Todo mundo já falou disso, mas vale deixar registradas estas incríveis regras básicas que o grupo reunido ao redor do site DearJJAbrams resolveu explicar para o atual responsável pela última parte da trilogia de trilogias imaginada por George Lucas. Um conjunto de premissas que não apenas explicam o motivo da trilogia original ter fascinado tanto seus fãs quanto conta porque ela foi tão frustrante para as mesmas pessoas quando sua primeira parte foi filmada anos depois. Saca só:
No dia 22 de setembro de 2004, há nove anos, Lost estreava nos Estados Unidos. Em pouco tempo mobilizava uma pequena mas fiel audiência em frente à TV que, em alguns meses, se tornaria uma comunidade global online graças à internet. A saga dos passageiros do vôo 815 da Oceanic se expandiu de formas inusitadas, tanto dentro quanto fora do seriado – se por um lado explorava os limites do what-the-fuck com personagens impagáveis e premissas surreais (urso polar nos trópicos? Monstro de fumaça? Os outros?), por outro antecipava a fusão da TV com a internet reunindo pessoas para assistir episódios ao vivo em todo planeta, levando para a ficção algo que só existia em eventos esportivos ou em notícias ao vivo.
A história de como o seriado foi aprovado e como foi desenvolvido nos bastidores é uma saga paralela e os fãs bem se lembram das histórias em que a emissora norte-americana ABC questionava os rumos que Lost tomava. Isso aconteceu desde o início, quando a série recebeu o sinal verde para ter seu piloto filmado. Enquanto o primeiro episódio era produzido, Damon Lindelof e J.J. Abrams acharam melhor responder às dúvidas que o episódio levantaria num guia da série que talvez reconfortasse o canal.
O Boing Boing disponibilizou na semana passada um PDF que mostrava que os rumos da série podiam ser bem diferentes caso a ABC fosse rígida em relação ao futuro do seriado. O documento (reproduzido abaixo) explica que tudo na série teria explicação científica, que o monstro que fazia barulho no primeiro episódio seria descartado logo a seguir, que não haveria grandes mistérios nem mitologia na série, que seria baseada principalmente em seus personagens, e que Lost seria uma espécie de “Melrose primitiva” não sendo necessário acompanhar todos os episódios para entender a história principal, apresentada em vários contos autocontidos em episódios específicos.
Como sabemos, um tremendo papo furado. O SlashFilm procurou o Lindelof para saber o que era tudo aquilo e ele explicou que o documento era uma tentativa de acalmar a ABC sobre a possibilidade de Lost repetir a fórmula de Alias, a série anterior de J.J. Abrams, que, seus executivos temiam, vinha perdendo audiência por ser considerada muito específica de um gênero só. Queriam uma série mais ampla. Por isso a ênfase que a série teria um tom específico dependendo do personagem abordado – podia ser um seriado de médicos ou de guerra ou policial de acordo com o protagonista de cada episódio (o que realmente aconteceu nos primeiros anos). O documento, no entanto, não seria seguido à risca e Abrams e Lindelof contrataram os roteiristas Javier Grillo-Marxuach, Paul Dini, Jennifer Johnson e Christian Taylor para criar pequenas histórias que nunca seriam usadas na série e que serviam apenas como iscas pra ABC morder – e morderam histórias como um bunker nazista, a orelha do labrador com uma mordida de gente, um plano de Locke, um eclipse, uma fruta proibida, felinos predadores e estranhos casulos.
Vale a leitura (logo abaixo, em inglês), especialmente se você era fã da série.
E por falar no Cuarón, ele produz e dirigiu o primeiro episódio da nova série de J.J. Abrams, chamada apenas de Believe:
Resta saber se a história dessa menina tem mais a ver com o “save the cheerleader save the world” do Heroes ou com o Touch, com Kiefer Sutherland.
Vi sexta, filmaço, além de grande habilidade do J.J. Abrams em conduzir uma grife alheia. Consigo imaginar alguns fãs mais ferrenhos da série praguejando de raiva ao ver os elementos clássicos de toda sua mitologia querida recriados em versões mais comerciais e de digestão mais fácil (ou apenas mais pop, dependendo do ponto de vista). Mas não há como não aplaudir a homenagem que o novo filme faz a uma cena específica da série original (no trecho escondido nesse link – não clique se não quiser ter uma espécie de spoiler, deixe pra ver depois que assistir o filme, confie). E é fácil ver o novo elenco envelhecendo nestes papéis – Zachary Quinto especificamente já pode ser considerado autor de um Spock irrepreensível, digno da criação de Leonard Nimoy, mas Chris Pine amadurece bem seu Kirk (o filme, no fim das contas, é sobre isso) e todo elenco coadjuvante (o Scotty de Simon Peg, a Uhura de Zoe Saldana, o Bones de Karl Urban, o Sulu de John Cho) dá uma nova personalidade irresistível à tripulação da Enterprise. Benedict Cumberbatch, no entanto, desequilibra bem o filme para seu lado. Seu personagem é o mais distante do Sherlock meio Sheldon que inventou para a versão da série de Steve Moffat e o peso de sua atuação é fundamental para o novo filme. Mais sério e ainda mais agitado que a primeira releitura da série feita por J.J. Abrams em 2009, Além da Escuridão estabelece um novo patamar para as franquias de blockbuster do século 21: é a primeira sequência de um filme dessa escala que supera o título original. Nada mal, JJ.
Uma cena de ação, de perseguição, a nave parece até a Falcão Milênio, hehehe…
Mais um trailer do segundo Jornada do J.J. Abrams…
…e como o Ramon bem disse, ele está estabelecendo o nível de como vão seus seus Guerra nas Estrelas. E aí me bateu uma sensação de que ele, de repente, poderia fazer estes dois universos se cruzarem… Imagine…
Escrevi a orelha para o roteiro romanceado de Goonies, que acaba de ser lançado por aqui pela Darkside. O livro foi escrito por James Kahn a partir do roteiro de Chris Columbus ainda nos anos 80 – época em que Kahn havia se especializado em adaptar os novos filmes para adolescentes (O Retorno de Jedi, Indiana Jones e o Templo da Perdição, Poltergeist) para o formato livro. A tradução do livro foi feita pela comadre Cecilia Giannetti e o texto que escrevi segue abaixo:
A ilustradora canadense Zoe Jones misturou a notícia de J.J. Abrams dirigindo o próximo Guerra nas Estrelas com o pôster de Super 8, o filme que Abrams fez com Spielberg:
Ficou massa.
Nem comentei aqui o golpe de mestre dado pela Disney ao chamar ninguém menos que J.J. Abrams pra tomar conta dos três últimos episódios de Guerra nas Estrelas.
Ao assumir a grife Jornada nas Estrelas, em 2009, J.J. conseguiu fazer ir até que ninguém havia ido antes: tornou a série de Kirk e Spock em uma aventura divertida, sem perder a essência de sua mitologia – principalmente ao escolher um elenco cinco estrelas, talvez o melhor da história da franquia (Shattner e Nimoy inclusos). A direção frenética (repleta com os brilhos do efeito lens flare) e a brincadeira com as linhas do tempo também ajudaram o bom desempenho do filme ao mesmo tempo em que mantiveram a assinatura visual do autor. Agora J.J. prepara-se para lançar seu segundo título Star Trek (Into Darkness, que teve novo trailer lançado neste fim de semana), que conta com o astro da vez Benedict Cumberbatch no papel do vilão. E, pelo jeito, o filme deve ser seu Império Contra-Ataca – aquela seqüência pessimista que muitos temiam. Olha o trailer:
Resta saber como é que J.J. conseguirá equilibrar as duas mais clássicas grifes de ficção científica ao mesmo tempo – sem contar seus inúmeros projetos pessoais, que não param de aparecer.
E é claro que as piadas já começaram a aparecer: Já o chamaram de Jar Jar Abrams e lembraram que ele sempre é bom pra começar, nunca pra terminar séries – e como os episódios de Guerras nas Estrelas que irá dirigir serão os 7, 8 e 9, isso pode provocar um desequilíbrio na Força (com certeza não pior do que o causado pelo próprio George Lucas nos episódios 1 e 2).
O que me lembra que tenho de falar sobre o final de Fringe.