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Linn da Quebrada ♥ Gal Costa

Linn da Quebrada aos poucos começa a mostrar seu esperado próximo álbum Fogo Fátuo revisitando “Nuvem Negra”, clássico de Djavan eternizado por Gal Costa, como se usasse a canção para limpar os caminhos para seus próximos passos. “Essa música me acompanha há muito tempo e agora, chegou o momento de compartilhá-la com vocês”, escreveu ao revelar o clipe da nova canção, produzida por Fernando Catatau com coprodução de Giovani Cidreira. “Ela foi e continua sendo um amuleto para mim, reconectando-me com o que há de mais íntimo e sagrado na arte”.

Ouça abaixo:  

A voz arrebatadora de Giovani Cidreira

Giovani Cidreira fez bonito nesta quinta-feira no teatro do Sesc Pompeia, quando lançou seu disco ao vivo Coração Disparado. Como no álbum, o baiano subiu ao palco sozinho com o violão, um teclado discreto e alguns efeitos para mostrar suas próprias canções – entre clássicos pessoais e músicas inéditas – num disco que teve direção de Rodrigo Gorky e participação especial de Benke Ferraz, dos Boogarins, que desta vez foi substituído pelo discreto João “Irmãozinho” Vítor, que entrou pela metade da apresentação para criar uma nova camada musical à sombra do violão expansivo e da voz arrebatadora de Cidreira, que, como de praxe, desatou a conversar entre as canções. Num dado momento, ao comemorar a chegada das festas de São João, fez troça com a plateia que pareceu não se animar com a novidade (até que Felipe Vaqueiro, na plateia, avisou que os paulistanos chamam estas comemorações de festa junina e não apenas de São João, como no nordeste), e aproveitou para falar da influência dos festejos desta temporada em sua formação – e o que era uma desculpa para mostrar sua versão para “Timidez”, do grupo cearense de forró Cavalo de Pau (que está no disco recém-lançado), serviu para que ele improvisasse uma inacreditável versão a capella para “Pau de Arara” de Luiz Gonzaga. Logo em seguida, pediu vaias para duas bandas – Legião Urbana e Los Hermanos – para cantar uma música da qual fosse mais vaiada. Calhou de ser o quarteto carioca, de quem Giovani cantou uma bela versão para “Último Romance” (quando esqueceu a palavra “sufoco” e inventou um tal “suflego” entre risos), coroando uma apresentação belíssima.

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Giovani Cidreira ♥ Legião Urbana

Eis a capa de Coração Disparado, disco em duas partes que Giovani Cidreira começa a mostrar a partir do próximo dia 5, quando lança a primeira delas, gravada ao vivo no Porão da Casa de Francisa, no ano passado. E como aperitivo desta nova fase, Gio e Benke Ferraz, dos Boogarins, que produziu o disco, gravaram várias demos e versões ao vivo de músicas que testaram para esse show, que agora disponibilizam no Bandcamp de Giovani com o título de Demos ao Vivo e Outras Coisas – entre elas, duas versões para músicas do Legião Urbana, “Angra dos Reis” e “Teatro dos Vampiros”. Ouça abaixo:  

Pra fechar bem janeiro

Fechando esse longo janeiro de 2025 com o belo espetáculo proporcionado por Giovani Cidreira ao lançar seu ótimo Carnaval Eu Chego Lá, no Sesc Vila Mariana. Celebrando a obra do conterrâneo Ederaldo Gentil (falecido em 2012 e autor de joias como “Feira do Rolo” e “O Ouro e a Madeira”, eternizadas por Alcione e Clara Nunes, entre outras), o disco do ano passado verteu-se num show emotivo e impulsivo – como é típico de Giovani – em que o músico liderou uma banda formada por Filipe Castro (percussão, que também produziu o disco), seu velho compadre Cuca Ferreira (sax e flauta), Lu Manzin (teclados e vocais), Pedro Bienemann (baixo), Ed Trombone (trombone) e Pedro Lacerda (bateria) dividindo-se entre o violão e os teclados, deixando sua bela voz conduzir a apresentação, que ainda contou com músicas de seus discos anteriores, e com a participação das Pastoras – as três cantoras que Kiko Dinucci reuniu a Juçara Marçal para acompanhá-lo em seu disco Rastilho – , Graça Reis, Dulce Monteiro e Maraísa, que subiram ao palco em uma mesa de bar, quando acompanharam Giovani em momentos únicos deste show, trazendo um calor ainda mais afetivo para a noite. Foi bonito.

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Os 50 discos brasileiros mais importantes de 2024 segundo júri da Associação Paulista dos Críticos de Arte

Nesta segunda-feira, a Associação Paulista de Críticos de Arte reúne-se mais uma vez para escolher os grandes nomes do ano que passou e esta relação abaixo lista os 50 discos mais importantes de 2024 de acordo com o júri de música popular da Associação, da qual faço parte ao lado de Adriana de Barros (Mistura Cultural), Bruno Capelas (Programa de Indie), Camilo Rocha (Bate Estaca), Cleber Facchi (Música Instantânea), Felipe Machado (Times Brasil), Guilherme Werneck (Canal Meio), José Norberto Flesch (Canal do Flesch), Marcelo Costa (Scream & Yell), Pedro Antunes (Tem um Gato na Minha Vitrola) e Pérola Mathias (Poro Aberto).

Adorável Clichê – Sonhos Que Nunca Morrem
Alaíde Costa – E o Tempo Agora Quer Voar
Amaro Freitas – Y’Y
Bebé – Salve-se!
Black Pantera – Perpétuo
Bonifrate – Dragão Volante
Boogarins – Bacuri
Cátia de França – No Rastro de Catarina
Caxtrinho – Queda Livre
Céu – Novela
Chico Bernardes – Outros Fios
Chico César e Zeca Baleiro – Ao Arrepio da Lei
Crizin da Z.O. – Acelero
Curumin – Pedra de Selva
Duda Beat – Tara e Tal
Exclusive Os Cabides – Coisas Estranhas
Febem – Abaixo do Radar
Fresno – Eu Nunca Fui Embora
Giovani Cidreira – Carnaval Eu Chego Lá
Gueersh – Interferências na Fazendinha
Hermeto Pascoal – Pra você, Ilza
Ilessi – Atlântico Negro
Josyara – Mandinga Multiplicação – Josyara Canta Timbalada
Junio Barreto – O Sol e o Sal do Suor
Kamau – Documentário
Lauiz – Perigo Imediato
Luiza Brina – Prece
Maria Beraldo – Colinho
Milton Nascimento & Esperanza Spalding – Milton + Esperanza
Ná Ozzetti e Luiz Tatit – De Lua
Nando Reis – Uma Estrela Misteriosa
Negro Leo – RELA
Nina Maia – Inteira
Nomade Orquestra – Terceiro Mundo
Oruã – Passe
Papangu – Lampião Rei
Paula Cavalciuk – Pangeia
Pluma – Não Leve a Mal
Pullovers – Vida Vale a Pena?
Samuel Rosa – Rosa
Selton – Gringo Vol. 1
Sergio Krakowski Trio e Jards Macalé – Mascarada: Zé Kéti
Silvia Machete – Invisible Woman
Sofia Freire – Ponta da Língua
Tássia Reis – Topo da Minha Cabeça
Taxidermia – Vera Cruz Island
Teto Preto – Fala
Thalin, Cravinhos, Pirlo, iloveyoulangelo & VCR Slim – Maria Esmeralda
Thiago França – Canhoto de Pé
Zé Manoel – Coral

Um filme em busca de uma trilha

Cuca Ferreira pisou firme em sua estreia como artista solo em sua apresentação no Centro da Terra nesta terça-feira. Embora ainda se escondendo sob o pseudônimo de Cuca Sounds, ele deixou sua marca explícita em toda a apresentação, desde o desenho da formação musical que reuniu à escolha do repertório até a forma como ele foi apresentado. A deixa inicial foi a primeira apresentação ao vivo do EP que lançou no primeiro semestre que batizava o espetáculo, Música em Busca de um Filme, mas esse foi só o mote inicial da noite, resolvido na primeira faixa. Dali em diante, Cuca e o exército de sopro e ritmo que organizou mergulharam no mar das memórias do saxofonista, passando por músicas que foram importante em sua carreira, como “Algo Maior” da Tulipa Ruiz, “Pomba de Gira do Luar” de Luiza Lian e “Saudade de Casa” e “Ngm + Vai Tevertrist” de Giovani Cidreita, um dos convidados da noite, com quem Cuca vem trabalhando ao vivo; e faixas autorais, como as do disco que lançou há pouco tempo, uma da segunda parte deste projeto, ainda inédita, e uma música em homenagem ao compositor Philip Glass, chamada “Glass Key”, esta última coreografada por sua filha, a dançãarina Beatriz Galli que, como o próprio pai disse antes da apresentação, mostrou que não estava ali por nepotismo. A banda, sem instrumentos harmônicos ou bateria, contava com velhos e novos cúmplices de Cuca, como o baixista Fábio Sá (com quem sempre tocou em projetos temporários), a flautista Marina Bastos (com quem ele tocava pela primeira vez), a percussionista Valentina Facury e o trombinista Doug Bone (ambos integrantes de uma de suas bandas, o decano Bixiga 70). Longe do palco, Bernardo Pacheco e Paulinho Fluxus, outros velhos camaradas de Cuca, cuidavam respectivamente do som e da luz, provocando intervenções cirúrgicas. E escondido atrás das cortinas estava o agente oculto Marcos Vilas Boas, que projetava imagens durante toda a apresentação – até chegar ao ápice da noite, quando a banda – e a dançarina – improvisou a partir de imagens que Vilas Boas projetava sem ter combinado nada previamente, invertendo o título da noite e mostrando o quanto essa formação é orgânica e próxima, num delírio em preto e branco. Agora é colocar essa turma na estrada, seu Cuca!

Assista abaixo:  

Cuca Sounds: Música em Busca de um Filme

Satisfação receber nesta terça-feira, no Centro da Terra, a primeira apresentação solo do saxofonista Cuca Ferreira, que traz o espetáculo Música em Busca de um Filme usando o nome de CucaSounds. Integrante fundador do Bixiga 70, Cuca também faz parte do trio Atønito e da banda Corte, ao lado de Alzira E, e já tocou e arranjou para artistas como Elza Soares, João Donato, Tulipa Ruiz e Giovani Cidreira. Este último, inclusive, participa desta primeira apresentação solo, que também terá a participação da dançarina Bia Galli, da flautista Marina Bastos, da percussionista Valentina Facury, do baixista Fábio Sá, do trombinista Doug Bone, além de projções feitas por Marcos Vilas Boas. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda na bilheteria e no site do Centro da Terra.

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CFest: Balanço final

O C6Fest terminou neste domingo estabelecendo um novo padrão de realizar festivais de música em São Paulo. Conseguiu provar que é possível fazer um bom festival com boa estrutura e curadoria equilibrando-se entre o comercial e o pouco previsível trazendo tanto artistas novos e relevantes quanto nomes consagrados – e, principalmente, dissociar a ideia de festival de música estar atrelada a dia de perrengue, como o que fizeram os festivais realizados em São Paulo na última década. Obviamente a questão do preço extorsivo do ingresso é um ponto central nos poucos contras do evento: não bastasse ser caro pra cacete, só era permitido que se frequentasse um dos três palcos em que se realizavam os shows, algo que é uma irrealidade longe da vida de qualquer fã de música que não nasceu em berço de ouro. Eu mesmo já estava conformado em não ir caso não estivesse credenciado. Mas falo disso abaixo.  

Entre o céu e o inferno da canção

Jadsa escolheu a canção como fio da meada da primeira noite de sua temporada no Centro da Terra e convidou o conterrâneo e contemporâneo Giovani Cidreira para cair no Big Buraco que vai tomar conta das segundas-feiras no palco mais ousado do Sumaré. Juntos e acompanhados apenas de seus instrumentos – Jadsa na guitarra e Giovani ao violão -, os dois foram do céu ao inferno entrelaçando vozes e instrumentos em canções cruas que eram distorcidas pelos efeitos de Felipe Galli, que fez timbres e ecos dar novas dimensões a um encontro tão afetivo e importante. E pensar que foi só a primeira noite…

Assista aqui.