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TV Walverdes

O Mini está organizando o canal dos Walverdes no YouTube e desenterrando pérolas como esta, em que eles tocam “Summertime Blues” (Eddie Cochran, eternizada pelo Who) num programa de TV há mais de doze anos…

Legal é o que ele fala no fim do post:

Nós não somos uma banda independente, somos dependentes de uma série de figuras que sempre complementam nossa falta de braços.

Maior orgulho ter um site com esse cara, sério mesmo.

Walverdes Dub

E por falar no Mini, vale linkar a demo Demasiada Seqüela, em que os Walverdes (a banda dele, pra quem ainda não sabe) gravaram em 2002 – e que foi posta para download há pouco pelo ótimo Hominis Canidae. Baixa lá.

Top 75 – 10 de julho de 2010

Vamos atualizando o top 75 da semana – e a ilustra desta segunda parada é do Mini, que frisou que nasceu em 74.

  1. Phoenix – “Playground Love”
  2. Madeline Ava – “Oh Comely”
  3. Flaming Lips – “Sugarcube”
  4. The Bird and The Bee – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
  5. Supercordas – “Índico de Estrelas”
  6. Lissie – “Pursuit of Happiness”
  7. Jeff Tweedy – “Spiders”
  8. Tulipa Ruiz – “Efêmera”
  9. Aloe Blacc – “Billie Jean”
  10. VersaEmerge – “American Boy”
  11. Julian Casablancas – “I’ll Try Anything”
  12. The Bird and The Bee – “Private Eyes”
  13. Tulipa Ruiz + Marcelo Jeneci – “Sabiá”
  14. Lobsterdust – “Say It Ain’t Flow“
  15. Andy Rehfeldt – “Smells Like Teen Spirit (Reggae Version)”
  16. Pavement – “Shady Lane”
  17. Gorillaz + Bobby Womack + Mos Def – “Stylo”
  18. Autotune the News – “Double Rainbow”
  19. Jamie Lidell – “The Ring”
  20. Thee Oh Sees – “Meat Step Lively”
  21. Darwin Deez – “Up in the Clouds”
  22. Music Go Music – “Warm in the Shadows”
  23. Tulipa Ruiz – “Brocal Dourado”
  24. Lady Gaga – “Paparazzi (Samba Rock remix)”
  25. Elba Ramalho + Trapalhões – “Cidade dos Artistas”
  26. Breakbot + Irfane – “Baby I’m Yours”
  27. Hall & Oates + Chromeo – “I Can’t Go For That (No Can Do)”
  28. Miike Snow – “Billie Holiday”
  29. M.I.A. – “XXXO”
  30. Of Montreal – “Coquet Coquette”
  31. Scissor Sisters – “Invisible Light”
  32. Franz Ferdinand + Marion Cotillard – “The Eyes of Mars”
  33. Britney Spears – “Telephone”
  34. LCD Soundsystem – “You Wanted a Hit (Soulwax Remix)”
  35. Kid Cudi – “Day’N’Night (Party Ben Remix)”
  36. A Roffle Meow – “The Fame Nasty”
  37. N*E*R*D + Nelly Furtado – “Hot N Fun”
  38. Bombay Bicycle Club – “Always Like This”
  39. Wale – “Freaks (Bird Peterson Remix)”
  40. Smiths – “Heaven Knows I’m Miserable Now”
  41. Xx – “VCR (Matthew Dear Remix)”
  42. Chromeo – “Night by Night (Midnight Conspiracy Remix)”
  43. Two Door Cinema Club – “Something Good Can Work (Twelves Remix)”
  44. Hot Chip – “Slush”
  45. Yeasayer – “O.N.E.”
  46. Aloe Blacc – “I Need a Dollar (Pristine Blusters & DJ Mulher ‘Millionaire’ Remix)”
  47. 80 Kidz + Lovefoxxx – “Spoiled Boy”
  48. Shiny Toy Guns – “Le Disko (Boyz Noise Remix)”
  49. João Brasil – “One Poker Touch”
  50. Miami Horror – “Sometimes (Bo$$ in Drama Remix)”
  51. Eagles of Death Metal – “Brown Sugar”
  52. Paul McCartney – “Birthday”
  53. Brazilian Beatles – Quando o Twist Apareceu”
  54. Alex Chilton – “Jumpin’ Jack Flash”
  55. Beck – “Need You Tonight”
  56. Los Hermanos – “Anna Júlia”
  57. Pacific! – “Hot Lips”
  58. JJ – “I Know”
  59. Paul McCartney – “For No One”
  60. Alex Chilton + Teenage Fanclub – “I Never Found Me a Girl”
  61. Passion Pit – “Tonight Tonight”
  62. Aloe Blacc – “Femme Fatale”
  63. Arnaldo Baptista – “Será Que Eu Vou Virar Bolor?”
  64. Siba + Cidadão Instigado – “Deus é uma Viagem”
  65. Beck – “Kangaroo”
  66. Cat Power – “Sea of Love”
  67. Lou Barlow – “On Fire”
  68. Jeff Mangum – “Oh Comely”
  69. Philip Selway – “By Some Miracle”
  70. She & Him – “Thieves”
  71. Grizzly Bear – “A Boy From School”
  72. National – “Bloodbuzz Ohio”
  73. Céu + Herbie Hancock – “Tempo de Amor”
  74. Phoenix – “Sad Eyed Lady of The Lowlands”
  75. Beatles – “Helter Skelter”

Neil Young via Conector

“Heart of Gold”, “Old Man”, “Don’t Let You Bring it Down”, “A Man Needs a Maid”, “Love in Mind” e “Dance, Dance, Dance” – gravadas ao vivo antes do Harvest ser lançado. Não me agradeça – agradeça ao Mini.

Lost por Gustavo Mini

A primeira coisa que eu falei pro Matias quando ele me chamou pra escrever sobre Lost foi um simples “não”. Afinal de contas, diferente da maior parte das pessoas que estão lendo as séries de posts de Lost no Trabalho Sujo, eu não estou acompanhando o seriado. Pra ser mais exato, eu abandonei Lost mais ou menos em S03E05 ou S03E06, quando percebi que não ia conseguir acompanhar as temporadas num ritmo adequado. Preferi, então, dizer não e me mantar à parte do tumulto da final.

Mas, veja como eu aprendi logo nas primeiras temporadas, não é tão fácil abandonar a ilha. Ou, melhor dizendo, não é tão fácil a ilha abandonar você. O Matias insistiu e eu me dei conta: mesmo sem continuar assistindo Lost de fato, eu acompanhei a maior parte da trama por fragmentos que chegaram até mim através de conversas próximas, posts rápidos em blogs ou comentários em redes sociais. Não vou saber descrever com detalhes o destino dos personagens, mas, mesmo sem querer, chegaram até mim notícias de que a coisa ficou realmente feia e incluiu viagens no tempo e realidades paralelas, uma grande sacanagem com os personagens de qualquer trama pop.

O ponto é o seguinte: em vez de eu acompanhar Lost, Lost é que me acompanhou. Pedaços da trama, entrevistas com os produtores e reações de fãs volta e meia orbitavam a minha vida mesmo que eu não quisesse ter nada a ver com o assunto. Obviamente isso não acontecia por acaso (acaso? Em Lost?). O seriado é um dos produtos ícone de uma nova leva de entretenimento meticulosamente desenhado para se espalhar, não apenas no que diz respeito aos formatos de mídia mas inclusive no conteúdo. Não é qualquer trama que suporta tamanha amplitude.

Como tudo hoje já nasce com teoria e explicação, compartilho com vocês a pirâmide invertida que fotografei num workshop da 42 Entertainment, empresa responsável por ARGs célebres como Why So Serious pro Cavaleiro das Trevas e Year One do Nine Inch Nails. Ela oferece uma visão bastante interessante que explica de forma clara o fenômeno Lost.

Em 2008, depois de participar desse workshop no Festival de Publicidade de Cannes, escrevi: “Essa pirâmide aí em cima mostra os níveis de envolvimento que o público pode ter com um ARG (clica na imagem que ela aumenta). Na ponta lá embaixo estão os louquinhos que rastreiam todas as pistas, formam comunidades pra resolver, atravessam a cidade até um telefone público para receber uma informação gravada, largam a namorada pra se dedicar ao ARG. Logo acima, no nível dois, estão os que acompanham as comunidades e participam do ARG de um jeito um pouco mais light, meio que sentado na cadeira em frente ao computador. O nível três diz respeito a quem sabe que um ARG está rolando, dá uma olhada de vez em quando e, se descobrir uma pista, passa para um amigo. O nível zero é o mainstream, que não sabe muito bem que negócio é esse, mas olha que legal a reportagem na TV sobre o ARG.”

Pois então.

O ensaísta Douglas Rushkoff chama de “moeda social” tudo aquilo que é usado pra gerar conexões entre pessoas. É uma espécie de medida de riqueza que determinados conteúdos ou produtos podem agregar a relações pessoais. O grande sucesso de Lost residiu na distribuição inteligente de moeda social para todos os níveis dessa pirâmide. Até mesmo os pobre maltrapilhos da base invertida como eu, que não tinham muito contato com o seriado, saíram com umas moedinhas no bolso. Se não muito pra dizer que fez parte da comunidade de um novo tipo de produto de entretenimento, ao menos o suficiente pra escrever um post no blog de um parceiro.

* Mini é dOEsquema.