em seus sets do ano passado), transforma a irresistível “Illegal” em uma trama transcendental de beats hipnóticos com camadas de cordas digitais, abrindo uma outra fronteira, quase mística, para a canção.

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Em plena terça-feira os Pet Shop Boys lotaram uma casa de shows na zona sul de São Paulo reunindo milhares de fãs – a imensa maioria da velha guarda, contemporânea dos primeiros discos da dupla – num desfile estarrecedor de hits, em que a precisão milimétrica do taciturno produtor Chris Lowe e o intacto carisma e voz de Neil Tennant (com 71 anos e tinindo) fizeram jus à reputação do grupo na história do pop eletrônico. No show Dreamworld dedicado a hits de todas as fases de sua carreira (que já havia passado por aqui na mais recente edição paulistana do festival Primavera Sound no final de 2023), o grupo privilegiou as duas primeiras décadas discográficas, onde estão a maioria de seus clássicos, e os discos mais recentes, de Electric (de 2013) pra cá, deixando de fora toda a fase entre 2002 e 2012. Dos grandes sucessos, não tocaram apenas “Go West”, mas passaram pelos hits estarrecedores dos três primeiros álbuns, emendaram “Single/Bilingual” com “Se a Vida É” e, acompanhada pelo guitarrista e percussionista Simon Tellier, pela vocalista e tecladista Clare Uchima e pelo baterista Bubba McCarthy, quase não saiu do palco em quase duas horas de show, Tennant saindo mais que Lowe especificamente para trocas de figurino. E depois de encerrar a primeira parte da noite com a sensacional “It’s a Sin”, voltaram para um bis fulminante que começou com seu primeiro hit “West End Girls” e com sua melancólica assinatura musical “Being Boring”, fazendo todo mundo sair do Suhai Music Hall com a alma lavada. Coisa fina.

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A vez de Buhr

Foi só passar o Carnaval pro ano começar de verdade – e o mês de março já vem pesado pra música brasileira. Além dos anúncios dos novos discos da Letrux e do Cidadão Instigado, Buhr, que abandonou o prenome Karina para ficar apenas com o sobrenome, finalmente anuncia o quinto disco que vem preparando há dois anos. Sucessor do ótimo Desmanche, de 2019, Feixe de Fogo, seu quinto disco, foi anunciado para o mês que vem e começa a mostrar a cara no próximo dia 25, quando ela mostra o primeiro single “Ânsia”, que conta com Fernando Catatau e o produtor do disco Rami Freitas como parte do instrumental da canção, sua primeira faixa desde o single “Poeira de Luz”, de 2024. A capa do single é a foto que ilustra essa publicação, de autoria de sua irmã, Priscilla Buhr.